domingo, 10 de dezembro de 2017

A ANTÍTESE...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL

               FUI NA VIDA A ANTÍTESE DELA....
               VIVO UMA VIDA MONÁSTICA PULSANDO NUM CORAÇÃO FEITO PARA A RIBALTA...
               TENHO CAMINHADA  NA ZONA ABISSAL AFÓTICA, LONGE DOS CANHÕES DE LUZES,CARENTES ATÉ DA CENTELHA DOS VAGALUMES...ERREI DE CAMINHO SEM TER ME PERDIDO....
               AS VEZES, ATÉ A POESIA FOGE DE MIM, E EU A SINTO E A ENXERGO DE LONGE, MAS SEM TER POSIÇÃO DE TIRO...
               A VIDA, PRA MIM, FOI POUCA OU FOI DEMAIS....O EXCESSO PROVOCOU FALTAS E AS FALTAS CONDUZIRAM A UM EXCESSO DE AUSÊNCIAS E DE MOVIMENTOS...

              DIANTE DOS FATOS FLUTUO,CONTEMPLO-OS...SUBLINHO COM RETOQUES INCOLORES COM LINHAS TORTUOSAS...
               DIANTE DE TODO ESTE BARULHO EU ME CHAMO SILENCIO...PERDI A VOZ, PERDI A COBIÇA E JÁ NÃO VEJO BEM...
              ME TORNEI INDIFERENTE AO RIDÍCULO DAS PEQUENAS COISAS...MEU FORTE É ESTA SOLIDÃO IMENSA DIANTE DAS MULTIDÕES ESTRIDENTES...
               SOU UMA PESSOA SEM O TEJO,CARREGADO DE ANGÚSTIAS E DE SENTIMENTOS,MAS ESMAGADO PELO EXCESSO DE TER QUE SENTI-LOS...
              NA VIDA, FUI SOMENTE SENSIBILIDADE...FOI SENTIR O QUE MAIS FIZ...E O FI-LO MAIS DO QUE O QUE EXECUTEI, TRANSFORMEI OU REAGI...FIQUEI ANÉRGICO...
               POBRE DE MIM QUE SENTE FALTA DO QUE DEIXEI DE SE-LO...
               POBRE DE MIM QUE SONHA COM UMA ESTAÇÃO DE AMOR...
               POBRE DE MIM QUE DEIXEI DE SONHAR...
               POBRE DE MIM QUE SÓ GOSTO DOS MEUS CACHORROS...
               POBRE DE MIM QUE DESEJOS JARDINS...
               POBRE DE MIM CUJA BOCA ENTORTOU E EU FIQUEI ASSIM.
               AGORA CONTINUO SILENTE, INERTE,APENAS OBSERVANDO...E COMO MANUEL BANDEIRA, QUANDO FAÇO VERSOS É COM QUEM JÁ MORREU.

sábado, 25 de novembro de 2017

PAI , POR QUE NOS ABANDONASTES? POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL

   


              Tenho o hábito de levar  UM JORNAL PARA LER, QUANDO VOU AO SANITÁRIO...
               LER NOTÍCIAS DE NATAL É O MAIOR LAXANTE PARA O MEU ORGANISMO...
               Existe cronicas que apressam melhor o funcionamento do intestino grosso...funcionam instantaneamente, é semelhante a Bisacodil: ducolax, gutalax...
               Existe jornalistas que são laxantes menores, são mamões, ameixas...leva mais tempo...
               Hoje levei ao banheiro um jornal cujas notícias eram atuais,pareciam do dia...as mesmas...ao olhar a data constatei que era de 20 de novembro de 2016...poderia ter sido vendido como de 20 de novembro de 2017...
               QUE TERRINHA CHOCA...ESTAGNADA...A DE SEMPRE...
               A PRINCIPAL MANCHETE ERA : GOVERNO VAI ATRASAR O DÉCIMO TERCEIRO...RESERVATÓRIOS DE ÁGUA SECANDO...POR ISTO SE FECHA JORNAL TODO DIA NESTA TRIBO DE POTI...
               SOMENTE PARA ACENTUAR O DRAMA PSICOLÓGICO REPITO:
UM JORNAL, UM ANO DEPOIS, BATE E COMENTA OS MESMOS ASSUNTOS...
               ESTA TERRA PAROU...É UM TÚMULO DAS ESPERANÇAS...É O QUE NÃO TEM GOVERNO...SÓ NÃO FALTA DINHEIRO É PARA FAZER AS FESTAS,QUE DÁ DINHEIRO A MUITO INTERMEDIÁRIO...TEM MUITO SABIDÃO SE DANDO BEM FAZENDO FESTA PRO GOVERNO...PODEMOS TER A MAIOR CRISE FINANCEIRA, MAS AS FESTAS NÃO PODEM PARAR,
DINHEIRINHO FÁCIL...
               AINDA ESPERO QUE O GOVERNADOR ASSUMA O GOVERNO PARA O QUAL ELE FOI ELEITO, E PASSE A NÃO FAZER TUDO O QUE ELE COMBATIA DO GOVERNO DESASTROSO DE ROSALBA CIARLINE....MAS TUDO CONTINUA COMO ERA ANTES NO QUARTEL DE ABRANTES...

               Pela primeira vez na história do mundo, um grupo de corruptos assume um governo, para resolver e sanar um problema de corrupção...parece até um tratamento homeopático...
               Neste país,
corrupto nascem de cachos...corruptos analfabetos e letrados...irmãos siameses na corrupção e na safadeza.
               Perdemos a vergonha, perdemos a coragem, perdemos a indignação, perdemos a capacidade de se indignar...
              É tempo de repetir muitas vezes a sagrada frase do Santo Suplício:
               PAI, POR QUE NOS ABANDONASTES...?

