sábado, 27 de outubro de 2012

SOBRE A HARMONIA DO ACORDEON...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL.

          Sou apaixonado por sanfona,por acordeon,por musete,por gaita de fole...

ainda faço como Diego,engenheiro elétrico,que com o salário do seu primeiro emprego,comprou o instrumento,foi a Potilãndia, e contratou uma professora  para lhe ensinar...aprendeu...valeu...realizou o seu sonho...

          A sanfona é um instrumento que tanto sola como faz o acompanhamento...como é bonita a música, em cujo fundo musical, se escuta uma sanfona...

          Pra mim, a música mais bonita do mundo é João e Maria, letra de Chico buarque e melodia de Sivuca, o Severino de Itabaiana, o homem que levou o acordeon aos conservatórios...

aliás, Quando Chico faz parceria com um sanfoneiro, a pérola está lapidada...um dia ainda digo ao compositor, fique mais perto da sanfona, dos sanfoneiros...
          Com Dominguinhos,  ele compôs o Xote da Navegaçào, outra obra lindíssima, que na redinha, mostrei a minha màe, no ocaso da sua vida, e ela fez a introspecção que eu esperava: fechou os olhos e disse:é belíssima, justo na hora do acorde, que corta a alma como uma gilete...é daí a minha sensibilidade...vem de um gen pleiotrópico ou de efeito múltiplo...
               No oitào da igreja matriz de Nova Cruz tinha a casa de Tia Nazinha...uma casa humilde, mas que sobre os sofás da sala de visitas tinham sempre todos os instrumentos de um regional...a sanfona, o violào, o cavaquinho, a maraca, o pandeiro....lá se tocava quase as 24 horas do dia...

Quem soubesse tocar,entrava e dava o seu recado, era só abrir a tramela da porta de baixo...era ato contínuo, nào precisava pedir permissào...era somente música...sem bebidas...sem comida...no máximo um copo dagua...

Por alí passaram genios, como Nelson do acordeon,
Arnor, que ainda hoje está vivo em Joào pessoa,alto como um coqueiro e magro como um palito...um músico da estatura de Jacó do Bandolin, mas só conheceu no mundo a privaçào e a pobreza, até hoje...é o mundo, vasto mundo, seu Raimundo!

          O filho da dona da casa, Itamar,meu primo legítimo,tocava acordeon tào bem quanto Sivuca...a agilidade era a mesma, e isto é neurológico...morreu motorista de taxi, com tuberculose...nào sabia o artista que era....
          Guardei todas estas lembranças dentro de mim...
desde criança eu sabia, que há canções que cortam como uma navalha...existem acordes que ardem igual a uma fissura...escute Piazolla, e comprove o que eu estou falando...
         Depois de adulto, escutei Artur da Távola falar: a música de piazolla corta igual a uma gilete...o seu bandoneon corta o espírito,  a alma,explica o Incognoscível...eu disso sabia desde os cinco anos...quando minha màe me botava para dormir,solando no acordeon LA CUMPARSITA...

          Agora, estou escutando Chico Buarque cantando, sendo acompanhado por um acordeon...reparem que arranjos lindos...profundos...acordes que levam voce a levitar...literalmente introspectivos...

          Você pode questionar, que assunto  é este que ele escreve com tanto sentimento ? 

eu respondo, é a plenitude de uma vida interior...

Música é vida interior...e, quem tem vida interior,jamais padecerá de solidào...dizia Artur da Távola, o homem que o Rio de Janeiro tirou do senado, para substituí-lo por  um Lindemberg Farias.
   

   

Porque Era Ela, Porque Era Eu

Chico Buarque

Eu não sabia explicar nós dois
Ela mais eu
Porque eu e ela
Não conhecia poemas
Nem muitas palavras belas
Mas ela foi me levando pela mão
Íamos todos os dois
Assim ao léo
Ríamos, choravamos sem razão
Hoje lembrando-me dela
Me vendo nos olhos dela
Sei que o que tinha de ser se deu
Porque era ela ,Porque era eu   

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