DR . BRUNO MARCELO...UROLOGISTA...CLIUN...RUA JOSÉ ALVES, CONTINUAÇÃO DA RUA JUNDIAÍ, APÓS ATRAVESSAR A HERMES DA FONSECA ...
-DRA ALINE MENEZES:DERMATOLOGIA...COSMETOLOGIA...BOTOX...
CLÍNICA PEDRO CAVALCANTE , AV RODRIGUES ALVES NATAL.
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quinta-feira, 15 de março de 2018
A Poesia de Francisco Otaviano...Sobre quem já passou por esta vida e não viveu...
Francisco Otaviano de Almeida Rosa, advogado, jornalista, político, diplomata e poeta, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 26 de junho de 1825, e faleceu na mesma cidade em 28 de junho de 1884. É o patrono da Cadeira n. 13 da Academia Brasileira de Letras, por escolha do fundador Visconde de Taunay. Seu encontro com os grandes vultos da época - Manuel de Macedo, José de Alencar, Gonçalves Dias
Francisco Otaviano - RECORDAÇÕES
Oh! se te amei! Toda a manhã da vida Gastei-a em sonhos que de ti falavam! Nas estrelas do céu via teu rosto, Ouvia-te nas brisas que passavam: Oh! se te amei! Do fundo de minh’alma Imenso, eterno amor te consagrei... Era um viver em cisma de futuro! Mulher! oh! se te amei!
Quando um sorriso os lábios te roçava, Meu Deus! que entusiasmo que sentia! Láurea coroa de virente rama Inglório bardo, a fronte me cingia; À estrela alva, às nuvens do Ocidente, Em meiga voz teu nome confiei. Estrela e nuvens bem no seio o guardam; Mulher! oh! se te amei!
Oh! se te amei! As lágrimas vertidas, Alta noite por ti; atroz tortura Do desespero d’alma, e além, no tempo, Uma vida sumir-se na loucura... Nem aragem, nem sol, nem céu, nem flores, Nem a sombra das glórias que sonhei... Tudo desfez-se em sonhos e quimeras... Mulher! oh! se te amei!
Francisco Otaviano - Soneto
Morrer, dormir, não mais: termina a vida E com ela terminam nossas dores, Um punhado de terra, algumas flores, E às vezes uma lágrima fingida!
Sim, minha morte não será sentida, Não deixo amigos e nem tive amores! Ou se os tive mostraram-se traidores, Algozes vis de uma alma consumida.
Tudo é pobre no mundo; que me importa Que ele amanhã se esb'roe e que desabe, Se a natureza para mim está morta!
Francisco Otaviano - Ilusões de Vida
Quem passou pela vida em branca nuvem E em plácido repouso adormeceu; Quem não sentiu o frio da desgraça, Quem passou pela vida e não sofreu, Foi espectro de homem - não foi homem, Só passou pela vida - não viveu.
Sobre a infuencia destes versos,o poeta Vinicius de Moraes, fez a composição:como dizia o poeta...
Como Dizia o Poeta(Francisco Otaviano) Vinicius de Moraes
Composição: Vinicius de Moraes / Toquinho
Quem já passou por essa vida e não viveu Pode ser mais, mas sabe menos do que eu Porque a vida só se dá pra quem se deu Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não Nao há mal pior do que a descrença Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair Pra que somar se a gente pode dividir Eu francamente já não quero nem saber De quem não vai porque tem medo de sofrer Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão
DIÓGENES COM A ESPOSA, VERA, MÉDICA. DIÓGENES DA CUNHA LIMA
" DIÓGENES, INVENTOR DE CRIATURAS, COLECIONADOR DE AMIGOS (RETRATO 3 X 4 DE UM AMIGO-POSTER MERECEDOR DE OUT-DOOR)
Ninguém foi mais biografado, referido, louvado e amado que Diógenes da Cunha Lima, filho. É o modo que os seus muitos amigos encontraram de expressar o seu bem-querer e a sua Gratidão pela amizade-sombra-guarda- chuva de tão querido parceiro. Quem chegou tarde Encontrou pouco espaço para dizeres, querências e louvações. Restaram os entretantos E vieses. Pouco mais que uma ou outra pose para um retratinho no lambe-lambe das feiras interioranas. Nesses espaços, confins e lindes ainda assim aventuro-me, temerário e desajuizado, sovinando Ouro, incenso e mirra por pauperismo de origem, carecendo até mesmo de riqueza narrativa ou vocabular para fazer o enfrentamento das circunstâncias. Mesmo assim, rendo merecidas loas Porque o santo não é de barro nem o andor colado com cuspe. O sol não manda arautos à frente para anunciar-se, mas a sua luz (Zalkind Piatigórsky) Trouxe a lume o dia mais claro e mais azul que pudesse ser. Alumiou mais ainda a claridade para observar a criatura. Descobriu-se