quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

O QUE SINTO...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL



O QUE SINTO...

A VIDA PASSANDO, O TEMPO CHEGANDO E FINDO...
O AMOR DO MEU PEITO RINDO...
VEJO MANHÃS E NOITES,SEPARANDO OS BEIJOS DOS AÇOITES,
MEU UNIVERSO É INFINITO.

ADORMEÇO NA MANHÃ E ACORDO NA NOITE...
O QUE HAVIA DE NOVO FOI-SE,
CANTO CANTIGAS ANTIGAS,
NAS SERENATAS DE DORES...

VERSEJO NOVOS AMORES,
EMBARCO EM NOVOS VAPORES,DE DORES,
A ALMA CANTA E CHORA,
A MINHA GLÓRIA IMPLORA,
UM MINUTO DE SILENCIO...

ESCUTO ANTIGAS VOZES,SONS DE TODAS AS CORES,
NO PEITO MIL AMORES,
AS CORES DO DIA SÃO MORTAS...

O ESPÍRITO SEMPRE PRONTO,
A CARNE SOLUÇANDO,
AI QUEM ME DERA SER LIVRE, VIVER UM BANDO DE ANDORINHAS,
QUE VOAM SOZINHAS...

agora, monto um cavalo .
e sangro com as  minhas próprias esporas,
viajo velho,
em tudo por onde já fui novo.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

O CABO QUE ACHAVA QUE COMUNISTA ERA QUEM PRATICAVA SODOMIA...

O CUMUNISTA. HISTÓRIAS QUE A HISTÓRIA NÃO CONTA
Perdoem-me os mais pudicos e os falsos moralistas, mas o fato abaixo é  verídico, embora mais pareça uma piada. Mas coisas como essa abaixo relatada aconteciam demais durante a Ditadura.

               Caso verídico que aconteceu na Paraíba durante o golpe militar de 31 de março de 1964.

Assim que o Golpe Militar triunfou, chegou à pacata cidade de Junco do Seridó o seguinte telegrama, enviado pelo general vitorioso, ao Cabo Muriçoca, delegado do lugar: "Prenda todos os comunistas em nome do Exército Brasileiro".

               Orgulhoso e cheio de si por tamanha distinção,o cabo reuniu a tropa, exibiu o telegrama como um troféu, leu os seus dizeres e passou a indagar:

               -Alguém aí sabe o que é "cumunista". Silêncio na platéia. Até que apareceu um soldado sarará, do beiço rachado, um olho aberto e o outro fechado, para sugerir:

               -Seu cabo, na minha opinião, "cumunista" é cabra que come cu. 

               Aí o delegado, com jeito de quem descobriu o Brasil, ordenou:

               -Se é assim, vamos invadir o cabaré de Maria Priquitim e prender todo individuo que estiver comendo cu. 

               Dito e feito. Chegaram logo quebrando as portas, invadindo os quartos, pegando os casais no bem bom. Já tinham invadindo cinco quartos, quando no sexto encontraram um sujeito enrabando a quenga "Joinha".

             O delegado não pestanejou:

            -Teje preso seu "cumunista" safado, em nome do Exército. 

          O pobre homem broxou na hora, enquanto balbuciava:

             -Mas seu delegado, eu não fiz nada... 

              -Fez, seu subversivo. Você tava cumendo um cu e quem come cu é "cumunista", esbravejou Muriçoca. 

             Ao pobre "cumunista" só restou uma explicação derradeira:



               -Seu delegado, juro por minha mãe que está no céu: esta é a primeira vez que eu como um cuzinho. O que eu sou mesmo, o senhor pode acreditar, é bucetista.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

UMA PELEJA...

