sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

A POESIA DE SARAMAGO...

Em violino fado - José Saramago

Ponho as mãos no teu corpo musical
Onde esperam os sons adormecidos.
Em silêncio começo, que pressente
A brusca irrupção do tom real.
E quando a alma ascendendo canta
Ao percorrer a escala dos sentidos,
Não mente a alma nem o corpo mente.
Não é por culpa nossa se a garganta
Enrouquece e se cala de repente
Em cruas dissonâncias, em rangidos
Exasperantes de acorde errado.

Se no silêncio em que a canção esmorece
Outro tom se insinua, recordado,
Não tarda que se extinga, emudece:
Não se consente em violino fado.

José de Sousa Saramago (Azinhaga, Golegã, Portugal 16 de novembro de 1922 - Tías, Lanzarote, Espanha, 18 de junho de 2010) - Além de escritor, foi contista, dramaturgo, jornalista e poeta português. Ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1998, assim como o Prêmio Camões de Literatura. Dentre sua vasta obra, publicou três livros de poemas: Poemas Possíveis (1966), Provavelmente Alegria (1970) e O Ano de 1993 (1975).

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

UMA CARTA A UM POEMA INACABADO:LÚCIA HELENA PEREIRA...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL.

Querida amiga Lúcia Helena

O APREÇO NÃO TEM PREÇO...me faz bem á vida e a alma, o valor que você nos dá...
UM artista tem que ir aonde o povo está, mas nem sempre isto é possível...você deve saber como é difícil se encontrar amizade, reconhecimento nesta selva de pedras...

EXISTE dentro de mim qualquer coisa de arte...ela é nítida quando eu escrevo, quando eu canto,quando eu componho...as vezes, só consigo fazer outra coisa, quando faço adormecer o poeta que existe dentro de mim...
Ninguém tem arte e poesia somente pra se...o artista tem que repartir os seus dons com o povo...isto é a retroalimentação da sua alegria...é o seu pagamento...é a sua vida...portanto fico feliz quando você me dá espaço, me abre a asa e me acolhe...gosto e sou grato a quem me promove, de forma amiga e desinteressada, como é o seu caso....
O que faço e escrevo é ouro...um dia outros enxergarão o brilho do meu metal...que também corre no meu sangue...
Quando o nosso trabalho for reconhecido, sempre eu me lembrarei de duas pessoas que me estimularam com os seus gestos profícuos:LUCINHA LYRA,A CANTORA, E LÚCIA HELENA PEREIRA, A POETISA...Vocês duas, realmente me deram colher de chá...bem cheias de incentivo,cheias de ternura....deram brilho a minha solidão...Nunca me esquecerei de vocês duas....que entenderam o meu desejo,traduziram a minha lira,adornaram os meus sonhos com bondade e energia...
Estou lhe agradecendo pela sua generosidade....e ratificando:Lúcia Helena pereira é a maior poetisa viva desta cidade....é uma poetisa que vive como poetisa: com o seu temperamento ciclotímico, ansiosa,as vezes depressiva, mas sempre capaz e pronta para tirar leite de pedras...para transformar em lágrimas, a beleza que existe nas pequenas coisas, nos pequenos gestos,retratos que só se revelam no coração de um poeta...
Receba afetuoso abraço e muito obrigado.

Bernardo Celestino Pimentel...


PS.LEIAM O BLOG OUTRASEOUTRAS, E TOMEM A SUA DOSE DIÁRIA DE POESIA, ALEGRIA E CULTURA.

COPIADO DO BLOG DA POETISA LÚCIA HELENA: MINHA AMIGA.BLOG OUTRASEOUTRAS.

