domingo, 8 de fevereiro de 2015

A POESIA DE ANA LIMA...

AS BORBOLÊTAS – Anna Lima

Era bando festivo e sorridente
Das côres do arco-iris matizado;
Parecia uma nuvem transparente
Deslisando gentil no ameno prado…
Era bando festivo e sorridente.
Beijavam na deveza aberta em flores
A rosa branca o lyrio côr de neve…
E a viração de timidos rumores,
Que as embalava n’um suspiro leve,
Corria na deveza aberta em flores.
Aquelle bando docemente lindo
Era o primor da natureza em festa!
Flores aereas lá do azul cahindo
Para formar as joias da floresta,
Era esse bando docemente lindo.
Umas tinham azas pequeninas
Reunidas as côres da innocencia
A candura das almas das meninas
Ao despontar alegre da existencia…
Umas tinham nas azas pequeninas.
Outras lembravam com feliz encanto
Os sonhos virginaes da mocidade;
O doce e triste e merencorio pranto
De uma sentida e languida saudade,
Outras lembravam no sentido encanto.
Porém o sol que pelo azul subia
Foi-lhe as azas tão lucidas queimando;
E como a flor, ao desbrochar do dia,
Finou-se o leve e delicado bando,
A’ luz do sol que pelo azul subia!
Assim ela vida na manhã fulgente.
Morrem as crenças do primeiro amor…
Fogem os sonhos da illusão ridente,
Pobres phalenas que não tem fulgor
– Da doce vida na manhã fulgente!
Açù – Maio de 1898.


DECADÊNCIA DA CULTURA BRASILEIRA
VALE MUITO A PENA LER...
Por Luis Fernando Veríssimo 


               Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A nova edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira.                 Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.
Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo.
               Impossível assistir ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros… todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial.           Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE.
Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido”. Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
          Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis? Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores) , carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados.
Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo dia.
Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna. Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, Ongs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).
Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a “entender o comportamento humano”. Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$ $$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores).

               Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa…, ir ao cinema…. , estudar… , ouvir boa música…, cuidar das flores e jardins… , telefonar para um amigo… ,•visitar os avós… , pescar…, brincar com as crianças… , namorar… ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

O TALENTO...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL



          OS PAIS devem respeitar á vida das crianças, os seus brinquedos, as suas brincadeiras...
          Vejo os adultos tratarem muito mal as crianças...com truculência...competindo com elas nas vontades...
       Descontam suas frutacões batendo nas crianças, gritando as crianças...na rua não gritam ninguém , suportam tudo, vivem com o rabo entre as pernas...em casa, não suportam as minimas vontades das crianças...
         OH como e triste presenciar pais dando escândalos em super mercados,  com os filhos...se você prestar atencão, aí e que se mostram, não possuem controle...

        Todas a habilidades são desenvolvidas na infância ...observe seu filho brincando, incentive-o, seja seu parceiro desde cedo...
          Minhas habilidades eu desenvolvi na infância...brincando...
          Sempre nas  brincadeiras eu era o médico, o diretor do hospital...
          Com cinco anos já consultava os matutos no balcão...prescrevia para eles o que prescrevia para mim, Dr. Luiz Antônio, Dr Octacilio Lyra, Gadelha, seu Rosemiro...
          Muito da minha habilidade manual eu adquiri represando a agua da chuva de Nova Cruz, NA RUA DO GRUPO,FAZENDO BARRAGENS DE AREIA nos dias de chuva...COM AS MÃOS NA ENXURRADA...
         Breno Augusto, meu filho do meio, nasceu genial...foi muito combatido na infância por que queria brincar com tomadas elétricas, com chaves de fenda, com alicates , na energia viva...Hoje é engenheiro elétrico da COSERN,trabalha com energia viva, domina este assunto , é genial...
          Ontem conversando com Breno, no nosso almoço,ele fez um comentário que imediatamente eu lhe disse que seria publicado neste Blog, pela inteligencia, pelo inusitado...
          Temos um bugre novo, porem inexplicavelmente ele esquentava o motor...se corria para o mecânico e ele sempre dizia que era a CEBOLINHA...trocava se a cebolinha...não resolvia...
          UM dia Breno tirou a cebolinha e colocou dentro d'Água numa frigideira e levou ao fogo...observou que aos noventa graus centigrados,perto da temperatura de ebulição da agua, a cebolinha fechava o contato, portanto estava funcionando ...levou o carro para o mecânico e disse que ele arranjasse outra desculpa por que a cebolinha estava boa...
          O mecânico deve ter achado a estoria interessante  e foi procurar o defeito, ate que encontrou...
          Eu chamo isto de genialidade.
          Breno Augusto também  é um  exímio marceneiro...sabe fazer muito bem qualquer móvel...
          fez a cama que eu durmo...de primeira.    

