domingo, 3 de janeiro de 2016

AS CRIANÇAS DE HOJE...A CURIOSIDADE DE BRENINHO...CRIANÇAS COM UM ANO E QUATRO MESES...PODE???


O ESTATUTO DO HOMEM...




Os Estatutos do Homem (Thiago de Mello – Santiago do Chile, abril de 1964)
Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.
Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.
Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.
Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.
Parágrafo único:
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.
Artigo V
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.
Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.
Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.
Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.
Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.
Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.
Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.
Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.
Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.
Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.
Artigo Final
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.

sábado, 2 de janeiro de 2016

AS PERGUNTAS DO PRIMEIRO NETO...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL.





PERGUNTANDO E RESPONDENDO A BRENINNHO...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL
SÓ TEM 4 MESES DE VIDA...
ME ENCARA COM OLHOS DE MUITAS PERGUNTAS...
AS VEZES, PENSO QUE ELE ME PERGUNTA O QUE NOSSA SENHORA PERGUNTAVA A SÃO BERNARDO:
BERNARDO , A QUE VIESTES ?
como me saudava MADRE RAFAELA,toda vez que comigo se encontrava...
Sinto -o me perguntando:
Bernardo, por que tanta poesia?
Bernardo, POR QUE ESTA TERNURA, ao tentar unir as duas pontas da vida...
Bernardo, seria eu o nó desta emenda?
Bernardo, por que tanto brilho nos seus olhos?
QUEM LHE INJETOU TANTA POESIA,E ESTA MÃO TOCANDO COM MEDO DE FERIR A TERNURA ?
OLHO NOS SEUS OLHOS INQUISITÔRES E TENTO RESPONDER COM A LINGUAGEM DO CORAÇÃO:
EU SOU O SEU VOVÔ QUERIDO...
VOCÊ FOI UM PRESENTE QUE DEUS ME DEU...
VOCÊ NOS MEUS BRAÇOS, ME RESTITUI O MEU PAI, A MINHA MÃE, OS MEUS AVÓS, E A PONTA DA LINHA, QUE SE ORIGINA EM DEUS E TERMINA NA OUTRA MÃO DE DEUS...
É NESTA LINHA QUE SEU AVÔ TENTA SE EQUILIBRAR, E POR ELA, VOLTAR A DEUS...
É NESTE FIO, ONDE CORRE A PAZ...
BRENINHO, MEU AMOR, MEU PASSARINHO QUE POUSOU NESTA ÁRVORE SEXAGENÁRIA, QUE PRECISAVA ESCUTAR NOVOS CANTOS,
UM CANTO QUE ME RESTITUÍSSE A VIDA,
A VERDADE DA VIDA.
BRENINHO, SOMENTE VOCÊ PODERIA ME RESTITUIR NO OCASO DA VIDA, DEPOIS DE QUASE APOSENTADO, AS CORES RADIANTES DA AURORA, E O VERDE ESMERALDA DAS MINHAS ESPERANÇAS.
BRENINHO, VOCÊ É O MEU OUTRO SOL...QUE SUBSTITUI AS PENUMBRAS QUE A VIDA CRIA APÓS TANTAS LUTAS, TANTOS TRABALHOS,TANTAS VITÓRIAS E TANTAS DECEPÇÕES...
VOCÊ É MUITO MAIS DOCE DO QUE O AÇÚCAR...
MUITAS FELICIDADES, MIL BEIJOS, MEU REI.

VATES POPULARES...




Leandro Gomes de Barros



Meus versos inda são do tempo
Que as coisas eram de graça:
Pano medido por vara,
Terra medida por braça,
E um cabelo da barba
Era uma letra na praça.
*
Suspira Brasil! suspira!
Tens razão de suspirar,
Já vi-te rir no prazer,
Hoje te vejo chorar,
Qual uma barca sem norte,
Vendo os vai-vem da sorte
Esperando naufragar.
*
Quando o velho Santo Jó
Viu-se doente e leproso
No Recife Alfeu Raposo
Mandou-lhe uma fricção,
A mulher dele mandou
Pedir ao Dr. Tomé
Na farmácia São José
O Elixir da Salvação.
São Pedro era pescador
Antes de seguir Jesus
Quando o Dr. Santa Cruz
Tomou conta de Monteiro
Nero Imperador Romano
Mandou um seu paladino
Chamar António Silvino
Para ser seu cangaceiro.
* * *
Jânio Leite
Fui gerado e criado lá na roça
Convivi toda infância com meus pais
Não cursei faculdades federais
Minha lição foi puxar burro em carroça
Com a mão calejada e a pele grossa
De um trabalho tão árduo e tão pesado
Na enxada, na foice e no machado
Meu alimento foi feijão e rapadura
Calo seco é anel de formatura
Pra quem fez faculdade no roçado.
* * *
Natália Monteiro
Eu nasci num recanto diferente
Onde a paz triunfante é quem comanda
Mas se a chuva não vem ela desanda
Da maneira que está ultimamente
Mas meu sangue é de um povo persistente
E ao invés de ficar desesperada
Digo a Deus : Meu Senhor muito obrigada
Tenho orgulho daqui deste meu chão
Eu nasci nas caatingas do sertão
Uma terra por deus abençoada.
* * *
João Paraibano
Quando o dia começa a clarear
Um cigano se benze e deixa o rancho
A rolinha se coça num garrancho
Convidando um parceiro pra voar
Um bezerro cansado de mamar
Deita o queixo por cima de uma mão
A toalha do vento enxuga o chão
Vagalume desliga a bateria
Das carícias da noite nasce o dia
Aquecendo os mocambos do sertão.
* * *
Cego Aderaldo
(No decorrer de uma visita ao Rio de Janeiro)
O clima do meu sertão
É mais quente e mais sadio,
Não é um clima abafado
Como este clima do Rio.
O sapo do Ceará,
Vindo aqui morre de frio.
* *
João Firmino
(Quando do falecimento do Cego Aderaldo)
Foi a forte aroeira que ruiu
Ao contato do gume do machado.
Foi o ferro melhor já fabricado
Que o mercado do mundo jamais viu;
Foi o trem, sem destino, que partiu,
E ao longo da estrada deu o prego;
Como Homero, também, ele era cego
A quem todo o seu povo admirava…
Para ser o próprio Homero só faltava
Ao invés de cearense ser um grego!
* * *
José Lucas de Barros
(Em homenagem ao poeta repentista Diniz Vitorino Ferreira)
Nunca vi, em cantiga improvisada,
um poeta maior do que Diniz,
e acredito que Deus mandou chamá-lo
por achar que este mísero país
nunca soube entender o seu valor
nem tampouco ajudá-lo a ser feliz!
Sem Diniz, a viola nordestina
vai chorar, sem consolo, noite e dia;
o poeta dos versos mais perfeitos
se despede de nossa cantoria,
mas no coro dos anjos, lá no céu,
entra mais um maestro da poesia.
* * *
Lino Pedra Azul
Meu povo, quando eu morrer
Coloquem no meu caixão
Meu uniforme de couro
Meu guarda-peito e gibão
Com um bonito retrato
Do meu cavalo Alazão.
* * *
Manoel Bentevi
Na vida ninguém confia
Em nada sem ter certeza
São obras da natureza
Tudo que a terra cria:
Gente, ave, bicharia,
Tudo começou assim.
O homem é quem é ruim
Nada bom ele planeja
Por muito forte que seja
A morte pega e dá fim.
* * *
Moacir Laurentino
Acho bonito o inverno
Quando o rio está de nado
Que o sapo faz oi aqui
Outro oi do outro lado
Parece dois cantadores
Cantando mourão voltado.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

