
sexta-feira, 2 de março de 2012
AUTO-RETRATO...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL.

CONFUSÃO NO ESCURO...
NO ESCURO DO ELEVADOR
Dentro de um elevador
De noite, com luz acesa,
Tinha uma senhora alemã
E uma bela jovem francesa.
Era um país estrangeiro,
Mas lá tinha um brasileiro
Com um jeito bem nordestino.
E por arte do pecado
Dentro daquele quadrado
Também tinha um argentino.
Os quatro bem comportados
E aí faltou energia.
Ficou tudo tão escuro
Que nem um vulto se via.
Foi então que de repente,
No meio daquela gente
Naquele escuro, à solapa,
Ouviu-se um beijo estalado
Que soou acompanhado
Do barulho de uma tapa.
Quando chegou energia,
Com sorriso disfarçado,
Um olhava para o outro,
Com olhar desconfiado.
Cada um imaginava,
Mas nenhum deles falava
Quem bateu e quem beijou.
Quem foi eu não sei dizer,
Mas eu posso descrever
O que cada um pensou.
A Senhora da Alemanha
Pensou: eu tenho certeza!
Um desses “cabras” safados
Beijou a moça francesa.
Mas ela fez muito bem,
Pois não gritou por ninguém,
Mas pelo barulho ouvido
Fez uma atitude rara.
Meteu a tapa na cara
Desse sujeito atrevido.
E a bela jovem francesa
Ficou ali a pensar:
Esse tarado safado
Desejava me beijar.
Mas ele deu uma fora,
Beijou aquela Senhora
E pagou pelo mal feito.
Foi mal na sua aventura
Porque ela com bravura
Deu na cara do sujeito.
E o argentino pensou:
“Eu tenho quase certeza!
O brasileiro safado
Beijou a moça francesa.
Com a sua malandragem
Ele fez por sacanagem!
E ela pensou que fui eu.
Então, ela revoltada,
Com a sua mão estirada,
Na minha cara bateu”.
O brasileiro malandro
Pensou nessa conclusão:
“Pra gozar com o argentino
Dei um beijo em minha mão.
E antes que a luz acendesse,
Sem que ninguém percebesse,
Usei meu jeito “malino”.
Abri a palma da mão
E lasquei um bofetão
Bem na cara do argentino”.
O LADRÃO POBRE E LADRÃO RICO...

Uma mulher de 74 anos ficou presa por mais de 30 horas por atrasar o pagamento da pensão alimentícia dos netos. O caso aconteceu em Vianópolis, a 95 km de Goiânia. Comovidos, os moradores da cidade se uniram,pagaram o valor da pensão atrasada e Luzia foi solta no fim da tarde de quarta-feira (29).
Há três anos a aposentada Luzia Rodrigues Pereira paga a pensão para os quatro netos. Há seis meses parou de ajudar, devido a problemas financeiros. Ela assumiu perante a Justiça a responsabilidade de pagar a pensão no lugar do filho, que está desempregado e não trabalha.
* * *
Conheço o estado de Goiás e conheço também a cidade de Vianópolis.
Quando li esta notícia, a primeira coisa que me veio à lembrança é que o estado de Goiás é também a terra natal de Delúbio Soares.
Aquele que disse que “um dia o Mensalão vai virar piada de salão“.
Eu só num diga que a gente vive num país de rapariga pra não ofender as putas, uma nação de gente que eu muito prezo e admiro.


A idosa atrás das grades pelo ”grande” crime de não pagar uma mísera pensão alimentícia e Delúbio Soares solto, se rindo, mangando da gente e absolutamente convicto de que o crime grande (sem aspas) compensa
quinta-feira, 1 de março de 2012
UM SONETO...

Desejado soneto este que é escrito
sem as firulas graves do solene,
que leva na palavra o simples rito
da fala cotidiana. Não condene
no entanto, a falta de um estro especioso,
nem de brega rotule esse meu vezo.
Apenas sinta o som oco e poroso
do fundo mar de anêmonas, o peso
rarefeito das algas nos peraus.
Essa cantiga filtra nossos medos,
as culpas e os tabus, e dá-me o aval
para buscar o simples e em querê-lo
ornamento de estética espartana
na faxina ao supérfluo que se espana.
FILOSOFIA...
UMA TRAGÉDIA NO FUNDO DO MAR...
O Assassinato do Camarão
Os Originais do Samba
Assassinaram o Camarão
Assim começou a tragédia
No fundo do mar
O caranguejo levou prêso
O tubarão
Siri sequestrou a sardinha
Tentando fazer confessar
O guaiamum que não se apavora
Disse:-Eu que vou investigar...
Vou dar um pau nas piranhas
Lá fora
Vocês vão ver
Elas vão ter que entregar...(2x)
Logo ao saber da notícia
A tainha tratou de se mandar
Até o peixe espada
Também foi se entocar...
Malandro foi o peixe galo
Bateu asas e voou
Até hoje eu não sei
Como a briga terminou..(2x)
Assassinaram!
Assassinaram o Camarão
Assim começou a tragédia
No fundo do mar
O caranguejo levou preso
O tubarão
Siri sequestrou a sardinha
Tentando fazer confessar
O guaiamum que não se apavora
Disse:-Eu que vou investigar...
Vou dar um pau nas piranhas
Lá fora
Vocês vão ver
Elas vão ter que entregar...(2x)
Logo ao saber da notícia
A tainha tratou de se mandar
Até o peixe espada
Também foi se entocar...
Malandro foi o peixe galo
Bateu asas e voou
Até hoje eu não sei
Como a briga terminou..(2x)
Assassinaram o Camarão!
SOBRE FLATULENCIA...