SAUDADES DE WILSON DAS NEVES...

Wilson das Neves (Rio de Janeiro, 14 de junho de 1936 – Rio de Janeiro, 26 de agosto de 2017) foi um baterista, cantor e compositor brasileiro.
Simpático, sempre alegre e elegante, era um exímio criador de frases de efeito e bordões, dentre as quais podemos destacar as seguintes:
“Eu nasci sem saber nada e também vou morrer sem aprender tudo. E se a morte é um descanso, Meu bem, eu prefiro viver é cansado.”
“Não importa o que você é, mas o que você faz, se é que faz alguma coisa”,
“Eu tenho tudo, porque não quero nada”,
“Barata viva não atravessa terreiro”,
“Se a onça morrer o mato é nosso” e
“Quem me ensinou sabia”.
Dentre os bordões, o mais famoso é “Ô, sorte”, uma saudação que costumava trocar com o amigo músico Roberto Ribeiro, comemorando a felicidade de serem ambos do Império Serrano. “Ele morreu, eu fiquei com o bordão. É um agradecimento à vida, a meus orixás, a tudo”, disse o baterista.
Das Neves, como era chamado, foi parceiro de Aldir Blanc, Paulo Cesar Pinheiro, Nei Lopes, Ivor Lancellotti, Claudio Jorge, Marcelo Amorim, Moacyr Luz e Chico Buarque, com quem tocou muito tempo.
Além de compositor podemos dizer que ele e o Paulo César Pinheiro, na composição da música “O DIA QUE O MORRO DESCER E NÃO FOR CARNAVAL” foram visionários, ou seja, eles estavam à frente de seus tempos, ao preverem os últimos acontecimentos na cidade do Rio de Janeiro.
É ouvir pra crer!
Um abraço,

sábado, 11 de novembro de 2017

NO TEMPO DA GARAPA...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL

         

               Nasci e me criei no agreste...em Nova Cruz, onde de dia faltava água e á noite faltava luz....
               Caminhei 62 anos, mas não consegui fugir da minha rua...da minha calçada...do paraíso da minha infância...
              Hoje sobrevoo outras planícies, mas Nova Cruz ainda é a minha outra asa.
               Lá aprendi com o inverno e o estio e me tornei um homem...
               Vim ao mundo pelas mãos de Dona Maria gorda, a parteira que fez todos os partos de mamãe...
               Uma criança gorda, um adolescente gordo, um adulto gordo...mas graças a Deus serei um velho magro...
               O mundo detesta gente gorda...a vida também...o gordo é engraçado, mas ninguém compra...a propósito de ter sido uma criança gordinha, me lembrei ontem de um episódio da infância, que a minha meninice escutou e se posicionou,diferenciando-me.
               Meu pai, Chico Bezerra, comprava um carro de trem de açúcar, para revender na cidade...o vagão trazia esta mercadoria acondicionada em sacos de 60 kilos...
               Um grupo de cabeceiros empreitava com o velho para descarregar o trem...
               O Vagão estacionava na escadaria do Bar de Chico LÔLÔ, e começava o trabalho de formiguinha...automaticamente os homens traziam na cabeça  um saco, formava-se uma verdadeira Fila, um caminho, do vagão até o nosso depósito...
               Meu pai ficava no armazém vendendo,
mas no balcão se posicionava com o um goleiro:olho no armazém e olho no depósito, vigiando o descarregamento.
               NO DEPÓSITO ficava eu e mamãe e a gata Bolinha, caçadora de catitas da loja...seu pelo era de bolas pretas e bolas brancas...
               Eu observava o vai e vem dos homens fazendo força...
               Tinha o nego Sérgio, forte, musculoso, sabido, irreverente...
               Tinha Zé Meira, alto, moreno, calado, impenetrável como um peixe...
               Tinha Coca Cola, educado por natureza, macio,discreto...
               Tinha Falcão, alto, branco ou anêmico, um meninão...
               Tinha Antônio, que seguia o que Sérgio dizia...
               Tinha pena deles, trabalhavam tanto, mas sobre os quais  a vida não teve  nenhuma complacencia...aprendi com eles a valorizar o trabalho e não reclamar de barriga cheia...
               Mas neste dia, Falcão usou uma frase e foi mal interpretado...
               Lá vinha ele  com um saco na cabeça, e ao me ver, falou: Como este menino está gordo???parece até filho de ladrão quando o pai está solto...
               Esta evidencia, caiu como uma centelha num barril de pólvora...e mamãe explodiu veementemente contra o cabeceiro...
               Eu podia ter no máximo sete anos,entendi mamãe mas compreendi o trabalhador...fui um bombeiro...
               Disse mamãe, ele não quis chamar Papai de ladrão...ele usou um ditado comum, do cotidiano...desculpe-o...é um pobre...
               Mamãe era excelente,caridosa,mas explodia, como explodem os PIMENTEL...são temperamentais, ficam vermelhos quando tem raiva, daí serem assemelhados a pimenta, segundo Câmara Cascudo...
               Todas estas explosões eram sanadas apenas com uma garapa de açúcar...quando eu era criança, era um excelente tranquilizante.
               Toda a família tomava uma garapa para se acalmar, baixar a pressão, diminuir a frequencia cardíaca.era um santo remédio...
o mais usado.
          Toda a minha família já escapou de morrer tomando uma garapa de açúcar.
          E parafraseando Dr. Ramos,  o nosso medico na metade do século passado, mesmo quem tomou uma garapa e morreu, morreu muito melhorado.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

VINICIUS DE MORAES...O CLÍMAX DO ESTADO DE POESIA.


