quarta-feira, 28 de março de 2012

COISAS DE MULHER...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL.


Conhecí mulheres que viveram a vida inteira Esperando um dia...Que viveram o tempo todo esperando uma semana para amar...bastava um dia...somente um dia...
conhecí e conheço, mulheres que trabalham, produzem,tem uma vida equilibrada, mas um dia, vão ao cabelereiro,enceram a casa,põe vestido Novo,para a chegada do amor...de alguém que não pode vir sempre, mas,uma vez por ano, ou uma vez por semestre,quer viver o seu momento especial...Neste dia,se baixam as persianas,lustres se acenderão, o amor vai visitar O CONJUGADO CORAÇÃO...
TINHA UMA VIZINHA,equilibrada, grande comerciante, aprumada,segura, Que, como dona baratinha,tinha dinheiro na caixinha...nas suas conversas falava sempre em negócios,tinha autoridade no assunto,passava o ano como um ser assexuado,mas, sempre fazia alusão a um homem, que quando pudesse,deixaria o lar para passar, uma semana ou um dia com ela...Como aquela semana era aguardada...como aqueles dias lhe dilatavaM a pupila...onde ela escondia no resto do ano, aquele sorriso que ela exibia, quando o amor lhe tocava o Conjugado coração? é assim, amor e sexo faz bem...e, as vezes,BASTA um DIA,para a gente se esbaldar, com a nossa fantasia...é um santo remédio um grande amor...um grande encontro..sonhar com o dia ou a semana de fazer amor...se preparar para ISTO...E NÃO,SIMPLESMENTE TRATAR AS COISAS DO AMOR, como um prato frio,que é aquecido no microondas e é servido...daí a queixa:SIRVO O SEU PITÈU NA CAMA, E NADA DELE COMER...TELEFONE E É VOZ DE DAMA, SE PENTEIA PARA ATENDER.
Vou fundadmentar o que eu disse,mostrando a poesia de Chico Buarque,que pensou em tudo, e cantou e decantou todas as situações da vida...escutem estaS MÚSICAS E VEJAM E APRECIEM ESTRAS LETRAS...o resto, depois eu conto. Estas músicas traduzem situações especiais e reais, e voce, amiga,já viu,conheceu ou vivenciou todas elas.
POR OUTRO LADO,uma agricultora certa vez me procurou,com as pernas todas feridas,com erisipela, e eu perguntei o que tinha ocorrido...ela me respondeu:foi meu marido, que na hora de se servir,fere minhas pernas com as unhas dos pés...





Basta Um Dia
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque


Pra mim
Basta um dia
Não mais que um dia
Um meio dia
Me dá
Só um dia
E eu faço desatar
A minha fantasia
Só um
Belo dia
Pois se jura, se esconjura
Se ama e se tortura
Se tritura, se atura e se cura
A dor
Na orgia
Da luz do dia
É só
O que eu pedia
Um dia pra aplacar
Minha agonia
Toda a sangria
Todo o veneno
De um pequeno dia

Só um
Santo dia
Pois se beija, se maltrata
Se como e se mata
Se arremata, se acata e se trata
A dor
Na orgia
Da luz do dia
É só
O que eu pedia, viu
Um dia pra aplacar
Minha agonia
Toda a sangria
Todo o veneno
De um pequeno dia





Suburbano Coração
Chico Buarque


Composição: Chico Buarque
Quem vem lá
Que horas são
Isso não são horas, que horas são
É você, é o ladrão
Isso não são horas, que horas são
Quem vem lá
Blim blem blão
Isso não são horas, que horas são

A casa está bonita
A dona está demais
A última visita
Quanto tempo faz
Balançam os cabides
Lustres se acenderão
O amor vai pôr os pés
No conjugado coração
Será que o amor se sente em casa
Vai sentar no chão Será que vai deixar cair
A brasa no tapete coração

Quando aumentar a fita
As línguas vão falar
Que a dona tem visita
E nunca vai casar
Se enroscam persianas
Louças se partirão
O amor está tocando
O suburbano coração
Será que o amor não tem programa
Ou ama com paixão
Mulher virando no sofá
Sofá virando cama coração
O amor já vai embora
Ou perde a condução
Será que não repara
A desarrumação
Que tanta cerimônia
Se a dona já não tem
Vergonha do seu coração




Valsinha
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque / Vinícius de Morais
Um dia, ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto, convidou-a pra rodar
E então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça, foram para a praça e começaram a se abraçar
E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda cidade se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz
Mulheres de Atenas
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos
Orgulho e raça de Atenas

Quando amadas se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem imploram
Mais duras penas, cadenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Sofrem pros seus maridos
Poder e força de Atenas

Quando eles embarcam soldados
Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam, sedentos
Querem arrancar, violentos
Carícias plenas, obscenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Despem-se pros maridos
Bravos guerreiros de Atenas

Quando eles se entopem de vinho
Costumam buscar um carinho
De outras falenas
Mas no fim da noite, aos pedaços
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas, Helenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Geram pros seus maridos
Os novos filhos de Atenas

