terça-feira, 25 de abril de 2017

A POESIA DEMAMNUEL BNDEIRA...


INSCRIÇÃO – Manuel Bandeira


Aqui, sob esta pedra, onde o orvalho roreja,
Repousa, embalsamado em óleos vegetais,
O alvo corpo de quem, como uma ave que adeja,
Dançava descuidosa, e hoje não dança mais…
Quem não a viu é bem provável que não veja
Outro conjunto igual de partes naturais.
Os véus tinham-lhe ciúme. Outras, tinham-lhe inveja.
E ao fitá-la os varões tinham pasmos sensuais.
A morte a surpreendeu um dia que sonhava.
Ao pôr do sol, desceu entre sombras fiéis
À terra, sobre a qual tão de leve pesava…
Eram as suas mãos mais lindas sem anéis…
Tinha os olhos azuis… Era loura e dançava…
Seu destino foi curto e bom… – Não a choreis
.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

A VOZ DO POVO...

DITADO POPULAR...por Aristeu Bezerra

“A carne só é fraca quando o caráter não é forte.”
“Dinheiro e mulher bonita é que governam o mundo.”
“Cara feia pra mim é falta de maquiagem.”
“Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte é tolo ou não tem arte.”
“A medida de encher nunca transborda.”
“Nunca puxe o tapete dos outros, afinal você também pode estar em cima dele.”
“Atrás de quem corre não falta valente.”
“As porcelanas mais resistentes são as que vão ao forno mais vezes.”
“Deixa estar, jacaré, que a lagoa há de secar.”
“Galinha que canta é que é a dona dos ovos.”
“Não ria do mal do vizinho, que o seu está a caminho.”
“Um chato nunca perde o seu tempo, perde sempre o dos outros.”
“Quando a carroça anda é que as melancias se ajeitam.”
“Quanto maior é o coqueiro maior o tombo do coco.”
“Não adianta gritar por São Bento, depois que a cobra mordeu.”
“O homem é senhor do que pensa e escravo do que fala.”
“Quem não pode morder não mostre os dentes.”
“Se a jabuticaba é pouca, a gente engole o caroço.”
“Urubu quando está infeliz cai de costas e quebra o nariz.”

sexta-feira, 7 de abril de 2017

VERSOS DE QUALIDADE...


AUTO REFLEXÃO

Mote:
Eu escrevo na minha partitura 
O concerto que narra meu destino
Autor: Poeta Zé Bezerra (Clube do Repente)
Glosas do colunista
Sou eu mesmo o autor da minha história
Construida aos poucos, passo a passo
Se o futuro me reservar fracasso
Ou um porvir loureado pela glória
Estará preservado na memória
Que a mim não faltou coragem e tino
Se tornei-me pacato ou ferino
Fui eu mesmo criador e criatura
Eu escrevo na minha partitura 
O concerto que narra meu destino
Se o que fiz é motivo de louvores
Se as ações foram dignas e corretas
Se cumpri com meus planos, minhas metas
Os meus sonhos foram meus condutores
Meus princípios, meus idealizadores
Minha marca, meu jeito de menino
Persistência como a de Severino
Com a crença na paz que tudo cura
Eu escrevo na minha partitura
O concerto que narra meu destino.
Quando eu erro é tentando acertar
Mas o erro me serve de lição
Aprendi a também pedir perdão
Ao irmão que aceita perdoar
Minha escola me ensina a admirar
A bravura do povo nordestino
Que suporta sem medo o sol a pino
E extrai toda força da quentura
Eu escrevo na minha partitura
O concerto que narra meu destino
“Forest Gump” não narra meu roteiro
Pois eu sei que pra mim “a vida é bela”
O meu conto não é de “cinderela”
Mas do riso e do drama tem o cheiro
Se pergunto “o que é isso companheiro?”
É porque pela causa eu me atino
Pois no oscar da vida eu tiro um fino
No cinema da minha desventura
Eu escrevo na minha partitura
O concerto que narra meu destino.
Com Raul aprendi “tente outra vez”
Com Baleiro “você só pensa em grana”
No forró o meu idolo é Santanna
E a rainha se chama Marinês
Zé Ramalho cantando já me fez
Perceber “Avohai” como seu hino
Com música de Chico eu me fascino
Vendo a vida com os olhos da cultura
Eu escrevo na minha partitura
O concerto que narra meu destino.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