A ALEGRIA É A FESTA DO CORAÇÃO. PARA UNS, O CARNAVAL É A POESIA DESSA FESTA. EIS O QUE PROVA O POVO DE NOVA CRUZ, CARNAVALESCO E PRAIEIRO ATÉ DEMAIS

BARRA DE CUNHAÚ E SUA TRADIÇÃO CARNAVALESCA COM MUITOS BLOCOS E GRANDE ANIMAÇÃO:
RODADO ELÉTRICO / OZ BALAZ / PRETO SÁ E MAÇÃ COM MEL / TERRÍVEIS / DUQUINHA ELÉTRICO/ BANDA PRAKERÊ / OZ MADRUGAS / PAGODE WS22 / BANDA ANTARES / BANDA AVELOZ / BANDA CLASSE A / EDSON E BALANÇA BEBÊ / GALEGA ELÉTRICA / KEBRADA DOS MOLEQUES / BANDA MONTAGEM / ROBSON E BANDA BAGAÇA.
O LITORAL DE CANGUARETAMA É PRIVILEGIADO PELA BELEZA DA SUA IMENSIDÃO OCEÂNICA.

Conheço a linda praia de Barra de Cunhaú, situada no litoral da encantadora cidade de Canguaretama/RN, cujos rios vão desaguando a sua poesia no mar azul. E o gigante oceano mais parece uma lagoa sem limites, um cenário que os olhos festejam, banhando-se na limpidez do Cunhaú, do Catu e do Curimatu, rios da poesia que se ilumina com o sol, as chuvas, as estrelas e as luas no alto celeste.
Que sejam sempre abençoados os seus colonizadores que batizaram Canguaretama de Gramació, lá pelos idos de 1743, com a presença do jesuíta José Sarmento. Depois, recebeu o nome de Vila Flor (deveria ser um terreno florido, com certeza), e foi, nessa região que houve o Martírio de Cunhaú, no local com o mesmo nome: Engenho Cunhaú, em 1645.
A praia possui cenários paradisíacos, manguezais com seus caranguejos e goiamuns, onde existem os grandes viveiros de camarões -, lagostas, caranguejos - uma fartura apreciada por todos.
A praia que mantém a tradição do carnaval na rua e nos festejos das casas dos veranistas, tem muita poesia para declamar, junto com os papangus de outrora e o bloco do Zé Pereira.
Mas, sem esquecer dos seus antigos veranistas de muitas gerações, como a família do saudoso Getúlio de Oliveira Sales, Violante Pimental, Marília Gomes de Carvalho, Família Arruda Câmara, e o que é sobremaneira atraente: a presença de um jovem senhor de engenho, advogado e escritor - Eduardo Henrique Gomes, dono do Engenho Pituaçu, em Canguaretama/RN.