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

BACH E VINICIUS DE MORAES...











PINGOS DE OURO...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL



BEETHOVEN SÓ COMEÇOU A ESCUTAR DEPOIS QUE FICOU SURDO...

           O grande Beethoven veio a ficar surdo...certa vez confidenciou:
          Eu só comecei a escutar depois que fiquei surdo...pois a partir daí, eu comecei a escutar O SILENCIO...
          Escutar o silencio, uma coisa importante...conselheira...sábia...reveladora...
o substrato da Psicanálise.








O GATO QUE CHEIRAVA A MORTE...
       
          Numa clinica oncológica na Inglaterra, havia uma enfermaria de doentes terminais,que diariamente era visitada por um gato da casa, velho,domiciliado no ambiente...
          O bichano pulava de leito em leito e cheirava o paciente...as vezes ele cheirava e ficava deitado no leito...era um sinal...
          Os médicos e os enfermeiros mandavam comunicar á família do paciente que ele  morreria hoje...era fatal...
          Pense num gato que cheirava á morte.









BACH  FOI  SALVO POR UM HOMEM QUE COMIA CARNE...

          O grande Bach, exímio compositor, morreu pobre, sem a projeção que veio  a ter após a sua morte...
          Juntava sua belas partituras no porão da sua casa...já havia montanhas de papéis...
          Após a sua morte, o seu empregado liso, imprensado financeiramente, ofereceu no açougue papel em quilo , para ser usado como embrulho...
          O açougueiro quis o papel, e com ele passou a embrulhar a carne que vendia...
          O grande músico e compositor Mendelson foi ao açougue comprar uns bifes...recebeu os mesmo embrulhados em um papel, que ele logo viu que era uma partitura...
          Sentou no piano e começou a tocar o que estava escrito: uma jóia musical...a partir daí divulgou a obra de Bach...
          Bach somente foi grande por que tinha um homem que gostava de carne...

A LITERATURA DE VIOLANTE PIMENTEL...

