terça-feira, 2 de abril de 2013

NOTÍCIAS DO BRASIL...



GRATOS AO PASTOR FELICIANO

Ricardo Noblat
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Henrique e Renan em débito com o pastor Feliciano
Comunicado público: Henrique Eduardo Alves, presidente da Câmara dos Deputados, e Renan Calheiros, presidente do Senado, agradecem de coração ao pastor Marco Feliciano o seu desempenho como presidente recém-eleito da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.
E se oferecem para ajudá-lo a se manter no cargo se essa for sua vontade, como parece. Na esperança de que seja, despedem-se felizes e aliviados.
Cadê o movimento que recolheu mais de uma milhão e meio de assinaturas pedindo o afastamento de Renan (PMDB-AL) da presidência do Senado por falta de decoro? Esgotou-se?
Sua única finalidade era amealhar as assinaturas? Não se ouvirá mais falar dele nas redes sociais? Nem do alvo de sua sanha? Justificável sanha, por sinal! Alvo bem escolhido.
Como pode voltar à presidência do Senado alguém que renunciou a ela para não ser cassado?
Descobriu-se que um lobista de empreiteira pagava as despesas de uma ex-amante de Renan, e mãe de uma filha dele. Renan alegou que o pagamento era feito com o seu dinheiro.
Descobriu-se mais tarde que ele forjou documentos para justificar um patrimônio que não tinha.
O procurador-geral da República denunciou Renan ao Supremo Tribunal Federal pela prática de três crimes: peculato (quando o servidor utiliza o cargo para desviar dinheiro público), falsidade ideológica e uso de documentos falsos.
Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) corre o risco de ser denunciado por esses crimes ou por alguns deles. Espera ter mais sorte do que Renan.
O comando de um dos três poderes da República está entregue a dois espertalhões e pouca gente se incomoda com isso.
Chamá-los de patifes seria pedir para que me processassem.
Bastam os processos a que respondo, dois deles movidos por Renan, dois pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e um pelo senador Fernando Collor (PTB-AL). Que trinca, hein? Quase uma quadrilha.
Concordo que o pastor Feliciano não deve ser deixado em paz. É um poço de preconceitos. Será incapaz de presidir com equilíbrio uma Comissão destinada a zelar pelo respeito aos direitos humanos – em especial aos das minorias.
De resto, é um notável picareta. Porque somente um picareta poderia condicionar a eventual cura divina à doação de dinheiro ou de bens. E reclamar do fiel que lhe deu o cartão de crédito, mas esqueceu de lhe revelar a senha.
Então que se combata o pastor sem deixar, porém, de conferir o devido destaque a tudo o que corrompe o exercício do poder entre nós.
Por ora, para ficarmos somente no âmbito do Congresso: quanto custará ao fim e ao cabo a eleição de Henrique Eduardo para a presidência da Câmara?
Fez parte do preço a entrega da presidência de uma Comissão ao PSC de Feliciano.
Fez parte também o aumento da verba de gabinete.
É de R$ 26.700,00 o salário mensal de um deputado. Mas ele recebe um segundo salário para pagar despesas com alimentação, telefone, aluguel de carros, combustível e passagem área.
De R$ 34 mil, o segundo salário passará para R$ 38.600,00. É pago mediante a apresentação de notas fiscais. Ninguém checa se as despesas foram de fato realizadas. E se as notas não são frias.
Henrique saldou mais três parcelas do preço de sua eleição: aumentou o auxílio-moradia de R$ 3 mil mensais para R$ 3.800,00; eliminou o limite de reembolso para assistência médica aos colegas; e aprovou a criação de 59 cargos em comissão.
Em sua defesa, lembra que limitou o pagamento do 14º e 15º salários anuais aos deputados.
Economia de palito de fósforo!
Pergunta que não quer calar: quem financiou a eleição de Henrique? Quem foi?
Nós, seus bobinhos! Nós!
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O PROFESSOR HÉLIO BICUDO DÁ UMA AULA SOBRE LULA, O CARA...

segunda-feira, 1 de abril de 2013

BERNARDO CELESTINO PIMENTEL EM PROSA...



POESIA MUSICADA DO AUTOR. SE ENCONTRA NO CD
MÉDICO POPULAR BRASILEIRO.
ACHO QUE ESTES VERSOS CONSTITUEM O MEU AUTORETRATO...




