SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO POR PADRE CELESTINO PIMENTEL
AMANHÃ é o dia mais importante da história da humanidade:A SEXTA FEIRA SANTA,DIA DA MORTE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO…
AMANHÃ é o dia mais importante da história da humanidade:A SEXTA FEIRA SANTA,DIA DA MORTE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO…
QUERIA BEM A GERALDO DE BARROS GUERRA...FOI UM DOS HOMENS BONS QUE VIVEU NO LEITO DO RIO CURIMATAÚ...
GRANDE COMERCIANTE, O MAIOR DE NOVA CRUZ , ATÉ HOJE...DE UM CORAÇÃO GIGANTE...FEZ EU ENTRAR NO LYONS CLUB, ERA MEU COMPANHEIRO...VENDIA DE ARROZ A SABONETE PHEBO...SUA BONDADE E FELICIDADE DE SERVIR SÓ PODE SER COMPARADA A DE PAULO BEZERRA...
EU JÁ MÉDICO, IA PARA O VERANEIO DA BARRA DE CUNHAÚ,E SENTAVA NA CALÇADA...
GERALDO CHEGAVA, SENTAVA , PEDIA UM CAFÉ PEQUENO E PROSAVA MEIA HORA...ISTO SE REPETIA VÁRIAS VEZES NO DIA...GOSTAVA DE PROSAR COMIGO...
CERTO DIA , QUASE QUE MORRIA DE RIR COM O SEU DESABAFO, COM RELAÇÃO A MINHA MÃE, LIA PIMENTEL....
PERGUNTEI, GERALDO O QUE FOI QUE HOUVE? ELE RESPONDEU: EU ESTOU ENCUCADO...ESTOU VENDO A HORA EU FICAR MAIS VELHO DO QUE DONA LIA...TODA VEZ QUE ELA DIZ A IDADE DIMINUI VÁRIOS ANOS...
MAMÃE ERA BEM MAIS VELHA DO QUE GERALDO, MAS POR VAIDADE, PARA SER NOVA, TODO ANOS DIMINUÍA UNS TRES ANOS A IDADE...POIS GERALDO ENCUCOU...SÓ FALTEI MORRER DE RÍ...COM A SERIEDADE COMO ELE ENCAROU O MEDO DE FICAR MAIS VELHO QUE ELA...
ESTOU MORANDO EM CIMA DOS SAPATOS...
POR TRÁS DOS ÓCULOS, ESCONDO OS OLHOS,
POR TRÁS DA BARBA E DO BIGODE ESCONDO A CARA...
SIGO RELÓGIOS QUE RODAM PARA TRÁS, E TENTO ALCANÇAR ESCADAS QUE FOGEM DOS PÉS...
SEMPRE ENFRENTEI A VIDA DE BANDA...DE FRENTE SÓ SE ENFRENTA A MULHER MORENA, OS OLHOS DE FADA,E A BOCA VERMELHA CARMIM...
VIGIO O MUNDO, ASSSIM COMO A PRESA NÃO DEIXA DE OLHAR ONDE ESTÁ O SEU PREDADOR...A DIFERENÇA É QUE O PREDADOR NÃO ME HIPINOTISA, COMO SEU OLHAR FAZ COM A SUA PRESA, QUE AOS POUCOS SE IMOBILIZA E ENTREGA OS PONTOS...
SOU DO MUNDO, MAS VEJO-O DE LONGE, NASCÍ COMO DRUMOND:GAUCHE,SEM DIREÇÃO, CANHESTRO,TÍMIDO,SEM HABILIDADES, INSEGURO, MAS NÃO ABRO MÃO D MINHA BÚSSOLA, QUE É REGULADA EM OFICINA DO CÉU...
O BOM DA VIDA É NÃO SER IGUAL...SOU IGUAL A TODOS, MAS MUITO MAIS IGUAL QUE TODOS...
OLHO DE SOSLAIO E ENCONTRO A MINHA ALEGRIA,
A MINHA METADE É FEITA DE MÚSICA, A OUTRA TAMBÉM...
DE REPENTE ILUMINO A AURORA, Á NOITE APASCENTO OS DELÍRIOS,E SOU CARNE...
MEU ESPÍRITO VOA,E PRECISA DE SER UM POUCO SÓ PARA SER FELIZ...
MINHA ALEGRIA, O MEU PRAZER SE ENCONTRA DEBAIXO DE SETE CHAVES, DE SETENTA E SETE CADEADOS,PRECISA-SE CAMINHAR MIL CAMINHOS...É MUITA...É RICA...É PROFUNDA COMO O PRÉ SAL.
TENDO QUEM ME BANQUE EU SEI ME VESTIR...AINDA VEJO COMO UMA ÁGUIA,FAREJO COMO UM PERDIGUEIRO E SOU PEQUENO E BRABO COMO OS PEQUENÊS.
Antigamente a escola era risonha, como dizia o poeta;
Antigamente se respeitavam as tradições, os costumes, e o respeito em si, eram uma norma de conduta cobrada pelos pais e por toda a família.
Ontem me lembrei do meu velho tio Paulo Bezerra Souto que pontificou a sua vida em Nova Cruz, que foi o seu céu e o seu calvário;
Certa vez, o velho tio se referia ao respeito que as crianças desde muito tenras desenvolviam pelos anciões e me disse que em Nova Cruz existia um velhinho que lembrava muito a figura de papai Noel: pela idade, pela barba e pelos cabelos que a natureza tece de neve com a idade.
Na véspera de Natal, o referido velhinho chegava a ficar transparente, o corpo todo branco era vestido com uma camisa comprida branca e uma calça branca, avermelhado só a chinela de rabicho que prendia entre os dedos dos pés... Era um homem muito pobre, na mesma proporção que era querido e respeitado pelas crianças de Nova Cruz.
No dia glorioso do Natal, às 15h da tarde, o velhinho se sentava na cadeira espreguiçadeira de pano na calçada de sua humilde residência, fazia parte da tradição e do ritual do Natal, todas as crianças irem cumprimentar o velho que nem um confeito possuía para dar aquelas criaturinhas que paravam na sua calçada, lhe estendiam a mão e pronunciava antes de beijá-la: A BENÇÃO PAPAI NOEL...
Tio Paulo me falou que aquele ato era praticado por todas as crianças de Nova Cruz, era um evento do Natal. Um evento que poderia ser resumido em duas palavras: EDUCAÇÃO E RESPEITO pelos idosos.
Ainda não existia televisão, a Rede Globo, os vídeo games, o facebook, watzap... O que existia era pais e mães que sabiam educar seus filhos ou que podiam educar seus filhos sem as influencias maléficas.
Ontem, em pleno 2020, estou num grande shopping que no seu corredor tinha uma tenda feita de motivos natalinos, com papai Noel sentado no seu trono, dirigido por meninas moças tipicamente vestidas e facilitando a aproximação das crianças com papai Noel... Ecoava da tenda músicas natalinas provenientes dos Estados Unidos, da autoria do maestro Guershing... Nisto se aproxima uma criança de uns 6 anos, branca, sarará, de nariz empinado; Uma das moças lhe pergunta: Veio tirar retrato com papai Noel? Bruscamente, a criança responde: Quem disse que eu quero tirar retrato com esse filho da puta... Parei, observei a cena e disse para mim mesmo, o quintal desta criança só pode ser a internet. E me lembrei de um samba de Pedro Miranda, que se inicia assim: EU NUNCA JOGUEI BOLA, NUNCA ANDEI DE PATINETE, O QUINTAL DA MINHA CASA CABE DENTRO DA INTERNET.