terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

O PRESENTE DA PRIMAVERA...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL




              CHEGANDO DO INTERIOR...
CHEGANDO DO AGRESTE,ONDE FOI NÃO FOI , EU RETORNO PARA AJUNTAR PEDAÇOS, DE TUDO QUE JÁ FUI UM DIA...
               SAI AS 12H DE VOLTA,DEIXADO NA SAÍDA POR UMA TORÓ, UMA FORTE CHUVA, E TODAS AS PLANTAS GARGALHAVAM JUNTAS COM O MENINO QUE CARREGO DENTRO DE MIM...
               FAZIA DOIS MESES , DESDE OUTUBRO, QUE NÃO VISITAVA  A DE ONDE VIM...FIQUEI FELIZ, POR QUE A PRIMAVERA ME RESTITUIU EM DEZENAS A MAIS, O POUCO DO VERDE QUE EU SEMEEI,FAZENDO JARDINS,PARA O MEU PRÓPRIO POETA...
               ESTOU PRENHO DE VERDE...ESTOU PRENHO DE FLORES...TUDO O QUE PLANTEI FOI MULTIPLICADO EXAGERADAMENTE...
               HOJE SOU SENHOR DE UM BOSQUE...TENHO MILHARES DE FLORES...TENHO TODAS AS CORES DA NATUREZA...FIZ UM JARDIM E OS PÁSSAROS APLAUDIRAM, VIERAM DE UMA VEZ PARA MORAR, SEI O QUE É SINFONIA DE PARDAIS ANUNCIANDO O ALVORECER...
               ATUALMENTE NAMORO COM BOUQUET DE NOIVAS, COM PIPOCAS RÓSEAS, COM ALAMANDAS GIGANTES, AMARELAS, CASTANHAS,MUSSAENDRAS  DA JAMAICA, RÓSEAS, BRANCAS,VERMELHAS...OS BUGANVILES INVADIRAM A MINHA ALMA, JÁ MORO SOB ELES...VOLTARAM OS BEIJA FLORES, VOLTARAM A CERTEZA,A PROMESSA DE VIDA, POIS A VIDA AQUI SÓ E´RUIM QUANDO NÃO CHOVE NO CHÃO...
          APESAR DE TER IDO A GRAMADO, DE TER PASSADO UM MES EM PIRANGÍ, A NATUREZA NÃO ESQUECEU O AMOR QUE NÓS TEMOS...A DEVOÇÃO RECÍPROCA PELA PRIMAVERA...
          VOLTO E ME DEPARO, NO VERÃO, COM UM PRESENTE DA PRIMAVERA...SOU FELIZ.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

POR QUE?...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL



         DIARIAMENTE sou lido por 500 leitores...este blog não se destina a ganhar dinheiro...não se destina a paparicar ninguém...nem é amante dos fáceis elogios, interesseiros...
          Escrevo para sonhar...
          escrevo para desintoxicar o espírito...
          escrevo para tirar  um pouco da angústia que suja os homens...
          Tenho certeza que as pessoas que me leem acreditam na minha verdade, que é a mais justa...
          sabem que escrevo o que sinto, o que prego e o que faço...
          Tenho os meus defeitos...
          De perto ninguém é normal...
chego a me assustar com as minhas falhas, alguns atos, pensamentos e omissões...mas meus pecados são veniais...
          ainda hoje, quando me lembro que as minhas mãos já se ocuparam de esmagar, de torturar,
o meu coração fecha os olhos, e sinceramente chora...
          Dói-me o ridículo das pequenas coisas...
          As vezes encaro o horizonte, vejo os múltiplos caminhos,perco a minha bússola, esqueço a minha trena,não sei nem como seguir, mas de imediato identifico que não vou por aí...aprendi a rejeitar o que eu não quero, mesmo quando esqueço o que quero...
          Sou um ourives da poesia, da verdade, da palavra, da surpresa...
insisto na vida em polir o ouro...
cato relíquias nas vidas e nos espíritos...
          a minha ideia fixa é me paralisar diante do belo...
          e o que me faz ajoelhar são os reflexos de Deus...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

CHARGES LIBERTADORAS...




