quinta-feira, 7 de agosto de 2014

CHICO BUARQUE CANTA: O SAMBA DO IRAJÁ DE NEY LOPES...



Samba do Irajá

Nei Lopes

Tenho impressa no meu rosto
e no peito, no lado oposto ao direito, uma saudade
(que saudade)
sensação de na verdade
não ter sido nem metade
daquilo que você sonhou
(que sonhou)
são caminhos, são esquemas
descaminhos e problemas
é o rochedo contra o mar
é isso aí, ê Irajá
meu samba é a única coisa que eu posso te dar
é isso aí, ê Irajá
meu samba é a única coisa que eu posso te dar
saudade
veio à sombra da mangueira
sentou na espreguiçadeira
e pegou no violão
cantou a moda do caranguejo
me estendeu a mão prum beijo
e me deu opinião
(opinião, opinião)
depois tomou um gole de abrideira
foi sumindo na poeira
para nunca mais voltar
é isso aí, ê Irajá
meu samba é a única coisa que eu posso te dar

A CRÔNICA DE BRENINHO...POR DRA. YVELISE CASTRO





Parabéns vovô Bernardo!
E um tenro brotinho brota para a vida...
Minha homenagem de tia-avó para o primeiro neto da minha irmã Yrani Araújo. 5/8/2014.
Em plena fase de mudança do ano de 2013 para 2014 , num jantar familiar na casa da minha irmã Yrani , estávamos todos comemorando a boa nova anunciada por Adriana - uma de suas filhas. Um bebê estava a caminho. E ele chegou saudável para a felicidade de todos nós.
Ofereço para o bebê Breno Filho esta música de Vivaldi. As Quatro Estações. Para comemorar os seus primeiros passos – por enquanto primeiras mamadas – na estrada de uma longa e profícua vida. Breno encontra um ninho feliz e a certeza de muita corujice. É o primeiro neto das duas famílias e o primeiro sobrinho também.
A chegada de mais um integrante na família humana me fez refletir sobre as estações e a nossa vida . Concluo que todas elas ocorrem na nossa trajetória não necessariamente na sequência que ocorrem na natureza. E que todas são necessárias. Não se cresce sem mudanças. Não se aprende a voar se sempre se tem um céu azul de brigadeiro. Não se aprende a navegar se sempre se tem um mar de almirante.
E concluo também que não se pode correlacionar as estações climáticas com estados da alma. Claro que a primavera e o verão são naturalmente alegres e coloridos. A primavera além de colorida é perfumada. Mas não existe determinismo de que o outono e o inverno são tristes e incolores. Não mesmo . Eles têm a cor verde da esperança e a energia dos desafios. No outono há a mudança das folhas para que surjam as novas e a natureza renasça. No inverno as águas são mandadas pelos céus para mitigar a sede de todos dos seres de todas as espécies sobre a Terra.
Também não correlaciono as estações com as fases da vida . A maturidade não é outono. A velhice não é inverno. Juventude não é verão. O começo da vida não é primavera.
A primavera é o colorido dos bons sentimentos e valores . Neste caso a vida de Breno Filho terá sempre uma eterna primavera, garantida pelo lar que Deus lhe proporcionou. Terá sempre o calor de um verão de muito carinho. E que ele ao enfrentar os céus de inverno e outono, saiba que tudo é transitório e que sempre dias melhores virão para os que estão sob as bênçãos de Deus.
Parabéns para Breno e Adriana e para toda a família.
Seja bem- vindo, Breno Filho!

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

VERSOS DE MINHA MÃE: A PROFESORA LIA PIMENTEL



PARA BRENINHO

(Relembrando a poesia da saudosa bisavó 
Lia Pimentel)

FELIZ O LAR SORRIDENTE
QUE SE VÊ ILUMINADO
POR UM SORRISO INOCENTE
DE UM BEBEZINHO ENGRAÇADO...




UMA PARÁBOLA DO ESTADO DE POESIA...



COMO OS PARDAIS, O AMOR NÃO PODE SER ENCARCERADO

Certa manhã, uma gaiola acordou e percebeu que, por distração, deixara a porta aberta e o pintassilgo que vivia nela tinha desaparecido. A gaiola sentiu um vazio enorme em suas entranhas, e a solidão a entristeceu. Sentia saudade do canto do passarinho. Atraído pelo cheiro das sementes, apareceu um pardal, entrou na gaiola e, quando a porta se fechou, ele percebeu que estava preso e começou a piar desesperadamente. A gaiola abriu a porta para deixá-lo sair, pois se lembrou de que os pardais morrem de tristeza ao se verem engaiolados. O pardal, agradecido, fez um acordo com a gaiola: viria todos os dias, para lhe fazer companhia, e se refugiaria nela nos dias de chuva. A gaiola nunca mais ficou sozinha e descobriu que o amor consiste em respeitar a liberdade da pessoa amada.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

A CHEGADA DO PRIMEIRO NETO: BRENINHO...BRENO AUGUSTO MIRANDA BEZERRA FILHO....POR BERNARDO CELESTINO PMENTEL.