6 fevereiro 2015ARARUTA, ARARUTA



Tatá era uma antiga serviçal, solteirona e sem família, que morava na casa de um conhecido professor, viúvo e com seis filhos para criar. Tinha sido ama de todas as crianças, e era uma espécie de anjo da guarda de todas elas.
Já casado pela segunda vez, o professor Vicentino, muito dedicado ao trabalho, pouco se envolvia na administração da casa. Com o seu segundo casamento, a esposa ficou à vontade para administrar a casa ao seu modo, assumindo o lugar de madrasta e impondo às crianças seus hábitos, inclusive de alimentação.VELHA COM CACHIMBO
Os dois irmãos mais velhos, de doze e dez anos, lideravam as quatro irmãs e as estripulias que todos eles faziam.
A madrasta não gostava de café e quis impor a todos o hábito de tomar chá. As crianças detestavam a madrasta e o chá. Adoravam o pai e não queriam vê-lo aborrecido. Por isso, aceitaram a mudança de hábito imposto pela mulher, sem reclamar. Depois do jantar, os dois meninos mais velhos fugiam até um bar que havia próximo à casa deles e comoviam o dono, contando-lhe que a madrasta havia abolido o café da mesa, substituindo-o por chá. O dono do bar, penalizado com a situação dos meninos, dava-lhes sempre um pacotinho de café, para lhe pagarem quando fosse possível.
Quando o casal ia dormir, pensando que todos já haviam se recolhido, as crianças, em silêncio, iam para a cozinha e faziam café. Comiam pão com café à vontade, nas caladas da noite. Nesse tempo, não havia televisão e as pessoas tinham o hábito de dormir cedo.
Às vezes, o professor e a esposa iam ao cinema à noite, e deixavam as crianças em casa, já deitadas. Elas fingiam que já estavam dormindo. Pouco depois, sob as ordens dos dois irmãos, as meninas se levantavam e todos pulavam a janela que dava para a rua. Era a liberdade total. Brincavam, corriam, jogavam bola, falavam alto, eufóricos por se sentirem livres dos olhos da madrasta.
Os vizinhos, entre eles uma família de turcos, ficavam chateados e ralhavam com os órfãos de mãe, pedindo silêncio. O mais velho, Luiz, muito inteligente, aprendeu a xingá-los com uma expressão turca, que aprendera com um amigo de seu pai. Ele e os irmãos gritavam na calçada dos vizinhos, a expressão aportuguesada, e em coro :
“RALADINA XARAMUTA”. Segundo Luiz, a expressão significava “filho de uma puta”.
Quando se aproximava a hora do término da sessão do cinema, a voz de comando de Luiz, o mais velho, mandava que os irmãos entrassem em casa pela mesma janela por onde haviam saído. O último a pular era ele, que tinha o cuidado de deixá-la bem fechada. Corriam todos para os dois quartos onde dormiam, deitavam-se rapidamente e permaneciam em silêncio. . Já em suas camas, cobertos com seus lençóis, os irmãos fingiam dormir profundamente.
O pai e a madrasta chegavam do cinema, encontravam a casa em silêncio e todos dormindo. No dia seguinte, alguma vizinha fofoqueira ia enredar das crianças, pelo barulho que haviam feito na rua, na noite anterior. O casal ouvia calado, sem acreditar em nada. Afinal, a madrasta havia levado a chave da casa, e as crianças haviam ficado dormindo. Quando voltaram do cinema, elas continuavam dormindo profundamente. Não havia nenhum vestígio de que tivessem saído de suas camas.
Tatá, a antiga ama das crianças, dormia muito cedo e sempre testemunhava a favor delas. Entretanto, a boa serviçal, uma vez por outra, também era vítima das suas traquinagens.
A boa Tatá gostava de fumar cachimbo no seu quarto, antes de dormir. Quando menos esperava, o cachimbo aparecia entupido e não acendia. O cachimbo era a sua única distração, e Tatá ficava irada quando isso acontecia.
Certa vez, Tatá foi fumar seu cachimbo antes de dormir, e ele não havia jeito de acender. Depois de algum tempo, a mulher notou que o cachimbo estava entupido de cocada, feita por ela mesma e que as crianças adoravam. Contrariada, dirigiu-se a todas elas, querendo saber quem lhe fizera a maldade de entupir seu cachimbo. Todas ficaram caladas. Ninguém descobriu o pivô da danação. Mais tarde, ela ouviu as risadas das crianças e a voz do mais velho dizendo:
: “ARARUTA, ARARUTA…QUEM ENTUPIU O CACHIMBO DE TATÁ É UM FILHO DE UMA PUTA”.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

AUGUSTO DOS ANJOS...

O POETA DO HEDIONDO – Augusto dos Anjos
Sofro aceleradíssimas pancadas
No coração. Ataca-me a existência
A mortificadora coalescência
Das desgraças humanas congregadas!
Em aluncinatórias cavalgadas,
Eu sinto, então, sondando-me a consciência,
A ultra-inquisitorial clarividência
De todas as neuronas acordadas !
Quanto me dói no cérebro esta sonda!
Ah! Certamente, eu sou a mais hedionda
Generalização do Desconforto…
Eu sou aquele que ficou sozinho
Cantando sobre os ossos do caminho
A poesia de tudo quanto é morto!