O CABRA QUE ENRICOU SOLTANDO PUM
Não sei se li no jornal
ou se foi numa revista
a sensacional notícia
sobre um incrível artista.
Tentarei reproduzi-la
em narração cordelista.
O fato ocorreu na França…
Existia um cidadão
(foi no século dezenove)
que por sua atuação
conquistou a preferência
das plateias da nação.
Na Paris daquele tempo
de astros era grande o rol,
havendo entre eles um
chamado José Pujol.
Por meio de flatulências,
tornou-se artista de escol.
Seu dom extraordinário
ou estranha habilidade,
em vez de causar vergonha,
deu-lhe a oportunidade
de faturar bom dinheiro
e virar celebridade.
O público ia ao delírio
nos teatros de Paris.
No Moulin-Rouge, inclusive,
o povo pedia bis…
Era um espetáculo inédito
na história do país.
No palco, o incomum artista
o locutor anuncia.
Sua aparição inunda
a plateia de alegria.
E a insólita apresentação
entre aplausos se inicia.
Esse tipo de atração
não era desconhecido.
Na Irlanda medieval
já havia acontecido
de artistas flatulentos
haverem se exibido.
Também em outros países,
conforme atestam zunzuns
registrados por cronistas,
esses shows eram comuns.
No Japão mesmo já houve
até concursos de puns.
[ 2 ]
Pujol, ainda moleque,
de maneira casual,
descobriu que tinha o dom
pouco convencional
de controlar os seus puns.
Isso era fenomenal!
Os músculos do abdômen
e os do ânus também
ele dominava como
não o fez nunca ninguém.
Sentiu que, usando esses dotes,
poderia se dar bem.
Viu que por via retal
retinha e após expelia
até dois litros de água,
parecendo uma magia,
e assim, controlando o ar,
reproduzir sons podia.
Passou logo a imitar
com bastante perfeição,
desde músicas populares
até latidos de cão,
incluindo outros ruídos
como tiros de canhão.
[ 3 ]
Pujol permaneceria
em completo anonimato,
se um dia alguém do teatro
não visse, no instante exato,
arte, muito embora excêntrica,
nos puns desse artista nato.
Então buscou convencer
o autor daquela arte rara
de que, indiscutivelmente,
haveria público para
pagar pra vê-lo atuando…
Pujol aceitou de cara!
Largou uma padaria
para investir na carreira
artística, então estreando
num teatro de terceira
categoria em Marselha,
onde atuou sem canseira.
É bom salientar que
colocar em prática a ideia
não foi tarefa tão fácil.
Por ocasião da estreia
somente familiares
e amigos era a plateia.
[ 4 ]
Mas passou em pouco tempo
para um teatro maior.
Após umas temporadas
viu compensado o suor
derramado: enfim galgara
uma posição melhor.
Foi direto pra Paris,
ali ficando famoso.
Lá ganhou muito dinheiro
como artista talentoso,
embora sua arte fosse
de gosto bem duvidoso.
Charges sobre ele saíam
com frequência nos jornais,
pelas apresentações
sempre sensacionais,
fazendo seu patrimônio
aumentar cada vez mais.
Sua fama se espalhou,
pois ninguém até então
havia feito sucesso
ou ganhado projeção
com instrumento de sopro
como o do tal cidadão.
[ 5 ]
Aos seus shows compareciam
importantes personagens,
como Leopoldo II,
rei belga, que, com alguns pajens,
viajou pra vê-lo, incógnito,
sem coroa e homenagens.
Rapidamente, Pujol
ficou rico de verdade,
dando-se até mesmo ao luxo
de construir por vaidade
um teatro só pra ele
se apresentar na cidade.
Vale acrescentar ainda,
pra informação do leitor,
que as emissões de gases
não tinham qualquer fedor.
Pujol sempre fora esperto,
sabia se dar valor.
Por isso lavava o cólon,
precavido e consciente,
todos os dias, com água
perfumada, certamente
com especiais substâncias
da química mais eficiente…
[ 6 ]
No entanto, a próspera carreira
terminou com a eclosão
da Primeira Grande Guerra
que chegou de supetão,
ao cenário mundial
trazendo destruição.
Após ver voltarem dois
filhos inválidos da guerra,
Pujol desiste dos palcos,
a carreira artística encerra
e volta para Marselha,
sua inesquecível terra.
Parecido com o francês,
Bom Jardim já teve um
camarada que apostava
soltar dezenas de pum,
jamais perdendo uma aposta,
pois não falhava em nenhum.
A quantidade de puns
em cada aposta era 100.
Um após o outro, audíveis,
que se ouvissem muito bem.
E o autor das flatulências
não perdia pra ninguém.
[ 7 ]
Muitas vezes, de propósito,
uma dúvida era criada,
quase no centésimo pum,
e era a contagem parada,
recomeçando do zero…
Para ele isso era nada!
Não fazia o peidorreiro,
portanto, a menor questão,
certo de que poderia
repetir a operação,
aceitando as artimanhas
sem nenhuma objeção.
Apesar de inusitados,
estes são fatos reais
protagonizados por
artistas especiais
que até hoje são notícia
em revistas e jornais.
Pra versejar, o poeta
deve estar sempre disposto.
Eis a razão deste assunto
para o cordel ser transposto.
Porém, no fim, reconheço
não ser de muito bom gosto.





