quinta-feira, 10 de setembro de 2015

A POESIA DA SEMANA...

PIXULECO E DILMALUKA

POR FRED MONTEIRO.
pixuleco e pixuleca
No país do bananal
Já nem sei mais o que faço
Pra cada canto que olho
Já vai me dando um cansaço
Pois no 7 de setembro
Eu vi um muro de aço
Era um muro da vergonha
Que aqui nunca existiu
O povo botou abaixo
E logo o muro caiu
E assim na nossa festa
Outro boneco surgiu
Veio fazer companhia
Ao famoso PIXULECO
A imagem do Satã
Que manda nesse boteco
Conhecido por Planalto
Palácio muito “furreco”
Surgiu toda de vermelho
Feito luz de cabaré
Com um nariz de “pinóquia”
Do jeito que ela é
PIXULECA ou DILMALUKA
Chame lá como quiser
A petralhada arretou-se
E fez cara de paisagem
Ao ver os dois sacripantas
Juntinhos na sacanagem
Levar vaia do povão
Já chamando a carceragem
Pois o fim dessas trepeças
Já está mais que traçado
Eles vão para a Papuda
Pra pagar grande pecado
Pois quem rouba o nosso povo
Tem que ir pro cadeado
Eu estou achando pouco
Que a dupla avermelhada
Vá mofar nas suas celas
Vá curtir com a petralhada
Muitos anos de descanso
Numa cela bem trancada!

terça-feira, 8 de setembro de 2015

A POESIA DE ZÉ LIMEIRA...



Zé Limeira (Teixeira, 1886 — 1954) foi o cordelista/repentista mais mitológico do Brasil. Era conhecido como Poeta do Absurdo. Nasceu no sitio Tauá, em Teixeira, cidade da Paraíba que foi o principal reduto de repentistas no século XIX.

Os temas que abordava em suas poesias e repentes eram variados e chegavam, muitas vezes, ao delírio. Pornografia era um tema recorrente, mas Zé Limeira ficou conhecido como "Poeta do Absurdo" por suas distorções históricas, poesias recheadas de surrealismo e nonsense, e pelos neologismos esdrúxulos que criava.

Vestia-se de forma berrante, com enormes óculos escuros e anéis em todos os dedos, e saía pelos caminhos de sua vida, cantando e versando.


Encontrados 3 pensamentos de Zé Limeira

Foi quando Tomé de Souza / Desembarcou na Bahia / Logo no primeiro dia / Passou o pau na esposa / Ligeiro que nem raposa / Comeu na frente e atrás / Depois, na beira do cais / Por onde os navio trafega / Comeu o Padre Nóbrega / Que os anos não trazem mais.

Eu me chamo Zé Limeira
De Lima, limão, limança
A estrada de São Bento
Bezerro de vaca mansa
Valha-me Nossa Senhora
Tão bombardeando a França!



Eu só gosto dessa moça
Porque tem vegetação
Porteira de pau a pique
Três pneus de caminhão
Peido de jumenta ruça
E haja chuva no sertão.





Cantando com Serra Branca

Serra Branca

Limeira meu negro velho,
você está em perigo:
um homem de sua idade,
quando vem cantar comigo,
só corta por onde eu risco,
só engole o que eu mastigo.

Zé Limeira

Você cantando comigo,
o sacrifício é maior:
porque não canta improviso
nem sabe nada de cor,
quanto mais você se apura,
mais eu lhe acho pior.

* * *

Cantando com Anastácio o mote:

Vou fazer serenata na calçada
Da menina que amei na minha vida.

Anastácio

Venho amando do tempo da infância
Uma linda menina que ainda prezo,
Inda quase maluco eu não desprezo
Sua imagem e a sua rutilância.
Desprezá-la seria ignorância.
Minha deusa bonita e preferida
Que por Deus para mim foi escolhida,
Minha estrela brilhante e consagrada…
Vou fazer serenata na calçada
Da menina que amei na minha vida.

