sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

HUMILDADE:CORA CORALINA...

HUMILDADE – Cora Coralina

Senhor, fazei com que eu aceite
minha pobreza tal como sempre foi.

Que não sinta o que não tenho.
Não lamente o que podia ter
e se perdeu por caminhos errados
e nunca mais voltou.

Dai, Senhor, que minha humildade
seja como a chuva desejada
caindo mansa,
longa noite escura
numa terra sedenta
e num telhado velho.

Que eu possa agradecer a Vós,
minha cama estreita,
minhas coisinhas pobres,
minha casa de chão,
pedras e tábuas remontadas.
E ter sempre um feixe de lenha
debaixo do meu fogão de taipa,
e acender, eu mesma,
o fogo alegre da minha casa
na manhã de um novo dia que começa.

POEMA DE UM PROFESSOR PARA UMA MENINA DE OLHAR TRISTE...


Permita-me te olhar,
Respirar
E te jogar mais uma centena de sorrisos
Você é linda!
Permita-me estar com teu sorriso,
Com teu olhar sonhador
Durante todo o tempo do mundo.
Prometo te aquecer
Mais do que sua engraçada blusa de cobertor
Prometo lhe apresentar o meu mundo,
Como nunca fiz a mais ninguém.
Permita-me te decifrar em silêncio,
Longe do tumulto e do lugar comum
Para que eu possa , enfim
Decorar seus gestos e guarda-los
No lugar mais fundo da minha alma.
Prometo não errar mais
Ao recitar Vinícius
Mas não me ignore mais
Estou aqui, na sua frente,
E não mais na frente de todos.
A sala é imensa e só enxergo você roendo unhas
E em meio ao tumulto,
O som que ouço é o teu silêncio.
Eu sei que você fura a borracha com a ponta do grafite,
Que arqueia graciosamente o corpo pra trás
Ao se espreguiçar na cadeira
E que desenha estrelas no papel enquanto viaja pra longe
E foge de mim, com uma constância que ninguém jamais fugiu.
Vai pra um lugar onde eu não consigo te ver
Ou te alcançar.
Permita-me invadir seus espaços
E te provar que não é preciso ter medo
Eu te protejo de tudo
Basta não desviar mais seus olhos dos meus
E permitir que eu enfim, me apresente.
Aceite esse pedaço de papel,
Com palavras escritas não sei por quem
Pois já não sei mais quem sou
E permita que eu me revele.
Dessa vez, você não se esconde mais de mim
E mesmo que não esteja por perto,
Eu consigo te tocar.
Vou por de lado
Tudo o que eu sei,
E como uma criança,
Aprender tudo de novo, com você.
E por favor, não se esconda mais de mim!

VIVA ELIANA CALMON...


Se buscas dignidade, despe-te da máscara que usas.

“A democracia surgiu quando, devido ao fato de que todos são iguais em certo sentido, acreditou-se que todos fossem absolutamente iguais entre si.” (Aristóteles)

Amigos leitores,

O Conselho Nacional de Justiça- CNJ (*) é atualmente presidido pela Corregedora, ministra Eliane Calmon de Sá, pessoa de elevados padrões éticos. Agindo sempre de forma irretocável, no final do ano anterior, e atuando estritamente dentro de suas atribuições para atingir o objetivo colimado (fato sobre o qual a OAB já se pronunciou devidamente), foi alvo de infundadas acusações. É, pois, dever de todo o cidadão de bem apoiar seus agires.

Ninguém está acima da lei. Ninguém está acima do bem e do mal.

É verdade que pela condição humana somos todos passíveis de errar; muitos mesmo, cometem atos que ferem Princípios e Valores, pois são destituídos de bom caráter.(*)

Sendo assim, essas pessoas que transgridem os limites traçados pelas leis existentes devem responder por seus atos – não importa quem sejam elas.

Em se tratando de políticos, de representantes do povo, enfim: de homens públicos , quanto mais elevados os cargos que ocupam, maior sua responsabilidade. Têm por dever agir com idoneidade, com lisura – aliás, esse é o comportamento das criaturas de bem. No que tange aos entes referidos no início deste parágrafo, deveriam todos lembrar-se de que seus atos teriam que ser eivados de retidão, vindo a servir de bons exemplos para o povo… Reza o anexim: “o exemplo vem de cima”. E não é o que tem ocorrido no Brasil já há algumas décadas.

Com o devido respeito por todas as opiniões: foi surreal a forma como alguns togados de elevada estirpe trataram a Ministra ELIANE CALMON de SÁ . Não se pode aceitar punição para quem está a cumprir os deveres da função que exerce; tampouco há que premiá-los. Todavia, em um país no qual o cumprimento das obrigações tem sido considerado qualidade, espera-se- no mínimo- respeito por quem como aquela ministra age.