EU VI A LUA POR DETRÁS DAQUELA SERRA,
MORRI NA PAZ, NASCI NA GUERRA,
SONHEI COM A ROSA E O LUAR.

EU VI A LUA POR DETRÁS DA BANANEIRA,
ESCUTEI PADRE ESCUTEI FREIRA,

ISSO SÓ FEZ ME ILUMINAR...



COMO E QUE EU POSSO ME ESQUECER DESTAS MIRAGENS,
SE A VIDA PASSA E AGENTE VIVE A LEMBRAR,
COMO E QUE EU POSSO SER FELIZ COMO POETA
SE EU SOU A DOR, A EMOÇÃO E O CANTAR..




AINDA GAROTO VI O GATO E O CACHORRO.
O PERIQUITO E O BESOURO, VI O BEZERRO MAMAR.
VI O MARTELO, A PORTEIRA E O SERROTE,
EU JÁ SABIA QUE A SORTE E UM PRESENTE QUE DEUS DA.


COMO E QUE CHAMAM UM GAROTO TAO FELIZ,
QUE E ILUMINADO PELO SOL QUE VEM DO CÉU,
COMO E QUE EU POSSO UM SEGUNDO ME CALAR,
SE EU SOU A VIDA SOU O SOL E O LUAR.


EU VI A RODA , A CANOA E O ROJÃO,
EU CANSAVA NO SÃO JOÃO COM A FUMAÇA DA FOGUEIRA,
TOMEI ANGICO E CUMARU PARA BRONQUITE,
ADORAVA ANDAR DE JEEP, DE CARROÇA E CAMINHÃO.

COMO SE PODE ESQUECER DE GENTE E GESTOS,
SE A SAUDADE NÃO ME DEIXA SOSSEGAR,
COMO SE PODE COMEÇAR TUDO DE NOVO,
SE EU SOU DO POVO COMO O SOL, E DO LUAR...



VIM PRA NATAL PRA SER BOM NA MEDICINA,
CONHECER PENICILINA, FEBRE TIFO E DIGITAL,
RECEITEI VINHO PRA BAIXAR COLESTEROL,
PRA TRISTEZA BANHO DE SOL, PRA POESIA BANHO DE MAR.

COMO E QUE PASSA UM INSTANTE SEM SENTIR,
SE A POESIA ESTA DEBAIXO DESTE ANEL,
COMO E QUE PODE SE VIVER SÓ PRA EXISTIR,
EU QUERO A SOPA, QUERO O PÃO, EU QUERO O MEL...



EU VI A MOCA PELA FRESTA DA JANELA,
VI A ROSA E O CHEIRO DELA FAZER O BICHO PEGAR,
SAI CONTENTE TOMEI BANHO NA BIQUEIRA,
AMO A VIDA A VIDA INTEIRA, GOSTO MUITO DE CANTAR...


COMO E QUE PODE SE A VIDA E POR UM TRIZ,
AGUARDE A MORTE QUE ELA VEM PRA NIVELAR,
EU QUERO A VIDA , EU QUERO UM BEIJO, EU QUERO BIS,
EU SOU DO SAMBA COMO O SURDO E DO GANZA...


DESDE CRIANÇA EU MOREI EM NOVA CRUZ,
ME CRIEI SEM AGUA E LUZ, MAS TINHA DEUS NO MEU POMAR...
DEPOIS DE GRANDE TRABALHEI EM SANTO ANTÓNIO,
EU VI A ONÇA E O LAJEDO,
EU VI A COBRA E O PREA.


O QUE E QUE EU DIGO DESTA FLOR QUE EU TRAGO EM MIM,
E DESTE BRILHO QUE ME ESCAPA DO OLHAR,
OLHEI PRA VIDA, OLHEI PRO CÉU E DISSE SIM,
EU SINTO A CHUVA , SINTO A PELE, EU SINTO O MAR ...



LEMBRO DO BERÇO, DO MEU TERÇO E DO RECADO DE MAMÃE PARA O FUTURO:
TUDO UM DIA VAI PASSAR....
O QUE NÃO PASSA E A TOLERÂNCIA E A CARIDADE, A BOA ACAO E AMIZADE,
E QUEM TEM MAIS TEM QUE MAIS DAR...