DISCUSSÃO DO MACUMBEIRO E O CRENTE
Gonçalo Ferreira da Silva
MACUMBEIRO E O CRENTE
Carnaval e futebol
ficaram pra se curtir,
Os santos ensinamentos
são para o crente seguir,
religião e política
embora mereçam crítica
não são pra se discutir
Evangelista e Pilintra
não pensavam do mesmo jeito,
pois enquanto Evangelista
diz que foi por Cristo aceito
Pilintra bate no bumba
dizendo que é na macumba
que se faz tudo bem feito.
Porém, embora os dois pensem
de maneira diferente,
nunca tinham discutido
porque até o presente
não tinham, por sorte rara,
oportunidade para
um encontro frente a frente.
Mas um dia Evangelista
voltava alegre do culto
quando avistou muito longe
de Pilintra o negro vulto
que já vinha da macumba
no morro da Catacumba
já foram trocando insulto.
E onde os dois se encontraram
era uma encruzilhada
onde havia uma bebida
à Pomba Gira deixada
e uma galinha preta
pertinho de uma valeta
para um Exu colocada
- Que pecado monstruoso -
disse o crente, o dedo em riste
é triste um pecador crer
num troço que não existe
e fazer o mal com isto
agravando a Jesus Cristo
é vinte mil vezes triste
Pilintra lhe respondeu:
– Preste muita atenção, moço,
se macumba não existe
não carece de alvoroço
Deus também nunca lhe disse
pra querer ter a burrice
de ser santo em carne e osso.
Não era tarde da noite,
umas dez horas, e tantos,
começou a chegar gente
vinda de todos os cantos,
outros vinham feito loucos,
os que há pouco eram poucos
já não se sabia quantos.
A rua ficou lotada
de toda espécie de gente,
muitos pelo macumbeiro,
outros a favor do crente;
os aplausos ao combate
serviam para o debate
ficar cada vez mais quente
Pilintra disse: – Vocês
os crentes só fazem o bem
mas falam de todo mundo,
razão só vocês que têm
e eu na minha macumba
vivo bem com minha dumba
sem falar mal de ninguém.
O crente bateu com as juntas
dos dedos na negra capa
da Bíblia e ameaçou
dar no macumbeiro um tapa
e disse: – Na minha crença
eu não admito ofensa
mesmo que seja do Papa.
Portanto pode chamar
seu caboclo furacão
Pena Branca de Aruanda,
São Cosme e São Damião
Zé Pilintra e Preto Velho
que a luz do meu Evangelho
deixa todos sem ação.
Respondeu Pilintra: – Os guias
não são para ser chamados
para assistir bate-boca
nem para fazer mandados.
São emissários benditos
que quando estamos aflitos
vêm nos fazer consolados.
O crente cego de ódio
disse: – Cara, muito bem
qual é a luz que um espírito
que vive nas trevas tem?
E como é que tu levas
fé num espírito das trevas
que nunca ajudou ninguém?
- O mal – respondeu Pilintra
que mais combato e censuro
e que o reino de Deus
é pra vocês no futuro,
estão errados, declaro
para vocês tudo é claro
para os demais é escuro.
Convide seus Orixás
Iansã, Nanã, Ogum,
Omulu, Xangô, Oxóssi,
Iemanjá e Oxum,
Mariazinha da Praia
que quero dar uma vaia
pois não respeito nem um.
- Atire esta Bíblia fora -
disse Pilintra arrogante,
respeite a religião
que segue o seu semelhante
senão eu lhe meto o murro
porque o destino do burro
é morrer ignorante.
Um dos espectadores
quis o Pilintra agredir,
a turma do “deixa disso”
fez intruso sair
com a recomendação
de não entrar na questão
deixando os dois discutir.
A discussão nesta altura
já parecia uma briga,
vai ofensa, vem ofensa
e no meio da intriga
que parecia arruaça
a plateia achava graça
de dar cãibra na barriga.
Os homens tinham energia
na garganta como poucos,
dando socos no espaço,
já completamente roucos
uns riam pelo que viam,
outros riam dos que riam,
era um festival de loucos.
Ninguém mais se entendia
no meio da discussão.
Evangelista deixou
a Bíblia cair no chão,
e Pilintra não sabia
porque razão discutia
com tão voraz decisão.
Certo é que nem um queria
perder aquela disputa,
Pilintra não ia dar mole
nem que fosse a força bruta,
até o quinto mandamento
não cumpriria no momento
para não perder a luta.
Parecia que a disputa,
duraria a noite inteira,
mas antes da hora grande
Pilintra com voz maneira
disse: – Acabo a raça sua,
vou chamar seu Tranca-Rua,
Encruzilhada e Caveira.
Evangelista com isso
perdeu logo a esportiva
e disse: – Convide alma
de preta velha cativa,
de velho catimbozeiro
que quero ver mandingueiro
comigo ter voz ativa.
Um gozador que ouvia
a disputa atentamente
fez um boneco de pano
muito negro e reluzente,
jogou para o alto o treco
e a droga do boneco
caiu bem nos pés do crente.
O crente soltou um grito
e quis sair na carreira,
mas ao escutar as vaias
daquela cambada inteira
ouviu do canto da praça
um sujeito achando graça
igualmente uma caveira.
O crente, no desespero
quis esboçar reação,
buscando apoio do povo
disse acenando com a mão:
– Todo infeliz macumbeiro
é bandido e maconheiro,
é assassino e ladrão.
Com estas frases Pilintra
ficou muito indignado
e disse: – Cara não faça
juízo precipitado,
até o momento presente
não sei porque todo crente
tem a fala de viado.
Destas palavras pra frente
ninguém entendeu ninguém,
foi muito grande o tumulto
guias chegaram do além,
para esquentar o ambiente
no final até o crente
recebeu santo também.
Quando o guia incorporado
no crente foi novamente
para região celeste
todo o pessoal presente
entre risos e charadas,
num festival de risadas
todos mangavam do crente.
No morro da Catacumba
Pilintra lia convencido
da discussão o poema
achando não ter perdido,
o crente em sua Assembleia
também lia a epopeia
certo que tinha vencido.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