               Enfim chegou Breninho:Breno Augusto Miranda Filho...uma emoção indescritível...
             ASSISTIMOS A CESÁREA, EU E O MEU FILHO MÉDICO, BRUNO MARCELO...A MESMA FOI REALIZADA POR DRA, ANA CRISTINA E DRA, ALMERINDA, ANESTESIA FEITA POR DR. ADELMARO CAVALCANTE...DEIXO OS MEUS SINCEROS AGRADECIMENTOS...A CIRURGIA FOI NA PROMATER...
               HÁ QUINZE DIAS SUBMETI-ME A UMA CARDIO VERSÃO ELÉTRICA, HOJE, COM A CHEGADA DO NETO, PASSEI POR UMA LAVAGEM CEREBRAL NA AlMA E NO EU PROFUNDO...
               O recém nascido igualzinho ao pai, na hora que deixou o útero...revivi aqueles instantes , quando era estudante de medicina e fui pai...grandes lembranças...rebobinei o filme de dentro de mim...
               Mais uma vez contei com a força da mão de DEUS...parto tranquilo...criança eugênica...graças ao meu Deus, onde guardamos a nossa alegria e reencontramos a nossa paz....
               O Bom da velhice é a possibilidade de ter netos...
               Dix-uit-Rosado tinha razão:os netos tem gosto de açúcar...abaixo  coloco uma canção do psiquiatra Aldir Blanc, que fala dos mistérios de ser avô...da continuidade da vida...do mesmo rio que nossos bisavós pisaram e ainda hoje estamos atravessando...é a vida por dentro...íntima...subjetiva...única, que cada um tem...se delicie com esta página musical, que eu lhes ofereço, em homenagem ao meu neto: Breninho

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

A POESIA DE VIOLANTE PIMENTEL, EM HOMENAGEM A NOSSA MÃE :LIA PIMENTEL.





MINHA LUA ...MINHA LIA

Lua Lia, clarão divino,
Meu porto seguro...
Iluminou a minha vida,
Sarou as minhas feridas...
Já não está perto de mim
Eu a vejo agora no céu,
Nessa noite de agosto e ventania...
Lua, minha lua, minha Lia,
Que saudade, que angústia, que agonia,
Vê-la partir, na noite escura daquele triste 
dia,
Não mais vê-la sorrir...
Ver calar a sua voz, parar de respirar...
Parar de existir...
A noite é pesadelo,
É só melancolia
É angústia, é sofrimento,
Tristeza, lágrimas, escuridão...
Chora a alma em pedaços ...
Como quem vai enterrar seu coração.
Nunca mais minha lua, minha Lia...
Nunca mais seu sorriso, nunca mais...
Sua imagem está cravada para sempre
No meu coração dilacerado


Que chorará sua ausência eternamente,
Com o peito transbordando de saudade...
Lua, minha lua, minha Lia
Mãe, amiga, que foi minha ventura..
Meu porto seguro, meus pontos cardeais.
Repousa agora ao lado de Deus
A sua fronte fria...
A estrela mais bela, a estrela-guia...
Na amplidão da noite de agonia...
Seu brilho se confunde na saudade
Na noite de agosto e ventania...
O luar de agosto aparece
E uma luz diferente se anuncia
E essa luz para mim é a minha lua,
E essa lua, para mim, é minha Lia...



(Escrito em 29.08.1999 - 4 meses e 10 

dias 

da partida de minha mãe, Lia Pimentel Bezerra,)

 Foi a paraninfa da turma e me entregou o diploma do preliminar...
MINHA MÃE ME ESCUTANDO TOCAR VIOLÃO...QUE ELA ME ENSINOU...
 TODA A FAMÍLIA...


MINHA MÃE COM O SEU PAI : O 

PROFESSOR CELESTINO PIMENTEL E 

SUA IRMÃ CARMEM  CELESTE PIMENTEL.
      
       
          O GATO DE CARMEM É KORUGA...   






A VERVE DE CARLOS DRUMOND...



CASA ARRUMADA
Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas…
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: Aqui tem vida…
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,
passaporte e vela de aniversário, tudo junto…
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos…
Netos, pros vizinhos…
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia. Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.
Arrume a sua casa todos os dias…
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela…
E reconhecer nela o seu lugar.
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)