Elas não têm gosto ou vontade
Nem defeito, nem qualidade
Têm medo apenas
Não tem sonhos, só tem presságios
O seu homem, mares, naufrágios
Lindas sirenas, morenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Temem por seus maridos
Heróis e amantes de Atenas

As jovens viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas, não fazem cenas
Vestem-se de negro, se encolhem
Se conformam e se recolhem
As suas novenas
Serenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Secam por seus maridos
Orgulho e raça de Atenas







Biscate
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque
Vivo de biscate e queres que eu te sustente
Se eu ganhar algum vendendo mate
Dou-te uns badulaques de repente
Andas de pareô, eu sigo inadimplente

Chamo você pra sambar
Levo você pra benzer
Fui pegar uma cor na praia
E só faltou me bater, é
Basta ver um rabo de saia
Pro bobo se derreter


Vives na gandaia e esperas que eu te respeite
Quem que te mandou tomar conhaque
Com o tíquete que te dei pro leite
Quieta que eu quero ouvir Flamengo e River Plate


Faço lelê de fubá
Faço pitu no dendê
Sirvo seu pitéu na cama
E nada dele comer, ai
Telefone, é voz de dama
Se penteia pra atender


Vamos ao cinema, baby
Vamos nos mandar daqui
Vamos nos casar na igreja
Chega de barraco
Chega de piti


Vamos pra Bahia, dengo
Vamos ver o sol nascer
Vamos sair na bateria
Deixe de chilique
Deixe de siricotico

terça-feira, 27 de março de 2012

ATÉ TU, DEMÓSTENES ?


DEMÓSTENES TORRES CACHOEIRA ABAIXO

Deu no Passira News

O líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres, notabilizado pelo discurso ético-oposicionista, não está conseguindo segurar a enxurrada de acusações que o ligam de forma promíscua e vergonhosa ao contraventor Carlinhos Cachoeira.
Grampos captados pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo, ano passado, revelam a intimidade de Demóstenes com Cachoeira e indica a concessão de favores, do explorador de jogos ilegais ao senador, um promotor licenciado.
Num dos diálogos, ocorrido em 4 de junho de 2011, Demóstenes diz a Cachoeira que seu tablet enguiçara. O amigo o tranquiliza. A Polícia Federal no seu relatório resumiu a conversa: “Demóstenes reclama que seu iPad deu pau, Carlinhos diz que vai mandar alguém entregar um novo.”
Dias antes, em diálogo telefônico de 20 de maio de 2011, o senador conversa com o bicheiro sobre avião e “Carlinhos oferece aeronave para Demóstenes”, que embarca na aeronave disponibilizada.
O Globo informou também, sobre a existência de outro inquérito, anterior à Operação Monte Carlo. Nesse processo, Demóstenes foi flagrado num grampo pedindo R$ 3 mil a Cachoeira para pagar uma despesa com táxi aéreo. Estarrecedoramente a PF acusa-o também de ter compartilhado, com o bicheiro, informações obtidas nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
Noutra notícia, redigida pelo repórter Leandro Fortes, da Carta Capital, informa-se que a PF acusa Demóstenes de ter extraído vantagens financeiras milionárias de seu relacionamento com Cachoeira. Coisa de R$ 50 milhões. Em seus relatórios, a PF sustenta que o senador amealharia 30% dos negócios ilícitos do amigo, estimados em R$ 170 milhões.
Demóstenes Torres veiculou no seu twitter um lote de notas inusuais. Normalmente, ataca. Teve de defender-se. Habitualmente desconfia. Viu-se compelido a responder à desconfiança que passou a inspirar.
Alvejado por suspeições variadas, emanadas de grampos e relatórios atribuídos à Polícia Federal, Demóstenes concentrou-se na notícia que, como promotor licenciado, sabe ser a mais grave.
Anotou: “De todos os absurdos publicados contra mim, os mais danosos estão no site da CartaCapital. Os informantes da revista estão enganados.” Noticiou-se que Demóstenes seria beneficiário de 30% do faturamento dos negócios do mercador de jogos ilegais Carlinhos Cachoeira.
Não e não, Demóstenes escreveu: “Não faço parte nem compactuo com qualquer esquema ilícito, não integro organização ilegal nem componho algo do gênero.” Durante todo o dia, o senador preferira terceirizar a voz ao advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, seu defensor.
Para explicar o porquê de ter decidido quebrar o silêncio via internet, alegou: “Desminto essas inverdades em respeito a minha família, aos meus amigos, às minhas colegas e meus colegas senadores, a Goiás e ao Brasil.” Absteve-se de comentar notícia por notícia.
Esquivando-se do varejo, defendeu-se no atacado: “As injúrias, as calúnias e as difamações minam a resistência até de quem nada teme, mas permaneço firme na fé de que a verdade triunfará.”
Lamentou que a tempestade lhe chegue na velocidade de um alazão e estimou que a bonança virá montada numa tartaruga: “Dói enfrentar o olhar sofrido de familiares torcendo para o tormento passar logo. Mas as inverdades chegam açodadas; a reparação, lentamente.”
Considera-se injustiçado: “Para tripudiar sobre mim e o mandato que o povo me confiou, desrespeitam os mais elementares princípios constitucionais.” Mas vê luz no final do seu túnel escuro: “A tudo suporto porque nada fiz para envergonhar meu partido, o Senado, Goiás e o Brasil. Essa é a verdade que, ao final, prevalecerá.”
Por fim, Demóstenes escorou-se no divino: “O sofrimento provocado pelos seguidos ataques a minha honra é difícil de suportar, mas me amparo em Deus e na certeza de minha inocência.” A julgar pelo sentimento dos colegas de Senado, entre eles José Agripino Maia, presidente do DEM, a certeza depende agora de investigações que espanquem as dúvidas.
”Se 5% do que a PF diz de Demóstenes for confirmado, o país estará diante de um personagem que é o avesso do avesso do que diz ser.” – conclui o Blogueiro Josias de Souza, da Folha de São Paulo.

