sábado, 3 de novembro de 2012

LITERATURA DE CORDEL...


Alfredo Paz e Zé Louro
É O NOVO!
Eu sou do tempo que a gente
Torrava café no caco
Fazia com rapadura
Que ficasse forte ou fraco
E vesti roupa tingida
Feita de pano de saco
Eu sou do tempo que o homem
Que morava no sertão
Vendia algodão na folha
Pra entregar no verão
E onde morava tinha
Três dias de sujeição
Sou do tempo do tostão
Da pataca e do vintém
Do cruzeiro e do cruzado
Do conto de réis também
Tempo que pobre comia
Feijão branco com xerém
Morei em casa de taipa
Sem assento, sem cortina
Bem distante da cidade
No claro da lamparina
Meu assento era um pilão
Meu prato era uma tirrina
Me criei sem disciplina
Sem lições e sem tarimba
Matuto chupando o dedo
Botando água em marimba
Tomando banho de cuia
Na beirada da cacimba
Sou do tempo que não era
Do jeito que agora é
Quem morava no sertão
Em Deus tinha tanta fé
Que pensava que chovia
Se roubasse um São José
No meu tempo de menino
Eu comprei erva de rato
Xarope pra macacoa
Bebi com “pílula do mato”
No tempo que se bebia
Azeite de carrapato
Atirei de baladeira
Armei fojo, armei quixó
Peguei preá, punaré
Cancão, nambu e mocó
E peguei piaba em litro
Muito mais do que socó
Montado em lombo de jegue
Com a frente para trás
Aprontando peripécias
Que muito menino faz
Que a gente só deixa quando
Vai se tornando rapaz
Puxei roda, imprensei massa
Nas famosas farinhadas
Que começavam cedinho
Ainda na madrugada
Cabra no cabo do rodo
Com a roupa toda suada
Calcei cavalo-de-aço
Sapato do bico chato
Calça da boca de sino
O cabra ficava um gato
Conquistava qualquer moça
Fosse da rua ou do mato
Eu sou do tempo do bumba
Da rabeca e concertina
Do bota pó, tira pó
Da titia vitalina
Do tempo que se usava
No cabelo a brilhantina
Eu sou do tempo em que filhos
Aos pais pediam a benção
Com disciplina e respeito
Até lhes beijavam a mão
E o terço em família era
Rezado por devoção
Sou do tempo da meizinha
Feita por mamãe querida
Do leite do gergelim
Mastruz na água fervida
Que afastava para longe
Doença na nossa vida
 
Eu sou do tempo que não
Havia cesariana
Mulher morria de parto
No sertão toda semana
E  se assava toicinho
Pra tira-gosto de cana
Eu sou do tempo da valsa
Da mazurca e do xaxado
Das histórias de trancoso
E do dinheiro enterrado
Que sertanejo arrancava
Em lugar mal-assombrado
Houve um tempo que eu queria
Aprender jogar sueca
Meu irmão tinha um ioiô
Minha irmã tinha boneca
E eu, além de magro e feio
Calça pegando marreca
Alpargata de cabresto
A calça de suspensório
A novena era rezada
Na frente do oratório
No tempo que se falava
Das almas do purgatório
A brincadeira do grilo
De cobra-cega e anel
Roupa engomada no grude
De mescla Santa Isabel
Do tempo do aluá
Chouriço e sarapatel
Era muito bom a gente
À noite brincar na ola
Usando um par de quinaipo
De pneu, tachinha e sola
E comprar pra namorada
Tijonho e mariola
Eu me lembro que cachimbo
Mamãe chamava pitó
Muita gente tinha medo
De alma e de catimbó
E menino, todo dia
Apanhava de cipó
Eu vesti roupa de cáqui
Usei perfume tabu
Calcei sapato polar
Sandálias de couro cru
Alpargata de pneu
E joguei rifa no lu
Armei mundé, peguei peba
Atirei de lazarina
Peguei cancão de arapuca
Botei gás em lamparina
E joguei bola de meia
No tempo da vaselina
Quem é que não tem saudade
Do tempo da bulandeira?
Do “Xote da Carolina”
Do cordel cantado em feira
Do velho engenho de pau
Da canção “Mulher Rendeira”
Eu me criei no sertão
Com batata e jerimum
Manga verde, melancia
Rapadura e canapum
Hoje estou bom e bonito
Sem ter problema nenhum
Papai, com roupa de cáqui
Mamãe, com saia godê
Meu cigarro era “Princesa”
“Globo”, “Eldorado” e “BB”
No tempo de “seu menino”
“Seu fulano” e “vosmicê”

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

FILOSOFANDO SOBRE A MORTE...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL.

         TENHO MEDO DE ALMA?...TINHA...

TINHA PAVOR AS ALMAS...

GLORINHA DE EDVARD, o dono da casa funerária de Nova Cruz, dizia que sabia quando alguém ia morrer...

dizia ela, a minha mãe, que  no salão de venda dos caixões, um deles dava um estalo de acordar sono pesado...

me criei escutando este lero...

          hoje,moro numa casa, cuja dona se enforcou, no meu atual armador...

era uma japonesa...

já fiz tudo pra me encontrar com ela, e nada...