EU ABRO OS BRAÇOS, ABRAÇO O MUNDO , OMAR E O SOL,
EU CHEIRO A VIDA QUE RENASCE NAS MANHAS,
VIBRO COM AS FLORES POIS NÃO ESCOLHEM JARDINS,
ENTENDO OS PÁSSAROS QUE CANTAM NO MEU QUINTAL.

A VIDA...



A vida

 
Florbela Espanca


É vão o amor, o ódio, ou o desdém;
Inútil o desejo ou o sentimento...
Lançar um grande amor aos pés de alguém
O mesmo é que lançar flores ao vento!



Todos somos no mundo "Pedro Sem",
Uma alegria é feita dum tormento,
Um riso é sempre o eco dum lamento,
Sabe-se lá um beijo de onde vem!



A mais nobre ilusão morre... desfaz-se...
Uma saudade morta em nós renasce
Que no mesmo momento é já perdida...



Amar-te a vida inteira eu não podia.
A gente esquece sempre o bem de um dia.
Que queres, meu Amor, se é isto a vida!...













UM TEXTO DE NELSON RODRIGUES...

O ex-covarde – Nelson Rodrigues
Entro na redação e o Marcelo Soares de Moura me chama. Começa: — “Escuta aqui, Nélson. Explica esse mistério.” Como havia um mistério, sentei-me. Ele começa: — “Você, que não escrevia sobre política, por que é que agora só escreve sobre política?” Puxo um cigarro, sem pressa de responder. Insiste: — “Nas suas peças não há uma palavra sobre política. Nos seus romances, nos seus contos, nas suas crônicas, não há uma palavra sobre política. E, de repente, você começa suas “confissões”. É um violino de uma corda só. Seu assunto é só política. Explica: — Por quê?”
Antes de falar, procuro cinzeiro. Não tem. Marcelo foi apanhar um duas mesas adiante. Agradeço. Calco a brasa do cigarro no fundo do cinzeiro. Digo: — “É uma longa história.” O interessante é que outro amigo, o Francisco Pedro do Couto, e um outro, Permínio Ásfora, me fizeram a mesma pergunta. E, agora, o Marcelo me fustigava: — “Por quê?” Quero saber: — “Você tem tempo ou está com pressa?” Fiz tanto suspense que a curiosidade do Marcelo já estava insuportável.
Começo assim a “longa história”: — “Eu sou um ex-covarde.” O Marcelo ouvia só e eu não parei mais de falar. Disse-lhe que, hoje, é muito difícil não ser canalha. Por toda a parte, só vemos pulhas. E nem se diga que são pobres seres anônimos, obscuros, perdidos na massa. Não. Reitores, professores, sociólogos, intelectuais de todos os tipos, jovens e velhos, mocinhas e senhoras. E também os jornais e as revistas, o rádio e a tv. Quase tudo e quase todos exalam abjeção.
Marcelo interrompe: — “Somos todos abjetos?” Acendo outro cigarro: — “Nem todos, claro.” Expliquei-lhe o óbvio, isto é, que sempre há uma meia dúzia que se salve e só Deus sabe como. “Todas as pressões trabalham para o nosso aviltamento pessoal e coletivo.” E por que essa massa de pulhas invade a vida brasileira? Claro que não é de graça nem por acaso.