um Diógenes diferente do grego, amante da criação e da criatura. Não mais buscava, anunciava. Tornou-se poeta, de frase curta, rima incidental, palavra grávida de beleza e de intenções, precisa. Suficiente. E por amar o mundo e os seus habitantes, fez-se, naturalmente, generoso. Largo de gestos, talvez, parafraseando a poeta, gesticule seu pensamento, de sorte que mesmo estando parado é já ter compreendido ou não ter dúvidas. Com um abraço, transfere-se, com um sorriso se explica. Com a palavra constrói amigos e abrigos, inventa alvores e ainda reúne os escombros do dia para fundear a noite. Em suas lidas, “... reparte a côdea, o boi (...) e sobretudo e mais que tudo, a palavra sem fel”. Uma pomba seria a imagem mais adequada para o seu verbo - branca, plumosa, digna, no bico um ramo de algaroba anunciando - o fim da estiagem e os rigores do inverno. O sorriso sempre pronto, freqüente e estimulante, mal comparando, como as portas automáticas que se abrem quando o sensor indica a presença humana, e, bem comparando, qual o girassol que se volta na direção da luz. Um sorriso a meio caminho do vicariato, no rumo do hospitaleiro interiorano. Com gosto, sempre. Um meio aguado quando de simpatia, apenas. Mas cheio de sol nos portantos e portentos. Todavia, cautela é recomendável, sem pressa conclusiva quando o virem assim, na tarde, sorridente, imaginando-o sem propósito. Jorge Fernandes adverte: Habitualmente vivo assim, sorrindo. O riso para mim exprime tudo... E no ato mais sério, estando rindo Sou mais sério rindo que sisudo. Porejado por uma santidade profana, porque aceitou, melhor dizendo, acoitou os pecadilhos como contraponto de sua natureza e fatalidade inelutáveis. Legítima defesa. Afinal, tornara-se mortal e nordestinado desde que viera á luz num vale de lágrimas, cuja tanta profusão formou o Curimataú, recorrente rio da infância. Nessas águas, dessalinizadas e adoçadas no sobejo da boca do Diógenes- pai, e Eunice-mãe, navegou até o Potengi. Primeiro, desembarcou no refoles de Riffault. Quando, que nem Crusoé espiando as sextas-feiras, descobriu as margens ramosas. Um dia, teve vontade de continente e, conduzido pela maré, fincou raízes provisórias à beira do cais da Tavares de Lira. Depois, transplantou-se pelas ribeiras e alecrins e pelas alturas e baixios da cidade. Virando homem-árvore (imponderável baobá) danou- se cabeça arriba para as dunas, mergulhou a folhagem mística no mar de arrebentação pouquinha, recolhendo a sutil renda branca tecida pelas ondas para formar as nuvens, e, fiado no farol de Mãe Luiza, aventurou-se por mares nunca dantes navegados. Conheceu os sábios do Sião, os Reis Magos, o santo Cascudo de muitos saberes e muitos charutos, os mitos e as lendas de um Natal memorável, seiva de suas raízes – Navarro, Dorian, Rabelo, Veríssimo, Djalma Marinho, Jorge Fernandes, Zila Mamede, Onofre Lopes, Nei Leandro, Lula Capeta (também louvado como Guimarães), Sanderson, o almocreve de sextante apontado para as estrelas...fábula, fábula. (De Itajubá, o Ferreira, só conheceu a poética, mas foi suficiente. Rendido pelas tantas belezas dos versejados, num culto à sua imortalidade, mandou restaurar a casa onde nasceu. Como mandou esculpir e pintar quadros dos seus cultuados, num ritual pagão pré-franquado por Deus. É assim o magnífico Diógenes.) Com aprendizado bem posto e afamado, foi ensinar o que aprendeu, para não sovinar a ciência. Capitulou-se à universidade e ficou sendo seu Reitor. Refém do seu ofício, entregou-se escravo de ventre livre à sua terra e à sua gente. Foi mais além, foi deão de todas as universidades brasileiras, e é presidente do Panteão de Letras Potiguares, sem perder o sotaque, nem perder de vista o verde oceânico potiguar, a fascinação das dunas caprichosas e o aleitamento do Curimataú. Porque foi sempre e a vida toda uma criatura compromissada com a sua aldeia, que nem o santo besouro cascudo Luís da Câmara e o Fernandes que Jorgeou com os pássaros. Andou por Seca e Meca, Oropa, França e Bahia. Foi condecorado, enaltecido, honrado e comendadorado, mas, no terceiro dia sempre ressurge dos céus mais luminosos e promissores e planta-se nos quintais da sua terra adotiva. Toca