A QUE HÁ DE VIR...

QUE SERÁ MINHA, COMO A FORÇA É DO FORTE E A POESIA É DO POETA...



Vinícius de Moraes

Aquela que dormirá comigo todas as luas
É a desejada de minha alma.
Ela me dará o amor do seu coração
E me dará o amor da sua carne.
Ela abandonará pai, mãe, filho, esposo
E virá a mim com os peitos e virá a mim com os lábios
Ela é a querida da minha alma
Que me fará longos carinhos nos olhos
Que me beijará longos beijos nos ouvidos
Que rirá no meu pranto e rirá no meu riso.
Ela só verá minhas alegrias e minhas tristezas
Temerá minha cólera e se aninhará no meu sossego
Ela abandonará filho e esposo
Abandonará o mundo e o prazer do mundo
Abandonará Deus e a Igreja de Deus
E virá a mim me olhando de olhos claros
Se oferecendo à minha posse
Rasgando o véu da nudez sem falso pudor
Cheia de uma pureza luminosa.
Ela é a amada sempre nova do meu coração
Ela ficará me olhando calada
Que ela só crerá em mim
Far-me-á a razão suprema das coisas.
Ela é a amada da minha alma triste
É a que dará o peito casto
Onde os meus lábios pousados viverão a vida do seu coração
Ela é a minha poesia e a minha mocidade
É a mulher que se guardou para o amado de sua alma
Que ela sentia vir porque ia ser dela e ela dele.
Ela é o amor vivendo de si mesmo.
É a que dormirá comigo todas as luas
E a quem eu protegerei contra os males do mundo.
Ela é a anunciada da minha poesia
Que eu sinto vindo a mim com os lábios e com os peitos
E que será minha, só minha, como a força é do forte e a poesia é do poeta

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

AS COISITAS DO NOVA CRUZ DO NUNCA MAIS...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL.

              Bons tempos aqueles em que eu tinha um sorriso largo e existir era diferente de viver...
          Nova cruz sem luz e sem água, mas meus sonhos claros como um dia, e o meu jardim repleto de orvalhos de sonhos...
               De repente me vem á tona os tipos psicológicos da minha terra, e eu me lembro de velhas estórias que me fizeram rir...
               Na chegada dos telefones na cidade, todo mundo dava uma telefonada para ver como era...
              Seu Zezinho, bodegueiro em cuja bodega tinha até mertiolate, foi a mais sortida que eu conheci...O comerciante levanta-se eufórico para atender o seu primeiro telefonema...escuta:
Seu Zezinho, o senhor tem sardinhas em lata...o senhor solícito e orgulhoso responde: tenho, quer quantas latas? o interlocutor responde: Homem, solte as bichinhas...o comerciante desligou o telefone com angina pectoris.

                        
              Já Marieta,afrodescendente, filha do querido Sebastião Vedar, era quem puxava a ALA MOÇA de José Peixoto, nas passeatas...
               E a passeata desceu pra fazenda LAPA, a casa do Coronel Severino Augusto de Morais...
               A morena não se aguentou quando viu o telefone dando bobeira e disse: vou já ligar pra madrinha Lila...Dona LILA era a esposa de Dr Octacílio, e era Geraldista, apoiava Geraldo Guerra para prefeito...já era perto de meia noite quando Marieta LIGA:
               Madrinha Lila diga onde eu estou? a senhora já atendeu aborrecida pela hora...
              Eu estou na LAPA, na casa do Coronel,no comício de José Peixoto...já comi foi muito...banquetão....e acabei de soltar um PEIDO.
               Resposta de Dona Lila:
foi safada?...por que não colocou o cu no telefone para eu escutar?...

               Mas comerciante mesmo era José Cirilo...ninguém saía da loja do homem sem comprar nada...ele sabia oferecer...substituir...era simpático...paciente.
              Certa vez, Reginaldo Miranda, meu sogro, entrou na loja de JOSÉ e perguntou se tinha GILLETE...o proprietário se desculpou dizendo: infelizmente está faltando, mas eu acabei de receber uns pínicos muito bons...veja , observe, que coisa fina...
               Seu Reginaldo ficou sério, e respondeu:são lindos José,mas  como danado eu vou fazer a barba com um pinico?????
O CARTÓRIO E A CASA DO JUIZ...

PARA A HISTÓRIA DE NOVA CRUZ:


             O DR GALDINO DOS SANTOS LIMA ERA IRMÃO DA MINHA AVÓ MATERNA, A POETISA ANA LIMA, CASADA COM O PROFESSOR CELESTINO PIMENTEL...É O AVÔ DE EVILENE E BISAVÔ DE JANAÍNA...
O TIO GALDINO ERA JUIZ DE DIREITO EM NOVA CRUZ, NO INÍCIO DO SÉCULO PASSADO...MORAVA VIZINHO AO CARTÓRIO QUE DEPOIS FOI DE ALBERTO DELGADO...ERA A CASA DO JUIZ DA CIDADE...
UM DIA, ESTAVA REALIZANDO UM CASAMENTO...PAROU O PROCEDIMENTO E PEDIU AOS NOIVOS PARA SE AUSENTAR POR INSTANTES E FOI NA SUA CASA...DEMOROU MUITO, E OS NOIVOS ESPERANDO...APÓS MUITA ESPERA, FORAM NA CASA DO JUIZ, CHAMARAM E NADA...ARROMBARAM A PORTA DO BANHEIRO, E O TIO GALDINO HAVIA MORRIDO, SENTADO NO SANITÁRIO...

sábado, 28 de outubro de 2017

CIRANDA DA TRAIÇÃO...