O que existe, por trás de tamanha degradação, é o medo. Por medo, os reitores, os professores, os intelectuais são montados, fisicamente montados, pelos jovens. Diria Marcelo que estou fazendo uma caricatura até grosseira. Nem tanto, nem tanto. Mas o medo começa nos lares, e dos lares passa para a igreja, e da igreja passa para as universidades, e destas para as redações, e daí para o romance, para o teatro, para o cinema. Fomos nós que fabricamos a “Razão da Idade”. Somos autores da impostura e, por medo adquirido, aceitamos a impostura como a verdade total.
Sim, os pais têm medo dos filhos, os mestres dos alunos. O medo é tão criminoso que, outro dia, seis ou sete universitários curraram uma colega. A menina saiu de lá de maca, quase de rabecão. No hospital, sofreu um tratamento que foi quase outro estupro. Sobreviveu por milagre. E ninguém disse nada. Nem reitores, nem professores, nem jornalistas, nem sacerdotes, ninguém exalou um modestíssimo pio. Caiu sobre o jovem estupro todo o silêncio da nossa pusilanimidade.
Mas preciso pluralizar. Não há um medo só. São vários medos, alguns pueris, idiotas. O medo de ser reacionário ou de parecer reacionário. Por medo das esquerdas, grã-finas e milionários fazem poses socialistas. Hoje, o sujeito prefere que lhe xinguem a mãe e não o chamem de reacionário. É o medo que faz o Dr. Alceu renegar os dois mil anos da Igreja e pôr nas nuvens a “Grande Revolução” russa. Cuba é uma Paquetá. Pois essa Paquetá dá ordens a milhares de jovens brasileiros. E, de repente, somos ocupados por vietcongs, cubanos, chineses. Ninguém acusa os jovens e ninguém os julga, por medo. Ninguém quer fazer a “Revolução Brasileira”. Não se trata de Brasil. Numa das passeatas, propunha-se que se fizesse do Brasil o Vietnã. Por que não fazer do Brasil o próprio Brasil? Ah, o Brasil não é uma pátria, não é uma nação, não é um povo, mas uma paisagem. Há também os que o negam até como valor plástico.
Eu falava e o Marcelo não dizia nada. Súbito, ele interrompe: — “E você? Por que, de repente, você mergulhou na política?” Eu já fumara, nesse meio-tempo, quatro cigarros. Apanhei mais um: — “Eu fui, por muito tempo, um pusilânime como os reitores, os professores, os intelectuais, os grã-finos etc, etc. Na guerra, ouvi um comunista dizer, antes da invasão da Rússia: — “Hitler é muito mais revolucionário do que a Inglaterra.” E eu, por covardia, não disse nada. Sempre achei que a história da “Grande Revolução”, que o Dr. Alceu chama de “o maior acontecimento do século XX”, sempre achei que essa história era um gigantesco mural de sangue e excremento. Em vida de Stalin, jamais ousei um suspiro contra ele. Por medo, aceitei o pacto germano-soviético. Eu sabia que a Rússia era a antipessoa, o anti-homem. Achava que o Capitalismo, com todos os seus crimes, ainda é melhor do que o Socialismo e sublinho: — do que a experiência concreta do Socialismo,
Tive medo, ou vários medos, e já não os tenho. Sofri muito na carne e na alma. Primeiro, foi em 1929, no dia seguinte ao Natal. Às duas horas da tarde, ou menos um pouco, vi meu irmão Roberto ser assassinado. Era um pintor de gênio, espécie de Rimbaud plástico, e de uma qualidade humana sem igual. Morreu errado ou, por outra, morreu porque era “filho de Mário Rodrigues”. E, no velório, sempre que alguém vinha abraçar meu pai, meu pai soluçava: — “Essa bala era para mim.” Um mês depois, meu pai morria de pura paixão. Mais alguns anos e meu irmão Joffre morre. Éramos unidos como dois gêmeos. Durante 15 dias, no Sanatório de Correias, ouvi a sua dispnéia. E minha irmã Dorinha. Sua agonia foi leve como a euforia de um anjo. E, depois, foi meu irmão Mário Filho. Eu dizia sempre: — “Ninguém no Brasil escreve como meu irmão Mário.” Teve um enfarte fulminante. Bem sei que, hoje, o morto começa a ser esquecido no velório. Por desgraça minha, não sou assim. E, por fim, houve o desabamento de Laranjeiras. Morreu meu irmão Paulinho e, com ele, sua esposa Maria Natália, seus dois filhos, Ana Maria e Paulo Roberto, a sua sogra, D. Marina. Todos morreram, todos, até o último vestígio.
Falei do meu pai, dos meus irmãos e vou falar também de mim. Aos 51 anos, tive uma filhinha que, por vontade materna, chama-se Daniela. Nasceu linda. Dois meses depois, a avó teve uma intuição. Chamou o Dr. Sílvio Abreu Fialho. Este veio, fez todos os exames. Depois, desceu comigo. Conversamos na calçada do meu edifício. Ele foi muito delicado, teve muito tato. Mas disse tudo. Minha filha era cega.
Eis o que eu queria explicar a Marcelo: — depois de tudo que contei, o meu medo deixou de ter sentido. Posso subir numa mesa e anunciar de fronte alta: — “Sou um ex-covarde.” É maravilhoso dizer tudo. Para mim, é de um ridículo abjeto ter medo das Esquerdas, ou do Poder Jovem, ou do Poder Velho ou de Mao Tsé-tung, ou de Guevara. Não trapaceio comigo, nem com os outros. Para ter coragem, precisei sofrer muito. Mas a tenho. E se há rapazes que, nas passeatas, carregam cartazes com a palavra “Muerte”, já traindo a própria língua; e se outros seguem as instruções de Cuba; e se outros mais querem odiar, matar ou morrer em espanhol — posso chamá-los, sem nenhum medo, de “jovens canalhas”.