No entanto, em um país no qual os escândalos se têm sucedido exponencial e assustadoramente um após o outro… meses, anos seguidos – sendo que o último sempre suplanta e leva para as dobras do passado, para o esquecimento, o escândalo anterior;

Em um país no qual pessoas do alto escalão do governo têm sido acusadas de terem cometido ações inaceitáveis para qualquer um, mormente parahomens públicos. Estes, em sua maioria usam a ‘res publica’ como se sua fosse (e em , no mínimo amoral detrimento de seus nacionais);

Em um país no qual a figura do ‘probus administrator’ dos antigos romanos é rara;

Em um país no qual ministros de Estado – entre outros – são destituídos somente após seus mal feitos emergirem de forma gritante pela ação da mídia independente, livre e correta… E a Chefe de Estado ainda recalcitra em crer em fatos claros e objetivos e os mantém dentro de um elastério intolerável;

Em um país no qual essas referidas pessoas são apenas destituídas de seus cargos e, além de não responderem por seus atos como cidadãos comuns(entenda-se: ‘nós’), ainda não repõem aos cofres do Estado os vultosos valores que auferiram de forma iníqua e que poderiam ter sido destinados a suprir as necessidades imensas pelas quais passam a Educação e a Saúde (para mencionar apenas duas dentre tantas carências); e, para o cúmulo da desfaçatez, quando do ato de seu afastamento, TODOS recebem de quem os nomeou, os mais elevados elogios pelos ‘excelentes serviços prestados’… e são tantos os encômios que, ao ler ou ouvir as palavras filigranadas, pode-se ter a errônea idéia de que são verdadeiros beatos aguardando santificação…

Em um país no qual os políticos tudo prometem em épocas que antecedem às eleições e passadas essas, sofrem de inusitada amnésia, pois olvidam as promessas de campanha;

Em um país no qual não somos todos iguais – em frontal desrespeito aoPrincípio da Isonomia, consagrado por sua Lei Maior;

Em um país no qual alguns maus profissionais do Direito – cúmulo do despautério !- fazem tabula rasa do juramento feito quando de sua colação de grau, iludem seus clientes, traem realmente a confiança que neles foi de boa-fé depositada e literalmente vendem-se por ganância, à parte adversa,com o fito provável de auferir vantagens pessoais pensando tolamente que jamais serão descobertas suas falcatruas, tampouco responderão por seus iníquos feitos, pois lastream-se na impunidade quase geral…

Em um país assim: o nosso país… quando tem assento no CNJ como presidente uma mulher nobre e corajosa como ELIANE CALMON de SÁ, a alegria inunda nossos corações e o futuro é tingido com as cores da esperança. Poucas criaturas como ela há. Enfrenta com galhardia e as armas da Verdade, as leis e as palavras, as forças que contra ela injustamente se têm alevantado.

É exemplo a ser seguido. Revela que ainda há solução para o Brasil.

Unamo-nos incondicionalmente em sua defesa!

Mirna Cavalcanti de Albuquerque OAB/RJ 004762

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

ABC DOS CORNOS...

O Verdadeiro ABC dos cornos

de Zé da Galha

Corri o dicionário
Descambei pela gramática
Procurando inspiração
Sem jamais mudar de tática
Desprezando tema morno
Resolvi falar de corno
Embora não tenha prática.

E vendo que o alfabeto
Possui vinte três sinais
Afora pontos e vírgulas
Das classes gramaticais
Descrevo para você
Neste singelo ABC
Os problemas conjugais:

(A) – A pior coisa do mundo
É amar sem ser amado
Diz Waldick Soriano
Compositor Inspirado
Ouvindo este seu lamento
Compreendi o sofrimento
De um corno apaixonado

(B) – Bebendo de bar em bar
Cana, conhaque e cerveja
Com duas galhas no crânio
É dura a sua peleja
Foi traído por seu bem
São Cornélio diz amém
Os anjos dizem: Assim seja!

(C) - Corno é marca registrada
Um verdadeiro estropício
Ainda assim vê vantagem
Em ser corno e ter um vício
Diz em meio aos desenganos
Prefeito é só quatro anos
Corno é cargo vitalício!

(D) – Demora a chegar em casa
Fazendo cera no bar
Enquanto o negão faz festa
Dentro do seu próprio lar
Este é o corno abelha
Merece um puxão de orelha
Pra poder se rebelar…

(E) – E o que bota a mão no fogo
Dizendo: – Eu não me enrasco,
A mulher ficou em casa,
Fui ver o jogo do Vasco!
São Cornélio o consagrou
E um amigo o batizou
De corno manso churrasco.

