domingo, 18 de dezembro de 2016

O TALENTO DE LUCY ALVES...

SIVUCA TOCANDO BACH: TOCATA EM RÉ MENOR.

O MEU PRESENTE DE NATAL...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL.






          Sou um defensor da fé...
          a fé é o fundamento da esperança...na vida há a necessidade de compreender, mais do que explicar...
         Não tenho condições para explicar mistérios...a vida é fundamentada em mistérios...da mesma forma não tenho condições de justificar absurdos...
          A Fé se sente...o que mais me dá a fé é a interpretação do que eu vejo...Vejo a presença de Deus constantemente na natureza, na vida, na fisiologia das coisas, na bondade, na mão que ergue e ajuda,nos homens de boa vontade...
         Não tenho o direito nem a competência para explicar os desatinos, as desgraças, o mal destino. emfim , os mistérios...
          Quem introduz a fé na nossa mente, na nossa vida são os nossos pais, através das palavras dos atos, das ações,e da continência diante das blasfêmias e dos mistérios...
         Minha mãe fechava os olhos quando comungava, sempre de mantilha na cabeça...era o ato que ela praticava com maior respeito e reverencia...Meu pai não admitia uma blasfêmia nem uma explicação sobre fatos que acontecem e a gente quer explicar como culpa de deus...é impossível explicar mistérios...mesmo com toda fama...com toda eloquência...com todo estudo...com todo conhecimento universitário...
          A Fé nasce do simples, do óbvio,do natural, está na sensação de ver triunfar o bem, a caridade, a tolerância,este sentimento resumo de tudo, que é o de, no fundo se sentir igual a todos...
          Agradeço a Deus por ter sempre estudado em colégios religiosos...foi no Ginásio Nossa Senhora do Carmo que eu fiquei ainda mais perto do DEUS dos meus pais...Tive professoras como Irmã Luiza, que durante o primeiro e o segundo ano primário, me deram um curso de teologia...com aulas  orais, com exemplos de vida, com sincronia entre intenções e gestos...
grande  colégio de Nova Cruz...
          Não existe felicidade sem Deus e sem fé...sem estas faculdades existem equívocos...falácias, raciocínios tendenciosos...ilusões...
          Certa vez reclamei a um médico sobre uma propaganda de um carro de luxo...a propaganda dizia: compre  tal carro e comece realmente a viver...o colega achou perfeitamente correta esta afirmativa...eu disse: isto é um absurdo...é uma afronta a dignidade humana...hoje ele já deixou o carro na garagem e não vive mais...acreditava na falácia da mídia...do ter...nunca foi...apenas tinha.
          Resolvi escrever este ensaio teológico ao constatar uma graça na minha vida:Ontem meu filho, Breno, levou o meu neto para conhecer a estátua de Santa  Rita de Cassia....Santa Rita dos impossíveis...a minha protetora, cuja devoção herdei da minha mãe, e com quem sempre contei na vida, intercedendo  a DEUS nas minhas angústias e aflições...
          Agora Breninho,que já me pede a benção, com dois anos de idade,num gesto litúrgico e de respeito e sobrenatural, vai compreender porque na sala do seu avô existe um altar de Santa Rita, em lugar de destaque...irremovível...no ponto central da minha sala...vai compreender quando eu acender um círio para a minha querida Santa...vai compreender por que os meus carros tem a placa 22 de maio,2205.... o dia de Santa Rita, e por que todos os meus chaveiros tem a figura de Santa Rita dos impossíveis...
          Caminhei muito nestes sessenta e dois anos,também combati o bom combate, como São Paulo, e guardei a fé...
          Pontifiquei quarenta anos nas salas de aula...suei...dei mais do que eu podia...nunca subestimei a missão de ensinar...e ensinei para Deus...para se ser feliz...ensinei com palavras e atos...nunca me utilizei da omissão...e toda vez que era pressionado pela intolerância, pelo orgulho,pela ganancia dizia:DESCULPE, MAIS O MEU DEUS MORREU CRUCIFICADO...ESTA É A MINHA LINHA...ESTA É A MINHA QUESTÃO.

          Bom  domingo...Feliz Natal...
beijos e abraços...paz!

sábado, 17 de dezembro de 2016

AUGUSTO DOS ANJOS...


ETERNA MÁGOA – Augusto dos Anjos




O homem por sobre quem caiu a praga
Da tristeza do Mundo; o homem que é triste
Para todos os séculos existe
E nunca mais o seu pesar se apaga!
Não crê em nada, pois, nada há que traga
Consolo à Mágoa, a que só ele assiste.
Quer resistir, e quanto mais resiste
Mais se lhe aumenta e se lhe afunda a chaga.
Sabe que sofre, mas o que não sabe
É que essa mágoa infinda assim não cabe
Na sua vida, é que essa mágoa infinda
Transpõe a vida do seu corpo inerme;
E quando esse homem se transforma em verme
É essa mágoa que o acompanha ainda!

