sábado, 5 de setembro de 2015

CARONTE...POR NEWTON SILVA


O HOMEM SENTADO
CRT
Caronte ilustrado por Gustave Doré, para a Divina Comédia
Defronte para o nada, esquecido em sua própria solidão, de vez em quando “projetando a sua sombra magra, pensava no Destino e tinha medo”.
Em sua cadeira de rodas, à noite, lia de Augusto dos Anjos, “As cismas do Destino”, com olhos opacos, “fecundando os ovos do vício”, gemendo como geme o arvoredo.
“Ninguém compreendia o seu soluço, nem mesmo Deus”! Ateu, já tinha posto de lado as quatro letras hebraicas do nome de Deus, esqueceu-as e as deitou enroladas nos pergaminhos ancestrais. Por isso, sabia que ali, sentado, imóvel, paralisado e com a alma vil algemada à cadeira de rodas, sabia que o Deus hebreu do tetragrama impronunciável, o castigava. Ia portanto, “de um abismo a outro abismo”, remoendo os erros do passado, réu confesso. Tinha a impressão de que ouvia um juiz que lia e relia o seu processo.
“Ninguém, de certo, estava ali para espiar-lhe”.
“Numa manhã, ao despertar de sonhos inquietantes”, tal e qual o pesadelo de Gregor Samsa, deparou-se de pé no quarto, andando de um lado para o outro. Estava curado da paralisia que o atormentava. Não queria crer que Deus o tinha perdoado. Preferia sim, que fosse um demônio que o tivesse libertado da cadeira de rodas. Não queria o perdão de Deus. Não era um hipócrita.
“Desviou então a vista para a janela e deu com o céu nublado” que despencava suas nuvens sobre o mar da cor de chumbo.
Arrastou-se até a porta como um verme, “este operário das ruínas”, tentado ir até o mar que há tempos não via, tencionando molhar os pés nas vagas frias. Com o andar destreinado, como se fosse “um fantasma que se refugia” nos cemitérios esquecidos, tropeçou no batente da porta aberta qual boca escancarada de um demente.
Caiu por terra, o infeliz, “sem o escândalo fônico de um grito, mergulhou a cabeça” no chão duro, espatifando-se como um vaso canópico do Egito.
O Diabo não custou a cobrar-lhe o preço, o óbolo último do barqueiro, ouvindo o som característico da morte, “como um bemol e como um sustenido”.
Agora está sozinho de novo e imóvel. O mar a poucos passos dos seus dedos.

DRA IVELISE CASTRO...





ESCUTANDO DRA. YVELISE CASTRO...
Mário -o porteiro e o ninho de rolinhas. 31/8/2015.
Hoje, ao entardecer, fiquei por um tempo no piso térreo do prédio onde mora Romeika Mendes , minha filha. Foi quando me chamou a atenção o carinho com que “seu” Mário, o porteiro, tratava das lindas plantas que existem por lá. Ele é quem as planta e cultiva. Conversávamos sobre elas quando ele disse. “ Olhe , senhora este ninho . E lá estava o ninho numa trepadeira. Eu amo este ninho. Daqui já saíram várias gerações de rolinhas. Surgem os ovinhos e as bichinhas vão crescendo . Um dia a mãe leva elas lá para um fio elétrico e eu percebo que ela está ensinando para elas as coisas do mundo. Depois elas começam a sair por aí. Ainda aparecem por poucos dias e depois se vão e não voltam mais.”
A sensibilidade de “seu” Mário me deixou muito feliz. Me lembrou a conversa das borboletinhas brancas e amarelas de Clarice Lispector . Aquelas que conversavam tão baixinho que ninguém as escutava . Amei a poética percepção dele do ensina-me a viver das rolinhas sobre o fio.
Fim da conversa no bate-papo
OBS: AMIGA YVELISE, ENQUANTO EXISTE UM MÁRIO, EXISTE UM MILIONÁRIO AMERICANO, QUE SE DESLOCA PARA A ÁFRICA, E POR PRAZER, POR ESPORTE, MATA A TIROS UM LEÃO, TÃO QUERIDO PELOS TURISTAS QUE TINHA ATÉ NOME PRÓPRIO...FIQUEI REVOLTADO COM ESTE GESTO INSENSATO...UM CRIME CONTRA A HUMANIDADE...UM CRIME CONTRA A SUPREMA NATUREZA...
TENHO UM CADERNO PARA ANOTAR CAUSAS E CONSEQUENCIAS...VAMOS AGUARDAR O DESTINO DESTE ABUTRE BILIONÁRIO...
COMO TAMBÉM ESTÁ ANOTADO O CASO DO AMERICANO QUE PAGOU MILHÕES PARA DAR UMA VOLTA ESPACIAL...
UMA AFRONTA A MISÉRIA DA MAIORIA....
BERNARDO CELESTINO PIMENTEL
OS OLHOS DE DEUS ESTÃO EM TODOS OS LUGARES, CONTEMPLANDO O BEM E O MAL...

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

A BUFA DE DONA NENEM...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL


                    Cada cem gramas de fezes, tem trinta gramas de bactérias...temos no intestino, as bactérias que podem nos destruir...não o fazem, normalmente, devido a um equilíbrio existente, no revestimento do intestino...aí está a importância dos fermentos lacteos, ou Lactobacilos, cujo Protótipo hoje é o iogurte Actívea...imprescindiveis para este equilíbrio...

               o que está dentro do intestino não está no meio interno, é a barreira mucosa.