NO ESTADO DE POESIA...



ENCANTAMENTO – Abgar Renault




Ante o deslumbramento do teu vulto
sou ferido de atônita surpresa
e vejo que uma auréola de beleza
dissolve em lua a treva em que me oculto.
Estás em cada reza do meu culto,
sonhas na minha lânguida tristeza,
e, disperso por toda a natureza,
paira o deslumbramento do teu vulto.
É tua vida a minha própria vida,
e trago em mim tua alma adormecida…
Mas, num mistério surdo que me assombra,
Tu és, às minhas mãos, fluida, fugace,
como um sonho que nunca se sonhasse
ou como a sombra vã de uma outra sombra…

TRABALHADOR , QUER SABER A SUA FORÇA ? CRUZE OS BRAÇOS...


             O período pré-carnavalesco não fez bem a Michel Temer. Seu governo entoa um samba com dois puxadores: Henrique Meirelles e a caciquia do PMDB. O enredo ficou confuso. A ala da economia não orna com a da política. O carro alegórico das reformas não combina com uma comissão de frente que desfila fantasias parecidas com aquelas que levaram Dilma e o PT ao rebaixamento.
As contradições reacenderam o ceticismo da plateia. Que começa a programar seu próprio desfile. Nesta segunda-feira (13), os movimentos que organizavam atos pró-impeachment se juntaram para preparar nova manifestação. Será no último domingo de março, dia 26. A pauta prestigia o samba de Meirelles, defendendo as reformas previdenciária e trabalhista. E rosna para o baticum do PMDB, em eterna conspiração contra a Lava Jato.
Ainda não se viu nenhum líder de movimento de rua enrolado na bandeira do ‘Fora, Temer.” Mas convém não cutucar a rua com o pé. Em comunicado conjunto, os movimerntos anotaram: “Nosso mote será: Brasil sem partido, pois não queremos um STF que se dobre às vontades deste ou de qualquer outro governo, agindo com lentidão para salvar os que têm foro privilegiado, utilizando-se dele para escapar da Justiça.”
Também nesta segunda-feira, o ministro Herman Benjamin, do Tribunal Superior Eleitoral, divulgou despacho que fez acender uma luz amarela no painel de (des)controle do Planalto. Relator da ação que pede a cassação da chapa Dilma –Temer, Benjamin indeferiu pedido da defesa da ex-presidente petista para que fossem realizadas novas diligências. Sustentou que esse tipo de providência pode estender o processo “ao infinito, sem possibilidades concretas de conclusão.”
Lendo-se a justificativa de Benjamin de trás para a frente, fica claro que o ministro quer encerrar a encrenca, submetendo seu voto à consideração do plenário do Supremo. Os autos estão fornidos. Realizaram-se perícias no papelório de gráficas que simularam prestação de serviço à campanha de Dilma, quebraram-se sigilos bancários e fiscais, ouviram-se 42 testemunhas.
Se quiser, o relator Herman Benjamin pode votar a favor da lâmina, contra a permanência de Temer no Planalto. Não lhe faltam independência nem matéria-prima. Suponha que um voto aziago de Benjamin venha à luz até o final de março. Dependendo de como Temer e seus correligionários do PMDB se comportarem até lá, as ruas, que já pararam de abanar o rabo para o govenro, podem acabar mordendo.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

PROVERBIOS SOBRE O AMOR...