Zé Limeira

Prá fazê serenata eu sou bambão,
Toco em frente, de banda, quina e lado.
Na viola eu até toco um bocado,
Sou ribombo e zuada de truvão.
Muitas vezes eu decanto uma canção
Lá no açude de Santa Margarida.
Eu me lasco mais faço uma ferida
No toitiço da velha madrugada…
Vou fazer serenata na calçada
Da menina que amei na minha vida.

Quando a guerra zuou dentro da França
Eu ouvi os estrondo do sertão.
Gosto muito de fava e de feijão,
A muié que eu quiri tinha uma trança.
Japonês e alemão entrou na dança,
As estrada do Brejo é tão comprida
É pecado matá vaca parida,
A Alemanha da China tá tomada…
Vou fazer serenata na calçada
Da menina que amei na minha vida.


* * *

Cantando com José Alves Sobrinho o mote

VOCÊ HOJE ME PAGA O QUE TEM FEITO
COM OS POETAS MAIS FRACOS DO QUE EU.

José Alves Sobrinho

Vou lhe avisar agora Zé Limeira
Dizem que quem avisa amigo é
Vou lhe amarrar agora a mão e o pé
E lhe atirar naquela capoeira
Pra você não dizer tanta besteira
Nesta noite em que Deus nos acolheu
Você hoje se esquece que nasceu
E se lembra que eu sou bom e perfeito
Você hoje me paga o que tem feito
Com os poetas mais fracos do que eu.

Zé Limeira

Mais de trinta da sua qualistria
Não me faz eu correr nem ter sobrosso
Eu agarro a tacaca no pescoço
E carrego pra minha freguesia
Viva João, viva Zé, viva Maria
Viva a lua que o rato não lambeu
Viva o rato que a lua não roeu
Zé Limeira só canta desse jeito
Você hoje me paga o que tem feito
Com os poetas mais fracos do que eu.

* * *

Cantando com Anastácio Mendes Dantas o mote:

Viva a moça mais bonita

Anastácio Mendes Dantas

Amigos, no meu sertão
É onde existe menina
Mais bela que a bonina
Do jardim do coração,
Nas festas da apartação,
Quando o vaqueiro se agita.
Derruba o boi e faz fita
Por causa duma donzela
E grita, olhando pra ela:
Viva a moça mais bonita.

Zé Limeira

Já namorei uma Rosa
Que era nega cangaceira,
Gostava de fazê feira,
Tinha uma boca mimosa
Mais, por modo dessa prosa,
Escrevi pra Santa Rita…
Ronca o pombo na guarita,
Passa um poico no chiqueiro,
Diz o bode do terreiro:
Viva a moça mais bonita.

* * *

Cantando com Anastácio Mendes Dantas nos Oito Pés a Quadrão

Anastácio Mendes Dantas

Eu sou um cantador novo
Que agrada bem ao povo.
Com saudades me comovo,
Sinto mesmo uma aflição.
A flor que rola no chão
Deixa o aroma somente,
Na hora do sol poente,
Lá vão meus oito a quadrão.

Zé Limeira

Tu sois protestante e crente,
Água, riacho e vertente,
Quando a chuva desce quente
Enrolada num trovão,
Se alarma todo sertão,
Cururu desce nos eito,
Eu vou falá com o prefeito
No oito pés a quadrão.

Anastácio Mendes Dantas

A natureza é incrível,
Faz a terra no seu nível
Girar de modo impossível
Causando admiração…
O relâmpago, o trovão,
Arquivam-se pelo espaço,
Ligados pelo mormaço,
Lá vão meus oito a quadrão.

Zé Limeira

Sou um nego do cangaço,
Brigo de perna e de braço,
Com a ingrizia que eu faço
Assombro qualquer cristão…
Eu vou cantá no Japão
Lá dos Estados Unidos,
Dá quarenta e três gemidos
Nos oito pés a quadrão.