o sino, como os nativos dos mares do sul sopravam os búzios, para as celebrações dos amigos, em Pirangi - o mar embaixo, caminho de navegação, carta de alforria da alma viajora. Homem que bota fé nos compromissos assumidos, leal, pastoreador de amigos e de sonhos delirantemente perseguidos e realizados, surpreende os alheados e se assombra, ele próprio, com a o tamanho e a extensão dos seus devaneios. Decidiu criar o projeto Rio Grande do Norte, em que faria a Universidade debruçar-se sobre os problemas de sua terra e oferecer-lhes alento e cura. Assim o fez. Enfrentou o desafio de executar o maior programa de editoração da produção intelectual dos docentes e discentes da sua academia. Foi feito. Beiradeiro de Nova Cruz, fez propósito de liderar os dirigentes das instituições de ensino superior do país. Tudo gente bem letrada e bem falante. E foi. Quis ser dono de um baobá, ao menos tutorar um espécime dessa árvore-útero, sementeira da raça, instituir-se o seu poeta e oficiante, e deu no que deu. O “baobá do poeta” é atração turística de Natal. É, por isso mesmo, o homem-árvore referido nos prolegômenos desse escrito. Deu até nome de Estação Ferroviária, a da Ribeira, de mor valia. Quem já emprestara seu nome a tanto alvoroço, gente de indo e vindo, lendo na plaquinha o porto seguro de partida e de chegada: Diógenes da Cunha Lima? Só um predestinado a ser. Coleciona amigos como outros o fazem com coisas ditas muito importantes sem importância nenhuma. Diz que até inventa pessoas, descobre um quê embutido em cada um e, por artes d´alquimia, faz florescência desse intuitivo insuspeitado. Cada causo tem três estórias: a sua, a minha e a verdadeira. Mas esse causo eu conto, como o causo foi. Rei é rei e boi é boi. Conto um causo de vera acontecência como romance sem rima, seco que nem o chão da catinga, aqui e acolá, um respiro de uma macambira e de um mata-pasto. Lá vai: Mal sucedido numa fábrica de ração para aves, certo advogado, ainda jovem, mas já renomado, desfez-se do seu patrimônio para saldar as dívidas comerciais e aceita convite para administrar um grupo de empresas na distante Teresina, capital de Piauí. Corria o ano da graça de 1976/1977, por aí... Dito causídico que tinha até veleidades literárias, um poeta passivo e militante de sonhos vários, de repente vê-se degredado para um sítio ermo de praia e de brisa, os floreios convertidos em atos de gerência, haveres e deveres, exilado da sua aldeia. Os filhos, todos mui pichotos, deram para emagrecer e apresentar um calundu de fazer dó. Saudades da terra Natal, textualmente. Passou ano e meio cabeça baixa, sem olhar o céu, impondo-se ofício missionário: já que a quimera havia murchado, que recuperasse viço o patrimônio perdido. Em fins de 1978, recebeu a convocação do amigo, então candidato a Reitor – que voltasse para Natal, que era o seu lugar. Quando chegasse os problemas seriam solucionados a contento, sob seu patrocínio. Vendeu o que tinha e atendeu, confiante, ao chamamento do seu patrono. Incorporou-se à campanha para conquista da Reitoria da UFRN, participando de um grupo com centenas de militantes e após dura batalha, hoje mitigada mas dantes celebrada como encarniçada, Diógenes foi nomeado para o cargo. Nesse meio tempo, sentou praça como editor-assistente do Rn-Econômico, que atravessava uma extraordinária fase de expansão, não por seu auxilio, mas porque confirmava-se a excelência da parceria Marcelo Fernandes-Marcos Aurélio Sá, dois grandes amigos e profissionais competentes, que se completavam. Certo dia, o amigo-reitor comunica que quer tê-lo como o seu substituto na cátedra de Direito Comercial. Que buscasse Amaury Sampaio Marinho, então chefe do Departamento de Direito Privado, para os acertos. Pouco mais de um ano depois, o inventor de gente consultou Marcos Aurélio Sá, seu também amigo, porventura o desfalque do editor assistente era perda irreparável, ou suportável em curto ou médio prazo. O jornalista respondeu que preferia manifestar opinião depois de conversar com o seu editor, para aferir as suas conveniências e sugestões e avaliar a conjuntura. Deu-se então que Sanderson Negreiros havia pedido exoneração do cargo de Pró-Reitor