domingo, 26 de fevereiro de 2017

CARTA QUE O APRESENTADOR FLAVIO CAVALCANTI (1923-1986) ESCREVEU A SEU NETO
Meu neto:
Pelo que você já me disse com o seu sotaque de anjo, percebo que você me considera uma criança grandona e desajeitada, e me acha, mesmo assim, seu melhor companheiro de brinquedos.

Pena que tenhamos tão pouco tempo para brincar, tão pouco porque só sei brincar de passado, e você só sabe brincar de futuro. E ainda estarei brincando de recordação quando você começar a brincar de esperança.
Mas antes que termine o nosso recreio juntos, antes que eu me torne apenas um retrato na parede, uma referência do meu genro, ou quem sabe até uma lágrima de minha filha, quero lhe dizer meu neto, que vale a pena.
Vale a pena crescer e estudar. Vale a pena conhecer pessoas, ter namoradas, sofrer ingratidões, chorar algumas decepções. E, a despeito de tudo isso, ir renovando todos os dias a sua fé e a bondade essencial da criatura humana, e o seu deslumbramento diante da vida.
Vale a pena verificar que não há trabalho que não traga sua recompensa; que não há livro que não traga ensinamentos; que os amigos têm mais para dar que os inimigos para tirar; que se formos bons observadores, aprenderemos tanto com a obra do sábio quanto com a vida do ignorante.
Vale a pena casar e ter filhos. Filhos, que nos escravizaram com o seu amor.
Vale a pena viver nesses assombrosos tempos modernos, em que milagres acontecem ao virar de um botão; em que se pode telefonar da Terra para a Lua; lançar sondas espaciais, máquinas pensantes à fronteira de outros mundos, e descobrir na humildade que toda essa maravilha tecnológica não consegue, entretanto, atrasar ou adiantar um segundo sequer a chegada da primavera.
Vale a pena, meu neto, mesmo quando você descobrir que tudo isso que estou tentando ensinar é de pouca valia, porque a teoria não substitui a prática, e cada um tem que aprender por si mesmo que o fogo queima, que o vinagre amarga, que o espinho fere, e que o pessimismo não resolve rigorosamente nada.
Vale a pena, até mesmo, envelhecer como eu e ter um neto como você, que me devolveu a infância.
Vale a pena, ainda que eu parta cedo e a sua lembrança de mim se torne vaga. Mas, quando os outros disserem coisas boas de seus avós, quero que você diga de mim, simplesmente isso:
“Meu avô foi aquele que me disse que valia a pena. E não é que ele tinha razão?!”

sábado, 25 de fevereiro de 2017

UM SERMÃO DE PADRE ANTONIO VIEIRA...ATUALÍSSIMO...



AS CARENCIAS DOS CARNAVAIS DE HOJE...



LITERATURA DE CORDEL...


* * *
AS CONSEQUÊNCIAS DA COMPRA DO VOTO
Um folheto de Francisco Diniz
Quem negocia seu voto
Prega a corrupção,
Não pode exigir depois
Nenhuma pequena ação
Daquele seu candidato
Que escolheu na eleição.
Aquele que vende o voto
Sem saber faz aumentar
A injustiça social,
Pois não pode nem cobrar
Trabalho do candidato
Depois que este ganhar.
O crápula que compra votos
Do povo não quer saber,
O que ele pretende mesmo
É adquirir o poder
Pra roubar dinheiro público
E assim enriquecer.
O triste que compra voto
Não tem nenhum compromisso
Com saúde, educação
Nem quer saber se há serviço
Pro homem trabalhador
Da favela ou do cortiço.
Cidadão que vende o voto
Por carência ou ingenuidade
É vítima dos poderosos,
Que vêm com ar de bondade,
Disfarçados de cordeiros
Pra esconder toda maldade.
Quem oferece seu voto
Em troca de uma vantagem
Contribui para aumentar
O capitalismo selvagem
Que instalou-se em nosso meio
E é pai da politicagem.
Por isso meu caro amigo
Preste muita atenção,
No dia que for votar
Não se leve por emoção,
Escolha quem é honesto,
Quem ao pobre dá razão.
Quando escolher candidato
Veja bem o seu passado:
Se lutava pelo pobre,
Denunciava o errado,
Se nunca aceita propina,
Se parece equilibrado.
É preciso estar atento
Pra não cair em cilada,
Pois de político esperto
A rua está tomada,
Portanto pense, analise
O que diz o camarada.
Desconfie quando o sujeito
Em tempo de eleição
De repente fica simples,
Vai logo dando-lhe a mão,
Pondo no colo criança
Dizendo cheio de esperança:
É o futuro da nação!
Cuidado com o camarada
Que só vive garantindo
Resolver todo problema,
Que diz nunca está mentindo,
Que dá tapinha nas costas,
Chamando amigo nas portas
E que só vive sorrindo.
Não se engane com o político
Que vive a prometer
Emprego e vida fácil
Depois que ele se eleger,
Isso é conversa pra trouxa
Que não tem o que fazer.
Não deixe o seu lugar
Ser chamado de banal
E não ser reconhecido
Por curral eleitoral
Como quem usa cabresto,
Pois ninguém é animal.
Não faça como José,
Morador da Barra Funda,
Que dizia: – O meu voto,
O de Pretinha e Raimunda
É só pra quem tem dinheiro,
Quem não pensar desse jeito
Leva logo um pé na bunda.
Não imite Severino,
Que no dia da eleição
Andava com os bolsos cheios
Achando-se com razão
Para comprar todo o povo
Que não tinha condição.
Se assim você agir
Com certeza vai sofrer
As conseqüências depois,
O sujeito vai querer
Recuperar seu dinheiro
Quando alcançar o poder.
E logo não vai poder
Fazer o que prometia
E se você reclamar,
Quiser uma benfeitoria
Depressa ele vai falar:
– Po’daqui se retirar
Comprei seu voto, sabia?
É triste a sina de quem
Empresta ou vende o voto.
Joaquim disse: – menino
Eu nunca que me importo
Com essa tal corrupção
Quem me pagar na eleição
Viro ateu ou devoto.
E chegou um candidato
Dirigiu-se a Joaquim:
– Dou-lhe uma chapa novinha
Se você votar em mim,
Compro a de baixo no pleito
E a outra se eu for eleito
Espero não ache ruim.
Veja só o constrangimento
Desse ingênuo eleitor
Ao saber que o candidato
A eleição não ganhou,
Pois ficou sem mastigar
E muita gente zombou.
Há também quem compre voto
Por um quilo de farinha,
Por um par de alpargatas
Ou até mesmo uma galinha
Fazendo o povo objeto
À noite ou de manhãzinha.
Só que todo o corrupto
Age bem a qualquer hora,
Oferece o que tiver,
Mas cobra juro de mora
Do povo quando eleito,
Engana e não vai embora.
Para que tudo isso mude
O povo tem que agir
Em busca de um mundo novo,
Solução é construir
A nossa independência
E sabendo com freqüência
Político sério exigir.
Não é fácil a tarefa,
Mas precisamos tentar
Porque a corrupção
Está em todo lugar,
Para ter um mundo honesto
Fuja de político esperto
E não se venda ao votar!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