A POESIA DE CARLOS PENA FILHO...


SONETO PRINCIPALMENTE DO CARNAVAL – Carlos Pena Filho

Do fogo à cinza fui por três escadas
e chegando aos limites dos desertos,
entre furna e leões marquei incertos
encontros com mulheres mascaradas.
De pirata da Espanha disfarçado
adormeci panteras e medusas.
Mas, quando me lembrei das andaluzas,
pulei do azul, sentei-me no encarnado.
Respirei as ciganas inconstantes
e as profundas ausências do passado,
porém, retido fui pelos infantes
que me trouxeram vidros do estrangeiro
e me deixaram só, dependurado
nos cabelos azuis de fevereiro.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

NO TEMPO DE FERNANDO PESSOA...




Participei de confraternização natalina , no recife , em Apipucos, com vários poetas, na casa do jornalista LUIZ BERTO..
NA FOTO O JURISTA ZÉ PAULOCAVALCANTI, A MAIOR AURORIDADE DO BRSIL SOBRE FERNANDO FONSECA...NA MESA O POETA XICO BEZERRA, AUTOR DE VÁRIAS MÚSICAS, INCLUSIVE :SE TU QUISERES...
NA MESMA FESTA O POETA JESSIER QUIRINO, O CANTOR SANTANA E A CANTORA IRAH CALDEIRAS, O PALHAÇO MANGABA, O MAESTRO FRED MONTEIROE O CANTOR E COMPOSITOR MACIEL MELO...