DR. NESTOR DOS SANTOS LIMA...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL.


DR.Luiz antonio e a esposa Dila Penna...Ydila lima...DR.Nestor e a esposa Helena  Cicco.

                   Um dos grandes talentos do RN foi o advogado Dr. Nestor dos Santos Lima, irmão do Dr Luiz Antônio Ferreira dos  Santos Lima, que contribuiu decisivamente para a fundação da LIGA... daí a existência do Hospital Dr Luíz Antônio...
          Dr nestor era casado com helena CiCCo, uma sobrinha do Dr januário Cicco...
          Era um excelente advogado, mas só aceitava uma questão se o solicitante, o cliente tivesse razão...não era um advogado que podia advogar para Deus e o Diabo...estudava adredemente a questão...muito diferente de muitos advogados de hoje, que servem para tudo...triste do advogado que serve para tudo...
         Tio  Nestor era irmão da minha avó materna, a poetisa do Açu, Anna Lima Pimentel...era um homem casto, sério, disciplinado, incorruptível, competente, como todos os SANTOS LIMA...eram oriundos do Açu...
          Era extremamente metódico...vivia enclausurado, no seu primeiro andar, estudando...quando ia com minha mãe visita-lo, ele descia em hora programada, como quem estava cumprindo uma audiência...
         Tinha trinta e um paletós, trinta e um par de meias, trinta e uma cueca, trinta e um lenço...se era  dia 28, tinha que usar a roupa do dia 28...jamais a do dia 29...
         Nunca teve filhos, deixou sua herança para os seus sobrinhos que também fossem seus afilhados...portanto herdaram Violante Pimentel, minha irmã, e Enélio Petrovich...sua residencia era onde hoje é a assembleia legislativa...detestava a bebida e homem que frequentava bar...
          Ficava um pouco deprimido quando morria alguém  que nascera no seu ano de nascimento...chegava em casa  triste e se queixava a irmã solteirona,Ydila lima: Ydila, morreu fulano, que é do mesmo ano que eu nasci...está chegando a minha vez...Tia ydila retrucava:Nestor, deixe de besteira...a morte não é como o serviço militar que convoca pelo ano de nascimento...
          A grande obra de Tio Nestor foi a fundação do Instituto histórico...o fundou e foi o seu presidente vitalício...deixou para o mesmo toda a sua biblioteca, que era composta de onze estante...com a sua morte, assumiu o seu sobrinho, Dr. Enélio Lima Petrovich, que manteve a mesma dedicação do seu tio, apesar de ser muito injuriado nos seus últimos dias, quando já se encontrava no leito de morte...indefeso e de passagem para o céu...acho que a intelectualidade , que lhe paparicava em vida, esqueceu-o de um dia para noite...é uma página de falsidade que sujará de sangue moral este estado...Enélio foi um sol para a cultura do RN...manteve tudo o que hoje existe preservado no Instituto Histórico...mas foi passado para as novas gerações como se ele fosse um déspota...uma terrível injustiça, orquestrada...
               Antigamente só se chegava ao rio de janeiro de navio...tia ydila, a solteirona, buscava uma companhia para fazer esta sonhada  viagem...um dia encontrou-a e foi pedir a permissão do seu irmão Nestor,orientador moral da sua vida, posto que ela era uma moça virgem ....
          Nestor, consegui um casal para a viagem do Rio de janeiro...vou no mesmo camarote do Desembargador fulano com a sua esposa...O Tio Nestor fechou a cara e retrucou:ydila isto não pode...você uma moça, viajar num camarote com um casal...não é possível nem aceitável...Tia ydila ponderou:mas  Nestor, o desembargador é cego...Tio nestor acentuou: mas você não é...e a carona foi impedida.
          Tia Ydila era hilária...sabida...engraçada...viva...
          Certa vez estava muito aperreada e precisava receber uma graça...fez uma promessa: meu deus, me ajude a conseguir esta graça, que eu prometo comer Bôlo todo domingo...era a sua penitencia...
          Certa vez roubaram o oratório de uma senhora carola, que também frequentava a matriz de Nossa Senhora da Apresentação...O Padre moreira, muito consternado com o roubo dos Santos, durante a sua preleção, apelou para os fiéis que cada um desse um Santo a mulher surrupiada, para ela repor seu oratório...Tia Ydila fez a sua doação...sua sobrinha ao saber da mesma questionou:Tia Ydila, como é que a senhora doa um santo seu, antigo, de estimação, de família...
Tia ydila justificou:menina, eu dei um santinho dos vira latas...