OS TRIBALISTAS VOLUME DOIS: EU CAÍ DE UMA PLACENTA...

CONVERSA DE PAI E FILHA...POR ANTONIO MARIA

Conversa - Pai, eu tenho um namorado.
***


Pai, que ouve isso da filha mocinha, pela primeira vez, sente uma dor muito grande. Todo sangue lhe sobe à cabeça, e o chão do mundo roda sob seus pés. Ele pensava, até então, que só a filha dos outros tinha namorado. A sua tem, também. Um namorado presunçosamente homem, sem coração e sem ternura. Um rapazola, banal, que dominará sua filha. Que a beijará no cinema e lhe sentirá o corpo, no enleio da dança. Que lhe fará ciúmes de lágrimas e revolta; pior ainda, de submissão, enganando-a com outras mocinhas. Que, quando sentir os seus ciúmes, com toda certeza, lhe dirá o nome feio e, possivelmente, lhe torcerá o braço. E ela chorará, porque o braço lhe doerá. Mas ela o perdoará no mesmo momento ou, quem sabe, não chegará, sequer, a odiá-lo. E lhe dirá, com o braço doendo ainda: "Gosto de você, mais que de tudo, só de você." Mais que de tudo e mais que dele, o pai, que nunca lhe torceu o braço. Só de você é não dele, o pai. E pensará, o pai, que esse porcaria de rapaz fará a filha mocinha beber whisky, e ela, que é mocinha, ficará tonta, com o estomâgo às voltas. Mas terá que sorrir. E tudo o que conseguir dela será, somente, para contar aos amigos, com quem permuta as galolices sobre suas namoradas. Ah! O pai se toma da imensa vontade de abraçar-se à filha mocinha e pedir-lhe que não seja de ninguém. De abraçá-la e rogar a Deus que os mate, aos dois, assim, abraçados, ali mesmo, antes que torça o bracinho da filha. Como é absurda e egoisticamente irracional amor de pai! Mais que ódio de fera. Ele sabe disso e se sente um coitado. Embora sem evitar que todos esses medos, iras e zelos passem por sua cabeça, tem que saber que sua filha é igual à filha dos outros; e, como a filha dos outros, será beijada na boca. Ele, o pai, beijou a filha dos outros. Disse-lhe, com ciúme, o nome feio. E torceu-lhe o braço, até doer. Nunca pensou que sua namorada fosse filha de ninguém. Ele, o pai, humanamente lamentável, lamentavelmente humano. Ele, o pai, tem, agora, que olhar a filha com o maior de todos os carinhos e sorrir-lhe um sorriso completo de bem-querer, para que ela, em nenhum momento, sinta que está sendo perdoada. Protegida, sim. Amada, muito mais. E, quando ela repetir que tem um namorado, dizer-lhe apenas:
***
- Queira bem a ele, minha filha.
Antônio Maria

COM BEIJOS....


Um improviso do poeta Aldo Neves:
No teu beijo Deus bota uma mistura
Que imitá-lo eu acho tão custoso
O teu beijo pra mim é mais gostoso,
Que uma manga depois que está madura.
Porque ele pra mim tem mais doçura
Que o miolo da própria melancia
Eu beijei o teu rosto e não sabia,
Que o teu cheiro ficava em minha face
Se o teu beijo matasse quem beijasse
Eu beijava sabendo que morria.

OS MARSUPIAIS...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL.

A  CASSE   DOS MAMÍFEROS    POSSUEM MUITAS ORDENS...

UMA DAS ORDENS SÃO REPRESENTADOS PELOS CANGURUS...


OS MARSUPIAIS  POSSUEM UMA BOLSA NO ABDOME, COM 


UMA ABERTURA PARA AGASALHAR OS FILHOTES, ONDE ELES MAMAM...

OS MARSUPIAIS SE DESENVOLVERAM E SE ADAPTARAM BEM  NA AUSTRÁLIA, LUGAR DE MUITOS E MÚLTIPLOS CANGURUS...TODOS SÃO  MARSUPIAIS...

ESTA CAVIDADE NATURAL CHAMA-SE MARSÚPIO, DAÍ O NOME MARSUPIAIS...


OS FILHOTES COMPLETAM O SEU DESENVOLVIMENTO DENTRO DO MARSÚPIO...


NO BRASIL, OS MARSUPIAIS ESTÃO REPRESENTADOS PELOS TIMBUS OU GAMBÁS...


EXISTE INCLUSIVE NO AGRESTE POTIGUAR...


ENTRE SANTO ANTÔNIO E BREJINHO, PASSAGEM, VIMOS VEZ EM QUANDO O TIMBU...


O TIMBU É UM PREDADOR NATURAL DAS GALINHAS...


SEMPRE ENCONTRO UM TIMBU NAS  ESTRADAS DO AGRESTE...


O TIMBU PARECE UM RATO GRANDE DE ÓCULOS...



VEJA ABAIXO UMA FOTO INUSITADA:



UM TIMBU COM A SUA  NINHADA,CARREGADA NO PRÓPRIO CORPO...



EM NOVA CRUZ, QUANDO SE FLATULA  MUITO FEDORENTO,A GENTE PERGUNTA: COMESTES UM FILHOTE DE TIMBU ?

sexta-feira, 27 de outubro de 2017



SOBRE O HOMEM E OS SEUS RIOS...POR BERNARDO CELESTINO PINMENTEL
TODO HOMEM TEM UMA TERRA, UM AMOR E UM RIO...
EU TENHO TRÊS RIOS, ONDE JÁ DEPOSITEI A MINHA ANGUSTIA E A MINHA ESPERANÇA...

