terça-feira, 26 de setembro de 2017

E SE FOSSE O ÚLTIMO DIA ...

A MORTE...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL

         TENHO MEDO DE ALMA?...TINHA...

TINHA PAVOR AS ALMAS...

GLORINHA DE EDVARD, o dono da casa funerária de Nova Cruz, dizia que sabia quando alguém ia morrer...

dizia ela, a minha mãe, que  no salão de venda dos caixões, um deles dava um estalo de acordar sono pesado...

me criei escutando este lero...

          hoje,moro numa casa, cuja dona se enforcou, no meu atual armador...

era uma japonesa...

já fiz tudo pra me encontrar com ela, e nada...

A CHAVE DO MEU GUARDA ROUPA É UMA JAPONESINHA, deixada pela defunta...

um chaveiro japonês...

          POIS BEM...HOJE EU NÃO TENHO MEDO DE ALMAS...

para baldear a história, o que tem pra contradizer, é o depoimento de CARIER...

               CARIER é uma prima minha , americana, que veio visitar tia Cármem...

não conhecia ninguém, não tinha amizade com ninguém...

          CERTA  vez, estava em casa com Tia Cármem, e saiu do quarto de olhos arregalados, e num grito de medo e pavor ,falou para Tia Cármem:NESTA CASA TEM ALMO...

          MINHA sogra, nos seus últimos anos,desorientada, noventa anos, de repente, olhava para um ponto fixo do seu quarto e gritava:QUER FAZER GRAÇA ? O QUE É QUE VOCÊ QUER PENDURADA AÍ NESTA CORDA ? QUEM ESCUTAVA SE ARREPIAVA...
          
MAS ,BRINCADEIRA Á FORA, NÃO CULTUO A MORTE...
NÃO COMPACTUO COM NENHUM SIMBOLISMO DA MORTE...FUJO DO SEU CERIMONIAL...

NADA DE VISITA A TÚMULOS...
NADA DE FLORES PARA QUEM VOCÊ , AS VEZES, NÃO DOOU NEM EM VIDA...

FUJO DE ENTERROS, VELÓRIOS, FARSAS...
NÃO PRECISAM IR PRO MEU ENTERRO...

REPITO, TODOS ESTÃO DISPENSADOS DE IR AO MEU ENTERRO...

NO PLANO FILOSÓFICO,REFLEXIVO, EXISTENCIAL, SOU FÃ DA MORTE...

A MORTE É O FATOR NIVELADOR...

É A ÚNICA COISA NA VIDA QUE NIVELA OS HOMENS....NADA DEIXA OS HOMENS TÃO IGUAIS E TÃO SIMPLES COMO A MORTE...

NA RELAÇÃO COM O CÉU, A MORTE É O SEGUNDO PARTO...

DE REPENTE, A AMPULHETA DO TEMPO DISPARA, E VOCÊ É JOGADO PARA UMA OUTRA VIDA...UMA VIDA TÃO REAL, COMO AQUELA QUE SURGIU APÓS A CONTRAÇÃO DO ÚTERO DE SUA MÃE...

ALGUNS CONTRAPÕE:NINGUÉM NUNCA VEIO DIZER COMO É A OUTRA VIDA....

EU PERGUNTO,VOCÊ JÁ VOLTOU PRA DIZER A QUEM ESTÁ PRESTES A NASCER, QUE REALMENTE DEPOIS DO PARTO TEM OUTRA VIDA? É ESTA A ANÁLISE...

TUDO ISTO QUE FALEI, FOI UM TERMO ASSINADO E AVALIADO EM VIDA, POR UM HOMEM QUE NUNCA FALHOU: JESUS CRISTO...

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

BOM DIA PRIMAVERA..POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL

          Amanhã  é o início da Primavera...esta, das primas é a mais verdadeira...
          Neste período o atelier de Deus capricha e envia aos olhos dos homens o clímax da beleza...
          A PRIMAVERA me encanta, me apaixona,me faz levitar, desde quando era uma criança...se bem que a criança que existia dentro de mim  nunca morreu...
         Sempre parei abismado diante do encanto que as flores me proporcionam...
         Não sou indiferente a beleza...sempre me encantei e paralisei diante das coisas de deus...
          Como é feliz quem se inebria da felicidade que emana das corolas multicoloridas,dos cálices verdes, e com o perfume sui generis de cada espécime vegetal...
          è na primavera que os poetas  penetram NO SEU ESTADO DE POESIA...SE INTENSIFICAM NAS SUAS INTROSPECÇÕES, SE INEBRIAM DE UM CONTENTAMENTO QUE SÓ PODE VIR DO AMOR, POSTO QUE É DIFERENCIADO E SUBLIME...

          A PRIMAVERA É TÃO SOBERANA QUE NÃO ESCOLHE JARDIM...EM INSTANTES AS FLORES ROMPEM na cobertura dos barões e nas latas de doce plantadas dos peões...portanto , é solidaria, é explícita ao definir a essência da igualdade entre os homens...
          Amanhã é a estação das flores...
          amanhã é ápice do estado de poesia...
          amanhã é o dia de se ver a beleza sendo distribuída igualmente para todos, o único fenômeno que só acontece na vida nesta fase...a outra demonstração de igualdade entre os homens só quem nos trás é a morte...
        A  Primavera é colorida, é vermelha, é rosa, é verde...não conheço flores pretas, nem tristes, que escolham em que jardins deverá nascer...
          O POETA Vinícius de Moraes maximizou tanto  o valor da primavera que em poesia se referiu a sua amada:
          ai quem me dera ser a sua primavera, e depois, morrer...