O FILHO MAIS QUERIDO...?

FILHO PREDILETO
Certa vez perguntaram a uma mãe qual era seu filho preferido,
aquele que ela mais amava.
E ela, deixando entrever um sorriso, respondeu: 
"Nada é mais volúvel que um coração de mãe.
E, como mãe, lhe respondo: o filho predileto,
aquele a quem me dedico de corpo e alma...
É o meu filho doente, até que sare.
O que partiu, até que volte.
O que está cansado, até que descanse.
O que está com fome, até que se alimente.
O que está com sede, até que beba.
O que estuda, até que aprenda.
O que está com frio, até que se agasalhe.
O que não trabalha, até que se empregue.
O que namora, até que se case.
O que casa, até que conviva.
O que é pai, até que os crie.
O que prometeu, até que se cumpra.
O que deve, até que pague.
O que chora, até que cale.
E já com o semblante bem distante daquele sorriso, completou:
O que já me deixou...
...até que o reencontre...
(Erma Bombeck)

BOM DIA 2016!!!

A LITERATURA DE VIOLANTE PIMENTEL....

O TESOURO
               Eram dois moradores de rua. Tinham o céu, a lua e as estrelas como telhado. Não tinham casa para morar nem pão para se alimentar. Viviam das esmolas que recebiam. Sonhavam em ter uma casa, que lhes servisse de abrigo contra o frio e contra a chuva. Sabiam que melhor do que a comida era o abrigo entre quatro paredes, sem as quais o homem não passa de um animal errante. Era assim que eles se sentiam. Meros animais à espera da caridade pública.
Quando a fraqueza da fome lhes permitia, arriscavam-se a catar lixo, disputando com outros pobres o que o lixão oferecia.mendigos
Na véspera de Natal e Ano Novo, a pobreza e a tristeza dessas pessoas ainda ficam maiores. A caridade pública humilha. Como diz a canção de Luiz Gonzaga, dar uma esmola a um homem que é são, “ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão.” Melhor seria um trabalho.
Era véspera de Natal, e os dois mendigos caminhavam pela escuridão da noite. De repente, tropeçaram num gato abandonado, que miava timidamente, aparentando estar faminto. Sentiram que o gato era tão pobre quanto eles. Os pobres são bons para os pobres e ajudam-se uns aos outros, dividindo entre si o pouco que conseguem para comer.
Os dois mendigos, compadecidos com o estado do gato, levaram-no com eles, e lhe deram para comer um pouco do pão que haviam recebido de esmola. O gato, depois de comer, ficou mais forte e saiu caminhando, miando alto, como se estivesse guiando os dois através das trevas, até uma cabana abandonada. Na cabana havia dois bancos e uma lareira, visíveis através do clarão da lua. Os dois mendigos sentaram- se em frente à lareira.
De repente, o gato desapareceu. Como por milagre, as duas brasas se acenderam e tornaram-se enormes. A claridade tomou conta da cabana, e os dois sentiram seus corpos aquecidos. Os pobres acreditaram que era o Menino Jesus quem mandara aquelas duas brasas para os aquecer. Adormeceram profundamente. As brasas brilharam até amanhecer o dia.
Os dois mendigos acordaram, como se estivessem despertando de um lindo sonho. Tinham recebido de presente de Natal um verdadeiro tesouro. Mesmo por uma única noite, dormiram sob o teto de uma cabana abandonada, aquecidos por uma misteriosa lareira. Olharam em sua volta e viram o gato dormindo. Pobre igual a eles, o gato lhes retribuiu o pão que lhe deram, levando-os até aquela cabana encantada.
Pelo menos, na noite de Natal, eles dormiram sob um teto, abrigados contra o frio e o vento.
Está provado que o grande tesouro dos pobres é a fantasia.