QUANDO CRIANÇA,PESCAVA PIABA NO CURIMATAÚ,COM UMA GARRAFA DE VINHO SECA, COM O FUNDO CÔNCAVO...NESTA ÉPOCA,AINDA NÃO CONHECIA A MALDADE...
DEPOIS, VIM PRO RIO JACÚ, EM SANTO ANTÔNIO, ONDE DURANTE DEZ ANOS, DEPOSITEI A MINHA EUFORIA E VIVACIDADE DE MÉDICO RECÉM SAÍDO DE UMA RESIDENCIA DE CIRURGIA...CONHECÍ A ONÇA E O PREÁ...E A ONÇA SALTAVA E MORDIA...
ATAVICAMENTE , TRAGO DENTRO DE MIM O RIO POTENGÍ, QUE MINHA MÃE AMAVA,E ERA TÃO CANTADO POR DEOLINDO LIMA, NA CANÇÃO PRAIEIRA, DE OTONIEL MENEZES...
SE FOSSE UM ESCAFRANDISTA, E PUDESSE MERGULHAR NA IMENSIDÃO DO POTENGÍ, ENCONTRARIA OS SONHOS DE ARSÊNIO CELESTINO PIMENTEL, O MEU Bisavô, O PORTUGUÊS, QUE GANHOU DO GOVERNADOR, A SUA MARGEM ESQUERDA, E LÁ, ENSINAVA PIANO E CONSULTAVA...
ENCONTRARIA OS ALFARRÁBIOS DE MEU AVÔ , CELESTINO PIMENTEL,COM AS SUAS CONFIDÊNCIAS, OS SEUS SONHOS, PEDAÇOS DO ATHENEU, E OUTROS SEUS AMORES...
ENCONTRARIA POEMAS DA MINHA AVÓ, ANA LIMA, QUE TERMINARAM NO FUNDO DO RIO,DEPOIS DA SUA CURTA EXISTÊNCIA,BEIJANDO VERBENAS...
A OBRA MAIS BONITA DE NATAL É A PONTE NEWTON NAVARRO...
PORÉM QUEM DÁ A SUA BELEZA , É AQUELE ABRAÇO QUE O RIO POTENGÍ DÁ NO MAR...
ENTREGANDO A SUA DOÇURA, A AMARGURA SALGADA DO MAR...
COMO UM HOMEM TAMBÉM SE ENTREGA AO SEU DESTINO,ESQUECENDO ANTIGOS SONHOS,MATANDO AMORES,E PASSANDO A SER UMA MISTURA DE ÁGUAS, DE SONHOS, ESPERANÇAS E FRUSTAÇÔES...
UM HOMEM SE PARECE COM UM RIO,SEGUINDO A SUA DESTINAÇÃO,PREDESTINADA...
AS VEZES,ATRAVESSO A PONTE DE TODOS,PARA SAIR UM POUCO DE MIM, E VER NATAL DE LONGE...
QUANDO VOLTO DA REDINHA, AVISTO DO MEIO DA PONTE UM POEMA DE NAVARRO, QUE É A BELEZA DA PRÓPRIA CIDADE...
ENXERGO NAS SUAS ÁGUAS OS POETAS, QUE COMO NEWTON NAVARRO, FAZIAM DA RIBEIRA A SUA ARCÁDIA,E TODAS AS LÁGRIMAS E SONHOS ERAM DEPOSITADAS,NO RIO POTENGÍ,NAS MADRUGADAS ONDE MORRIAM AS PAIXÕES SEM AMANHÃ...
O RIO CARREGAVA PARA O MAR TODOS OS SONHOS,TODAS AS JURAS, TODOS OS BEIJOS, QUE ERAM DESPEJADOS NA RIBEIRA DE ANTIGAMENTE...
ME SENTÍ NA OBRIGAÇÃO DE CANTAR O POTENGÍ, O RIO DE CÃMARA CASCUDO,O RIO DESTA CIDADE,QUE A VEJO DELICIOSA COMO UM PÃO DE LÓ...E AÍ FUI NOSTÁLGICO...REVÍ ANTIGAS MESAS FARTAS...
É FELIZ O HOMEM QUE CANTA A SUA CIDADE E O SEU RIO...
QUE DEPOSITA NAS SUAS ÁGUAS AS SUAS MÁGOAS E SONHOS,
E AO CHEGAR NA SUA FOZ, TROCA TODAS AS SUAS ANGÚSTIAS PELA ESPERANÇA...
IMORTALIZANDO-A...
E VENDO O MAR COMO EU VEJO:
A TOALHA AZUL QUE FORRA O ALTAR DE DEUS...
CUJOS OLHOS ESTÃO EM TODOS OS LUGARES, CONTEMPLANDO O BEM E O MAL...

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

MAIS UMA MÍSTICA: SEMEAR...