Zumba do Timbó...por Bernardo Celestino Pimentel

O CAVALO DE ZUMBA DO TIMBÓ



















          Zumba do Timbó foi um rico senhor de terras e se encontrava em Lajes, quando recebeu de um portador o recado que sua esposa estava muito mal e o médico mandou dizer que, se quisesse vê-la antes da morte, teria que ir a Ceará Mirim nas próximas vinte e quatro horas. Zumba, em ato contínuo, subiu no cavalo e ganhou as estradas e veredas, cavalgando vinte e quatro horas sem parar, sem comer e sem beber. Quando eram dezessete horas do outro dia e já adentrava em Ceará Mirim, soube pela boca do povo que a esposa já havia morrido e o enterro estava saindo da igreja local. Ele, então, se dirigiu até a igreja, desceu do cavalo, entregou as rédeas a alguém e pediu que deixassem segurar a alça do caixão, só soltando quando o corpo da esposa morta chegou à sepultura.
Depois disso, levou o cavalo para uma de suas fazendas, em São José de Mipibú, para soltá-lo no pasto. Agradeceu sem vergonha ao cavalo dizendo: "A partir de hoje, homem nenhum monta mais em você... vai passar o resto da sua vida pastando e descansando... você andou vinte e quatro hora sem parar, sem reclamar, sem comer nem beber, sofreu tanto quanto eu... você está aposentado aposentado agora.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

SOBRE A MINHA SINA E RELÍQUIA...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL.

SOBRE A SINA DO HOMEM CIGARRA...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL.
Gosto de cantar...
tenho a sina da cigarra...
Quem canta seus males espanta,
mas depende do repertório,
há muita gente que canta,
que espanta o auditório...
Aos cinco anos, já cantava o sapinho, nas festas de mia Tia Eulina bezerra em Nova Cruz...os seus convidados, geralmente funcionário da ANCAR, sorriam com o agudo que eu conseguia dar com a voz...a cançaõ era assim:
O sapinho,
lá na lagoa,
foi depressa esquentar-se no fogão,
a sapinha, ficou sozunha,
aguardando o sapinho do seu coração...
quariquí qua qui aqua qui...
quaricá, qua qua qua qua ,
quariquí, quariqua...
não tinha mais do que cinco anos...
Anos depois, talvez com sete anos, entrei na casa do chefe do correio de Nova Cruz, Manoel Costa, e tinha uma roda de boemios...
Me lembro bem de seu Luiz tavares tocando clarineta, Chiquito no violão, e baltazar tocando pandeiro....poedí para cantar e cantei muito...Todos se surpreenderam com a criança prodigiosa...
No outro dia, ao me encontrar com Manoel Costa , ele me cumprimentou:
Bom Dia , POETA...
portanto foi ele que me confeccionou este crachá...enquanto existiu me suadava como um poeta...eu acreditei...
Nesta época vim a Natal, e participei de uma manhã de sol no Aero club, que tinha uma domingueira matinal de qualidade...
Fui levado ao palco e colocado diante do Maestro Sampaio...altivamente, olhei para o maestro e dei o tom...nptei o embaraço do mesmo...me voltei para o público e falei:eu vou cantar outra música, que o maestro está todo enrrolado...Sampaio reclamou:menino voce acabou comigo...
Sugeri outro tom e outra música e surpreendí...o povo e toda a orquestra...
Sem esquecer as minhas participações no programa MANHÂ DE SOL MARCA ÕLHO, uma dominguiera que existia no club de Nova Cruz, patrocinada pelas LOJAS PAULISTAS,cujo locutor era Virgílio Aguiar, de voz bonita e bemdita...
Gosto de cantar...sei que as vezes desafino...mas também as vezes desafino na vida...e cantar é como a vida sai de dentro da gente...
Repetindo Cecília Meireles:
Eu Canto por que o instante existe,
E A MINHA VIDA ESTÁ COMPLETA,
não sou alegre, nem triste,
sou poeta...

domingo, 17 de setembro de 2017

VINICIUS...TOM E CHICO BUARQUE.




NO ESTADO DE POESIA...


QUANDO FORES VELHA
William Butler Yeats

Quando fores velha, grisalha, vencida pelo sono,
Dormitando junto à lareira, toma este livro,
Lê-o devagar, e sonha com o doce olhar
Que outrora tiveram teus olhos, e com as suas sombras profundas;
Muitos amaram os momentos de teu alegre encanto,
Muitos amaram essa beleza com falso ou sincero amor,
Mas apenas um homem amou sua alma peregrina,
Amou as mágoas do teu rosto que mudava;
Inclinada sobre o ferro incandescente,
Murmura, com alguma tristeza,
Como o Amor te abandonou
E em largos passos galgou as montanhas
Escondendo o rosto numa imensidão de estrelas.