E Agora José?
Paulo Diniz

E agora, josé?
A festa acabou,
A luz apagou,
O povo sumiu,
A noite esfriou,
E agora, josé?
E agora, você?
Você que é sem nome,
Que zomba dos outros,
Você que faz versos,
Que ama, protesta?
E agora, josé?

Está sem mulher,
Está sem carinho,
Está sem discurso,
Já não pode beber,
Já não pode fumar,
Cuspir já não pode,
A noite esfriou,
O dia não veio,
O bonde não veio,
O riso não veio
Não veio a utopia
E tudo acabou
E tudo fugiu
E tudo mofou,
E agora, josé?

Sua doce palavra,
Seu instante de febre,
Sua gula e jejum,
Sua biblioteca,
Sua lavra de ouro,
Seu terno de vidro,
Sua incoerência,
Seu ódio - e agora?

Com a chave na mão
Quer abrir a porta,
Não existe porta;
Quer morrer no mar,
Mas o mar secou;
Quer ir para minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
Se você gemesse,
Se você tocasse
A valsa vienense,
Se você dormisse,
Se você cansasse,
Se você morresse...
Mas você não morre,
Você é duro, josé!

Sozinho no escuro
Qual bicho-do-mato,
Sem teogonia,
Sem parede nua
Para se encostar,
Sem cavalo preto
Que fuja a galope,
Você marcha, josé!
José, para onde?

Você marcha José, José para onde?
Marcha José, José para onde?
José para onde?
Para onde?

E agora José?
José para onde?
E agora José?
Para onde?

DILMA: A LINHA TORTA DE DEUS...

A FOTO OFICIAL DA PRESIDENTE DA REPÚBLICA.

DOMINGO, 25 DE MARÇO DE 2012

O Brasil aos olhos de Dilma

CAPA DA VEJA

Em uma entrevista de duas horas a VEJA em Brasília, a presidente Dilma Rousseff diz que o poder não é desfrutável, mas que também não perde o sono com os problemas com os quais se defronta


