sábado, 4 de abril de 2015

A CRÔNICA DE MOACIR LUZ...



Moacyr Luz: O direito de ir e vir

Rouba-­se à mão armada entre grades, câmeras e escadas rolantes. Pulam roletas feito obstáculo olímpico

O DIA
Rio - Na minha infância, “artigo” era matéria na aula de português. Classificando os gêneros, meu maior receio era chegar em casa com um boletim indefinido. Já adulto, ressacas acumuladas, conheci o artigo 171, na abreviação carioca, o “sete”, manjado rei da cocada preta, canhotinha de ouro por levar vantagem em tudo. É aquele que vai ao banheiro na hora da conta, inventa um trajeto na carona do amigo pra ficar na esquina de casa. Fila cigarro, bebe cerveja na mesa do outro e, no racha do churrasco, entra com a asa do frango. A seu favor, o prejuízo maior é a irritação. O “sete” é bom de papo, não te cobra a vida, não atropela tua inocência, tampouco rouba a tua agenda digitada no celular.
Estamos vivendo o tempo da Constituição ferida, rasgada em seu princípio mais básico, o direito de ir e vir. Artigo 5 da nossa bíblia democrática, excluindo um suicídio ou outro, só se exerce o justo com segurança a 37 mil pés, numa rota controlada por radares modernos. Não peguei o bonde São Januário, mas o punguista no estribo do vagão era o maior perigo no transporte público. O batedor de carteira se aproveitava do distraído, o avoado com a nobre paisagem do percurso, e, com os dedos em forma de pinça, levava os seus mil réis do leite das crianças.
O tempo passou no Tabuleiro da Baiana, no calçadão de Copacabana, no sinal em frente à Central do Brasil. As galinhas foram pra granja. Os ladrões enxergaram penas em nossas costas e partiram pra dentro. Nossas joias são ovos de ouro. Estamos na crista da onda alheia. Um estrategista urbano propõe UPPs nos metrôs da cidade. A minha estação, Glória, está no mapa das ocupações. Rouba­se à mão armada entre grades, câmeras e escadas rolantes. Os gatunos pulam as roletas feito olímpicos obstáculos nessa cidade de ‘games’ mortais. s vésperas da grande competição mundial, seguidos recordes são quebrados no cronômetro do dia a dia. Ir e vir de ônibus só Hércules no auge da Odisséia. A pé, no Aterro do Flamengo? Só em caso de eutanásia. Os avisos de atenção parecem pinos vermelhos na tela do Google Maps. Jamais zanzar à noite na Grajaú­Jacarepaguá. Nem descer a Marechal Rondon, as Linhas Vermelha e Amarela, as praias do Recreio, o fim da Avenida Brasil, o Aqueduto da Lapa, ou atravessar o túnel Noel Rosa.
Em tempo, um amigo, em prantos, fechou a capela onde a esposa era velada, no Catumbi. O coveiro sussurrou: “Vai por mim. Outro dia, um governante cheio de boas intenções comunicou que o cidadão poderia levar e conectar gratuitamente seu notebook até as areias da Princesinha do Mar. Cá com os meus botões, levar é mole! Quero ver é trazer de volta”.
Moro numa metrópole, mas vivo em estado de sítio.

A LITERATURA DE VIOLANTE PIMENTEL...