Biografia brasileira de Fernando Pessoa revela 127 heterônimos
José Paulo Cavalcanti Filho tinha um objetivo quando iniciou sua biografia de Fernando Pessoa (1888-1935): descobrir quem era o "homem real" por trás do grande poeta português. Após oito anos de pesquisa, o autor e advogado pernambucano acabou deparando-se não com um, mas com 127 "Pessoas".
É esse o número de heterônimos do poeta catalogado pelo livro "Fernando Pessoa: Uma (quase) Autobiografia", que Cavalcanti lança agora. As múltiplas personas de Pessoa vão muito além de Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos, e superam também o que pensavam os especialistas.
Cavalcanti cita no livro que, no início dos anos 1990, eram conhecidos 72 heterônimos de Pessoa. O livro acrescentou 55. O conceito de heterônimo que adotou é amplo e não se restringe à definição padrão: "nome imaginário que um criador identifica como o autor de suas obras e que apresenta tendências diferentes das desse criador".
Inclui todos os nomes, tendo estilo próprio ou não, com os quais o poeta assinou seus textos. A decisão pode ser contestada, mas a intenção de Cavalcanti nunca foi fazer uma biografia convencional.
As excentricidades já começam pelo subtítulo: "Uma (quase) Autobiografia". O autor refere-se ao trabalho como o "livro que escrevi com meu amigo Pessoa". A "amizade" é das mais antigas. Começou em 1966, quando Cavalcanti leu "Tabacaria", um dos principais poemas do autor.
A partir daí, viria a montar umas das principais coleções sobre vida e obra de Pessoa. O poeta deixou mais de 30 mil páginas com anotações sobre si mesmo, literatura, família e fatos cotidianos.
Cavalcanti usou tantos trechos que chega a dizer que seu livro tem "mais frases de Pessoa do que minhas". "Mas não se trata", explica, "de Pessoa falando sobre si, é a palavra de Pessoa falando sobre ele. Ou melhor: é o que quero dizer, mas por palavras dele".
Cavalcanti foi ainda além: para dar unidade estilística ao texto, tentou escrever como Pessoa. Reduziu os adjetivos e adotou outro hábito dele: o uso, em média, de três vírgulas antes de um ponto final.
Sem imaginação
Durante a pesquisa, Cavalcanti foi até quatro vezes por ano a Portugal. Leu centenas de documentos e entrevistou parentes e pessoas que conviveram com Pessoa. Dessas andanças, saiu com a certeza de que o poeta é o autor "menos imaginativo" que existe.
"Tudo o que escreveu estava realmente à volta dele. Não tinha nada inventado." Como exemplo, cita "Tabacaria". O poema menciona cinco personagens e Cavalcanti revela que todos realmente existiram e eram próximos do poeta.
Quando se trata de Pessoa, contudo, nem tudo é claro. "Sabes quem sou eu? Eu não sei", já advertia o poeta. Sobre sua vida sexual ainda paira uma imensa dúvida. Teria sido gay? Cavalcanti acha que sim, embora não existam provas.
Também não há certeza sobre se teria ou não transado com Ophelia, seu mais conhecido relacionamento (Cavalcanti pensa que não foram além de beijos ardentes e leves toques nos seios).
Cultivar mistérios, ao que parece, fazia parte do estilo de Pessoa, e isso também Cavalcanti tentou incorporar. O poeta tinha por hábito, diz o biógrafo, embaralhar as datas. O heterônimo Alberto Caeiro, por exemplo, morreu em 1915, mas há textos datados de 1930 atribuídos a ele.
No prefácio do livro, Cavalcanti também colocou uma data futura: 13/6/2011. Dupla homenagem, já que Pessoa nasceu nesse dia, em 1888. O livro tem 750 páginas e custa R$ 80, pela editora Record.
Fonte: Folha de S.Paulo
Biografia brasileira de Fernando Pessoa revela 127 heterônimos
José Paulo Cavalcanti Filho tinha um objetivo quando iniciou sua biografia de Fernando Pessoa (1888-1935): descobrir quem era o "homem real" por trás do grande poeta português. Após oito anos de pesquisa, o autor e advogado pernambucano acabou deparando-se não com um, mas com 127 "Pessoas".
É esse o número de heterônimos do poeta catalogado pelo livro "Fernando Pessoa: Uma (quase) Autobiografia", que Cavalcanti lança agora. As múltiplas personas de Pessoa vão muito além de Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos, e superam também o que pensavam os especialistas.
Cavalcanti cita no livro que, no início dos anos 1990, eram conhecidos 72 heterônimos de Pessoa. O livro acrescentou 55. O conceito de heterônimo que adotou é amplo e não se restringe à definição padrão: "nome imaginário que um criador identifica como o autor de suas obras e que apresenta tendências diferentes das desse criador".
