terça-feira, 27 de setembro de 2016

O POETA DO ABSURDO: ZÉ LIMEIRA...



Quem vem lá é Zé Limeira,
Cantô de força vulcânica,
Prodologicadamente
Cantô sem nenhuma pânica,
Só não pode apreciá-lo
Pessoa semvergonhânica.

*

Meu nome é José Limeira,
Cantô que não é pilhérico,
Mais já sofreu d’alguns males,
Foi atacado de histérico,
Chame logo a junta médica,
Faça o exame cadavérico.

*

Esse é Lourisvá Batista,
Que é Batista Lourisvá,
É filho da cobra preta,
Neto da cobra corá,
Tanto faz daqui pra ali ,
Como dali pra acolá

*

Às tantas da madrugada,
O vaqueiro do Prefeito
Corre alegre e satisfeito
Atrás da vaca deitada,
Deitada e bem apojada
Com a rabada pelo chão…
A desgraça de Sansão
Foi trair Pedro Primeiro…
O aboio do vaqueiro
Nas quebradas do Sertão

*

Frei Henrique de Coimbra,
Sacerdote sem preguiça,
Rezou a Primeira Missa
Na beira duma cacimba.
Um índio passou-lhe a pimba,
Ele não quis aceitá
E agora veve a berrá
Detrás dum pau de jureme…
O bom pescador não teme
As profundezas do mar

Frei Henrique descansou
Nas encosta da Bahia,
Depois fez a travissia
Pra chegá onde chegou,
Pegou a índia, champrou,
Ela não pôde falá,
Assou carne de jabá,
Misturou com queroseme…
O bom pescador não teme
As profundezas do má

A noite vinha saindo
Pru dentro da ventania,
Vi o rastro da cutia
Na minha rede dormindo,
A tremela foi caindo,
Gritei pelo meu ganzá,
Anum preto, anumará,
Só gosto de nega feme…
O bom pescador não teme
As profundezas do má


*

Minha mãe era católica
E meu pai era católico,
Ele romano apostólico,
Ela romana apostólica,
Tivero um dia uma cólica
Que chamam dor de barriga,
Vomitaro uma lumbriga
Do tamanho dum farol,
Tomaro Capivarol,
Diz a tradição antiga

*

Minha avó, mãe de meu pai,
Veia feme sertaneja,
Cantou no coro da Igreja,
O Major Dutra não cai,
Na beira do Paraguai
Vovó pegou uma briga,
Trouve mamãe na barriga,
Eu vim dentro da laringe,
Quage me dava uma impinge,
Diz a tradição antiga

*

Não sei onde fica esse tá de oceano,
Nem sei que pagode vem sê esse má…
Eu sei onde fica Teixeira e Tauá,
Que tem meus moleques vestido de pano…
A minha patroa é quem traça meus prano,
Cem culha de milho inda quero prantá,
Farinha, lugume, feijão e jabá,
Com mói de pimenta daquela bem braba,
Valei-me São Pedro, Limeira se acaba,
Cantando galope na beira do má.

*

O navi navega só
Como a muié nos espeio
Pru dentro do mar vermeio
Que sai lá no Moxotó
O poeta vive só.
A lua tem mais calô,
O jardim logo murchô,
Quage morri da patada…
Nos olhos da minha amada
Brilham estrelas de amor

*

Peço licença aos prugilos
Dos Quelés da juvenia
Dos tofus dos audiacos
Da Baixa da silencia
Do Genuino da Bribria
Do grau da grodofobia

*

Eu sou corisco pastando
No vergel da vantania
Oceano disdobrado
No véu da pilogamia
No dia trinta de maio
Pelei trinta papagaio
Santo Deus, Ave-Maria.

*

Heleno, que bicho é esse
Que tem fala de homem macho?
Parece um tatu quadrado
Cum cinturão no espinacho
É uma coisa tão pouca
Mas ninguém sabe se a boca
Fala pro riba ou pro baixo

*

Lá na Serra do Teixeira
Nasci, sendo bem criado
Na Alemanha os japonês
Já sabe lê um bucado
Conheço esse mundo inteiro
Fica tudo no estrangeiro
Do Teixeira do outro lado

*

Eu me chamo Zé Limeira
Cantadô que tem ciúme
Brisa que sopra da serra
Fera que chega do cume
Brigada só de peixeira
Mijo de moça sorteira
Faca de primeiro gume

*

Os Hemisférios do prado
As palaganas do mundo
Os prugis da Galiléla
Quelés do meditabundo
Filosomia Regente
Deus primeiro sem segundo

*

Canto repente no Norte
Arranco feijão no Sul
Toco fogo no paul
Não tenho medo da morte
Uma mulata bem forte
Uma novilha parida
Uma sala bem comprida
Um cangote, duas perna
Poço, cacimba e cisterna
Tenho saudade da vida

*

Viajou Nossa Senhora
Naquele passado dia,
Perto duma travissia
Descansou sem ter demora.
Cortou de pau uma tora
Debruçada sobre o vento.
Ali, naquele momento,
São José sartou do jegue,
Jesus passou-lhe um esbregue.
Diz o Novo Testamento.