A DEGENERAÇÃO DA ESQUERDA...



NOTA DE RODAPÉ

POR LUIZ OTÁVIO CAVALCANTI.
Em 1959, a tomada do poder pelas armas, em Cuba, foi exemplar. Em vários aspectos. Mostrou que regimes latino-americanos, beneficiando uma elite predatória, não prosperariam mais. Detonou também um processo de violência política na América Latina.
Nos anos 60 e 70, um rastilho de pólvora percorreu o Continente. E instalou ditaduras militares que permaneceram décadas no poder. Foi assim na Argentina de Videla, no Brasil de Medici e Figueiredo, no Chile de Pinochet, no Paraguai de Stroessner.
Esses governos criaram militarmente barreira ideológica. Produziram algum avanço econômico. Mas destroçaram politicamente aqueles países com cassações, exílios e perseguições. E socialmente preservaram o grau de pobreza de suas sociedades.
Qual sua consequência? O surgimento do neopopulismo de esquerda dos Kitchner agentinos, do Lula brasileiro, do Chavez venezuelano, do Morales e outros mais. Esses líderes políticos produziram reformas sociais relevantes. Implantaram políticas sociais que resgataram da miséria milhões de famílias que, pela primeira vez, receberam atenção oficial.
Como esses programas foram executados? Cada país adotou formato institucional adequado a suas características e possibilidades. No Brasil, um conjunto de programas de redistribuição foi deflagrado com o aparelhamento político do Estado. Na Venezuela, a PDVSA de petróleo foi encarregada de subsidiar socialmente os serviços públicos. Na Argentina, os números estatísticos foram maquiados pelo governo. Em Cuba, Bolívia e Equador, as economias nacionais são suportadas com suprimento venezuelano.
Mas, há um elemento comum a todos eles: neopopulismo com prorrogação de mandato e manipulação de poder. Discurso de esquerda e prática fascista. Em todos esses países, as lideranças proclamam teses de esquerda e praticam política fascista, incorporando aliados e decisões de adversários históricos. O que aproxima o PT do PSC? e do PR? e de outros Ps?
Essa improvável realidade tem custo político: desmoralizou a esquerda verdadeira. Feita com seriedade, decência e coerência. Por isso, esquerdistas, como o político Plínio de Arruda Sampaio, e o poeta Ferreira Gullar, deixaram o Partido. 

ARIANO SUASSUNA...

Ariano – Nobel de literatura
POR OTACÍLIO PIRES
 
ariano na cadeira
O Cabra Mestre Ariano,
Grande figura impoluta!
A ideia, ninguém refuta,
Pois é um literata decano.
Merece o premio do ano:
O Nobel da literatura.
Pois muito fez pela cultura,
Do povo do meu nordeste.
Este cabra bom da peste,
Merece a candidatura!
No Movimento Armorial,
Ele quem deu fomento.
Com respeito e sentimento,
A cultura tradicional.
Fez dela um ideal,
Caboclo que tem postura!
Nordestino com bravura,
Que aqui ninguém conteste!
Este cabra bom da peste,
Merece a candidatura!

Este cordel só foi feito
Pra pedir sua atenção
E mostrar a intenção
Pra Ariano ser eleito
E divulgar a respeito
E formar uma estrutura
Merecida, honesta, segura
E de fato inconteste!
Este cabra bom da peste
Merece a candidatura!
O auto da compadecida
Compadeceu muita gente
Mostrou o mais urgente
Dessa região esquecida
A fé da gente sofrida
Tem amor e candura
Do criador pra criatura
Aqui do nosso nordeste
Este cabra bom da peste
Merece a candidatura!
Castelo de Sebastião.
Vista no Belo Monte,
Que essa historia conte,
Quem teve essa visão!
Entre pedras do sertão,
Surgirá a grande figura,
Que mostre a aventura
Do reinado à sua veste
Este cabra bom da peste,
Merece a candidatura!