NESTA PÁGINA, MINHA HOMENAGEM AOS POETAS DE NOVA CRUZ E CANGUARETAMA/RN: VIOLANTE PIMENTEL, EDUARDO HENRIQUE GOMES DE CARVALHO E BERNARDO CELESTINO PIMENTEL.
A SERENIDADE DO RIO CUNHAÚ BEIRANDO O LINDO COQUEIRAL
OS CAJUS, AS MANGAS E AS MANGABAS, NA SUA CURTA SAFRA, FAZEM PARTE DO GRANDE ELENCO DE FRUTAS TROPICAIS DA MESA DOS VERANISTAS E TURISTAS QUE SE ENCANTAM COM A ROTINA PRAIANA.
O CARNAVAL DE BARRA DE CUNHAÚ TEM BLOCOS NA AVENIDA E TODOS ACOMPANHAM E DANÇAM E SE ALEGRAM, PORQUE É A GRANDE FESTA DO POVO, A FESTA COLORIDA E MUSICAL.
A GRANDE HOSTESSE DE CUNHAÚ: VIOLANTE PIMENTEL
O POETA BERNARDO CELESTINO OLHANDO A POESIA MARINHA
DIANA E DALADIANA - FOLIÃS DE CUNHAÚ - NO CANTINHO BOA VIDA DA CASA DE VERANEIO DE VIOLANTE!
E SEU "DOTÔ" COMEÇA A SOLTAR A FRANGA!
VIOLANTE SE JUNTA À ANIMAÇÃO DA RUA
BERNARDO FAZ A FESTA SEM DISPENSAR A SANFONA, O TAMBOR E O BOM VINHO! DANOU-SE NOVACRUZENSE ARROCHADO!
O "DOTÔ" E A SOBRINHA
UM QUARTETO MUITO QUERIDO E AMIGO:
DIANA, VIOLANTE, BERNARDO E MARÍLIA
O "DOTÔ" LARGOU O BISTURI POR TRÊS DIAS E ARQUITETOU SEU PLANOS JUNTO COM CLARICE LISPECTOR, VINICIUS DE MORAIS, CHICO BUARQUE, BETHÂNIA, CASCUDO, ANA LIMA, MACHADO DE ASSIS...
E O BLOCO FEZ A FESTA NA RUA
LÁ VEM SEU "DOTÔ! ELE DESCANSOU O LAP TOP, DEU UM "TIME" PARA A QUIETUDE DE IEMANJÁ, DRUMMOND, SUA CADELA CECÍLIA, AS TROVAS E CORDÉIS, DOMINGUINHOS, FAGNER, ROBERTA SÁ, CAETANO E CAIU NOS BRAÇOS DO POVO, COM SEU COPO DE VINHO, SUA "REDUÇÃO DE ESTÔMAGO PSICOLÓGICA"...
AH! O "DOTÕ" FOI A ANIMAÇÃO MAIS DESTACADA, COM SEU JEITO BOM DE SER, SEU OLHAR DE VER, SEU CORAÇÃO QUE SÓ DE AMOR SE ALIMENTA E SUA ALMA ESBANJANDO POESIA!
LOGO DE CARA SUJA O "DOTÔ CAIU NA FREVANÇA E HOJE JÁ SENTE SAUDADE, POIS É ÚLTIMO DIA, MAS FICA LOGO ARQUITETANDO, O CARNAVAL DE 2013, POIS MENINO BOM COM SAMBA NO PÉ, É O TAL DO PIMENTEL DE NOVA CRUZ, SIM SENHOR!
DANOU-SE! NOSSA QUERIDA VIOLA TAMBÉM TEM O SAMBA NO PÉ E PULOU COM OS ANIMADOS FOLIÕES, BEM NO MEIO DA RUA, DIANTE DA SUA CASA!
OS MANOS APROVEITARAM AS FESTAS DE MOMO, NA BARRA DE CUNHAÚ, ERA VALÉRIA SORRINDO, BERNARDO CANTANDO E SONHANDO, E VIOLANTE SOLFEJANDO, POEMAS DE ANA LIMA.
E AÍ? SEU "DOTÔ"? TÁ COM SADADES DE "ORORA"? OU TÁ DOIDO VARRIDO COM VONTADE DE ABRAÇAR E BEIJAR A SUA MOLECA "CECÍLIA"?sSE AVEXE NÃO DOTÔ, TEM BISTURI LHE ESPERANDO, ASSIM QUE CHEGAR EM NATAL, E O CAFÉ SANTA CLARA, AGUARDA COM ALEGRIA, JUNTO COM PÚBLIO JOSÉ, "A CONFRARIA DA AMIZADE". DIGA À DONA MARÍLIA, QUE O DOCE DE LARANJA FICOU UMA PERFEIÇÃO, SÓ FALTA MARCAR O DIA, JUNTO COM INÊS MOTA - QUE É ALUCINADA POR ESSE DOCE - PARA A GENTE DEGUSTAR. MENINO ISSO É DOCE DE DOIDO, PRA FAZER É UMA LUTA, PRA COMER É UM DELEITE E FIZ DE PÉTALAS EM CAUDA E CRISTALIZADO. ARROCHE, AS LARANJAS DO PITUAÇU FORAM COLHIDAS COM MUITO CARINHO, PELO AUGUSTO SERVIDOR, DAQUELE ENGENHO DE SONHOS! VAMOS AVISAR À ZORAIDE VILLARIN, VIOLA, MARILIA, VOCÊ E SUA TURMA, DANOU-SE, SERÁ MESMO QUE VAI DAR?
BOM SEU "DOTÔ" BERNARDO, BOAS VINDAS JÁ LHE DOU, O SINHÔ QUE É POETA E UM BOM CARNAVALESCO, MERECE TODA A CONSIDERAÇÃO!
BARRA DE CUNHAÚ TEM DE TUDO, ATÉ GENTE PROCURANDO GENTE, TEM SABIÁ ENCARNADO, TEM PINGUIM DE GELADEIRA, TEM MACACO DE CIRCO, TEM AFOXÊ E SANFONA, TEM PASSISTA ATRAPALHADO, TEM GENTE DO BEM, DO BEM...TEM VIOLA E VIOLÃO!
E O "DOTÔ" SE ARRETOU, CAIU NO BLOCO DA RUA E PEGOU UMA PASSISTA TODA CHEIA DE MEIGUICE, PULOU E CANTOU ATÉ ALTAS HORAS E NÃO TRAIU NINGUÉM, TUDO FEZ POR ALEGRIA, A ALEGRIA DO FREVO!
E VIVAS AO CARNAVAL...ENQUANTO ISSO, "NA SALADA JUSTIÇA", VOU COM A AMIGA VIVI COMER UMA BOA "BUXADA", TALVEZ UMA LAMBISGÓIA QUALQUER, QUERENDO COMER DE TUDO E SEM PODER FAZER NADA, VOU FREVAR LOGO MAIS TARDE, NA PRAIA DE AMARALINE, OU NA PRAÇA CASTRO ALVES, DOS GRANDES CARNAVAIS DA BAHIA.

