quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

A POESIA DE FERREIRA GULLAR...


CANTIGA PARA NÃO MORRER – Ferreira Gullar
Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.
Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.
Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.
E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.



  
ex


Traduzir-se


Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo. 

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão. 

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira. 

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta. 

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente. 

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem. 

Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?

A RAZOABILIDADE...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL

          A RAZOABILIDADE É UM PRINCÍPIO SEMPRE OBSERVADO PELOS JUÍZES NA ELABORAÇÃO DAS SUAS SENTENÇAS...

          A RAZOABILIDADE É A MELHOR SOLUÇÃO DENTRO DO CONFLITO...

          A PRINCÍPIO, ACHEI UM ABSURDO SE MANTER O CORONEL RENAN CALHEIROS NA PRESIDÊNCIA DO SENADO...
PORÉM COPREENDÍ QUE FOI A SOLUÇÃO RAZOÁVEL PARA A SITUAÇÃO...
          O FUTURO DE RENAN É IRREVERSÍVEL...É MUITA BANDALHEIRA QUE VIRÁ Á TONA...É UM HOMEM MORAL E POLITICAMENTE CONDENADO A UM ESTADO TERMINAL...
          A DECAPITAÇÃO TOTAL DO CRÁPULA LEVARIA DE ÁGUA Á BAIXO A APROVAÇÃO DA PEC 55, TÃO DESEJADA PELO GOVERNO,COMO MEDIDA DE LONGO PRAZO PARA ATENUAR O DESEQUILÍBRIO FINANCEIRO DO BRASIL...JAMAIS O PT APROVARIA ESTA PEC, QUE TODO O AMBIENTE DA PRODUÇÃO AGUARDA...ENFIM, TODA A ECONOMIA DESEJA E PRECISA...DA MESMA FORMA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA...
              PORTANTO, RENAN JÁ ESTÁ MORTO, VAMOS USUFRUIR DA SUA ASTÚCIA PARA APROVARMOS AS MEDIDAS QUE TRAMITAM...
             SE POR ACASO ELE IMPOR AS MEDIDAS CONTRA O ABUSO DE AUTORIDADE DOS JUÍZES E PROMOTORES, PODEM FICAR TRANQUILOS QUE O SUPREMO TOMARÁ DECISÃO CONTRÁRIA, EFICAZ E EFETIVA...
          RENAN ESTÁ MORTO...É UMA QUESTÃO DE TEMPO...
          A INTELIGENCIA  USOU RENAN PARA AMARRAR A CAMPANHINHA NO PESCOÇO DO GATO...

AUGUSTO DOS ANJOS...


AS MONTANHAS – Augusto dos Anjos

I
Das nebulosas em que te emaranhas
Levanta-te, alma, e dize-me, afinal,
Qual é, na natureza espiritual,
A significação dessas montanhas!
Quem não vê nas graníticas entranhas
A subjetividade ascensional
Paralisada e estrangulada, mal
Quis erguer-se a cumíadas tamanhas?!
Ah! Nesse anelo trágico de altura
Não serão as montanhas, porventura,
Estacionadas, íngremes, assim,
Por um abortamento de mecânica,
A representação ainda inorgânica
De tudo aquilo que parou em mim?!
II
Agora, oh! deslumbrada alma, perscruta
O puerpério geológico interior,
De onde rebenta, em contrações de dor,
Toda a sublevação da crusta hirsuta!
No curso inquieto da terráquea luta
Quantos desejos férvidos de amor
Não dormem, recalcados, sob o horror
Dessas agregações de pedra bruta?!
Como nesses relevos orográficos,
Inacessíveis aos humanos tráficos
Onde sóis, em semente, amam jazer,
Quem sabe, alma, se o que ainda não existe
Não vive em gérmen no agregado triste
Da síntese sombria do meu Ser?!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

BEBENDO FILOSOFIA...



ASSEMBLEIA NA CARPINTARIA


Contam que na carpintaria houve uma vez uma estranha assembleia. Foi uma reunião das ferramentas para acertar suas diferenças.
O martelo exerceu a presidência, mas os participantes lhe notificaram que teria que renunciar. A causa? Fazia demasiado barulho, e, além do mais, passava todo tempo golpeando. O martelo aceitou sua culpa, porém pediu que também fosse expulso o parafuso, dizendo que ele dava muitas voltas para conseguir algo.
Diante do ataque, o parafuso concordou, mas por sua vez pediu a expulsão da lixa. Dizia que ela era muito áspera no tratamento com os demais, entrando sempre em atrito. 
A lixa acatou, com a condição que se expulsasse a trena, que sempre media os outros segundo a sua medida, como se fora a única perfeita.
Nesse momento, entrou o carpinteiro, juntou o material e iniciou o seu trabalho! Utilizou o martelo, a lixa, a trena e o parafuso. Finalmente, a rústica madeira se converteu num fino móvel. Quando a carpintaria ficou novamente só, a assembleia reativou a discussão. Foi então que o serrote tomou a palavra e disse:
– Senhores, ficou demonstrado que temos defeitos, todavia o carpinteiro trabalha com nossas qualidades, com nossos pontos valiosos. Assim, não pensemos em nossos pontos fracos e concentremo-nos em nossos pontos fortes.
A assembleia entendeu que o martelo era forte, o parafuso unia e dava força, a lixa era especial para limar e afinar as asperezas e a trena era precisa e exata. Sentiram-se então como uma equipe capaz de produzir móveis de qualidade. Sentiram alegria pela oportunidade de trabalhar juntos.
Ocorre o mesmo com os seres humanos. Quando uma pessoa busca defeitos em outra, a situação torna-se tensa e negativa. Ao contrário, quando se busca com sinceridade os pontos fortes dos outros, florescem as melhores conquistas humanas.
É fácil encontrar defeitos. Qualquer um pode fazê-lo. Esse traço que a maioria de nós portamos pode, igualmente, ser usado para identificar qualidades. Essa mudança de foco pode ser proporcionada pela transformação para melhor dos pensamentos, sentimentos e atitudes pessoais..