Um rapaz entrou numa Loja e viu um senhor no balcão.
Maravilhado com a beleza do lugar, perguntou:
- Senhor, o que se vende aqui?
- Os dons de Deus. Respondeu-lhe o senhor.
- Quanto custam? - voltou a perguntar.
- Não custam nada. Aqui tudo é de graça!
O rapaz contemplou a Loja e viu que haviam jarros de amor, vidros de fé, pacotes de esperança, caixinhas da salvação, muita sabedoria, fardos de perdão, pacotes grandes de paz e muitos outros dons.
O rapaz, maravilhado com tudo aquilo, pediu:
- Por favor, quero o maior jarro de amor, todos os fardos de perdão e um vidro grande de fé, para mim, meus amigos e família.
Então o senhor preparou tudo e entregou-lhe um pequeno embrulho que cabia na palma da sua mão.
INCRÉDULO, o rapaz disse:
- Mas como pode estar aqui tudo o que pedi?
Sorrindo, o gentil senhor lhe respondeu:
- Meu respeitável Irmão, na Loja de Deus não vendemos frutos! Só Sementes! Plante-as !
🌿🌿🍊semear🍊🌿🌿 é o segredo.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

FUNERAL DE UM LAVRADOR...CHICO BUARQUE



Esta cova em que estás com palmos medida
É a conta menor que tiraste em vida
É a conta menor que tiraste em vida
É de bom tamanho nem largo nem fundo
É a parte que te cabe deste latifúndio
É a parte que te cabe deste latifúndio
Não é cova grande, é cova medida
É a terra que querias ver dividida
É a terra que querias ver dividida
É uma cova grande pra teu pouco defunto
Mas estarás mais ancho que estavas no mundo
estarás mais ancho que estavas no mundo
É uma cova grande pra teu defunto parco
Porém mais que no mundo te sentirás largo
Porém mais que no mundo te sentirás largo
É uma cova grande pra tua carne pouca
Mas a terra dada, não se abre a boca
É a conta menor que tiraste em vida
É a parte que te cabe deste latifúndio
É a terra que querias ver dividida
Estarás mais ancho que estavas no mundo
Mas a terra dada, não se abre a boca.

AINDA SOBRE O CERIMONIAL DA MORTE...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL.

               Me encontro cansado, mas a ansiedade e a curiosidade me deixam aceso como um círio, que não se apaga com ventania...
               Acabo de chegar do cemitério...vim pra casa, após o meu sepultamento...sou movido pela curiosidade que sempre me definiu...quero ver o que fica do que se pensa que acabou...
            Estou mais ansioso do que cansado...temo ser reconhecido, como se um morto pudesse ser visto entre os seus  no post morte...
temo encontrar um vidente e me dedurar, e eu ficar sem graça entre os vivos...
          Começo a escutar o que se diz nas pequenas rodas de amigos:não sabia que era tão bom...
 não sabia que possuía tantas qualidades humanas louváveis...
          Era um homem bonito, gentil. de muita fé,difícil de ser reposto nas prateleiras do mundo...
          Estou me achando parecido com Brás Cubas, de Machado de Assis, seria uma imitação, ou mais outra maneira de querer ver o que se supõe que acabou...
          Me aproximo de cada cachorro meu...meu grande patrimônio afetivo durante toda a minha vida...os  cachorros me fitam, eles sim, me sacaram, mas me olham, me cheiram e me traduzem uma certa dúvida...uma indiferença...São AS FIGURAS MAIS TRISTES DA CENA...estão mortos também...um cachorro morre com o seu dono.
          Estou vivendo um estado indescritível, onde se vê, se sente,mas não se comunica, não se interage...é por isto que ninguém dá notícia da morte...ninguém fala  do depois que morreu...
          Não me encontro deprimido...estou ansioso...ávido em saber que tenho que voltar e dormir no meu túmulo implacavelmente...perdi o medo de tudo...um morto nada teme...
          sinto me picado, assado, a pele rachando, começaram  as autólises do protoplasma, das células....evito espiá las...mas me sinto a cada hora mas leve...a massa está se consumindo...deve ser os pródromos para subir e flutuar até o céu...o que restar de mim veio do pó e se transformará em pó...estava escrito...já não sinto nenhum odor...não tenho saudades...não preciso voltar...é uma viagem unidirecional, essencial á vida, justa...
          o que era da vida passou...todos os problemas eram sonhos...todas as dores eram psíquicas, vindas da angústia gerada PELA  TRISTEZA QUE SUJA O MUNDO...ao longe escuto os sinos, hoje eles dobram por mim...amanhã tocarão para você...tenho certeza...
          Estou falando de uma situação que será fatal e insubstituível no desenrrolar da vida de cada um...não existe escape... não pode ser adiada...é o dia fatal...
          È por isso que o anel de São Francisco de Assis era uma caveira, cujo objetivo era lembra-lo que um dia, a morte...

domingo, 22 de outubro de 2017

A CRÔNICA DA SEMANA...POR BERNARDO CELESTIN O PIMENTEL.