O PODER TERAPÊUTICO DA MÚSICA

Escutar uma música faz esquecer a dor. Isso acontece porque a região do cérebro que trabalha na interpretação dos sons, que serão reconhecidos como agradáveis, é a mesma que atua quando sentimos dor. Como os circuitos responsáveis não podem processar estímulos diversos a um só tempo, basta ouvir uma bela melodia para que a percepção da dor logo dê lugar à sensação de relaxamento.
Munido de preciosas informações sobre reação que cada tipo de som desperta no organismo, o musicoterapeuta é capaz de conseguir benefícios mais adequados do que conseguiríamos ouvindo nossa canção favorita em casa. Existem melodias que propiciam uma agradável sensação de relaxamento, enquanto ritmos muito marcados ou dissonantes causam excitação; solos de violino, por exemplo, podem eliminar dores de cabeça e enxaqueca.
Os sons podem acalmar ou gerar desespero. Podem causar sonolência ou despertar paixões. Ou ainda nos deixar tensos ou extasiados. Enfim, são capazes de detonar uma cascata de reações que alteram o estado geral do organismo. É o caso do som incômodo de uma sirene, que nos põe em alerta e faz com que o corpo libere adrenalina para se proteger de um provável ameaça. As canções são eficazes para colocar à tona sentimentos e impressões que evitamos trazer à consciência, que ficam bloqueados, porém interferem sem dúvida em nosso estado de espírito – são os sentimentos contidos.
A terapia através da música se baseia justamente nesse princípio: os sons produzem efeitos biológicos que podem tratar doenças, sejam elas físicas ou mentais. Instrumentos, cantos e ruídos são recursos que têm sido usados com deficientes físicos, estudantes com dificuldades de aprendizado, fala ou audição e usuários de drogas. Há alguns momentos em que as palavras não podem ser pronunciadas ou nem se consegue mais pronunciá-las, então as canções falam a respeito dos sentimentos e experiências para os pacientes. Isso ajuda a processar perdas e aflições reprimidas.

Perguntando a minha sombra...por Bernardo Celestino Pimentel

          por que repetes o que não sou mais eu?
          sua imagem é de vulto,
eu sou de sonhos...
          não está nesta sombra o menino, nem o adulto, nem o velho,
você reuniu os três numa ruma, que só faz volume...
          cade a minha chinela de couro, chinela de rabicho, num pezinho  pequeno, e abaixo dele um rio...
          a sombra é incompleta, mostra vultos, mas não mostra detalhes,mostra flashes, mas não mostra vida...
         tudo continua comprimido dentro de mim,em movimento,triturando a alma,rebobinando os filmes dos quais somos feitos...
          quero uma sombra real, que divida comigo a angústia de  viver, a angústia que suja o mundo...
          eu sou de cristal, minha sombra é de barro...
          a minha sombra matou os meus amigos...ou eles não comportaram fazer parte da minha sombra...
          não reconheço os meus pais na minha sombra, tiveram o destino e a vocação do éter...
          eu era mais gente...
           eu tinha mais gente...
           eu sorria mais largo...
 eu tinha mais dente...
          chega um tempo que você desacredita  da sua sombra...
          ela é monótona, e suscita em você, tudo o que a vida apagou...
          Bons tempos eram aqueles que eu me via na minha sombra...
          bons tempos eram aqueles que eu tinha a alegria da minha sombra...
         Tempo bom aquele onde eu caminhava na sombra...
quando eu tinha sombras, e elas iluminavam os que se distraiam nas trevas...