* * *

Cantando com José Vicente o mote:

São frios, são glaciais,
os ventos da solidão.

José Vicente

Quando se sente saudade
Duma pessoa querida,
Dá-se um vazio na vida
E dói esta soledade…
Ninguém suporta a metade
Da dor do meu coração,
Lembrando o aceno de mão
Do amor que não voltou mais…
São frios, são glaciais.
Os ventos da solidão.

Zé Limeira

Conheço a curva do vento
No calô da marizia,
Quando amanheceu o dia
Fui acordá o jumento.
O mocotó de São Bento,
Espora, freio e gibão…
Por trás do Monte Simão
Residia Ferrabraz…
São frios, são glaciais
Os ventos da solidão



O Apocalipse de Zé Limeira
Zé Ramalho
Composição: Zé Ramalho
Quem acha que é preciso
O mundo se acabar
Pra ver o povo virar
Teleco-teco na terra
Buliram na atmosfera
Desse sistema solar

Eu vejo que é muito frágil
Pitomba presa num galho
De aroeira parida
Humanidade fundida
No forno quente de belzebu

Eu vejo o apocali - psicologia profunda
De que um dia virá
Um astronauta para me salvar

Pressinto nuvens escuras
Enferrujando armaduras
Um terremoto lumar
O anjo da virgindade
Fará de toda maldade
Um cogumelo solar

Um amuleto divino
No braço do pequenino
Escapulário de luz
Explorador da bondade
Está em cada cidade
Até no brejo da cruz

Eu vejo no apocali - psicologia profunda
De que um dia virá
Um astronauta para me salvar

A POESIA DE AUGUSTO DOS ANJOS...

O MORCEGO – Augusto dos Anjos

Meia noite. Ao meu quarto me recolho.
Meu Deus! E este morcego! E, agora, vêde:
Na bruta ardência orgânica da sede,
Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.
“Vou mandar levantar outra parede…”
– Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho
E olho o tecto. E vejo-o ainda, igual a um olho,
Circularmente sobre a minha rede!
Pego de um pau. Esforços faço. Chego
A tocá-lo. Minh’alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!
A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra
Imperceptivelmente em nosso quarto!

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

O SUPLÍCIO DA MINHA PÁTRIA...SOCORRO!!!






Pátria Minha

Vinicius de Moraes


A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.

Se me perguntarem o que é a minha pátria direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.

Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias pátria minha
Tão pobrinha!

Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!

Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.

Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu...

Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda...
Não tardo!

Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.

Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.

Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamem
Que um dia traduzi num exame escrito:
"Liberta que serás também"
E repito!

Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão...
Que vontade de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.

Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.

Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
"Pátria minha, saudades de quem te ama...

Vinicius de Moraes."







DIVULGANDO A BELA POESIA...


A VOLÚPIA DOS OLHOS – 
Maria Braga Horta



Beijas-me os olhos com volúpia rara,
com essa rara volúpia de nevroses:
e o meu amor sente envolvê-lo a tara
das mais violentas metempsicoses…


Sinto em minhas pupilas a seara,
a estranha messe, a turba de ferozes
ondas de beijos que, inconsciente e avara,
recolho e guardo em loucas psicoses…

Beijas-me… e eu sinto em mim, nestes extremos,
a mórbida dormência dos abrolhos
e a exaltação do mar… Mas, compreendemos:

se eu me transformo e tu te transfiguras
é porque um beijo, assim dentro dos olhos,
é a síntese de todas as loucuras…
Carangola, 23-Jan-1933


domingo, 6 de setembro de 2015

HINO DA IMACULADA CONCEIÇÃO...LETRA E MÚSICA DE BERNARDO CELESTINO PIMENTEL.

 
         




HINO DA IMACULADA CONCEIÇÃO

          LETRA E MÚSICA DE BERNARDO CELESTINO PIMENTEL BEZERRA SOUTO



         E NOVA CRUZ,QUE NÃO É CRUZ NOVA ...
          NOVA E ETERNA  SÓ A NOSSA  DEVOÇÃO....