Inclui todos os nomes, tendo estilo próprio ou não, com os quais o poeta assinou seus textos. A decisão pode ser contestada, mas a intenção de Cavalcanti nunca foi fazer uma biografia convencional.
As excentricidades já começam pelo subtítulo: "Uma (quase) Autobiografia". O autor refere-se ao trabalho como o "livro que escrevi com meu amigo Pessoa". A "amizade" é das mais antigas. Começou em 1966, quando Cavalcanti leu "Tabacaria", um dos principais poemas do autor.
A partir daí, viria a montar umas das principais coleções sobre vida e obra de Pessoa. O poeta deixou mais de 30 mil páginas com anotações sobre si mesmo, literatura, família e fatos cotidianos.
Cavalcanti usou tantos trechos que chega a dizer que seu livro tem "mais frases de Pessoa do que minhas". "Mas não se trata", explica, "de Pessoa falando sobre si, é a palavra de Pessoa falando sobre ele. Ou melhor: é o que quero dizer, mas por palavras dele".
Cavalcanti foi ainda além: para dar unidade estilística ao texto, tentou escrever como Pessoa. Reduziu os adjetivos e adotou outro hábito dele: o uso, em média, de três vírgulas antes de um ponto final.
Sem imaginação
Durante a pesquisa, Cavalcanti foi até quatro vezes por ano a Portugal. Leu centenas de documentos e entrevistou parentes e pessoas que conviveram com Pessoa. Dessas andanças, saiu com a certeza de que o poeta é o autor "menos imaginativo" que existe.
"Tudo o que escreveu estava realmente à volta dele. Não tinha nada inventado." Como exemplo, cita "Tabacaria". O poema menciona cinco personagens e Cavalcanti revela que todos realmente existiram e eram próximos do poeta.
Quando se trata de Pessoa, contudo, nem tudo é claro. "Sabes quem sou eu? Eu não sei", já advertia o poeta. Sobre sua vida sexual ainda paira uma imensa dúvida. Teria sido gay? Cavalcanti acha que sim, embora não existam provas.
Também não há certeza sobre se teria ou não transado com Ophelia, seu mais conhecido relacionamento (Cavalcanti pensa que não foram além de beijos ardentes e leves toques nos seios).
Cultivar mistérios, ao que parece, fazia parte do estilo de Pessoa, e isso também Cavalcanti tentou incorporar. O poeta tinha por hábito, diz o biógrafo, embaralhar as datas. O heterônimo Alberto Caeiro, por exemplo, morreu em 1915, mas há textos datados de 1930 atribuídos a ele.
No prefácio do livro, Cavalcanti também colocou uma data futura: 13/6/2011. Dupla homenagem, já que Pessoa nasceu nesse dia, em 1888. O livro tem 750 páginas e custa R$ 80, pela editora Record.
Fonte: Folha de S.Paulo
Biografia brasileira de Fernando Pessoa revela 127 heterônimos
José Paulo Cavalcanti Filho tinha um objetivo quando iniciou sua biografia de Fernando Pessoa (1888-1935): descobrir quem era o "homem real" por trás do grande poeta português. Após oito anos de pesquisa, o autor e advogado pernambucano acabou deparando-se não com um, mas com 127 "Pessoas".
É esse o número de heterônimos do poeta catalogado pelo livro "Fernando Pessoa: Uma (quase) Autobiografia", que Cavalcanti lança agora. As múltiplas personas de Pessoa vão muito além de Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos, e superam também o que pensavam os especialistas.
Cavalcanti cita no livro que, no início dos anos 1990, eram conhecidos 72 heterônimos de Pessoa. O livro acrescentou 55. O conceito de heterônimo que adotou é amplo e não se restringe à definição padrão: "nome imaginário que um criador identifica como o autor de suas obras e que apresenta tendências diferentes das desse criador".
Inclui todos os nomes, tendo estilo próprio ou não, com os quais o poeta assinou seus textos. A decisão pode ser contestada, mas a intenção de Cavalcanti nunca foi fazer uma biografia convencional.
As excentricidades já começam pelo subtítulo: "Uma (quase) Autobiografia". O autor refere-se ao trabalho como o "livro que escrevi com meu amigo Pessoa". A "amizade" é das mais antigas. Começou em 1966, quando Cavalcanti leu "Tabacaria", um dos principais poemas do autor.
A partir daí, viria a montar umas das principais coleções sobre vida e obra de Pessoa. O poeta deixou mais de 30 mil páginas com anotações sobre si mesmo, literatura, família e fatos cotidianos.