*

Gritou Dom Pedro Primeiro
No tempo da monarquia:
Jesus, filho de Maria.
Trovão do mês de janeiro,
São Pedro sendo o porteiro
Da capela de Belém.
Thomé comendo xerém
Com sarapaté de figo.
Se eu não me casar contigo.
Não caso com mais ninguém.

DO MEU TEMPO DE CRIANÇA...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL.




UM MENINO QUE NASCEU MEDICO II


TODA RUA QUE SE PREZA TEM A SUA MENINADA. A MESMA QUE SE ASSANHA PARA VER A BANDA PASSAR...

CERTA NOITE, A MENINADA DO MEU TEMPO FICOU ASSANHADA... UMA MULHER
DA NOSSA RUA, FAZIA DEZ DIAS QUE NÃO DEFECAVA, ESTAVA COM A BARRIGA GRANDE, E O DOUTOR DO SESP IA ENCAMINHA- LA PARA NATAL... SAÍMOS PARA VER A MULHER, A BARRIGA GRANDE E A AMBULANCIA...GOSTOSA FOLIA NOTURNA...


SÓ QUE O DOUTOR RESOLVEU FAZER UMA TENTATIVA: APLICAR UMA LAVAGEM INTESTINAL, PARA DESFAZER O NÓ NA TRIPA... E O CLISTER FOI FEITO, COM SENA E GLICERINA... E A MENINADA CURIOSA... VINTE MINUTOS DEPOIS A TRIPA GAITEIRA DISPAROU E HOUVE CORRERIA DO LEITO... EITA, O NÓ SE DESFEZ... NÃO PRECISA IR MAIS PARA NATAL, TRAGAM A APARADEIRA... PENSE NUM POLITICO GRANDE...

A MULHER ELIMINOU UNS CINCO QUILOS DE FEZES PRETAS, CONTINUAS, DURAS, SEMELHANTES A UM ROLO DE FUMO...ERAM DEZ HORAS DA NOITE... A MENINADA DE OLHO NA APARADEIRA ,AS GARGALHADAS... DESDE ESSA ÉPOCA EU SEI O QUE É UM VÔLVULO , E QUE PODE SER DESFEITO COM UMA LAVAGEM... POR IRONIA, FUI MEDICO DESTA MULHER ATÉ A HORA DA MORTE E PELO MESMO MOTIVO, QUARENTA ANOS DEPOIS... MORREU DE UMA OBSTRUÇÃO INTESTINAL POR VÔLVULO DO SIGMÓIDE, HA UM ANO.


P.S:CLISTER é qualquer substancia, introduzida per anus,com finalidade terapeutica ou diagnóstica...vulgo, lavagem intestinal.

sábado, 24 de setembro de 2016

VINICIUS DE MORAES....

SONETO DO AMIGO – Vinicius de Moraes

Enfim, depois de tanto erro passado 
Tantas retaliações, tanto perigo 
Eis que ressurge noutro o velho amigo 
Nunca perdido, sempre reencontrado.
É bom sentá-lo novamente ao lado 
Com olhos que contêm o olhar antigo 
Sempre comigo um pouco atribulado 
E como sempre singular comigo.
Um bicho igual a mim, simples e humano 
Sabendo se mover e comover 
E a disfarçar com o meu próprio engano.
O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica…

POESIA...



EU COMO, EU BEBO, EU DURMO E A VIDA PASSO – Abade de Jazente







Eu como, eu bebo, eu durmo e a vida passo 
Ora bem, ora mal, como sucede: 
Tomo tabaco, e chá; e se mo pede 
O génio alguma vez, eu Nize abraço:
As vezes jogo, as vezes versos faço, 
Que mais que a arte a natureza mede: 
E talvez por saber como procede 
Em se mover o Sol círculos traço.
Alguma vez me agrada a soledade, 
Outras vezes a nobre companhia; 
E desta sorte vou passando a idade:
E espero assim que venha a morte fria 
Com o manto da eterna escuridade 
Encobrir-me de todo a luz do dia.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

LITERATURA DE CORDEL...