         NOVA CRUZ, UM SANTUÁRIO, DA QUERIDA IMACULADA CONCEIÇÃO...


          A RELIGIÃO DE UMA CIDADE,
FAZ SEU POVO SER MAIOS FORTE,
APÓS  ANOS DE FUNDAÇÃO,
SUA GRAÇA É NOSSO SUPORTE...
          TÃO CLAMADA PELO PADRE PEDRO MOURA,
BALUARTE MAIOR DO SEU SANTUÁRIO,
NAS MARGENS DO CURIMATAÚ,
RESIDE UMA FÉ, INABALÁVEL...

FAZEI TUDO QUE ELE MANDAR,
É A SÚMULA DO QUE DIZ NOSSA SENHORA,OS SEUS FILHOS  OBEDECEM FIELMENTE,AS PALAVRAS GERADORAS DA VITÓRIA:
   


          NOVA CRUZ, NÃO É CRUZ NOVA,
NOVA E SEMPRE SÓ A NOSSA DEVOÇÃO...
MÃE SAGRADA, NO NOSSO PEITO,
A SANTÍSSIMA IMACULADA CONCEIÇÃO...
         NO AGRESTE VIVE UM NOME,UMA FLOR,A MINHA ROSA...
UMA BENÇÃO  EM CADA CORAÇÃO,
UMA FORÇA, UMA ESPERANÇA,
          COMO  É GRANDE  A CONFIANÇA NA  QUERIDA IMACULADA CONCEIÇÃO.

          ESTA É UMA SINGELA HOMENAGEM A MINHA PADROEIRA,QUANDO SE COMEMORA 166 ANOS DA CRIAÇÃO DA PARÓQUIA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO, EM NOVA CRUZ...

         FOI NA MATRIZ DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO QUE EU ME BATIZEI, EM 1955...
         ME CRISMEI...E ALIMENTEI A MINHA FÉ, COM ADUBO FORTE, DESDE OS MEUS QUATRO ANOS...
          FOI DESTA IGREJA QUE EU ENCAMINHEI MEU PAI, MINHA MÃE PARA O CÉU, ALÉM DE MUITOS AMIGOS QUE JÁ SE FORAM...

          NA VIDA, TENTEI IMITAR SÃO PAULO, COMBATÍ O BOM COMBATE E GUARDEI A FÉ...
          AI DE MIM SE NÃO CRESSE...

          OH MARIA CONCEBIDA SEM PECADOS, ROGAI POR NÓS QUE RECORREMOS A VOZ....
          ROGAI POR NÓS SANTA MÃE DE DEUS , PARA QUE SEJAMOS DÍGNOS DAS PROMESSAS DE CRISTO...
               BERNARDO CELESTINO PIMENTEL BEZERRA SOUTO...60 ANOS.

sábado, 5 de setembro de 2015

A POESIA DE MANUEL BANDEIRA...




 Manuel Bandeira
manuel-bandeira
Alumbramento
“Eu vi os céus ! Eu vi os céus !
Oh, essa angélica brancura
Sem tristes pejos e sem véus !
Nem uma nuvem de amargura
Vem a alma desassossegar.
E sinto-a bela … e sinto-a pura.
Eu vi nevar ! Eu vi nevar !
Oh, cristalizações da bruma
A amortalhar, a cintilar !
Eu vi o mar ! Lírios de espuma
Vinham desabrochar à flor
Da água que o vento desapruma …
Eu via a estrela do pastor …
Vi a licorne alvinitente !
Vi … vi o rastro do Senhor !
E vi a Via Láctea ardente …
Vi comunhões … capelas … véus …
Súbito … alucinadamente …
Vi carros triunfais … troféus …
Pérolas grandes como a lua …
Eu vi os céus ! eu vi os céus !
– Eu vi-a nua … toda nua !”.