TCHAU! PSIU!!! EU VOLTO!

SOBRE A RUA...JOÃO DO RIO.

A RUA

Eu amo a rua.
Esse sentimento de natureza toda íntima não vos seria revelado por mim se não julgasse, e razões não tivesse para julgar, que este amor assim absoluto e assim exagerado é partilhado por todos vós.
Nós somos irmãos, nós nos sentimos parecidos e iguais; nas cidades, nas aldeias, nos povoados, não porque soframos, com a dor e os desprazeres, a lei e a polícia, mas porque nos une, nivela e agremia o amor da rua.

É este mesmo o sentimento imperturbável e indissolúvel, o único que, como a própria vida, resiste às idades e às épocas.

Tudo se transforma, tudo varia o amor, o ódio, o egoísmo. Hoje é mais amargo o riso, mais dolorosa a ironia. Os séculos passam, deslizam, levando as coisas fúteis e os acontecimentos notáveis.

Só persiste e fica, legado das gerações cada vez maior, o amor da rua.



A RUA NA CANÇÃO DE MONTMARTRE


(Eu sou a rua, mulher eternamente verde jamais encontrei outra carreira aberta senão a de ser a rua e, por todo o tempo; desde que este penoso mundo é mundo, eu a sou...)



A verdade e o trocadilho!

Os dicionários dizem: "Rua, do latim ruga, sulco. Espaço entre as casas e as povoações por onde se anda e passeia." E Domingos Vieira, citando as Ordenações: "Estradas e rua pruvicas antigamente usadas e os rios navegantes se som cabedaes que correm continuamente e de todo o tempo pero que o uso assy das estradas e ruas pruvicas." A obscuridade da gramática e da lei! Os dicionários só são considerados fontes fáceis de completo saber pelos que nunca os folhearam. Abri o primeiro, abri o segundo, abri dez, vinte enciclopédias, manuseei in-folios especiais de curiosidade.

A rua era para eles apenas um alinhado de fachadas, por onde se anda nas povoações...

Ora, a rua é mais do que isso, a rua é um fator da vida das cidades, a rua tem alma! Em Benarès ou em Amsterdã, em Londres ou em Buenos Aires, sob os céus mais diversos, nos mais variados climas, a rua é a agasalhadora da miséria. Os desgraçados não se sentem de todo sem o auxílio dos deuses enquanto diante dos seus olhos uma rua abre para outra rua.

A rua é o aplauso dos medíocres, dos infelizes, dos miseráveis da arte.
Não paga ao Tamagno para ouvir berros atenorados de leão avaro, nem à velha Patti para admitir um fio de voz velho, fraco e legendário. Bate, em compensação, palmas aos saltimbancos que, sem voz, rouquejam com fome para alegrá-la e para comer.
A rua é generosa. O crime, o delírio, a miséria não os denuncia ela.

A rua é a transformadora das línguas. Os Cândido de Figueiredo do universo estafam-se em juntar regrinhas para enclausurar expressões; os prosadores bradam contra os Cândido.

A rua continua, matando substantivos, transformando a significação dos termos, impondo aos dicionários as palavras que inventa, criando o calão que é o patrimônio clássico dos léxicons futuros.