CARTA AO GENERAL QUE ME DEU NAS COSTELAS...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL

               Nasci livre...amando a democracia...
               Minha mãe repetia OLAVO BILAC , na poesia, o pássaro cativo:
          UMA VIDA SÓ TEM VALOR SE ELA FOR LIVRE...
          DETESTAVA A REVOLUÇÃO, A REDENTORA, que também acor bertava nas suas asas muitos dos políticos que hoje se gabam de amarem a democracia, de terem  sido perseguidos pelo golpe militar...
               Lamentavelmente, o Brasil chegou numa condição deplorável, de servegonhice, de patifarias oficiais, de falácias, de engodo...
               Destituíram o governo corrupto do PT, os mesmos que estão sendo denunciados nas delações premiadas, e que agora querem até se entender com o PT, para ficarem á salvos...
               Existe uma falência generalizada de caráter...uma falência generalizada dos múltiplos poderes...
               Uma ideia generalizada de se fazer uma blindagem geral em todos os corruptos, com tanto que se permaneça no poder, e passe para o povo que o governo mudou...que agora temos um governo probo, honesto,servo da democracia e da prática da lisura...
               No momento não existe solução...os três poderes estão contaminados pela mesma prática: se locupletar, fazer uma blindagem total dos corruptos, e passar para o povo a ideia de que mudamos e muito, para melhor...
               MENTIRAS...FALÁCIAS...RACIOCÍNIOS TENDENCIOSOS...DISSOCIAÇÃO ENTRE DISCURSOS E  AÇÕES...
               ME sinto como quem, procura num  ambiente público um sanitário, motivado por forte caganeira, cólicas, suores frios...
               TENTO ver quatro sanitários, mas cada um que fede mais do que o outro,estou quase me sujando, me segurando,na prega mestra...
               Nesta aflição fisiológica me deparo com um banheiro que também fede muito, mas está fedendo menos que os outros...
               CONSTRANGIDAMENTE, ABAIXO AS CALÇAS, E ALIVIO O MEU SOFRIMENTO, nunca esquecendo que nasci para os sanitários limpos e perfumados...saio sem culpas, foi a solução possível...escolhi o menos ruim....e as vezes, o menos ruim você também detesta, mas naquele instante é a melhor solução.
               Um sanitário é  o poder executivo...um presidente com os mesmos vírus de quem  um dia já foi seu vice, e praticando imoralidades SEMELHANTES, COMO A BLINDAGEM DE MOREIRA FRANCO...
             UM CONGRESSO,contaminado pelo PMDB de Renan e de Cunha...de JUCÀ, de Cafeteira,buscando artifícios para salvarem-se mutuamente, do naufrágio do seu navio corrupto, pirata e sem bandeiras...
          UM SUPREMO TRIBUNAL mestiço, um covil ,sem a confiança do povo, artistas togados, filhos da política vigente...filhos das mesmas putas, pois muitos deles foram nomeados pelos mesmos crápulas intocáveis...
          Sinceramente, não vejo saída...muito a contragosto, humilhado, descrente, me auto flagelando, chamo o general que me deu nas costelas e grito:
          GENERAL, EU BAIXO AS CALÇAS...SALVE O BRASIL.