          Passei a noite de plantão e amanheci na feira livre... a feira da rua São José...
          Tenho paixão pelas feiras...continuo um menino de feira...nem a universidade me afastou da querencia das feiras...da simpatia das feiras...da vida á tona que se palpa nas feiras livres...
          De um modo geral, nas feiras livres não chegou computador, notebooke nem o zap zap...
          As pessoas tem as canelas  no chão e ligeiras, é a sobrevivência...uns desejam uns trocados para viver a semana, outros querem a doçura das frutas,outros querem a medicina das verduras, outros querem esquecer a sua dor...e outros apenas, desfilam a sua indiferença diante do alvoroço e a pressa da vida...
          Paro inicialmente num velho, já meu parceiro, que me vende uns cds bem baratos...
         O velho sabe que adoro sanfoneiro, e coloca os solos de sanfona para eu escutar...eu escuto, como quem está lavando o espírito da anguústia que suja o mundo...me refaço...como preciso de música...como preciso de coisas simples...como preciso da beleza dos vegetais frescos, exuberantes, que me refletem a imagem de Deus...
        Atravessei oceanos, atravessei salas de aulas, academias, mas não me separei do menino de Nova Cruz , O MENINO DA SUA MÃE...VOU MORRER ASSIM, simples,ingenuo, solene para as coisas da ALMA, para as coisas do espírito, ajoelhando a alma quando beijo um filho...quando faço justiça...e com um coração chorando quando deslizo diante das minhas convicções...
          De repente, um homem numa cadeira de rodas...deformado pela doença...eu digo: olhe como termina quem tem artrite reumatóide de longo tempo...articulações deformadas...sem movimentos...
          PENSEI E DISSE A MIM MESMO, VOU COMPRAR UM CADERNO DE CALIGRAFIA, PARA ESCREVER PRO RESTO DA VIDA:
          A MELHOR COISA DA VIDA É A SAÚDE...
          MEU LEITOR, todo dia faça uma caligrafia: a melhor coisa do mundo é a saúde...
          Como perdemos tempo nos preocupando com problemas que na prática não nos prejudica em nada...
          Como perdemos tempo deglutindo um passado triste , que nada mais é do que uma roupa , que não  nos serve mais...
          Nunca fique triste por que não roubou dinheiro público...
         Jamais tenha inveja de Gedel...
          Esqueça este presidente sórdido chadado Michel Temer...ele está no fim...ele é inconsistente...ele só engana os incautos...um homem sem amanhã.
ELES SÃO MUITOS MAS NÃO PODEM VOAR...
          Procure, antes de tudo, o reino de deus e a sua justiça, e tudo lhe será dado por acréscimo...
          faça a sua caligrafia diária:vinte vezes, a melhor coisa da vida é a saúde...
          Se um dia lhe faltar a carne, compre osso e ponha dentro da sopa...
          tenham um bom domingo e se impressione com isto:
a melhor coisa do mundo é a saúde...
          UM BEIJO AFETUOSO EM CADA  MEU LEITOR.


P.S: ME ENCONTRO COM UM CONHECIDO, DUAS VEZES MAIS VELHO DO QUE EU,ENVELHECIDO, CHEIO DE RUGAS ATÉ O INDEX,ME CUMPRIMENTA: OI TIO...TUDO BEM...EU RESPONDI, MAS FIQUEI UM POUCO PUTO E DISSE O QUE MINHA BABÁ, IRACEMA, ME DIZIA:
          A GENTE VER CARRAPATO COM TOSSE E MUCURANA COM COCEIRA...RS...

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

SOBRE A QUEDA DE MICHEL TEMER...



* * *
Luiz Ferreira Lima (Liminha)
Cai a chuva no sertão
Cai o palhaço do palco
Cai a tinta no decalco
Cai o jumento no chão
Cai o preço do feijão
Cai o artista em cena
Cai o pivô da antena
Cai a arca do “Sinai”
Mas Michel Temer não cai
Nem com a gota serena.
Cai a árvore na cidade
Cai a lata de azeite
Cai o mosquito no leite
Cai a coroa do frade
Cai raio na tempestade
Cai Silvio Santos e Datena
Cai o galho da verbena
Cai no penhasco o “bonsai”
Mas Michel Temer não cai
Nem com a gota serena.
Cai do pescoço a corrente
Cai o menino no rio
Cai o carro no desvio
Cai o guiso da serpente
Cai o cabelo no pente
Cai o chinês em Xangai
Cai o tio e cai o pai
Cai o toucinho na brasa
Mas nem com o “caray” de asa
O Michel Temer não cai.
Cai o Collor no lixão
Cai o Cunha acabrunhado
Cai o Aécio cagado
Cai Jucá no mensalão
Cai a bandeja da mão
Cai o peso no Uruguai
Cai o hotel em Dubai
Cai bomba na faixa de gaza
Mas nem com o “caray” de asa
O Michel Temer não cai.

domingo, 1 de outubro de 2017

SONETOS...

SONETO ANTIGO –I
Waldir Ribeiro do Val
Nesse rio que corre, transparente,
Quero lavar meu corpo de pecados.
Às águas descerei, e na corrente
Hei de lavar meus erros bem lavados.
Meu corpo inteiro, minha inteira mente
Ficarão sob as águas, mergulhados,
E o rio irá correndo, eternamente,
Para lançar-se em mares ignorados.
Rio do tempo, rio da esperança,
Rio de mansas e profundas águas,
Rio do esquecimento e da lembrança,
No seu leito sereno me transporte,
Meus prazeres levando e minhas mágoas,
Quer seja para a vida ou para a morte.
SONETO ANTIGO – II
Waldir Ribeiro do Val
A lágrima que rola no meu rosto
É irmã do riso que em meu lábio aflora.
Nascem ambos do amor que me devora,
Amor que é meu prazer e meu desgosto.
A lágrima primeiro, o riso agora,
E outra lágrima após o riso exposto.
Na lágrima a tristeza de um sol-posto,
E no riso a alegria de uma aurora.
Lágrima e riso em minha face: riso
A esperança de um bem que se perdeu;
Lágrima, a flor de ausente paraíso.
Como vos amo, de alma agradecida,
Ó lágrima de dor no rosto meu,
Ó riso de esperança em minha vida.

CHICO EM PORTUGAL: ANTONIO ZAMBUJO...

ANTONIO ZAMBUJO E ROBERTA SÁ...

ROBERTA SÁ EM PORTUGAL...

A CANÇAÕ MAIS BONITA QUE EU OUVÍ...

SOLIDÃO...

IMAGENS E REFLEXÕES SOBRE A SOLIDÃO


Marguerite, 1918 - De Guy Rose

A solidão é a sorte de todos os espíritos excepcionais.

(Arthur Schopenhauer)



Automat, 1927 - De Edward Hopper

“Quem, portanto, não ama a solidão,
 também não ama a liberdade:
apenas quando se está só é que se está livre [...] 
Cada um fugirá, suportará ou amará a solidão
na proporção exata do valor da sua personalidade. 
Pois, na solidão, o indivíduo mesquinho 
sente toda a sua mesquinhez, 
o grande espírito, toda a sua grandeza; 
numa palavra: cada um sente o que é.”