A rua resume para o animal civilizado todo o conforto humano. Dá-Ihe luz, luxo, bem-estar, comodidade e até impressões selvagens no adejar das árvores e no trinar dos pássaros.

A rua nasce, como o homem, do soluço, do espasmo.

Há suor humano na argamassa do seu calçamento.

Cada casa que se ergue é feita do esforço exaustivo de muitos seres, e haveis de ter visto pedreiros e canteiros, ao erguer as pedras para as frontarias, cantarem, cobertos de suor, uma melopéia tão triste que pelo ar parece um arquejante soluço.

A rua sente nos nervos essa miséria da criação, e por isso é a mais igualitária, a mais socialista, a mais niveladora das obras humanas.

A rua criou todas as blagues e todos os lugares-comuns. Foi ela que fez a majestade dos rifões, dos brocardos, dos anexins, e foi também ela que batizou o imortal Calino.

Sem o consentimento da rua não passam os sábios, e os charlatães, que a lisonjeiam e lhe resumem a banalidade, são da primeira ocasião desfeitos e soprados como bolas de sabão.

A rua é a eterna imagem da ingenuidade.

Comete crimes, desvaria à noite, treme com a febre dos delírios, para ela como para as crianças a aurora é sempre formosa, para ela não há o despertar triste, e quando o sol desponta e ela abre os olhos esquecida das próprias ações, é, no encanto da vida renovada, no chilrear do passaredo, no embalo nostálgico dos pregões - tão modesta, tão lavada, tão risonha, que parece papaguear com o céu e com os anjos...

A rua faz as celebridades e as revoltas, a rua criou um tipo universal, tipo que vive em cada aspecto urbano, em cada detalhe, em cada praça, tipo diabólico que tem dos gnomos e dos silfos das florestas, tipo proteiforme, feito de risos e de lágrimas, de patifarias e de crimes irresponsáveis, de abandono e de inédita filosofia, tipo esquisito e ambíguo com saltos de felino e risos de navalha, o prodígio de uma criança mais sabida e cética que os velhos de setenta invernos, mas cuja ingenuidade é perpétua, voz que dá o apelido fatal aos potentados e nunca teve preocupações, criatura que pede como se fosse natural pedir, aclama sem interesse, e pode rir, francamente, depois de ter conhecido todos os males da cidade, poeira d’oiro que se faz lama e torna a ser poeira - a rua criou o garoto!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

ACABOU NOSSO CARNAVAL....POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL.

ENFIM o Brasil vai descer a ladeira...começou o ano...hoje todas as ilusões são deletadas e entramos no mundo real...vamos ao trabalho, com as água de Março fechando o verão...

A BARRA DE CUNHAÚ suave , aos poucos vai ficando deserta...O RIO CUNHAÙ cheio,vai levando para o fundo do mar,os fragmentos dos últimos sonhos, as últimas lágrimas, os humores do prazer...faz anos , que é sempre assim...a quarta feira de cinza é um dia triste...tem esta cor cinza,tem cheiro de ansiedade e de muito trabalho...

Hoje , se encontram no fundo do mar,os sonhos dos netos e filhos de hoje, com os mesmos sonhos dos avós e bisavós,dos antigos veranistas...O Carnaval é um ópio, para tornar mais suave, o fardo de cada um...
HOJE amanhecemos sem o bom dia matinal de ZÉ GERALDO e GERALDO GUERRA,que desapareceram com todos os vestígios da vida...no fundo do mar, ainda deve ter resquícios do seu bem querer , por este veraneio, por este Carnaval, é assim...é a vida.

Depois que a gente se aproxima dos sessenta anos, se conclui que é muito pouco, uma vida dígna, em média,só durar setenta anos...depois, a sub-vida, do HOME CARE,da sonda nasogástrica, da traqueostomia, da gastrostomia... A MANUTENÇÃO FORÇADA DO QUE ACABOU, PELA FORÇA DE TERCEIROS, para evitar que se acabem as pensões, os benefícios, que alimentam ao redor do lar, os conflitos...


AGORA, VIOLANTE ME CHAMA PARA VER AS QUENGAS...ainda uma centena de pessoas, de foliões, que não acreditaram que o tempo passou...