O BARALHO

Durante uma Missa, num dia de festa, celebrada na Capela de um Quartel Policial Militar, o sargento observou que um dos soldados, ao invés de acompanhar o rito religioso no livro próprio, tirou da algibeira um baralho, passando todo o tempo a analisar os naipes e cartas, sem dar atenção ao que se passava no altar. O policial olhava as cartas, demoradamente, com ar de quem estava meditando.
O austero sargento repreendeu o soldado, ordenando-lhe a acompanhá-lo, depois da Missa, à sala do Comandante. Indiferente ao que tinha ouvido, o soldado continuou olhando uma por uma as cartas do baralho.baralho
Terminada a Missa, e obedecendo à ordem do sargento, o soldado o acompanhou à sala do Comandante, para que fosse registrada a suposta falta disciplinar por ele cometida, passível de punição.
O soldado, com a pobreza estampada no rosto, pediu desculpa ao Comandante e procurou justificar o seu comportamento durante a Missa.
O Comandante estranhou a ocorrência e deixou que o soldado falasse:
- Sr. Comandante, se eu errei perante os olhos do sargento, sei que não errei perante os olhos de Deus! Não me sobra dinheiro para livros. Em nenhum momento perturbei a Missa. Permaneci calado durante todo o tempo. As coisas são boas ou más, dependendo de quem interpreta. Os naipes e cartas do baralho são o meu livro de orações. Para mim, substituem os livros devotos e espirituais, como eu passo a vos provar:
AZ – Lembra-me um só Deus, criador do Céu e da Terra;
DOIS – O Velho e o Novo Testamento;
TRÊS – O mistério da Santíssima Trindade;
QUATRO – Os quatro Evangelistas.
CINCO- As virgens prudentes que foram adiante do Esposo com as lâmpadas acesas, enquanto as outras cinco, chamadas néscias, foram excluídas por terem as suas apagadas.
SEIS – A criação do mundo em seis dias.
SETE – O descanso do Senhor ao sétimo dia.
OITO- As oito pessoas que se salvaram do dilúvio, a saber, Noé, seus três filhos e suas mulheres.
NOVE- Os nove leprosos; eles eram dez, mas só um soube render graças ao Salvador.
DEZ- Os Mandamentos da Lei de Deus.
DAMA- A rainha de Sabá e a sua visita a Salomão.
VALETE – Judas, que por trinta dinheiros vendeu Jesus Cristo.
REI – O do Céu e o da Terra, a quem devo servir; ao do Céu, como meu Soberano.
As cinqüenta e duas cartas do baralho lembram-me muito as cinqüenta e duas semanas do ano, as doze figuras, os doze apóstolos e os doze meses. Este baralho me serve de Velho e Novo Testamento, de Catecismo, de folhinha e de divertimento.
O Comandante ouviu a narrativa do soldado, e, com uma certa ironia, falou:
- Notei uma falta na sua relação. Ao Valete também chamam “cavalo”…Que ideia vos recorda esse animal?
O soldado respondeu:
- O cavalo, Sr.Comandante, é o sargento que aqui me trouxe. A atitude dele representa o coice desse animal.
O Comandante ficou sensibilizado, diante do que ouvira do soldado…
O caso não deu em nada.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

O DIA MAIS IMPORTANTE PARA A HUMANIDADE...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL.



O DIA MAIS IMPORTANTE DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE... A SEXTA FEIRA SANTA ...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL...


Hoje é o dia mais importante da história da humanidade: A SEXTA FEIRA SANTA,DIA DA MORTE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO...
Hoje é o dia, onde a Morte passa a ser a vida...Michelãngelo,quando retratou o quadro conhecido como La Pietá, RESUMIU A SÚMULA DA VIDA...em toda sala deveria ter este quadro...todo pai deveria explicar aos seuS filhos a mensagem que estÁ contida nesta obra de arte...Eu, na vida, expliquei aos meus filhos O valor do sacrifício de NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, e nas vésperas de Natal, cheguei a fazer uma preleção, á meia noite, dizendo que a vida, tem que ser compreendida, dentro desta súmula: a imagem do menino jesus, e o mesmo menino morto, desfalecido,dilacerado,no Colo da sua mãe, aos trinta e três anos.Entre uma imagem e outra, entre uma perspectiva e outra,renasce no coração o sentimento da fé, A redefinição do que é de DEUS e do que é dos HOMENS...Não existe injustiça no mundo,que não se torne menor, do que a vida e morte de NOSSO SENHOR JESUS CRISTO ...neste RACIOCÍNIO PODEMOS COMPREENDER O MUNDO,OS HOMENS, OS DESEJOS, AS FRUSTRAÇÕES, E FLUTUAR EM DIREÇÃO Á DEUS...

