terça-feira, 21 de março de 2017

POESIA...



OS VERSOS QUE TE FIZ – Florbela Espanca




Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer !
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.
Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder …
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer !
Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda …
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz !
Amo-te tanto ! E nunca te beijei …
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!

segunda-feira, 20 de março de 2017

SOBRE A TINTA DERRAMADA...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL.



          Acordo atordoado...UMA METADE DE MIM AINDA DORME...levita..está  sem força...
          Derramo em cima da minha tela em branco, a tinta com a qual queria  pintar meu próprio quadro, desconhecendo que a certa altura da vida, a própria vida já lhe desenhou usando nanquim, e a tinta que ninguém mais apaga...
         A tinta é fluida e azul...escorre e por difusão segue ela própria os seus caminhos, copiados  de mim mesmo...as escolhas foram minhas,os versos são meus, como este vazio imenso, de não poder eu mesmo me desenhar e me dar cores...
          A tinta, por difusão forma pontos, grumos, manchas, e eu observo... a esta altura a tinta está derramada...ela já conhece os meus caminhos...eu os percorri,e vai percorrendo lentamente os meus vales e os meus pântanos...eu sou o telespectador de mim mesmo...
          Uma das manchas mostra um menino, de calças curta, cuja farda era azul e branca...ele está parado na rua do advinhão, não atrás da metereologia, como ficavam os estudiosos, mas ele já procurava uma resposta do céu...
          Ao seu redor foram se formando os gatos e os cachorros, dos quais ele falava o mesmo idioma...de tempos em tempos, surgia uma mancha, onde se desenhava uma roda de choros...havia muita música...música que também tinha cor...também era feita do mesmo azul...
          Surgiu um cheiro imenso  no ar, eram as angélicas, os meus primeiros perfumes, de repente o jardim da minha escola abre-se e era primavera...
          De repente, chega o bacurau, e a criança para perplexa, ao se ver diante de tanta gente que somente espera...desce a estação e chora diante de tantas mãos que pedem e imploram, e tem como respostas a indiferenças dos transeuntes...
          A estação era o local onde os olhos se perdiam no horizonte, e os sonhos criavam asas e partiam, sempre tristes, como triste é o resumo de toda vida...que digam os palhaços, que todo domingo á tarde choram...
          Não conheci vida que não se acabou com tristeza...por mais que ela fosse engraçada, serelepe,dissimulada...
          Agora, quase no roda pé da tela há uma enchente, é um rio cheio, transbordando...
          Um menino se debruça na ponte de cimento armado e sabe que nunca poderá mergulha-lo, pois entre a vontade e o rio existe sempre o medo...me parece que a tinta já está toda difundida...o filme terminou...jé preciso ir embora...tenho de dizer adeus...
          Olho para cima e vejo que o meu quadro é mais imenso do que eu penso...todo o céu está  pintado com a minha tinta...é o mesmo azul...azul da cor do mar...azul do manto de Deus...azul que nas tristezas verdeja e se torna a esperança.


domingo, 19 de março de 2017

OLAVO BILAC

REMORSO – Olavo Bilac
Às vezes, uma dor me desespera…
Nestas ânsias e dúvidas em que ando.
Cismo e padeço, neste outono, quando
Calculo o que perdi na primavera.
Versos e amores sufoquei calando,
Sem os gozar numa explosão sincera…
Ah! Mais cem vidas! com que ardor quisera
Mais viver, mais penar e amar cantando!
Sinto o que desperdicei na juventude;
Choro, neste começo de velhice,
Mártir da hipocrisia ou da virtude,
Os beijos que não tive por tolice,
Por timidez o que sofrer não pude,
E por pudor os versos que não disse!

sexta-feira, 17 de março de 2017

UMA POESIA MUSICADA APÓS CEM ANOS...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL.