ANIVERSÁRIO...FERNANDO PESSOA...

Aniversário

Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)


No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas
lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...


quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

UMA CANÇÃO DESNATURADA...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL.



CURUMINHA...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL

NÃO EXISTE SITUAÇÃO,DESEJO,AMOR,OU PROBLEMA QUE CHICO BUARQUE DE HOLANDA,não registrou, numa canção, de forma esplendorosa...CHICO pensou em tudo...
Acho que a pior coisa de um pai, é ele chegar a renegar a cria, os filhos que teve, a filha que teve...
VOU PASSAR O RESTA DA MINHA VIDA LAMBENDO A CRIA,graças a DEUS...mas,sei que existem pais decepcionados com o que pariu...
OS PRINCIPAIS PROBLEMAS DE PAI E FILHO é a ansiedade de ficar com o dinheiro, que o suor e o esforço do pai,juntou na vida...as vezes o problema está no DNA,de um casal de flores nasce uma erva daninha...conhecí filhos que nasceram ruins e morreram ruins, comportamento que eu pude observar desde o preliminar ,até hoje,quando o indivíduo foi assassinado, apesar de ter nascido num lar de gente de bem...NINGUÉM ESTA LIVRE DE UM MUTANTE DO MAL...existe a personalidade psicopata...
outras vezes, dentro de uma alma boa, se instala um viciado em drogas...e de quem toma droga e de quem bebe compulsivamente,não existe regra, você pode esperar tudo...inclusive na esfera sexual...
Existe o ruim essencial...o que nasce para a maldade, mesmo tendo todas as oportunidades da vida...CONTO NOS DEDOS DE UMA MÃO, as vezes que eu errei na primeira impressão...
Certa vez, conviví com um doutorando de medicina, um ano,que o achava sem defeito, apesar de todos até me incriminarem pela amizade...este indivíduo fazia até os balões de São Joào para os meus filhos que eram crianças,me enganei até o ultimo instante da sua vida, quando o mesmo foi sangrado pelo pescoço, num rio da Amazónia...era um indivíduo feito ao crime...me enganei...
O meu julgamento das pessoas não é somente pela forma como me trata, mas pelo que elas fazem com os outros...já deixei de lado muita gente que nunca me ofendeu, mas pelo comportamento ou atitude para com os outros....
NA MINHA ÓTICA, a maneira de analisar alguém mais fidedígna, é como ela trata os pobres...é a tolerancia...
ABOMINO A CARTEIRADA...detesto esta frase:você sabe com quem está falando?
uma pessoa de bem, que tem o lastro de um berço, não usa este expediente...isto é a manifestação pública e explícita do sem berço, do novo rico, do carente de humanismo...do filho da puta.
VOCÊ NÃO TEM UMA SEGUNDA CHANCE de dar uma boa primeira impressão...
E CITANDO CHICO BUARQUE DIGO, tem gente que deveria se recolher a escuridão do ventre, de onde nunca deveria ter saído...

Uma Canção Desnaturada

Chico Buarque

Por que creceste, curuminha
Assim depressa, e estabanada
Saíste maquiada
Dentro do meu vestido
Se fosse permitido
Eu revertia o tempo
Para viver a tempo
De poder

Te ver as pernas bambas, curuminha
Batendo com a moleira
Te emporcalhando inteira
E eu te negar meu colo
Recuperar as noites, curuminha
Que atravessei em claro
Ignorar teu choro
E só cuidar de mim

Deixar-te arder em febre, curuminha
Cinquenta graus, tossir, bater o queixo
Vestir-te com desleixo
Tratar uma ama-seca
Quebrar tua boneca, curuminha
Raspar os teus cabelos
E ir te exibindo pelos
Botequins

Tornar azeite o leite
Do peito que mirraste
No chão que engatinhaste, salpicar
Mil cacos de vidro
Pelo cordão perdido
Te recolher pra sempre
À escuridão do ventre, curuminha
De onde não deverias
Nunca ter saído.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

NOEL ROSA,INESQUECÍVEL... PARA DR. MARCOS PAIVA E JANEIDE DE COSTINHA...



Pela Primeira Vez

Noel Rosa

Pela primeira vez na vida
Sou obrigado a confessar que amo alguém.
Chorei quando ela deu a despedida
Ela me vendo a chorar chorou também.
Meu Deus, faça de mim o que quiser,
Mas não me faça perder
O amor desta mulher.

Na estação, na hora de partir o trem,
Ela me vendo a chorar chorou também.
Depois fiquei olhando a janela,
Até sumir numa curva o lenço dela.

Se meu amor não regressar, irei também
À estação na hora de partir o trem.
E nunca mais assisto uma partida
Pra não lembrar mais daquela despedida.