(ARTHUR SCHOPENHAUER)


A lover of Dickens - Charles Spencelayh

 

O segredo de uma velhice agradável
 consiste apenas na assinatura 
de um honroso pacto com a solidão.
(Gabriel García Márquez)


***

Resultado de imagem para imagens bolo de aniversário

Bete providenciou tudo sozinha: bolo, salgadinhos, vela, 
flores e mensagens. Foi o aniversário mais feliz de sua vida. 
Por orlando Silveira

POESIA

CANÇÃO DO CORAÇÃO
Fernando Mendes Vianna

Coração, cavalo verde
com espumas, vento e mar.
Coração, cavalo verde,
teu galope é navegar.
Da esmeralda, este cavalo
me conduz até o gral.
Meu destino é galopá-lo
e desvendar o animal.
Ó cavalo da esperança,
que ânsias na sua crina!
Que importa se ele me cansa:
galopá-lo é minha sina.
Coração, cavalo verde
Com espumas, vento e mar.
Coração, cavalo verde,
teu galope é navegar.

A POESIA DE CARLOS PENA FILHO...

SONETO – Carlos Pena Filho
Por trás do musgo silencioso e espesso,
que cresce no teu ventre desolado,
nasce um mundo obscuro e inusitado
que eu não sei se mereço ou desmereço,
Sei apenas que às vezes, quando teço
canções noturnas do prazer frustrado,
sou, nem sei por que sombras, exilado
para além do meu fim e meu começo.
Esse teu mundo, concha que é morada
de anêmonas e polvos, é mais raro
que a luz de Deus na noite abandonada.
E é por isso talvez que não se entrega
e me deixa a esperar teu corpo claro
de fêmea esquiva que ao prazer se nega.

A POESIA DE MOCINHA DE PASSIRA...

terça-feira, 26 de setembro de 2017

E SE FOSSE O ÚLTIMO DIA ...

A MORTE...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL

         TENHO MEDO DE ALMA?...TINHA...

TINHA PAVOR AS ALMAS...

GLORINHA DE EDVARD, o dono da casa funerária de Nova Cruz, dizia que sabia quando alguém ia morrer...

dizia ela, a minha mãe, que  no salão de venda dos caixões, um deles dava um estalo de acordar sono pesado...

me criei escutando este lero...

          hoje,moro numa casa, cuja dona se enforcou, no meu atual armador...

era uma japonesa...

já fiz tudo pra me encontrar com ela, e nada...

A CHAVE DO MEU GUARDA ROUPA É UMA JAPONESINHA, deixada pela defunta...

um chaveiro japonês...

          POIS BEM...HOJE EU NÃO TENHO MEDO DE ALMAS...

para baldear a história, o que tem pra contradizer, é o depoimento de CARIER...

               CARIER é uma prima minha , americana, que veio visitar tia Cármem...

não conhecia ninguém, não tinha amizade com ninguém...

          CERTA  vez, estava em casa com Tia Cármem, e saiu do quarto de olhos arregalados, e num grito de medo e pavor ,falou para Tia Cármem:NESTA CASA TEM ALMO...

          MINHA sogra, nos seus últimos anos,desorientada, noventa anos, de repente, olhava para um ponto fixo do seu quarto e gritava:QUER FAZER GRAÇA ? O QUE É QUE VOCÊ QUER PENDURADA AÍ NESTA CORDA ? QUEM ESCUTAVA SE ARREPIAVA...
          
MAS ,BRINCADEIRA Á FORA, NÃO CULTUO A MORTE...
NÃO COMPACTUO COM NENHUM SIMBOLISMO DA MORTE...FUJO DO SEU CERIMONIAL...

NADA DE VISITA A TÚMULOS...
NADA DE FLORES PARA QUEM VOCÊ , AS VEZES, NÃO DOOU NEM EM VIDA...

FUJO DE ENTERROS, VELÓRIOS, FARSAS...
NÃO PRECISAM IR PRO MEU ENTERRO...

REPITO, TODOS ESTÃO DISPENSADOS DE IR AO MEU ENTERRO...

NO PLANO FILOSÓFICO,REFLEXIVO, EXISTENCIAL, SOU FÃ DA MORTE...

A MORTE É O FATOR NIVELADOR...

É A ÚNICA COISA NA VIDA QUE NIVELA OS HOMENS....NADA DEIXA OS HOMENS TÃO IGUAIS E TÃO SIMPLES COMO A MORTE...

NA RELAÇÃO COM O CÉU, A MORTE É O SEGUNDO PARTO...

DE REPENTE, A AMPULHETA DO TEMPO DISPARA, E VOCÊ É JOGADO PARA UMA OUTRA VIDA...UMA VIDA TÃO REAL, COMO AQUELA QUE SURGIU APÓS A CONTRAÇÃO DO ÚTERO DE SUA MÃE...

ALGUNS CONTRAPÕE:NINGUÉM NUNCA VEIO DIZER COMO É A OUTRA VIDA....

EU PERGUNTO,VOCÊ JÁ VOLTOU PRA DIZER A QUEM ESTÁ PRESTES A NASCER, QUE REALMENTE DEPOIS DO PARTO TEM OUTRA VIDA? É ESTA A ANÁLISE...

TUDO ISTO QUE FALEI, FOI UM TERMO ASSINADO E AVALIADO EM VIDA, POR UM HOMEM QUE NUNCA FALHOU: JESUS CRISTO...