Cavalcanti usou tantos trechos que chega a dizer que seu livro tem "mais frases de Pessoa do que minhas". "Mas não se trata", explica, "de Pessoa falando sobre si, é a palavra de Pessoa falando sobre ele. Ou melhor: é o que quero dizer, mas por palavras dele".
Cavalcanti foi ainda além: para dar unidade estilística ao texto, tentou escrever como Pessoa. Reduziu os adjetivos e adotou outro hábito dele: o uso, em média, de três vírgulas antes de um ponto final.
Sem imaginação
Durante a pesquisa, Cavalcanti foi até quatro vezes por ano a Portugal. Leu centenas de documentos e entrevistou parentes e pessoas que conviveram com Pessoa. Dessas andanças, saiu com a certeza de que o poeta é o autor "menos imaginativo" que existe.
"Tudo o que escreveu estava realmente à volta dele. Não tinha nada inventado." Como exemplo, cita "Tabacaria". O poema menciona cinco personagens e Cavalcanti revela que todos realmente existiram e eram próximos do poeta.
Quando se trata de Pessoa, contudo, nem tudo é claro. "Sabes quem sou eu? Eu não sei", já advertia o poeta. Sobre sua vida sexual ainda paira uma imensa dúvida. Teria sido gay? Cavalcanti acha que sim, embora não existam provas.
Também não há certeza sobre se teria ou não transado com Ophelia, seu mais conhecido relacionamento (Cavalcanti pensa que não foram além de beijos ardentes e leves toques nos seios).
Cultivar mistérios, ao que parece, fazia parte do estilo de Pessoa, e isso também Cavalcanti tentou incorporar. O poeta tinha por hábito, diz o biógrafo, embaralhar as datas. O heterônimo Alberto Caeiro, por exemplo, morreu em 1915, mas há textos datados de 1930 atribuídos a ele.
No prefácio do livro, Cavalcanti também colocou uma data futura: 13/6/2011. Dupla homenagem, já que Pessoa nasceu nesse dia, em 1888. O livro tem 750 páginas e custa R$ 80, pela editora Record.
Fonte: Folha de S.Paulo
Biografia brasileira de Fernando Pessoa revela 127 heterônimos
José Paulo Cavalcanti Filho tinha um objetivo quando iniciou sua biografia de Fernando Pessoa (1888-1935): descobrir quem era o "homem real" por trás do grande poeta português. Após oito anos de pesquisa, o autor e advogado pernambucano acabou deparando-se não com um, mas com 127 "Pessoas".
É esse o número de heterônimos do poeta catalogado pelo livro "Fernando Pessoa: Uma (quase) Autobiografia", que Cavalcanti lança agora. As múltiplas personas de Pessoa vão muito além de Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos, e superam também o que pensavam os especialistas.
Cavalcanti cita no livro que, no início dos anos 1990, eram conhecidos 72 heterônimos de Pessoa. O livro acrescentou 55. O conceito de heterônimo que adotou é amplo e não se restringe à definição padrão: "nome imaginário que um criador identifica como o autor de suas obras e que apresenta tendências diferentes das desse criador".
Inclui todos os nomes, tendo estilo próprio ou não, com os quais o poeta assinou seus textos. A decisão pode ser contestada, mas a intenção de Cavalcanti nunca foi fazer uma biografia convencional.
As excentricidades já começam pelo subtítulo: "Uma (quase) Autobiografia". O autor refere-se ao trabalho como o "livro que escrevi com meu amigo Pessoa". A "amizade" é das mais antigas. Começou em 1966, quando Cavalcanti leu "Tabacaria", um dos principais poemas do autor.
A partir daí, viria a montar umas das principais coleções sobre vida e obra de Pessoa. O poeta deixou mais de 30 mil páginas com anotações sobre si mesmo, literatura, família e fatos cotidianos.
Cavalcanti usou tantos trechos que chega a dizer que seu livro tem "mais frases de Pessoa do que minhas". "Mas não se trata", explica, "de Pessoa falando sobre si, é a palavra de Pessoa falando sobre ele. Ou melhor: é o que quero dizer, mas por palavras dele".
Cavalcanti foi ainda além: para dar unidade estilística ao texto, tentou escrever como Pessoa. Reduziu os adjetivos e adotou outro hábito dele: o uso, em média, de três vírgulas antes de um ponto final.
Sem imaginação
Durante a pesquisa, Cavalcanti foi até quatro vezes por ano a Portugal. Leu centenas de documentos e entrevistou parentes e pessoas que conviveram com Pessoa. Dessas andanças, saiu com a certeza de que o poeta é o autor "menos imaginativo" que existe.
"Tudo o que escreveu estava realmente à volta dele. Não tinha nada inventado." Como exemplo, cita "Tabacaria". O poema menciona cinco personagens e Cavalcanti revela que todos realmente existiram e eram próximos do poeta.