Na ótica dos homens,na ótica de dois e dois são quatro,a vida de jesus foi um fracasso...foi uma desonra...foi frustante...foi injusta... UM ESTELIONATO...
Um Homem que se dizia o filho de Deus,que dizia ser capaz de tudo,de curar os enfermos, de devolver a visão aos cegos,de abrir as águas do oceano, e transformar água em vinho, de multiplicar peixes,SER DESMORALIZADO, FUSTIGADO, HUMILHADO,PELO PODER, PELA RUINDADE,SER TORTURADO E SER MORTO NA CRUCIFICAÇÃO...Para os incautos, Jesus , sua vida foi um estelionato...O Próprio Jesus,vestido da condição humana, tremeu nas bases,teve medo, e isso nós percebemos nas sagradas frases:PAI, O ESPÍRITO ESTÁ PRONTO, MAS A CARNE É FRACA, pronunciadas ás vesperas da sua via crucis,quando foi visitado pela angústia e pelo medo...PAI AFASTA DE MIM ESTE CÁLICE...e já crucificado disse:PAI POR QUE ME ABANDONASTES ?
MEUS AMIGOS,O DIA DE HOJE É UM DIA GRANDIOSO,ONDE COMPREENDENDO A VIDA E MORTE DE JESUS, COMPREENDEMOS A ESSÊNCIA DA VIDA...E A DOR, O SOFRIMENTO, PASSA A TER OUTRO SIGNIFICADO...BEM AVENTURADOS OS QUE NÃO VIRAM MAIS CRERAM, EIS O MISTÉRIO DA FÉ...
IMAGINEM,O QUE SERIA DE NÓS, SE JESUS CRISTO TIVESSE FUGIDO DA CRUZ,TIVESSE USADO O PODER QUE TINHA ,PARA NEGAR FOGO?
O Sacrifício da crucificação de Nosso Senhor Jesus Cristo, é uma carta de crédito, dada a todos os homens, pelo exemplo de Jesus, e cujas vantagens e virtudes podem ser resgatadas sempre, todo dia, diante da tristeza, diante da injustiça, diante da angústia que suja os homens.
Meus amigos,em toda a minha vida, em tudo o que ví e escutei,vendo toda a biologia,estudando todas as fisiopatologias da vida,lendo os olhos e as ações dos homens,eu só tenho é de ratificar São Paulo: EU ME ORGULHO DA CRUZ DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

ALERTA PARA GENTE GRANDE...?


Pique 


Esconde Na 


Internet

Pedro 

Miranda

eu nunca joguei bola
nunca andei de patinete
o quintal da minha casa cabe dentro da internet
pêra uva ou maçã, não tem sabor virtual
soltar pipa, rolimã, açara e o digital
se voce no pique-esconde, usa a tecla do delete
cabra cega está aonde?
escondido na internet
eu nunca joguei bola
nunca andei de patinete
o quintal da minha casa cabe dentro da internet
não atire o pau no gato
e tem água la no tororó
auauau miau miau
più più più cocororó
volte pra bola de gude
se desgrude do chiclete
que o quintal da sua casa
vai pra dentro da internet
eu nunca joguei bola
nunca andei de patinete
o quintal da minha casa cabe dentro da internet

REFLEXÃO PARA GENTE GRANDE...
















Se a Gente Grande Soubesse

Billy Blanco

Se a gente grande soubesse
o que consegue a voz mansa
como ela cai feito prece
e vira flor,num coração de criança.
A gente grande, que tira
o meu brinquedo da mão
tirou de um músico a lira
interrompeu a canção.
De tanto não que eu escuto
o não eu vivo a dizer
eu não sossego um minuto
é natural
eu não parei de viver.
A gente apenas repete
tudo que escuta e que vê
Pois gente grande eu queria
ser um dia todo igualzinho a você.
Se a gente grande soubesse (quanta paz,)
o que consegue a voz mansa, (o bem que faz,)
como ela cai feito prece
e vira flor,
num coração de criança.
A gente grande, que tira (sem pensar,)
o meu brinquedo da mão, (me faz chorar)
tirou de um músico a lira, (sem saber,)
interrompeu a canção.
De tanto não que eu escuto (Não e não,)
o não eu vivo a dizer, (que confusão,)
eu não sossego um minuto
é natural
eu não parei de viver.
A gente apenas repete (tal e qual,)
tudo que escuta e que vê, (não leve a mal,)
Pois gente grande eu queria
ser um dia
todo igualzinho a você.