                   
                   Certa vez, só podia ser em Nova cruz, que tem de tudo,que eu não esqueço,a minha faculdade maior,uma prima minha, oito anos,foi com uma vizinha,para uma passeata de Djalma Marinho...era a campanha de governador:Djalma x Aluisío,1960...foi toda a meninada...a vizinha, a dona Nenen,ao subir na escada do ônibus,levava a pequena prima pelas mãos, segurando-a,e a criança estava praticamente na barra da sua saia...pois a prima era pequena e a velha era alta...o esforço físico de subir a escada, fez com que a senhora Flatulasse...a prima pequena,franzina,magrinha, ficou ma altura do tufão do vento fedorento,e aspirou...como se dizia na quadra da cidade, a criança engoliu o peido de dona Neném...resultado,teve febre de quarenta graus,calafrios, dores ósseas, prostração por quatro dias, o que deixou minha mãe bastante aperreada, apreensiva e neurótica...foi necessário tomar Cloranfenicol, prontamente receitado por Luiz Gadelha, que era o curandeiro da cidade,e muito querido, pela sua prática certeira.

               Crescemos,todas as crianças da rua do grupo, com medo de engolir um peido de dona neném,sobre o qual mamãe fazia a maior propaganda ruim...e nos recomendava ter o maior cuidado e manter a maior distancia.


               Santa Bárbara! Credo em Cruz, como eu tinha medo de me aproximar de Dona Neném


                    .Agora me lembrei de Lica Mouzinho, que quando sentia uma bufa de desagradável odor dizia:esta criatura SÓ PODE TER COMIDO UM FILHOTE DE URUBU.


               E lembrei do Tio Arsênio,que certa vez flatulou tão alto, que a sua sogra foi abrir a porta, pensando que tinham tocado na cigarra.

A VIDA COMO ELA É...

“O FILHOMA”
Décadas atrás, houve um caso de família em Natal, que deu o que falar. Um casal trouxe do interior do Estado, para morar em sua casa, uma moça de vinte e cinco anos, por nome Maura, irmã da dona da casa.
Muito humilde, a moça dedicou-se aos afazeres domésticos e ajudava a irmã a criar os filhos ainda pequenos.
Nas caladas da noite, surgiu um romance entre o dono da casa e a cunhada, sem que ninguém suspeitasse. Como consequência, apareceram uns enjoos na moça, e a barriga começou a crescer. Antes de se descobrir que era gravidez, Dona Zefinha, a ingênua dona da casa, cismou que a irmã estava com um “fibroma”. Marcou uma consulta, e foi com a moça ao médico mais famoso de Natal.Grávida
Muito falante, e torcendo para que sua opinião estivesse certa, Dona Zefinha se apressou a dizer ao médico, que achava que a irmã estava com um “fibroma.”
Muito experiente e espirituoso, o Dr. Aníbal fez um exame superficial na moça, somente para satisfazer a Dona Zefinha. Mas, pelos sintomas apresentados pela paciente, inclusive enjoos, o médico viu logo do que se tratava.
Olhou seriamente para ela e disse:
– Você não está com nenhum “fibroma”. Você está com “FILHOMA”!!! Você está grávida!
A moça ajoelhou-se aos pés da irmã e disse chorando:
– “Zefinha, eu juro pelo sangue de Cristo, que esse filho não é de Geraldo, seu marido!!!”
Diante desse desnecessário juramento de Maura, a intuição de Dona Zefinha levou-a a ter certeza de que o pai da criança era o seu marido.
Dona Zefinha desmaiou, e o médico a fez voltar a si. O pior é que o “filhoma” era mesmo de Geraldo, o dono da casa.
O mundo quase desmoronou sobre Dona Zefinha, que viu ruir a sua suposta felicidade. Ainda por cima a humilhação de ter sido vítima da traição do marido e da própria irmã, dentro da sua casa, e “nas suas barbas”.
A mágoa tomou conta do coração de Dona Zefinha, que nunca conseguiu perdoar o marido. Entretanto, Geraldo jurou, até morrer, não ter nada a ver com aquela gravidez da cunhada.
Nessa época remota, não existia teste para prova de paternidade.
A moça voltou para o interior, grávida, e deu à luz um menino bonito e robusto, “a cara do pai”.
Esse caso foi um verdadeiro escândalo em Natal, pois o casal era muito conhecido e respeitado.
Como era totalmente dependente do marido e tinha quatro filhos ainda pequenos, a vingança de Dona Zefinha limitou-se a não dormir mais com ele e não lhe dirigir mais a palavra. Muito religiosa, refugiava-se nas suas orações e ia à Missa diariamente. Abafou o assunto, e “colocou uma pedra” em cima.
Transformou-se numa espécie de “governanta” da sua própria casa. Administrava tudo, orientava as serviçais, cuidava dos filhos e da roupa do marido. Essa situação fez com que o casamento fosse de água abaixo, completamente. Mas as aparências de um casamento consistente permaneceram até que a morte os separasse, o que demorou muitos anos para acontecer.
Dona Zefinha também não conseguia perdoar a traição da irmã. Entretanto, num certo dia, durante uma forte crise de asma, que nesse tempo era difícil de curar, desesperada, ela fez uma promessa a Santa Rita das Causas Impossíveis, de que, se ficasse curada da asma, perdoaria a tresloucada irmã.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

A POESIA DE DRUMOND...

 Carlos Drummond de Andrade
drummond
Solilóquio da renúncia
Volto pelos caminhos
À procura de mim
Que de mim se perdera
Ao me sentir governo.
Governar, que doidice,
Afrouxelado cárcere
De insônias e cuidados.
Que vale, policiar
o interesse dos homens,
puni-los ou premiá-los,
se do poder, escravo
se tornou Sancho, o livre
lavrador de outros tempos,
que em seu boi, seu rafeiro,
suas roças meninas
e tudo que cabia
num alqueire de terra
fundara seu império
e nele
governava a si mesmo ?
Pelos caminhos volto
à procura de Sancho
saber-me, conferir-me
como dobrado prazer.