* * *

Severino da Quixaba
Tem quatro coisas no mundo
Que atormentam um cristão:
Uma casa que goteja,
E um menino chorão,
Uma mulher ciumenta
E um cavalo tanjão.
Mas o cavalo se troca,
A casa, a gente reteia,
O menino se acalanta,
Na mulher se mete a peia.
* * *
Zé da Prata
O bicho que mata o homem
Mora debaixo da saia.
Tem asa que nem morcego,
Esporão que nem arraia,
E uma brecha no meio,
Onde a madeira trabaia.
* * *
Suriel Moisés Ribeiro
O meu verso é água pura
Correndo pelo lajedo
É semente de arvoredo
Brotando na terra dura
É fruta doce madura
No pomar da poesia
É o sopro da ventania
Varrendo a terra escarpada
É noite toda estrelada

A POESIA DE RENAULT...





TEMA ETERNO – 

Abgar Renault

Amar-vos sem sonhar breve esperança
de na fuga dos dias vos reter
– eis, Dama, cujo desamor não cansa,
meu cego modo natural de ser.
Dobrado à vossa face de esquivança,
volvendo acre pesar em vão prazer,
de si não tem nenhuma segurança
quem vos quer sem querer e por querer.
Sou afligido barco de naufrágios,
cheio de estrelas, de corais e rosas;
deste impossível no impassível mar
soçobrarei, levando estes presságios,
esta carga, estas velas já saudosas
da loucura do inútil navegar.

DILMA: EPÍRITO DE PORCO...



 A COLUNA DE JOSÉ PAULO CAVALCANTI FILHO
E NEGO MORREU…
Nego, um cão labrador, era o mais amado companheiro de Dilma no Palácio da Alvorada. Era também devoto, fiel e simpático. Mas não lhe acompanhou na viagem a Porto Alegre. Porque foi assassinado (segundo os coxinhas). Ou sacrificado (segundo o PT). Para mim, tanto faz. A morte, palavras de Alberto Caeiro (“Ficções de Interlúdio”), é mesmo o desprezo do Universo por nós. A explicação oficial, desprovida de qualquer emoção, é que “estava muito velho e doente”. Ou talvez tenha sido apenas algo mais prático. Seco. Direto. Só para não dar trabalho na mudança. Seja como for, os funcionários que cuidavam dele ficaram consternados – porque “Nego tinha condições de sobrevida digna, até sua morte natural”.dilma-nego
É pena. Por se tratar de um amigo do homem. O melhor deles, segundo muitos. Cão não trai. Não delata. Gosta só por gostar. Sem outros interesses. E jamais abandona seu dono. Por mais velho ou doente que esteja esse dono. A recíproca não é verdadeira. Pelo menos em palácios brasilienses. Das notícias dos últimos dias, essa me consternou mais que todas. Sentimentalismo fora de moda, dirão muitos. E talvez seja, quem sabe? Ou sinal dos tempos. Nossas crianças, de manhã, trocam o futebol com vizinhos por encontros com amigos distantes que nunca verão. Ocupam suas tardes perseguindo seres imaginários. E gastam suas noites presos em pequenos quartos de apartamento. Presos em seus computadores. Nos elevadores, ninguém mais fala com ninguém. Todos olham só para seus celulares. Estamos perdendo humanidade. Temo que estejamos construindo, tijolo por tijolo, uma Democracia da Solidão. Até no Alvorada.
O PT deve estar lamentando não poder mais contar com os serviços de Duda Mendonça ou João Santana. Os dois, coitados, nas mãos de Moro – parceiros que foram, por vias transversas, na roubalheira da Petrobrás. É que, continuassem assessorando Dilma, e jamais permitiriam essa morte. Com certeza sugeririam que melhor seria deixar o cão por lá. Explicando ter sido aquele palácio, por toda vida, sua casa.
Imaginei, nesse caso, o que aconteceria se Temer tivesse que decidir qual seria o destino de Nego. Se faria, então, o que Dilma fez – até poderia, sem maiores constrangimentos, dado nunca terem convivido. Pior ainda se tivesse a coragem de dar, para o fato, a explicação que ela deu. Sem alma. Gélida. Inacreditável. “Estava muito velho e doente”. Assim fosse e, dia seguinte, veríamos nos jornais declarações previsíveis – de PT, CUT, MST e blogs que, durante tempo demais, engordaram com a grana fácil do governo. “Temer não gosta de velhos”. “Temer abandona os doentes ao léu”. “Temer prenuncia sua reforma na previdência – vai ser contra velhos e doentes”. “Temer, racista, não gosta de Nego”. “O cão morreu por conta do nome; que, se chamasse Branco, e seria poupado”. Por aí.
Conclusão, maior prejudicado nisso tudo foi o pobre Nego. Dilma está bem. E corre até o risco de ser candidata. Se quiser. Ou se o Supremo deixar. Nego não, que foi assassinado (ou sacrificado). Como dizia Pessoa (“Em busca de Beleza”), A vida é só o esperar morrer. Coitado de Nego. Coitado de nós.
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