“O amor olha de tal maneira que o cobre lhe parece ouro.”
“Quando a pobreza bate à porta, o amor sai pela janela.”
“A lua e o amor, quando não crescem, diminuem.”
“Amor com amor se paga, e com desdém se apaga.”
“Amor é que nem fogo: quanto mais abafado, melhor.”
“Se o teu amor for doce, não o comas todo.”
“Amor que volta é doçura; amor que parte é saudade.”
“Da vida, o amor é o mel, do amor o ciúme é o fel.”
“O amor faz passar o tempo, e o tempo faz passar o amor.”
“Jamais se extingue o ódio com o ódio. O ódio só se extingue com o amor; esta é a lei eterna.”
“Em coisas de amor, o que se diz não se escreve.”
“Melhor é um prato de hortaliça, onde há amor, do que o boi gordo, e com ele o ódio.”
“Lembre-se de que grandes realizações e grandes amores envolvem grandes riscos.”
“O amor morre mais de indigestão do que de fome.”
“Em amor, como em política, não há tratado de paz: tudo são tréguas.”
“O amor é um sonho, e o casamento um despertador.”
“O amor é um passarinho que não aceita gaiola.”
“O amor é na mocidade o que a mocidade é na vida, o que a vida é na eternidade, isto é, um relâmpago.”
Colunista Aristeu Bezerra...

CÁLICE...


ANÁLISE DA MÚSICA CÁLICE

ANALISE DAS METAFORAS DA MUSICA CALICE 


“Cálice” uma das músicas mais panfletárias do Chico Buarque, somando-se o fato dele ter como parceiro a genialidade do Gil, fizeram uma grande obra. A análise é extensa por conta de que todos os versos vêm imbuídos de metáforas usadas para contar o drama da tortura no Brasil no período da ditadura militar.

(Pai, afasta de mim esse cálice)
Sintetiza uma súplica por algo que se deseja ver à distância. Boa parte da música faz uma analogia entre a Paixão de Cristo e o sofrimento vivido pela população aterrorizada com o regime autoritário. O refrão faz uma alusão à agonia de Jesus no calvário, mas a ambigüidade da palavra “cálice” em relação ao imperativo “cale-se”, remete à atuação da censura.

(De vinho tinto de sangue)
O “cálice” é um objeto que contém algo em seu interior. Na Bíblia esse conteúdo é o sangue de Cristo, na música é o sangue derramado pelas vítimas da repressão e torturas.

(Como beber dessa bebida amarga)
A metáfora do verso remete à dificuldade de aceitar um quadro social em que as pessoas eram subjugadas de forma desumana.

(Tragar a dor, engolir a labuta)
Significa a imposição de ter que agüentar a dor e aceitá-la como algo banal e corriqueiro. “Engolir a labuta” significa ter que aceitar uma condição de trabalho subumana de forma natural e passiva.

(Mesmo calada a boca, resta o peito)
Os poetas afirmam que mesmo a pessoa tendo a sua liberdade de pronunciar-se cerceada, ainda lhe resta o seu desejo, escondido e inviolável dentro do seu peito.

(Silêncio na cidade não se escuta)
O silêncio está metaforicamente relacionado à censura, que, desta forma, é entendida como uma quimera, um absurdo inexistente, porque, na medida em que o silêncio não se escuta, o silêncio não existe.

(De que me vale ser filho da santa / Melhor seria ser filho da outra)
Não fugindo à temática da religião, Chico e Gil usam de metáforas para mostrar suas descrenças naquele regime político e rebaixam a figura da “pátria mãe” à condição inferior a de uma “prostituta”, termo que fica subentendido na palavra “outra”.

(Outra realidade menos morta)
Seria uma outra realidade, na qual os homens não tivessem sua individualidade e seus direitos anulados.

(Tanta mentira, tanta força bruta)
O regime militar propagandeava que o país vivia um “milagre econômico” e todos eram obrigados a aceitar essa realidade como uma verdade absoluta.

(Como é difícil acordar calado / se na calada da noite eu me dano)
O eu-lírico admite a dificuldade de aceitar passivamente as imposições do regime, principalmente diante das torturas e pressões que eram realizadas à noite. Tudo era tão reprimido que necessitava ser feito às escondidas, de forma clandestina.