A PRESENÇA DE LUIZ DA CÃMARA CASCUDO NA OBRA DE CHICO BUARQUE...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL.






Imagina
Chico Buarque
Composição: Tom Jobim e Chico Buarque (1983)

Imagina
Imagina
Hoje à noite
A gente se peder
Imagina
Imagina
Hoje à noite
A lua se apagar
Quem já viu a lua cris
Quando a lua começa a murchar
Lua cris
É preciso gritar e correr, socorrer o luar
Meu amor
Abre a porta pra noite passar
E olha o sol
Da manhã
Olha a chuva
Olha a chuva, olha o sol, olha o dia a lançar
Serpentinas
Serpentinas pelo céu
Sete fitas
Coloridas
Sete vias
Sete vidas
Avenidas
Pra qualquer lugar
Imagina
Imagina
Sabe que o menino que passar debaixo do arco-íris vira moça, vira
A menina que cruzar de volta o arco-íris rapidinho vira volta a ser rapaz
A menina que passou no arco era o
Menino que passou no arco
E vai virar menina
Imagina
Imagina
Imagina
Imagina
Imagina
Hoje à noite
A gente se perder
Imagina
Imagina
Hoje à noite
A lua se apagar







Quem já viu a lua cris?
“Quem já viu a lua cris, quando a lua começa a murchar, lua cris, é preciso gritar e correr, socorrer o luar”, o trecho da música Imagina, composta em 1983 por Tom Jobim e Chico Buarque para o filme “Para viver um grande amor”, do cineasta Miguel Faria Jr, revela um mito maranhense pouco conhecido: o da lua cris ou eclipse da lua.

O eclipse lunar é um fenômeno celeste que aparece quando a lua transpõe no cone de sombra projetado pela terra. A modificação ocorre sempre que o sol, a terra e a lua estão em perfeito alinhamento, estando a terra no meio destes outros dois corpos. Por esse motivo, o eclipse só pode acontecer quando é lua cheia e há uma intersecção entre os três.

A expressão eclipse da lua é antiga, originou-se da alteração de eclipse, ecris, lua cris. De acordo com o folclore, a lua neste estágio só originaria sofrimento, infelicidade, desgraças e doenças. Sendo o eclipse considerado uma doença, as pessoas associavam sua aparência amarelada com males, e assim não arriscavam-se a olhar o fenômeno, temendo contrair o mesmo mal.

Segundo o Dicionário do Folclore Brasileiro, de Luís da Câmara Cascudo, no Maranhão sempre houve um grande medo quando a lua iria fazer cris. Acontecendo isso todos preveniam-se: Quando iniciava-se o eclipse, as pessoas que estavam dormindo acordavam, porque conforme o mito se não acordassem, ficariam sujeitas a dormir eternamente, ou passar por outras dificuldades.

Os maranhenses saíam em plena noite para rua, ou para o quintal de casa, gritando às árvores frutíferas e batendo panelas: “Acorda, acorda, acorda mangueira, olha a lua cris; acorda, acorda, acorda cajueiro segura os frutos e as folhas, olha a lua cris; acorda, acorda, acorda limoeiro, olha a lua cris.

CHICO BUARQUE FALOU, QUE LENDO UM LIVRO DE CÂMARA CASCUDO, O DICIONÁRIO DO FOLCLORE, ACHOU INTERESSANTE UMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A LUA CRIS...
A LUA CRIS, VEM DA PALAVRA ECLIPSE, QUE SE TRANSFORMOU EM ECRISE PELA VOZ POPULAR E DAÍ PARA A LUA CRIS...
O CERTO É QUE O ECLIPSE DA LUA, EM ALGUMAS CIDADES DO NORTE É UM VERDADEIRO PAVOR, ISSO VEM DOS PORTUGUESES... TUDO PODE ACONTECER NO ECLIPSE DA LUA... ALGUÉM PODE ENLOUQUECER, UM HOMEM PODE SOLTAR A FRAN
GA,COMO SE DIZ NA GÍRIA, E AS MOÇAS PODEM VIRAR HOMEM... O ECLIPSE DA LUA É UMA DOENÇA DA LUA, QUE SUSCITA ATE MANIFESTAÇÕES POPULARES DE MEDO E REVOLTA. A COMPOSIÇÃO QUE FOI INSPIRADA NESTA OBSERVAÇÃO TEVE A PARCERIA DE TOM JOBIM... É UMA DAS DEZ PARCERIAS DE CHICO E TOM, E CHAMA SE: IMAGINA


Chico Buarque é parceiro de Tom Jobim em dez canções, IMAGINA é uma delas...