A CHAVE DO MEU GUARDA ROUPA É UMA JAPONESINHA, deixada pela defunta...

um chaveiro japonês...

          POIS BEM...HOJE EU NÃO TENHO MEDO DE ALMAS...

para baldear a história, o que tem pra contradizer, é o depoimento de CARIER...

               CARIER é uma prima minha , americana, que veio visitar tia Cármem...

não conhecia ninguém, não tinha amizade com ninguém...

          CERTA  vez, estava em casa com Tia Cármem, e saiu do quarto de olhos arregalados, e num grito de medo e pavor ,falou para Tia Cármem:NESTA CASA TEM ALMO...

          MINHA sogra, nos seus últimos anos,desorientada, noventa anos, de repente, olhava para um ponto fixo do seu quarto e gritava:QUER FAZER GRAÇA ? O QUE É QUE VOCÊ QUER PENDURADA AÍ NESTA CORDA ? QUEM ESCUTAVA SE ARREPIAVA...
          
MAS ,BRINCADEIRA Á FORA, NÃO CULTUO A MORTE...
NÃO COMPACTUO COM NENHUM SIMBOLISMO DA MORTE...FUJO DO SEU CERIMONIAL...

NADA DE VISITA A TÚMULOS...
NADA DE FLORES PARA QUEM VOCÊ , AS VEZES, NÃO DOOU NEM EM VIDA...

FUJO DE ENTERROS, VELÓRIOS, FARSAS...
NÃO PRECISAM IR PRO MEU ENTERRO...

REPITO, TODOS ESTÃO DISPENSADOS DE IR AO MEU ENTERRO...

NO PLANO FILOSÓFICO,REFLEXIVO, EXISTENCIAL, SOU FÃ DA MORTE...

A MORTE É O FATOR NIVELADOR...

É A ÚNICA COISA NA VIDA QUE NIVELA OS HOMENS....NADA DEIXA OS HOMENS TÃO IGUAIS E TÃO SIMPLES COMO A MORTE...

NA RELAÇÃO COM O CÉU, A MORTE É O SEGUNDO PARTO...

DE REPENTE, A AMPULHETA DO TEMPO DISPARA, E VOCÊ É JOGADO PARA UMA OUTRA VIDA...UMA VIDA TÃO REAL, COMO AQUELA QUE SURGIU APÓS A CONTRAÇÃO DO ÚTERO DE SUA MÃE...

ALGUNS CONTRAPÕE:NINGUÉM NUNCA VEIO DIZER COMO É A OUTRA VIDA....

EU PERGUNTO,VOCÊ JÁ VOLTOU PRA DIZER A QUEM ESTÁ PRESTES A NASCER, QUE REALMENTE DEPOIS DO PARTO TEM OUTRA VIDA? É ESTA A ANÁLISE...

TUDO ISTO QUE FALEI, FOI UM TERMO ASSINADO E AVALIADO EM VIDA, POR UM HOMEM QUE NUNCA FALHOU: JESUS CRISTO...

UMA AULA SOBRE ANJOS...


> Complete seu dicionário ....
> Você notou que muitos nomes de anjo ...
> Gabriel,
> Rafael,
> Miguel
> e outros anjos...
> Todos terminam com '-el'.
>
> Com base nos escritos de estudiosos sérios,
> teólogos e rabinos, alguns desses nomes foram decifrados:
>
> - GABRIEL:"AQUELE QUE DEUS ENVIOU";
>
> - MIGUEL: "IGUAL A DEUS"
>
> - RAFAEL: "ANJO MENSAGEIRO" e assim vai...
>
> Sendo assim, veja no texto abaixo as novas descobertas
> relativas aos estudos desses seres protetores.
>
> NOVOS ANJOS:
>
> Aluguel - anjo mau. Não deixa a pessoa conseguir sua casa
> própria;
>
> Embratel - anjo protetor do monopólio das comunicações;
>
> Chanel- anjo protetor dos costureiros, estilistas e
> outros boiolas ;
>
> Papai Noel- anjo protetor do comércio. Só aparece no
> fim do ano para acabar com seu 13º. anda sempre acompanhado pelo anjo Jingobel;
>
> Tonel- anjo protetor dos alcoólatras anônimos e
> bêbados em geral;
>
> Pastel - anjo protetor das colônias japonesas e chinesas;
>
> Gel - anjo que protege as pessoas com cabelos rebeldes;
>
> Manoel - anjo protetor das piadas preconceituosas;
>
> Papel - anjo protetor daqueles com intestinos soltos;
>
> Anatel - anjo criado em Brasília, que não serve para coisa nenhuma.
>
> Motel- Esse... é pra foder mesmo !!!
 

O VALE TUDO NO PALANQUE...