de Extensão e Diógenes, inconformado com a perda, queria ter o amigo, a quem creditava a qualidade de bom executivo, para ocupar a vacância do notável intelectual. Um complexo de inferioridade apossou-se logo do convidado, pari passu com a preocupação de deixar os dois amigos que lhe confiaram a editoria da revista em dificuldades. E porque substituir José Sanderson Adeodato Fernandes de Negreiros, era tarefa para kamikaze, tamanha a criatividade, a inteligência e a referência de boa gestão na área responsável pela cultura da UFRN. Afinal, feita as ponderações necessárias, e tirado os nove- foras, decidiu conforme o que é sempre dito como lugar comum em tais situações – aceitar o desafio. O resto é história conhecida. A Pró-Reitoria de Extensão, graças às idéias e ao apoio irrestrito de Diógenes, converteu-se em modelar, mantendo cinco programas inovadores que mudaram a feição dessa unidade acadêmica: Programa de Editoração do Trabalho Intelectual da IES (Peti), gerenciado por Dona Salete e Amaral; Programa de Aplicações Científicas e Tecnológicas (Pacto), pelo Professor Adilson Gurgel de Castro, com ajutório de Uilame Umbelino, Liacir Lucena e Glaucus Brelaz; Programa Memória, pelo professor Iramar Araújo e Programa Vanguarda, pelo professor Ari da Rocha. Além disso, o afoito desafiado tinha sob sua guarda, o Crutac, menina dos olhos do sempre- reitor Onofre Lopes, a Editora Universitária, o Núcleo de Arte e Cultura, o Núcleo de Estudos Panamericanos, a Televisão Universitária, e o Centro de Convivência. Era um mundéu de coisas para cuidar e tocar, tudo feito com dedicação e carinho por uma equipe memorável: Fernando Lira, Airton de Castro, Vilma Sampaio, Lúcio Brandão, Carlos Lira – ah, meu Deus, Carlinhos Lira, ele próprio Memória Viva, vivo e eterno na memória. E Franco Maria Jasiello, romano erudito de chapéu de couro e gibão. Tão “magnífico” amigo quanto Diógenes que encarnou e deu essência afetiva a esse título acadêmico. Graças a essa equipe e ao apoio do Reitor, o titular da Pró-Reitoria alcançou tal prestigio e notoridade que se habilitou a disputar a sucessão do próprio Diógenes, merecendo dos conselhos superiores o maior número de votos e a primeira posição da lista sêxtupla na disputa pela sua sucessão. Esse tal fui eu, também criatura “inventada” por Diógenes. Fim do causo e continuação das loas de merecimento. Há nessa criatura-criadora, também, e um tanto sobretudo (literalmente reforço e abrigo), um advogado de tanta maestria e alquimia que é capaz de tocar Midas e convertê-lo no que quiser, um abre-te sésamo que é univitelino com o direito regente no país. Cortez Pereira, injustiçado e fustigado indignamente como fosse, com licença da má palavra, boi-de-piranha, foi tocado por esse-um. Mas, até esse dom é diluído em tantas vertentes, quantos heterônimos de Fernando Pessoa, tributando-se a jusante e a montante a uma corrente que é principal e essencial: o poeta-escritor, que magicamente, valendo-se do próprio ofício e dele recorrente, inventa gente e coleciona amigos. É também compositor, escreve estórias infantis, e, se brincar, casa, batiza, faz chover no seco e no molhado e inventa uma lua três vezes sol. Cogito que é espécie dissemínula, diáspora. Reproduz-se em outras tantas espécies, transplanta-se, transmuda-se, transfigura-se ocasionalmente. Transfere-se grão no bico de ave-palavra- pomba, não mais algaroba, mas sementeira de baobá robusto e frondoso, sagrada habitação telúrica onde as oferendas são plantadas em demanda da beleza. Eis porque mordo a língua... “ ...e deixo minha fala secar comigo, e cair como poeira sobre os olhos famintos” monte de cinzas uberdadivosas adubo de bem quereres OBS. Quando me ponho e me colho a transfigurar os amigos, inventando personagens e cenários onde pudessem caber, vejo sempre um Diógenes olímpico, boêmio e cristão: túnica e louros de tribuno romano, harpa a tiracolo, como os tangedores de violão, sentado à mesa da santa ceia no mesmo lugar do Divino Mestre, os amigos ao redor aguardando a multiplicação dos pães e do vinho, com gestos largos e solenes, como é seu jeito de ser. PEDRO SIMÕES – Professor de Direito aposentado, escritor e advogado. "