               Estes versos são da minha avó materna: A Poetisa ANNA LIMA, esposa Do meu avô Professor Celestino Pimentel, e irmã do DR LUIZ ANTÔNIO FERREIRA DOS SANTOS LIMA E DO DR NESTOR DOS SANTOS LIMA...são versos de 1908, eles nasceram em AÇU RN...
          Há dois anos , eu , o Neto, resolvi musica-los...vou mostrar a vocês...
          Sinceramente não sei onde fui buscar acordes tão bonitos...arpejos tão sonoros, que ainda hoje não consigo repeti-los...
          Sinto que fui atingido por uma força sobrenatural, uma inspiração superior...
          E repito SHAKESPEARE:
          Entre o céu e a terra há mais mistérios do que supõe a nossa vã filosofia...
          Uma poesia musicada cem anos depois por um neto da poetisa...
          ESTA OBRA SERIA SUCESSO ABSOLUTO SE VIESSE GRAVADA DO EIXO RIO SÃO PAULO, POR UMA MARIA BETHÃNIA OU UMA MARISA MONTE...

quinta-feira, 16 de março de 2017

A POESIA DE ZÉ DA LUZ...


As flor de Puxinanã – Ze da Luz
Três muié ou três irmã,
três cachôrra da mulesta,
eu vi num dia de festa,
no lugar Puxinanã.
A mais véia, a mais ribusta
era mermo uma tentação!
mimosa flô do sertão
que o povo chamava Ogusta.
A segunda, a Guléimina,
tinha uns ói qui ô! mardição!
Matava quarqué critão
os oiá déssa minina.
Os ói dela paricia
duas istrêla tremendo,
se apagando e se acendendo
em noite de ventania.
A tercêra, era Maroca.
Cum um cóipo muito má feito.
Mas porém, tinha nos peito
dois cuscús de mandioca.
Dois cuscús, qui, prú capricho,
quando ela passou pru eu,
minhas venta se acendeu
cum o chêro vindo dos bicho.
Eu inté, me atrapaiava,
sem sabê das três irmã
qui ei vi im Puxinanã,
qual era a qui mi agradava.
Inscuiendo a minha cruz
prá sair desse imbaraço,
desejei, morrê nos braços,
da dona dos dois cuscús!

Poeta Severino de Andrade Silva, mais conhecido como Zé da Luz, nascido na cidade de Itabaiana-PB, terra onde reside o colunista fubânico Poeta Jessier Quirino e terra de nascença do saudoso sanfoneiro Sivuca. Zé da Luz era alfaiate de profissão. Nasceu em 1904 e encantou-se em 1965.

BELEZA PURA: CAETANO VELOSO

COISAS DO MESTRE MUNDO...



POR TALLYS BARBOSA

''A palmada de mãe não dói metade
Da palmada que a vida da na gente''

Mãe sempre me deu educação
Me ensinou a trilhar o rumo certo
Por isso o meu caminho é coberto
De humildade, pureza e compaixão
Se aprendi a ser um bom cidadão
Agradeço a mainha eternamente
Que a dor de uma pisa a gente sente
Quando apanha só da sociedade
''A palmada de mãe não dói metade
Da palmada que a vida da na gente''

Tão querendo aprovar uma lei
Que pra mim está mal elaborada
Se ela vale se quer uma palmada
A dor quem aguenta eu já sei
Um menino que nasce vai ser rei
E a mãe que bater é delinquente
Se o menino errar constantemente
É a mãe que vai pra trás da grade
''A palmada de mãe não dói metade
Da palmada que a vida da na gente''

Botam Xuxa sentada na bancada
Pra poder ser o simbolo da alegria
Mais quando ela fez pornografia
Até pelo Papá a Bicha foi julgada
Aprovarem a lei da tal palmada
É um ato de alguém inconsciente
Tão querendo é formar mais delinquente
Para ver se tem roubo de verdade
''A palmada de mãe não dói metade
Da palmada que a vida da na gente''

Minha mãe vai ter condenação
Vai viver na prisão por toda vida
E pra mim é mais que merecida
Que ela viva dentro do meu coração
Pois foi ela que me deu educação
Me ensinou a ser um cabra decente
E se ele me bateu foi diferente
Foi ensinando a ter dignidade
''A palmada de mãe não dói metade
Da palmada que a vida da na gente''