Aos olhos de muita gente, a presidente Dilma Rousseff deveria estar uma pilha de nervos na semana passada. Ela vinha de uma viagem à Alemanha, onde pareceu, inadequadamente, dar lições de governança à chanceler Angela Merkel. Na reunião que teria com os maiores empresários brasileiros, ela lhes daria “um puxão de orelha”, e, para completar o quadro recente de tensão, a base aliada do seu governo no Congresso estava em franca rebelião, contrariando seguidas iniciativas do Palácio do Planalto nas votações. Como pano de fundo da semana caótica, havia o fato de Dilma ainda não ter convencido a opinião pública de ser a grande gestora que o eleitorado escolheu para governar o Brasil em 2010. Como escreve nesta edição J.R. Guzzo, colunista de VEJA, capturando uma sensação mais ampla, “a maior parte das atividades do governo brasileiro hoje em dia poderia ser descrita como ficção”. Mas Dilma não estava nem um pouco tensa quando recebeu a equipe de VEJA (Eurípedes Alcântara, diretor de redação, e os redatores-chefes Lauro Jardim, Policarpo Junior e Thaís Oyama) na tarde de quinta-feira passada para uma conversa de duas horas em uma sala contígua a seu gabinete de trabalho no Palácio do Planalto, em Brasília.
Dilma vinha de encerrar a reunião com os empresários, em que, disciplinadamente, cada um dos 28 presentes teve cinco minutos para falar, e não pareceu ter dado – ou levado – metafóricos puxões de orelha. “Tivemos uma conversa séria. Coisa de país que sabe onde está no mundo e aonde quer chegar”, disse ela. “Ficamos todos de acordo que os impostos têm de cair, os investimentos privados e estatais têm de aumentar e o que precisar ser feito para elevar a produtividade da economia brasileira e sua competitividade externa será feito”. Para quem vinha tendo os ouvidos atacados pelo buzinaço estéril da “guerra cambial” contra o Brasil – expressão que, como se verá na entrevista a seguir, ela não acha própria –, a frase de Dilma, mesmo sem a sonoridade do português castiço, soa como música.
É saudável quando o governante não põe em inimigos externos toda a culpa por coisas que não funcionam. Melhor ainda quando reconhece que seu próprio campo, além de não ter soluções para tudo, é também parte do problema. “Não dá para consertar a máquina administrativa federal de uma vez, sem correr o risco de um colapso. Nem na iniciativa privada isso é possível. No tempo que terei na Presidência vou fazer a minha parte, que é dotar o estado de processos transparentes em que as melhores práticas sejam identificadas, premiadas e adoradas mais amplamente. Esse será meu legado. Nosso compromisso é com a eficiência, a meritocracia e o profissionalismo”.
“Eu disse aos empresários que seremos aliados nas iniciativas para aumentar a taxa de investimento da economia – e não mais apenas o crédito para o consumo”, contou ela. Suas propostas lembram o gato do chinês Deng Xiaoping. Não importa a cor. O que interessa é que ele cace ratos. Dilma Rousseff, porém, continua sendo a Dilma da lenda da mulher durona, de cotação nacionalista. Confrontada com as críticas de que a Petrobras não pode ser um braço de política industrial do governo, ela reagiu: “A Petrobras tem de saber que o petróleo é do Brasil e não dela”. Felizmente, Dilma admite que a extração do petróleo do pré-sal tem prioridade até sobre a sacrossanta exigência de 65% na taxa de nacionalização dos equipamentos – o que inviabiliza ou encarece muitas operações. Ela não verbaliza que a taxa pode ser reduzida, mas diz que, entre a manutenção do patamar de nacionalização e a garantia de produção dos campos do pré-sal, fica com a produção.

Pôr a culpa das reais distorções do Brasil em pressões produzidas no exterior não é uma maneira de fugir dos problemas?


Primeiro, não é verdade que estejamos agindo dessa maneira. É uma simplificação grosseira supor que o governo brasileiro considere as pressões externas a única causa de nossos problemas. Segundo, ignorar que existem fortes externalidades agindo sobre a economia brasileira é um erro que não podemos cometer, sob pena de arriscar a prosperidade nacional, a saúde de nossa base industrial e os empregos de milhões de brasileiros. Terceiro, os fatores exógenos são reais e não podem ser subestimados.

A senhora se refere ao que chegou a ser chamado de “guerra cambial”?

Não acho adequado ver o fenômeno do tsunami de liquidez que foi criado pelos países ricos em crise como uma agressão proposital às demais nações. Mas a saída que eles encontraram para enfrentar seus problemas é uma maneira clássica, conhecida, de exportar a crise. Quando o companheiro Mario Draghi (economista italiano presidente do Banco Central Europeu) diz “vamos botar a maquininha que faz dinheiro para rodar”, ele está inundando os mercados com dinheiro. E o que fazem os investidores? Ora, eles tomam empréstimos a juros baixíssimos, em alguns casos até negativos, nos países europeus e correm para o Brasil para aproveitar o que os especialistas chamam de arbitragem, que, grosso modo, é a diferença entre as taxas de juros praticadas lá e aqui. Eles ganham à nossa custa. Então, o Brasil não pode ficar paralisado diante disso. Temos de agir. Temos de agir nos defendendo – o que é algo bastante diferente de protecionismo.

Quais as diferenças entre se defender e recorrer ao protecionismo?

O protecionismo é uma maneira permanente de ver o mundo exterior como hostil, o que leva ao fechamento da economia. Isso não faremos. Já foi tentado no passado no Brasil com consequências desastrosas para o nosso desenvolvimento. Cito aqui o caso da reserva de mercado para computadores, que, nos anos 80, arrasou a modernização do parque industrial brasileiro e nos privou de tecnologias essenciais. Não vamos repetir esse erro. Não vamos fechar o país. Ao contrário, queremos investimentos estrangeiros produtivos. Mas vamos, sim, defender as nossas empresas, os nossos empregos. O que estamos fazendo, e vamos continuar fazendo, é contrabalançar com medidas defensivas as pressões desestabilizadoras externas que estão carreando para o Brasil quantidades excessivas de capital especulativo. Quando o panorama externo mudar para melhor, nós saberemos que chegou a hora de revogar as barreiras momentâneas que foram criadas.

Mas atrair dinheiro de fora não é bom em qualquer circunstância?