Se a gente grande soubesse
o que consegue a voz mansa
como ela cai feito prece
e vira flor,num coração de criança.
A gente grande, que tira
o meu brinquedo da mão
tirou de um músico a lira
interrompeu a canção.
De tanto não que eu escuto
o não eu vivo a dizer
eu não sossego um minuto
é natural
eu não parei de viver.
A gente apenas repete
tudo que escuta e que vê
Pois gente grande eu queria
ser um dia todo igualzinho a você.
Se a gente grande soubesse (quanta paz,)
o que consegue a voz mansa, (o bem que faz,)
como ela cai feito prece
e vira flor,
num coração de criança.
A gente grande, que tira (sem pensar,)
o meu brinquedo da mão, (me faz chorar)
tirou de um músico a lira, (sem saber,)
interrompeu a canção.
De tanto não que eu escuto (Não e não,)
o não eu vivo a dizer, (que confusão,)
eu não sossego um minuto
é natural
eu não parei de viver.
A gente apenas repete (tal e qual,)
tudo que escuta e que vê, (não leve a mal,)
Pois gente grande eu queria
ser um dia
todo igualzinho a você.

PESSOA...O MAIOR POETA DO MUNDO...



















"Brincava a criança
Com um carro de bois.
Sentiu-se brincando
E disse, eu sou dois!
Há um a brincar
E há outro a saber,
Um vê-me a brincar
E outro vê-me a ver.
Estou por trás de mim
Mas se volto a cabeça
Não era o que eu queria
A volta só é essa...
O outro menino
Não tem pés nem mãos
Nem é pequenino
Não tem mãe ou irmãos.
E havia comigo
Por trás de onde eu estou,
Mas se volto a cabeça
Já não sei o que sou.
E o tal que eu cá tenho
E sente comigo,
Nem pai, nem padrinho,
Nem corpo ou amigo,
Tem alma cá dentro
Está a ver-me sem ver,
E o carro de bois
Começa a parecer.

Fernando Pessoa
5-12-1927
Poesias Inéditas (1919-1930). Fernando Pessoa. (Nota prévia de Vitorino Nemésio e notas de Jorge Nemésio.) Lisboa: Ática, 1956 (imp. 1990). - 83.

Fotografia de Proxy Kiatanan"
















Brincava a criança

Com um carro de bois.

Sentiu-se brincando

E disse, eu sou dois!

Há um a brincar


E há outro a saber,

Um vê-me a brincar

E outro vê-me a ver.

Estou por trás de mim

Mas se volto a cabeça

Não era o que eu queria

A volta só é essa...

O outro menino

Não tem pés nem mãos

Nem é pequenino

Não tem mãe ou irmãos.

E havia comigo

Por trás de onde eu estou,

Mas se volto a cabeça

Já não sei o que sou.

E o tal que eu cá tenho

E sente comigo,

Nem pai, nem padrinho,

Nem corpo ou amigo,

Tem alma cá dentro

Está a ver-me sem ver,

E o carro de bois
Começa a parecer.

Fernando Pessoa

5-12-1927
Poesias Inéditas (1919-1930). 

Fernando Pessoa. (Nota prévia de 

Vitorino Nemésio e notas de Jorge 

Nemésio.) Lisboa: Ática, 1956 (imp. 1990). - 83.

A INTELIGENCIA DO POETA...

O POETA BOÊMIO


POR ARISTEU BEZERRA

Emídio de Miranda
O poeta pernambucano Emídio de Miranda (1897-1933), boêmio por excelência, declamava seus versos a qualquer hora, pois a poesia corria em suas veias. Certa vez, estava com vondade de tomar uma dose de bebida, dirigiu-se ao bodegueiro, que era gordo (barrigudo mesmo!), da cidadezinha do interior e expôs o seu desejo, adiantando que não tinha a quantia correspondente à bebida.
O comerciante vaidoso, que há muito tempo desejava um elogio em versos do poeta, disse-lhe: “Faça um soneto dedicado a mim e não pagará nada”. Emídio, não hesitou, e, imediatamente, declamou:
“Tu ventrudo burguês analfabeto,
Escultura rotunda da irrisão,
Para quem o viver mais limpo e reto
Consiste em ser avaro e ter balcão;
Tu que resumes o teu afeto
No dinheiro – o metal da sedução -
Pelo qual negociarás abjeto
Tua esposa, teu lar, teu coração,
Escutas, ó ignorantaço, o que te digo:
Esse ouro, protetor, que é teu amigo,
Que te deu o conforto de um paxá,
Pode comprar qualquer burguês cretino;
Mas a lira de um vate peregrino
Não compra, não comprou, nem comprará.”