sábado, 3 de dezembro de 2016

PROJETANDO O FUTURO....





A VOZ DO POVO...


Um folheto de Tárcio Costa
ENTRE A CRUZ E A ESPADA
Já é sabido por todos
Que cabra raparigueiro
Pra poder fazer folia
Não economiza dinheiro
Gasta tudo em regalias
Desfrutadas no puteiro
Também é fato certeiro
Que há quem critique o excesso
Na contra mão do pecado
O crente impõe seu processo
Ganhando até importância
Na bancada do congresso
Seja ordem e progresso
Ou anarquia geral
Sempre haverá a disputa
Do chamado bem e o mal
Eis um exemplo ocorrido
Na velha praça central
Onde o culto matinal
De um pastor protestante
Chamava grande atenção
Pelo discurso constante
Na luta contra a luxúria
E quem fosse praticante
Pois eis que no mesmo instante
De um banco da mesma praça
Um sujeito conhecido
Por gostar de fazer graça
Sob o efeito delirante
De alguns litros de cachaça
Com gracejos por pirraça
Mostra a bunda faz careta
E arrancando do colete
Uma velha caderneta
Grita ao povo: _Eis aqui
O livrinho do capeta
Diante dessa faceta
E com a bíblia na mão
O homem religioso
Interrompe seu sermão
Dirigindo-se ao bêbado
Com seguinte afirmação:
– Não ouse meu pobre irmão
A tamanho atrevimento
Sua atitude é reprovável
Desde do antigo testamento
Contra a palavra de Deus
Não existe argumento!
Mas o cabra xexelento
Descabelado e capenga
Diz ao nobre pregador:
– Deixe já de lenga lenga
Seu livro é escrito por homem
E o meu escrito por quenga!
O pastor vê no molenga
A encarnação do diabo
Sentia o cheiro de enxofre
E até já via o rabo
Era mesmo seu rival
Mais liso do que quiabo
Com a intenção de dar cabo
Da prosa do pecador
Erguendo a bíblia no alto
Rebate o sábio pastor:
– Achas mesmo meu amigo
Que és melhor do que o Senhor?
– Veja lá faça o favor!
Disse o malandro em cena:
– Quando o vejo lá na cruz
Juro que até sinto pena
Mas confesso gostar mais
Das Maria Madalena!
A praça virou arena
Tal como rinha de galo
Os dois partiram pra briga
Sem direito a intervalo
É quando as nuvens se abrem
E do céu vem um estalo
E ouçam bem o que falo
Um raio cai no safado
Que se ajoelha no chão
Com olhar apavorado
E de mãos juntas começa
Assumir o seu pecado
E disse o mal acabado:
– Perdoe-me nosso senhor
Tudo que disse é blasfêmia
Eu sou mesmo um pecador
E o povo grita:  – Milagre!
Aplaudindo o bom pastor
Em meio ao grande louvor
Sentado numa banqueta
O convertido revela
O escrito da caderneta
Disse todo arrependido
Sem fazer qualquer graceta
Que tinha amante ninfeta
E até moleque travesso
Comia as velhas no fim
E as novinhas no começo
E que tinha no caderno
Telefone e endereço
E ouvia com muito apreço
O pastor atencioso
Enquanto o ex-renegado
Discursava orgulhoso
Dando ainda mais detalhes
Do mundo pecaminoso
Disse ser libidinoso
Movido a álcool e engov
Beijava as de vinte um
Cheirava as de dezenove
Em casa fazia amor
Na zona fazia Love…
Disse ainda: – Que não prove
Do fogo da mulher dama
O cabra que não quiser
Ter o coração em chama!
Falou até do remédio
Que erguia o pé de cama
Findou dizendo: – Deus me ama
Livrou-me da perdição
E pra ser um novo homem
Eu de tudo abre mão!
Foi assim o testemunho
Do novo bom cidadão
Mas surpresa foi então
O pastor saltar de lado
Arrancando o livreto
Da mão do regenerado
Babando lambendo os beiços
Com uma cara de tarado
Sair correndo apressado
Abandonando o ofício
Gritando pela cidade
Armando aquele estrupício
Direto por velho bairro
Da zona do meretrício
Abriu mão do sacrifício
Largando a bíblia no chão
E mesma ficou de posse
Do antes dito vilão
Que desde o acontecido
É pastor de profissão
Se há uma conclusão
É de que há sempre a esperança
Pro sujeito vida torta
Deixar o mal na lembrança
E há também quem desvirtue
Pra equilibrar a balança.