Quando se trata de Pessoa, contudo, nem tudo é claro. "Sabes quem sou eu? Eu não sei", já advertia o poeta. Sobre sua vida sexual ainda paira uma imensa dúvida. Teria sido gay? Cavalcanti acha que sim, embora não existam provas.
Também não há certeza sobre se teria ou não transado com Ophelia, seu mais conhecido relacionamento (Cavalcanti pensa que não foram além de beijos ardentes e leves toques nos seios).
Cultivar mistérios, ao que parece, fazia parte do estilo de Pessoa, e isso também Cavalcanti tentou incorporar. O poeta tinha por hábito, diz o biógrafo, embaralhar as datas. O heterônimo Alberto Caeiro, por exemplo, morreu em 1915, mas há textos datados de 1930 atribuídos a ele.
No prefácio do livro, Cavalcanti também colocou uma data futura: 13/6/2011. Dupla homenagem, já que Pessoa nasceu nesse dia, em 1888. O livro tem 750 páginas e custa R$ 80, pela editora Record.
Fonte: Folha de S.Paulo
Biografia brasileira de Fernando Pessoa revela 127 heterônimos
José Paulo Cavalcanti Filho tinha um objetivo quando iniciou sua biografia de Fernando Pessoa (1888-1935): descobrir quem era o "homem real" por trás do grande poeta português. Após oito anos de pesquisa, o autor e advogado pernambucano acabou deparando-se não com um, mas com 127 "Pessoas".
É esse o número de heterônimos do poeta catalogado pelo livro "Fernando Pessoa: Uma (quase) Autobiografia", que Cavalcanti lança agora. As múltiplas personas de Pessoa vão muito além de Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos, e superam também o que pensavam os especialistas.
Cavalcanti cita no livro que, no início dos anos 1990, eram conhecidos 72 heterônimos de Pessoa. O livro acrescentou 55. O conceito de heterônimo que adotou é amplo e não se restringe à definição padrão: "nome imaginário que um criador identifica como o autor de suas obras e que apresenta tendências diferentes das desse criador".
Inclui todos os nomes, tendo estilo próprio ou não, com os quais o poeta assinou seus textos. A decisão pode ser contestada, mas a intenção de Cavalcanti nunca foi fazer uma biografia convencional.
As excentricidades já começam pelo subtítulo: "Uma (quase) Autobiografia". O autor refere-se ao trabalho como o "livro que escrevi com meu amigo Pessoa". A "amizade" é das mais antigas. Começou em 1966, quando Cavalcanti leu "Tabacaria", um dos principais poemas do autor.
A partir daí, viria a montar umas das principais coleções sobre vida e obra de Pessoa. O poeta deixou mais de 30 mil páginas com anotações sobre si mesmo, literatura, família e fatos cotidianos.
Cavalcanti usou tantos trechos que chega a dizer que seu livro tem "mais frases de Pessoa do que minhas". "Mas não se trata", explica, "de Pessoa falando sobre si, é a palavra de Pessoa falando sobre ele. Ou melhor: é o que quero dizer, mas por palavras dele".
Cavalcanti foi ainda além: para dar unidade estilística ao texto, tentou escrever como Pessoa. Reduziu os adjetivos e adotou outro hábito dele: o uso, em média, de três vírgulas antes de um ponto final.
Sem imaginação
Durante a pesquisa, Cavalcanti foi até quatro vezes por ano a Portugal. Leu centenas de documentos e entrevistou parentes e pessoas que conviveram com Pessoa. Dessas andanças, saiu com a certeza de que o poeta é o autor "menos imaginativo" que existe.
"Tudo o que escreveu estava realmente à volta dele. Não tinha nada inventado." Como exemplo, cita "Tabacaria". O poema menciona cinco personagens e Cavalcanti revela que todos realmente existiram e eram próximos do poeta.
Quando se trata de Pessoa, contudo, nem tudo é claro. "Sabes quem sou eu? Eu não sei", já advertia o poeta. Sobre sua vida sexual ainda paira uma imensa dúvida. Teria sido gay? Cavalcanti acha que sim, embora não existam provas.
Também não há certeza sobre se teria ou não transado com Ophelia, seu mais conhecido relacionamento (Cavalcanti pensa que não foram além de beijos ardentes e leves toques nos seios).
Cultivar mistérios, ao que parece, fazia parte do estilo de Pessoa, e isso também Cavalcanti tentou incorporar. O poeta tinha por hábito, diz o biógrafo, embaralhar as datas. O heterônimo Alberto Caeiro, por exemplo, morreu em 1915, mas há textos datados de 1930 atribuídos a ele.
No prefácio do livro, Cavalcanti também colocou uma data futura: 13/6/2011. Dupla homenagem, já que Pessoa nasceu nesse dia, em 1888. O livro tem 750 páginas e custa R$ 80, pela editora Record.
Fonte: Folha de S.Paulo



sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

UM ACALANTO PARA BRENA...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL.



               As vezes a gente tem vontade de ser um rio cheio para poder transbordar...
               Transbordar de alegria, de agradecimento, de dar graças a DEUS...
               De agradecer a nossa senhora: o socorro perpétuo dos homens...
                De agradecer a Santa Rita de Cássia, Santa Rita dos impossíveis, pela enésima graça alcançada...ao longo de toda uma vida...devoção que me foi passada ancestralmente por minha mãe...
               Hoje, minha filha Brena, enfim , conseguiu a transferencia para Natal, após cinco anos de viagens semanais para Mossoró...
               Conseguiu o que era impossível, pois trata-se de uma vaga muito cobiçada....todo mundo quer morar em Natal, mesmo que adore Mossoró...
               Faz quatro dias que eu pedia a Santa Rita de Cássia que nos concedesse esta graça...que cortasse todos os entraves...que apascentasse todos os interesses contrariados...já era tempo de Brena ter uma vida tão sem viagens...tão sem riscos...tão distante do seu temperamento caseiro e pacífico...tão distante dos seu pais, a quem ela ainda se encontra umbilicalmente ligada...
               Conseguiu...até aqui o senhor nunca nos faltou...
               Sempre contei com Santa  Rita de cássia, com Santa Rita dos impossíveis...
               Amanhã Brena completa 35 anos...recebeu um presente do céu, a que faz jus...
               Brena é defensora pública e compatibiliza muito bem, a justiça dos homens com a justiça de Deus...tudo isto tem importância e retorno...
               Brena talvez nem faça correlação de uma coisa com a outra, mas eu faço...
eu sei com quantos paus se faz uma jangada, pois combato o bom combate e guardo a fé...
explicando:
             Esta semana foi de inspeção aos presídios de Mossoró pela defensoria pública do estado...
               Brena localizou entre os apenados, um prêso que tinha tido os seus olhos arrancados por ouro preso, por motivo vil, dentro da cadeia...portanto, um homem há vários anos preso, sem os olhos e sem nenhum porvir...
               Brena quis juntar a justiça dos homens com a justiça de Deus, e fez petição ao juiz, e implorou a sua prisão domiciliar...
               O Juiz á princípio relutou, mas terminou acedendo, pois tocou-se com o chamado do bem, irresistível aos olhos do homem justo...conseguiu a prisão domiciliar...afinal,quem não pagou o que fez, depois que seu dois olhos são arrancados de forma cruenta...
               Ela ingenuamente, por telefone contou a  sua mãe, o episódio, e o quanto se estressara para conseguir este feito...
               Hoje, ao sair a sua difícil transferência, imediatamente eu correlacionei um fato com outro:
quem semeia ventos colhe tempestade...
chega a doer, quando eu rio...
               Brena é a mesma, que durante uma audiência, observou que  a mãe do presidiário estava com a chinela torada...após o interrogatório, colocou o réu e  a sua genitora no seu carro, e foi a sapataria lhe presentear com uma sandália  ...sem nenhum interesse...
               Brena sabe que sua função é defender, quem julga é  o juiz e que :
          OS OLHOS DE DEUS ESTÃO EM TODOS OS LUGARES CONTEMPLANDO O BEM E E O MAL.

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