Não. O Brasil está em uma situação agora em que podemos dizer aos países ricos que não queremos o dinheiro deles. Não queremos pagar os juros de 13% por empréstimos que eles nos oferecem. Obrigada, mas não queremos pagar as exorbitantes taxas de permanência desses empréstimos, quantia que eles cobram mesmo quando não usamos o dinheiro, apenas para que os recursos estejam disponíveis a qualquer momento. Eu disse isso com toda a clareza à chanceler Angela Merkel durante minha visita à Alemanha. Aqui se noticiou que eu estava querendo dar lições à Alemanha. Não foi nada disso. Eu quis deixar claro que o Brasil não quer mais ser visto como destinação de capital especulativo ou apenas como mercado consumidor dos produtos que eles exportam. Também deixei bem claro que, quando o Banco Central Europeu joga de repente 1 trilhão de euros no mercado, ele não pode esperar que os países fiquem de braços cruzados enquanto parte desses recursos vem somente passear no Brasil e voltar mais gorda para a Europa sem ter deixado aqui nenhum benefício.

Como Angela Merkel reagiu?

Ela disse que entendia meu ponto de vista perfeitamente, mas que os países emergentes não podiam esquecer que nós temos responsabilidades globais como consumidores ávidos e, portanto, como parte da solução das economias estagnadas da Europa. Eu, então, respondi que nós devemos ser parceiros no ataque aos problemas globais, mas que nossa colaboração não podia ser mais apenas como mercados consumidores e foco de atração de capitais especulativos. Disse a ela que o Brasil quer muito atrair empresas alemãs de tecnologia de ponta. Disse que essas empresas são bem-vindas ao Brasil e, uma vez instaladas aqui, com transferência de tecnologia e criação de empregos, serão tratadas como empresas nacionais, com acesso ao crédito e outras facilidades concedidas às empresas nacionais. As pessoas precisam entender que o Brasil não está recorrendo ao protecionismo, nem arreganhando os dentes para quem quer que seja. Não é disso que se trata.

Ainda assim, tem muita coisa errada no Brasil que precisa ser consertada e independe do que vem de fora...

Sem dúvida. Hoje mesmo (quinta-feira passada, 22) eu me reuni com alguns dos maiores empresários brasileiros e tivemos uma troca franca de ideias sobre como atacar nossas distorções mais paralisantes. Eu disse a eles que nossa maior defesa é aumentar a taxa de investimento privado. Eles reclamaram que os impostos cobrados no Brasil inviabilizam as melhores iniciativas e impedem que eles possam competir em igualdade de condições no mundo. Eu concordo. Temos de baixar nossa carga de impostos. E vamos baixá-la. Vamos nos defender atacando – ou seja, exportando e ganhando mercados. Para isso, temos de aumentar nossa taxa de investimento real para pelo menos 24%. O governo vai investir e gerar o ambiente de negócios para que isso ocorra. Os empresários terão de fazer a parte deles, aproveitar as oportunidades, assumir riscos e deixar aflorar aquilo que o Keynes chama de “instinto animal” da livre-iniciativa.

Como diria o Garrincha, é preciso combinar com os russos – e os indianos, e os chineses. Eles já estão atacando os mercados bem antes do que o Brasil, a senhora concorda?

Sim. Mas a China está dando sinais evidentes de fadiga do modelo-focado fortemente na exportação. Tenho acompanhado os debates sobre a China, e seus lideres não escondem que não podem mais negligenciar o mercado consumidor interno. Eles estão mudando seu foco aceleradamente para atender às demandas do mercado interno chinês. Isso significa que a China em breve vai importar mais do que commodities. Os chineses vão importar bens de consumo – geladeiras, fogões, forno de micro-ondas –, e a parte da indústria brasileira que via a China como ameaça poderá passar a vê-la como oportunidade de mercado também para nossas exportações de manufaturados.

A senhora consumiu boa parte do primeiro ano de seu governo resolvendo crises provocadas por denúncias de corrupção. Agiu com presteza e demitiu quem estava comprometido. É difícil encontrar auxiliares honestos?

A questão não deve ser colocada dessa forma. Os processos no governo é que precisam ser de tal forma claros e os resultados de avaliação tão lógicos que não sobre espaço para as fraquezas dos indivíduos. Montesquieu ensinou que as instituições é que devem ser virtuosas. Nenhuma pessoa que é chamada para o governo pode achar que haverá algum tipo de complacência. Nós temos de ser o mais avesso possível aos malfeitos. Não vou transigir. É bom ficar claro que isso não quer dizer que todos os ministros que deixaram o governo estivessem envolvidos com alguma irregularidade. Alguns pediram para sair para evitar a superexposição ou para se defender das acusações que sofreram.

Por que a senhora não gostou da expressão “faxina ética”?

Parece preconceituoso. Se o presidente fosse um homem, vocês falariam em faxina? Isso é bobagem. A questão não é essa palavra, a questão é que o governo tem uma obrigação de oferecer serviço público de qualidade à população. E para isso é necessário que os processos no governo sejam eficientes, meritocráticos e transparentes. Eu sempre mudei para tentar melhorar.

Essas mudanças, porém, agora estão gerando uma crise no Congresso...

