sábado, 4 de maio de 2013

AS RELÍQUIAS DE PAULO VANZOLINE...


Na Boca

da Noite

Paulo Vanzolini

Cheguei na boca da noite, parti de madrugada 
Eu não disse que ficava nem você perguntou nada 
Na hora que eu ia indo, dormia tão descansada, 
Respiração tão macia, morena nem parecia 
Que a fronha estava molhada 
Vi um rosto na janela, parei na beira da estrada 
Cheguei na boca da noite, saí de madrugada 
Gente da nossa estampa não pede juras nem faz, 
Ama e passa, e não demonstra sua guerra, sua paz 
Quando o galo me chamou, eu parti sem olhar pra trás 
Porque, morena, eu sabia, se olhasse, não conseguia 
Sair dali nunca mais 
O vento vai pra onde quer, a água corre pro mar 
Nuvem alta em mão de vento é o jeito da água voltar 
Morena, se acaso um dia tempestade te apanhar 
Não foge da ventania, da chuva que rodopia, 
Sou eu mesmo a te abraçar


 

Nenhum comentário:

Postar um comentário