AO longe, um barco descreve um arco,deslizando nas águas,e uma senhora idosa olhando o horizonte...na sua testa,uma marca de polegar, feita de cinzas,lembrando que : DO PÓ VIEMOS, E AO PÓ VOLTAREMOS...


NÃO FUI A IGREJA TOMAR CINZAS, MAS, JÁ TENHO E TRAGO NA ALMA, O SENTIDO DO QUE AS CINZAS REPRESENTAM...

A minha alma já está cris...quem sabe, até o próximo carnaval...


Marcha da Quarta feira de Cinzas

Carlos Lyra e Vinicius de Moraes.

Acabou nosso carnaval, ninguém, ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações saudades e cinzas foi o que restou
Pelas ruas o que se vê é uma gente que nem se vê
Que nem se sorri, se beija e se abraça
E sai caminhando, dançando e cantando cantigas de amor
E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade
A tristeza que a gente tem qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir, voltou a esperança
É o povo que dança, contente da vida feliz a cantar
Porque são tão tantas coisas azuis, há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar que a gente nem sabe
Quem me dera viver pra ver e brincar outros carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto de paz

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

OS TRINTA E DOIS ANOS DE DR.BRENO AUGUSTO MIRANDA BEZERRA....POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL.










HOJE,o meu filho do meio, faz trinta e dois anos...

COMEÇO O DIA AGRADECENDO A DEUS PELOS FILHOS QUE ME DEU...hoje, especialmente agradecendo pela vida de BRENO...
Breno é o filho que todo pai gostaria de ter....Breno é o genro que todo sogro gostaria de ter...Breno é o irmão que todo mundo queria...
Breno e´um homem inteligente,humano,caridoso,tem fé em Deus, digital, disciplinado, objetivo...desde criança que é ligado á energia...foi repreendido muitas vezes na infância, por viver catucando tomadas elétricas, gostava de chave de fenda e alicate...Hoje é um gestor da COSERN...trabalha com energia...é um açougueiro que gosta de carne...
Guarda no peito todos os seus amigos...os amigos de hoje e os amigos da sua infância...os amigos de Santo António do Salto da Onça, a sua outra pátria...mais tarde, a galera da ONÇA,vai trazer um conjunto para tocar a sua festa...manifestação espontânea...eles vem homenagear o amigo...uma amizade da INFÂNCIA E DA JUVENTUDE...
DEPOIS DE IR A TODAS AS FESTAS DO MUNDO,AMANHECER O DIA EM TODAS AS VAQUEJADAS,estourar muitos tímpanos com o seu som alto, resolveu se casar e se adaptou normalmente a uma nova vida...Breno e Adriana vivem uma vida invejável, há anos.
EU como coruja,tenho prazer em falar de uma coisa que eu fiz e que Deus me deu...Desejo a Breno toda a felicidade do mundo...e quando puder,me dê um neto...
OS NETOS tem gosto de açúcar e são capazes de, NO OCASO DA VIDA,NOS TRAZER AS LUZES DOURADAS E IRRADIANTES, DA AURORA...
QUE DEUS TRANSBORDE A SUA VIDA DE FÉ...que é de onde vem a esperança,que traz a felicidade e a alegria.

A CANTORIA...

Numa cantoria de Severino Pinto com Lourival Batista:

Severino Pinto

No lugar que Pinto canta
Não vejo quem o confunda
O rio da poesia
O meu pensamento inunda
Terça, quarta, quinta e sexta
Sábado, domingo e segunda

Lourival Batista

Sábado, domingo e segunda
Terça-feira, quarta e quinta
Na sexta não me faltando
A tela, pincel e tinta
Pinto, pintando o que eu pinto
Eu pinto o que Pinto pinta

* * *

Numa cantoria de Otacílio Batista com Lourival Batista:

Otacílio Batista

Seu repente tem essência
É feito sem embaraço
Mas sua viola é tão feia
Que só parece um cabaço
Mais bonita do que ela
Eu tenho visto em palhaço

Lourival Batista

Mais feia que a dum palhaço
Mas o dono é inteligente
A sua é muito enfeitada
Mas é fraco o seu repente
Não é coleira bonita
Que faz cachorro valente