Não há crise nenhuma. Perder ou ganhar votações faz parte do processo democrático e deve ser respeitado. Crise existe quando se perde a legitimidade. Você não tem de ganhar todas. O Parlamento não pode ser visto assim. Em alguma circunstância sempre vai emergir uma posição de consenso do Congresso que não necessariamente será a do Executivo. Isso faz parte do processo. A tensão é inerente ao presidencialismo de coalizão com base partidária. No governo passado perdemos a votação da CPMF, e o céu não caiu sobre a nossa cabeça.

O que a senhora achou do discurso do ex-presidente Fernando Collor alertando-a de que ele perdeu o cargo por falta de sustentação no Congresso?

Não li o discurso. Mas vocês souberam do discurso do Miro? (Miro Teixeira, no dia seguinte ao discurso de Collor, recolocou a questão nos eixos lembrando que não existe comparação possível entre os governos Collor e Dilma.) O que é preciso ter em mente é que as grandes crises institucionais no Brasil ocorreram não por questiúnculas, pequenas discordâncias entre o Executivo e o Legislativo. As grandes crises institucionais se originaram da perda de legitimidade do governante.

Mas essas derrotas, coincidentemente, começam quando o governo decide trocar suas lideranças no Congresso e rever sua relação com alguns aliados.
Não gosto desse negócio de toma lá dá cá. Não gosto e não vou deixar que isso aconteça no meu governo. Mas isso nada tem a ver com a troca dos líderes. Eles não saíram por essa razão. Devemos considerar que os parlamentares vivem um momento tenso, natural em um ano de eleições municipais. Mas repito: não há crise nenhuma.

É difícil suceder na Presidência a um político popular e amado como Lula?

Não. É facílimo. Para começo de conversa, eu fui ministra da Casa Civil do governo Lula durante cinco anos e despachava com ele dezenas de vezes por dia. Aprendi muito. Alguns setores menosprezam o Lula por causa de suas origens, mas eu sou testemunha de que ele tem momentos de gênio na política e um carisma que nunca vi em outra pessoa. Esse metalúrgico que muita gente menospreza mudou o Brasil e ajudou a criar uma nova ordem mundial com o G20, por exemplo, do qual ele foi o grande incentivador.

A senhora tem dificuldade em discordar do ex-presidente Lula?

Nem um pouco. Nós já divergimos muito no passado e continuamos não concordando em algumas coisas. Eu tenho uma profunda admiração por ele, uma profunda amizade nos une, ele é uma pessoa divertidíssima com uma capacidade de afeto descomunal. Mas discordamos, sim. Isso é normal. Mas, no que é essencial, nós sempre concordamos.

Em que momentos a senhora percebe que faz diferença ser uma mulher na Presidência?

Quando eu acordo de manhã e me vejo no espelho. Estou brincando. Eu acho que a diferença mesmo eu vejo quando as mulheres simples desse Brasil param para conversar comigo, acenam para mim, em quem enxergam um símbolo de emergência e de ascensão. A cada dia eu me convenço de que o século XXI é o século das mulheres.

A senhora se dá o direito de ter uma opinião como mulher sobre determinado assunto, o aborto, por exemplo, e outra como presidente?

De maneira alguma. Ser presidente não me dá o direito de expressar opinião pessoal, particular ou subjetiva sobre qualquer tema. Aos 64 anos, tenho de ter a sabedoria de guardar essas opiniões para mim mesma.

O que a senhora descobriu como presidente que não sabia como ministra?

O povo se identifica com você, vê em você uma igual na Presidência. E, por isso, o brasileiro se entrega, mostra como é caloroso. Ele te identifica na rua, grita seu nome, te abraça, te pega. Você sente que está fazendo aquilo de que ele precisa. Isso é maravilhoso!

SOBRE CANÇÕES DE AMOR:CHICO BUARQUE DE HOLANDA.





Qualquer Canção
Chico Buarque

Qualquer canção de amor
É uma canção de amor
Não faz brotar amor e amantes
Porém, se esta canção
Nos toca o coração
O amor brota melhor e antes

Qualquer canção de dor
Não basta a um sofredor
Nem cerze um coração rasgado
Porém ainda é melhor
Sofrer em dó menor
Do que você sofrer calado.

Qualquer canção de bem
Algum mistério tem
É o grão, é o germe, é o gen da chama
E essa canção também
Corrói, como convém,
O coração de quem não ama.

segunda-feira, 26 de março de 2012

CHICO ANÍSIO: PROFISSÃO: PUTA.

O TRIGO...







CARLOS AYRES.