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

PINTO DO MONTEIRO...



PORQUE DEIXEI DE CANTAR
Recebi mais de um poema
Fazendo interrogação
Por que eu da profissão
Mudei de rumo e sistema
Resolverei um problema
De não poder tolerar
Muita gente a perguntar
Ansiosa pra saber
Em verso vou responder
Por que deixei de cantar.
Deixei porque a idade
já está muito avançada
A lembrança está cansada
O som menos da metade
Perdi a facilidade
Que em moço possuía
Acabou-se a energia
Da máquina de fazer verso
Hoje eu vivo submerso
Num mar de melancolia.
Minha amiga e companheira
Eu embrulhei de molambo
Pego nela por um bambo
Para tirar-lhe a poeira
Hoje não tem mais quem queira
Ir num canto me escutar
Fazer verso e gaguejar
Topar no meio e no fim
Canto feio, pouco e ruim
Será melhor não cantar.
Não foi por uma pensão
Que o governo me deu
Por que o eu do meu eu
Não me dá mais produção
Cantor sem inspiração
Tem vontade e nada faz
Eu hoje sou um dos tais
Que ninguém quer assistir
Nem o povo quer ouvir
Nem eu também posso mais.
Ando gemendo e chorando
E vendo a hora cair
O povo de mim fugir
E a canalha mangando
E eu tremendo e tombando
Sem maleta e sem sacola
Hoje estou nesta bitola
Por não ter outro recurso
Carrego a bengala a pulso
Não posso andar com a viola.
Com a matéria abatida
Eu de muito longe venho
Com este espinhoso lenho
Tombando na minha vida
Tenho a lembrança esquecida
Uma rouquice ruim
A vida quase no fim
A cabeça meio tonta
Quem for moço tome conta
Cantar não é mais pra mim.
Já pelo peso de oitenta
E uma das primaveras
Dezesseis lustros, oito eras,
E a carga me atormenta
O corpo não se sustenta
Quando anda cambaleia
Cantador de cara feia
Se eu for lhe assistir
Por isso deixei de ir
Para cantoria alheia.
Estes oitenta e um graus
Que acabei de subir
Foi só para distinguir
Quais são os bons e os maus
Por cima de pedra e paus
Tive atos de bravura
Hoje só tenho amargura
Tormento dor e cansaço
Passando de passo a passo
Por cima da sepultura.
Existe uma corriola
De sujeito vagabundo
Que anda solta no mundo
Pelintra e muito gabola
Compra logo uma viola
Da frente toda enfeitada
Só canta coisa emprestada
Mentir, fazer propaganda
Dizendo por onde anda
Que topa toda parada.
E ver em certos meios
Gente cantando iê-iê-iê
Arranjar dois LP
Tudo com versos alheios
Estou de saco cheio
De não poder tolerar
A muita gente escutar
Dizer viva e bater palma
Isso me doeu na alma
Faz eu deixar de cantar.
Fiz viagem de avião
A pé, a burro, a cavalo
De navio, outras que falo
De automóvel e caminhão
Cantando em rico salão
Muito moço, gordo e forte
Passei rampa, curva e corte
Para findar num retiro
E dar o último suspiro
Na emboscada da morte.
Corrente, fivela, argola,
Picinez, óculos, anel,
Livro, revista, papel,
Arame, bordão, viola,
Mala, maleta, sacola,
Perfume, lenço, troféu,
Roupa, sapato, chapéu,
Eu não posso conduzir
Quando for para eu subir
Na santa escada do céu.
Nunca pensei num tesouro
Que estava pra mim guardado
Quando fui condecorado
Com uma viola de ouro
O riso tornou-se um choro
O armazém em bodega
A cara cheia de prega
Ando tombando e tremendo
E as matutas dizendo:
Menino o velho te pega.
Não posso atender pedido
Que a mim fez muita gente
Porque estou velho e doente
Fraco, cansado, abatido,
De mais a mais esquecido
Sem som, sem mentalidade,
Ficou somente a vontade
Mordendo como formiga
Nunca mais vou em cantiga
Pra não morrer de saudade.
Vaquejada, apartação,
Futebol e carnaval,
Véspera de ano e Natal
De São Pedro e São João
Dança, novela e leilão
E farra em botequim
Passear em um jardim
De braço com a querida
Neste restinho de vida
Não chega mais para mim.
Por não poder mais beber
Com meus colegas de arte
Das festas não fazer parte
Perdi da vida o prazer
Estou vivendo sem viver
Na maior fragilidade
Pelo peso da idade
Prazer pra mim não existe
Vou viver num canto triste
Até a finalidade.