PICUINHAS E BAIXARIAS NAS ELEIÇÕES

O Brasil acaba de passar por mais um período eleitoral, onde baixaria e picuinhas foram desfiadas pelos adversários ávidos de poder, porque quando o osso é bom o cachorro não solta nem pelo caralho.
Nos idos anos 40, já era permitido o voto feminino, mas não era obrigatório. Por conta desse eleitorado, muitos candidatos galanteadores faziam de tudo para atrair o voto das donzelas.
 
Em 1945, o brigadeiro Eduardo Gomes era candidato a presidente pela UDN e era considerado o franco favorito para vencer a eleição. Para obter a preferência feminina lançou a seguinte frase em sua campanha:
“Vote no brigadeiro. É bonito. É solteiro.”
Não deu certo. O exigente eleitorado feminino escolheu o feio e casado Eurico Gaspar Dutra. O bonitão ficou com 35% dos votos.
 
Nos anos 60 outro fato curioso e engraçado onde estavam envolvidos os candidatos a presidente Jânio Quadros e Adhemar de Barros.
Adhemar sempre marcava seus comícios numa cidade antes de Jânio Quadros. Certa feita, os dois candidatos se encontraram em  Mogi-Guaçú. Sabendo disso, Jânio agendou o seu comício para o dia seguinte.
O candidato Adhemar de Barros sabendo da presença de janistas, para o delírio dos eleitores e cabos eleitorais, de cima do palanque disse em tom de chacota:
 “- Entre as várias obras que fiz em São Paulo está o Pinel, hospital de loucos. Infelizmente, não foi possível internar todos. Um desses loucos havia escapado e fará comício nesta mesma praça amanhã”.
No dia seguinte todos já esperavam a resposta de Jânio Quadros. Depois de um longo discurso, falou devolvendo a indireta na mesma moeda:
“- Quando fui governador de São Paulo, construí várias penitenciárias, mas não foi possível trancafiar todos os ladrões. Um escapou e fez um comício aqui mesmo nesta praça ontem”.
 
Juscelino Kubitschek também soltava nos comícios frases ferinas e piadas contra os adversários, bem ao estilo do Lula. JK era também um exímio galanteador e bom dançarino.  Do jeito que aconteceu com o Serra, certa feita uma eleitora se atracou com ele e lhe tascou um beijo. Ele todo desajeitado, se dirigiu aos correligionários e falou para não ser ouvido: “Se me virem dançando com uma mulher feia é porque a campanha já começou.”

UMA MULHER QUE MEXE COM O JUÍZO DO HOMEM QUE VAI TRABALHAR...





Luana Piovani posa sem calcinha para revista
Aos 36 anos, Luana Piovani está em ótima forma. A atriz, que atualmente está no ar no remake de “Guerra dos Sexos”, posou sem calcinha para a capa da revista “GQ”. Em entrevista à publicação, Luana afirmou que nunca posou nua, nem nos tempos em que era modelo.  “Se alguém já viu lá?… Não, não”, garantiu a atriz. “Só viu quem foi sorteado por mim mesma e ganhou o grande prêmio”, completou.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O CENTENÁRIO DE CARLOS DRUMOND DE ANDRADE...



CENTENÁRIO

No centenário do nascimento de Carlos Drummond de Andrade (Itabira, 31 de outubro de 1902 – Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987), duas homenagens  ao festejado poeta mineiro.
A primeira é uma ilustração de   Roque Sponholz, grande chargista brasileiro, para o poema “Quadrilha“, uma das mais badaladas criações drummondianas.
A segunda homenagem é Paulo Diniz cantando “José“, um poema de Drummond que o querido artista pernambucano musicou e gravou. 
* * *
QUADRILHA
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos, Teresa para o 
convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto
Fernandes
que não tinha entrado na história.
 
* * *

JOSÉ
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem carinho,
está sem discurso,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, – e agora?
Com a chave na mão 
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse….
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
* * *

INTUIÇÃO DO MINEIRO...


     
 
 

Uma  mulher foi às  compras em um  supermercado próximo a sua casa onde pegou: 


- 2 caixas de  leite integral,

- 1 dúzia de  ovos,

- 1 litro de suco  de laranja,

- 1 alface  americana,

- 1 kg. de café,  e

- 1 pacote de  bacon fatiado.



Enquanto ela  passava as compras do carrinho para a esteira do caixa, um mineirinho bêbado,  seguinte na fila, a  observava.



Enquanto o caixa  registrava as suas compras, o bêbado calmamente  disse:



- Ocê deve sê  sortera!



A mulher ficou um  pouco espantada com a declaração, e intrigada com a intuição do bêbado, já  que, de fato, era  solteira.



Ela olhou os seis  itens sobre a esteira e nada viu de particular em sua seleção que pudesse  sugerir ao bêbado seu estado  civil.



Com a curiosidade  aguçada, ela disse:



- O senhor está  absolutamente correto. Mas como conseguiu descobrir  isso?



E o bêbado  respondeu:



- É que ocê é feia  pra  caráio!