O Senhor Francisco Anysio
De Oliveira Paula Filho
Astro luzente na arte
Sua estrela tinha brilho
Gestor de muitas imagens
E de tantos personagens
Cada um com sua pose
O cidadão incomum
Veio ao mundo em trinta e um, (1931)
Partiu em dois mil e doze

Ceará foi seu Estado
Maranguape onde nasceu
Foi ao Rio de Janeiro
E lá se estabeleceu.
Exímio radialista
Que se tornou humorista
De sucesso nacional
Em diversas emissoras
Tendo as fases promissoras
No universo “Global”

Foi em vida um grande astro
Com sua mega estrutura
Inventivo habilidoso
De vasta desenvoltura
Dando vida as criações
Viveu mendigos, vilões.
Celebridades, plebeus
Fez: pastores, sacerdotes.
Soube explorar bem os dotes
Que ganhou das mãos de Deus

Chico Anysio foi o nome
Que lhe elevou as alturas
Ao longo do seu trajeto
Foi criando outras figuras
E no humor pisou fundo
Criou “Professor Raimundo”
Sucesso em toda nação
O “Primo Rico” e “Popó”
“Boris” “Bonfim” e “Bozó”
“Brazuca” e “Pantaleão”

Criou “Alberto Roberto”
“Al Cafone” e “Alfacinha”
“Albino” “Albarde”e “Alfano”
“Azanbuja” e “Esquerdinha”
“Bexiga” “Bento Carneiro”
O “Coronel Limoeiro”
“Coalhada” “Ciço Romão”
“Doutor Rosseti” “Divino!
“Fumaça” “Haroldo” “Quirino”
“Santelmo” “Biu” e “Bicão”

O “Jovem” “Justo Veríssimo”
“Bonfá” “Bolada” “Bim Bim”
“Bronco Billy” “Bruce Kane”
“Castelinho” “Chiquitim”
“Nozinho” “Napoleão”
“Nazareno” “Corrimão”
Criou “Neyde Taubaté”
“Nicanor” e “Osvaldão”
“Padre Miguel” e “Gastão”
“Milton Gama” e “Salomé”

“Sudenio” “Silva” “Simplício”
Tan Tan” “Tadinho” “ “Galileu”
“Tavares” “Painho” “Olindo”
“Tin Tones” “Pitolomeu”
“Jean Pierre” “João Ninguém”
“José Maria” “Quem Quem”
Também “Joca Ezaquiel”
“Lobo Filho” “Mariano”
“Pedro Fontes” “Franciscano”
“Hilário” e “Zelberto Zel”

“Véio Zuza” “Uruibulino”
“Virgílio” “Zé Faxineiro”
“Vovó Zefa” “Valentino”
“Zé da Silva” o brasileiro
“Badé Mangáio” e o “Baiano”
Que satiriza “Caetano”.
Viveu “Coronel Lindu”
“Cascata” “Apolo” “Bandeira”
“Calheiros” “Canavieira”
“Fukida” e “Caramuru”

Fez “Coronel Lindomar”
Também “Coronel Candinho”
O “Comandante Alencar”
Fez “Profeta” Canarinho”
“Seu Genaro” “Sacadura”
Português de linha dura.
“Severino Pandolé”
“Vieira Souto” e “Meinha”
Um jogador de alta linha
Fez “Frota” e “Dona Dedé”

Também fez “Marmo Carrara”
“Mister Happy” “Mirandinha”
“Nico Bondade” “Tutu”
“Paulo Brasilis” “Linguinha”
“Roda Presa” “Roberval”
“Dona Hilária” “Genival”
E o “Capitão Trovão”
“Gualicho” “Zé Tamborim”
“Tutoia” “Seu Jaime” e enfim
Fez “Professor Gavião”

“Karlos Kafunga” “Lingote”
“Kenny Rocha” e “Alfinete”
O “Delegado Matoso”
Tão cheio de cacoete
Criou o “Doutor Salgado”
Moralista exagerado
Mão de ferro, linha dura.
Foi um mestre em seu oficio
Sem fracasso ou sacrifício
Teve um viver de ventura.

Foi na Rádio Guanabara
Que iniciou a carreira
Depois na Mayrink Veiga
Fez temporada ligeira
E nesse viver maluco
Na Clube de Pernambuco
Também fez a sua historia
Foi em vida um vencedor
Fez sucesso como ator
Cumpriu bem a trajetória

Foi grande radio-ator
Pintor, escritor poeta.
Foi jornalista esportivo
Mas não seguiu essa meta
Esse gênio promissor
Ao abraçar o humor
Com muita dedicação
Gracejo e habilidade
Pra nossa felicidade
Firmou-se na profissão.

Foram seis seus casamentos
Sete filhos que gerou
Além desses ainda tem
Mais um que ele adotou.
Foi para o reino da gloria
Mas o legado, a memória
Jamais se apagará
Um baluarte inconteste
Nascido aqui no Nordeste
Nas terras do Ceará.

O Brasil está chorando
Pela perda desse fruto
Calaram-se as gargalhadas
O humor está de luto
Quem promoveu euforia
E nos deu tanta alegria
Pra quem tiro meu chapéu
O seu viver se encerra
Aqui na face da terra
Vai fazer rir lá no céu.

Adeus estro dos humores
Prossegue a tua viagem
Pra nós agora só resta
Prestar-te a ultima homenagem
A matéria ora perece
Mas o povo não te esquece
E se hoje o teu corpo jaz
Na perpetua eternidade
Pra nós só resta à saudade
Vai com Deus, descansa em paz.