(Quero lançar um grito desumano / que é uma maneira de ser escutado)
Talvez porque ninguém escutasse as mensagens lançadas por vias pacíficas e ordeiras, uma das possibilidades, por conta de tanto desespero, seria partir para o confronto.

(Esse silêncio todo me atordoa)
Esse verso denuncia os métodos de torturas e repressão, utilizados para conseguir o silêncio das vítimas, fazendo-as perderem os sentidos.

(Atordoado, eu permaneço atento)
Mesmo atordoado o eu-lírico permanece atento, em estado de alerta para o fim dessa conjuntura, como se estivesse esperando um espetáculo que estaria por vir.

(Na arquibancada, pra a qualquer momento ver emergir o monstro da lagoa)
Entretanto, o espetáculo pode ser, ironicamente, somente o surgimento de mais um mecanismo de imposição de poder do regime, representado pelo monstro da lagoa.

(De muito gorda a porca já não anda)
Essa “porca” refere-se ao sistema ditatorial, que, de tão corrupto e ineficiente, já não funcionava. O porco também é um símbolo da gula, que está entre os sete pecados capitais, retomando a temática de religiosidade e elementos católicos.

(De muito usada a faca já não corta)
Demonstra inoperância, ou seja, mostra o desgaste de uma ferramenta política utilizada à exaustão.

(Como é difícil, pai, abrir a porta)
É expresso o apelo para que sejam diminuídas as dificuldades, mas ao mesmo tempo apresenta a tarefa como sendo muito difícil. A porta representa a saída de um contexto violento. Biblicamente, sinaliza um novo tempo.

(Essa palavra presa na garganta)
É a dificuldade para encontrar a liberdade, a livre expressão. É o desejo de falar, contar e descrever a todos a repressão que está sendo imposta.

(Esse pileque homérico no mundo)
Refere-se ao desejo de liberdade contido no peito de cada cidadão dos países vivendo sob os vários regimes autoritários existentes no mundo.

(De que adianta ter boa vontade)
É um autoquestionamento sobre a ânsia de lutar pela liberdade, uma vez que o mundo estava ao avesso. Refere-se a uma frase bíblica: “paz na terra aos homens de boa vontade”.

(Mesmo calado o peito resta a cuca dos bêbados do centro da cidade)
Mesmo sem liberdade o homem não perde a mente e pode continuar pensando.

(Talvez o mundo não seja pequeno nem seja a vida um fato consumado)
A partir deste verso o eu-lírico sugere a possibilidade de a realidade vir a ser diferente, renovando suas esperanças.

(Quero inventar o meu próprio pecado)
Expressa a vontade de libertar-se da imposição do erro por outros para recriar suas próprias regras e definir por si só, quais são seus erros, sem que outros o apontem. Tem o significado de estar fora da lei. O verbo aproxima-se do desejo urgente e real de liberdade.

(Quero morrer do meu próprio veneno)
Neste verso está implícito que ele deseja ser punido pelos erros que ele vier a praticar seguindo o seu livre-arbítrio, e não, tendo seu desejo cerceado, punido por erros que o sistema acha que ele poderá vir a cometer.

(Quero perder de vez tua cabeça / minha cabeça perder teu juízo)
Traz a idéia de que o eu-lírico deseja ter seu próprio juízo e não o do poder repressor. Quer decapitar a cabeça da ditadura e libertar-se do juízo imposto por ela, para ser dono de suas próprias idéias.

(Quero cheirar fumaça de óleo diesel / me embriagar até que alguém me esqueça)
Para encerrar, Chico e Gil usaram uma imagem forte das táticas de tortura. Para fazer com que os subjugados perdessem a noção da realidade, dentro da sala os repressores queimavam óleo diesel, cuja fumaça deixava-os embriagados. Entretanto, os subjugados também possuíam táticas antitortura, e uma das artimanhas era justamente fingir-se desmaiado, pois, enquanto nesta condição, não eram molestados pelos torturadores.