O JOIO...




domingo, 25 de março de 2012


A MULHER DE NOVENTA E QUATRO ANOS, QUE SABIA O VALOR DA ESTRADA, E DISPENSAVA A HOSPEDARIA......POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL.




ESTOU ATENDENDO NO AMBULATÓRIO DO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO...ENTRA UMA SENHORA IDOSA E UMA FREIRA...
A VELHINHA é magra, lépida,vigil,ligada...a freira gorda,bondosa, educada, me diz:DOUTOR, ESTA SENHORA BOTA O RETO PARA FORA... eu a trouxe para cá, para ver o que o senhor pode fazer...

EXAMINEI-A, e constatei que se tratava de uma PROCIDENCIA RETAL OU UM PROLAPSO RETAL TOTAL, expliquei aos alunos, mas ME SURPREENDÍ COM A IDADE DA PACIENTE:NOVENTA E QUATRO ANOS...

Expliquei a freira, que toma conta de um abrigo de velhos, em São José de Mipibú:ESTA PACIENTE já viveu este tempo todo com este problema...acho-a muito idosa para fazer uma cirurgia...contenporizei, me dirigindo a Irmã...

NESTE INSTANTE, a velha se vira pra mim e diz:doutor, não faça isto comigo não...este é o único problema que eu tenho na vida...e ratificou:EU NÃO TENHO NENHUM PROBLEMA FORA ESTE...RESOLVA,ESQUEÇA DA MINHA IDADE...

VÍ A FORÇA DO QUE É QUERER...ví uma senhora determinada, que aos noventa e quatro anos, QUERIA VIVER, SABIA E VALORIZAVA A GRANDEZA DE SE ESTÁ VIVO...me toquei, diante DA VIRTUDE, daquela pobre gigante...
UMA MULHER IDOSA, POBRE DISPOSTA E SEM PROBLEMAS...diferente de gente que reclama de barriga cheia...


OLHEI-A NOS OLHOS, com admiração,condecorando-a pela coragem de viver e achar bom, e disse:VOU LHE INTERNAR E LHE OPERAR...ATÉ OS EXAMES A SENHORA VAI FAZER INTERNADA...marquei o dia do internamento,e me despedí...
as duas deixaram a sala, mas a velha,voltou,abriu a porta e sentenciou:DOUTOR,NÃO VÁ SE ESQUECER DE MIM, NÃO...E EU COMOVIDO, RESPONDÍ COM A ALMA:JAMAIS EU ESQUECEREI DA SENHORA, NA VIDA...

FIZ A CIRURGIA, SEM NENHUMA COMPLICAÇÃO, COM CINCO DIAS A VELHA ME DISSE:eu quero que o senhor me dê alta...eu estou boazinha, e hoje começou a chover, e eu vou mandar plantar milho no terreno do meu pai, em Goianinha...

A FREIRA pensa que eu vou morar no abrigo...de jeito nenhum...eu sou aposentada e vou voltar pro meu terreno...EU TENHO O QUE FAZER AGORA...
DEI A ALTA HOSPITALAR, e até hoje relembro a fibra e a coragem daquela mulher, tão idosa, tão vivida, e tão sábia...uma mulher que sabia o valor da estrada...e renegava a hospedaria...

UMA ANCIÃ JOVEM E DE ESPÍRITO JOVEM.

FOI UM NAVIO QUE DEUS ANCOROU NO PORTO DA MINHA VIDA, PARA EU CONTEMPLAR A BELEZA ESSENCIAL DA VIDA...A BELEZA DE SABER VIVER!!! que as vezes, a gente nem vê, por que brota de alguém que, AOS OLHOS, é QUASE NADA...

PRA ACHAR GRAÇA...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL.


RESORT CORAL... TAMANDARÉ.PE.


1- Tinha uma Tia -avó, Ydila Lima, irmã do Dr. LUIZ ANTÓNIO e do Dr. NESTOR DOS SANTOS LIMA, muito espirituosa e sabida...Certa vez estava aperreada, pediu a Deus que lhe concebesse UMA graça...fez uma promessa...SE RECEBESSE A GRAÇA, a sua penitencia era comer um bolo, todo domingo...

2-A MINHA IRMÃ, ANA PIMENTEL,70, já determinou:se um dia morrer, que ser enterrada com um celular, com a bateria carregada, com dois CHIPS, e desligado...pois caso precise, ela faz uma ligação de resgate...

3-SE diz no interior, que criança que vê o pai transando com a ,mãe , fica pirado...

NUMA CHOUPANA EM LAGOA LIMPA, em Nova Cruz, o pai está fazendo amor com a esposa, numa cama...

por cima da cama está o filho, de seis anos, dormindo numa rede...com tantos sussurros e gemidos a criança acorda, e se debruça na rede, olhando pra baixo...catuca as costas do pai, que estava em cima da mãe e grita:PAI, SAI DE CIMA DE MÃE...SENÃO TO MATA ELA SEM FOIGO!!!
E VIROU-SE NA REDE E ADORMECEU...