segunda-feira, 5 de março de 2012
Vinicius de Moraes...
Amiga, infinitamente amiga
Em algum lugar teu coração bate por mim
Em algum lugar teus olhos se fecham à idéia dos meus.
Em algum lugar tuas mãos se crispam, teus seios
Se enchem de leite, tu desfaleces e caminhas
Como que cega ao meu encontro…
Amiga, última doçura
A tranqüilidade suavizou a minha pele
E os meus cabelos. Só meu ventre
Te espera, cheio de raízes e de sombras.
Vem, amiga
Minha nudez é absoluta
Meus olhos são espelhos para o teu desejo
E meu peito é tábua de suplícios
Vem. Meus músculos estão doces para os teus dentes
E áspera é minha barba. Vem mergulhar em mim
Como no mar, vem nadar em mim como no mar
Vem te afogar em mim, amiga minha
Em mim como no mar…
domingo, 4 de março de 2012
SEU ALFREDO ESTÁ VIVO...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL.
EU, BRENO E ADRIANA...Samba do perdão
Elis Regina
Mais uma vez, amor
A dor chegou sem me dizer
Agora que existe a paixão
A hora não é de sofrer
Mas quem quer pedir perdão
Não deixa a tristeza saber
E no entanto a tua falta
Invasa meu coração
Mas a vida ensina a crer e a perdoar
Quando o amor valer e o nosso
É tão grande que eu já nem sei
Tenha pena das penas que eu penei
Não desprezes mais
O meu padecer
Afasta a melancolia, a solidão
Já não cabe mais no meu violão
Tanta mágoa assim
Que eu vou morrer
Soluço eterno, pedir no coração
Só quem morre de amor, pede perdão
Texto: Fernando Pessoa
Eu quero quer sempre aquilo com quem eu simpatizo,
e eu torno-me sempre, mais cedo ou mais tarde aquilo com quem eusimpatizo.
E eu simpatizo com tudo.
São-me simpáticos os homens superiores porque são superiores,
e são-me simáticos os homens inferiores porque são superiorestanto,
porque ser inferior é diferente de ser superior,
e isso é uma superioridade a certos momentos de visão.
Eu simpatizo com alguns homens pelas suas qualidades de caráter
com outros eu simpatizo pela falta dessas mesmas qualidades
e com outros ainda eu simpatizo por simpatizar com eles
porque eu sou rei, absoluto na minha simpatia
basta que ela exista para que eu tenha razão de ser!
Volta Por Cima
Paulo Vanzolini
Chorei, não procurei esconder
Todos viram, fingiram
Pena de mim, não precisava
Ali onde eu chorei
Qualquer um chorava
Dar a volta por cima que eu dei
Quero ver quem dava
Um homem de moral não fica no chão
Nem quer que mulher
Venha lhe dar a mão
Reconhece a queda e não desanima
Levanta, sacode a poeira
E dá a volta por cima
A POESIA DE BANDEIRA...
Aquele pequenino anel que tu me deste,
– Ai de mim – era vidro e logo se quebrou…
Assim também o eterno amor que prometeste,
- Eterno! era bem pouco e cedo se acabou.
Frágil penhor que foi do amor que me tiveste,
Símbolo da afeição que o tempo aniquilou, –
Aquele pequenino anel que tu me deste,
– Ai de mim – era vidro e logo se quebrou…
Não me turbou, porém, o despeito que investe
Gritando maldições contra aquilo que amou.
De ti conservo no peito a saudade celeste…
Como também guardei o pó que me ficou
Daquele pequenino anel que tu me deste…
POEMA...

Ismália - Alphonsus de Guimaraens
Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar…
Viu uma lua no céu
Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar…
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar…
E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar…
Estava perto do céu,
Estava longe do mar…
E como um anjo pendeu
As asas para voar…
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar…
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par…
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar…
Afonso Henriques da Costa Guimaraens ou Alphonsus de Guimaraens, nasceu em Ouro Preto, Minas Gerais, no dia 24 de julho de 1870 e faleceu em Mariana, Minas Gerais, no dia 15 de julho de 1921. Foi um dos maiores poetas simbolistas brasileiros. Era conhecido como "o solitário de Mariana". Colaborou com alguns jornais e se tornou Juiz Municipal de Mariana. Místico, católico, Alphonsus escreveu verdadeiras obras-primas na poesia brasileira.
sábado, 3 de março de 2012
PERGUNTAS DO EU PROFUNDO...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL.
DE QUANTAS LUAS um poeta precisa para amainar a sua dor ?
De quantas pontes o amor precisa para encontrar o seu destino ?
Com quantos beijos se contenta uma sede de amor ?
com quantas esperanças se constrói um sonho ?
de quantos arrependimentos é feito uma constatação ?
qual é o lado do amor, e qual o lado da razão ?
Com quantos paus se desconstrói um ninho ?
com quantas jangadas se chega a uma tristeza ?
com quantas pegadas se descobre o seu rastro ?
com quantos prazeres um coração não enfarta ?
a que horas o coração se encontra com a razão ?
quantos outonos virão para nascer a fruta doce á alma ?
quantos Invernos precisam para se sentir saudades ?
quais as rosas que você me trará na primavera ?
quantas primaveras eu preciso para ser feliz ?
que cor é a rosa do seu sonho ?
como plantastes um jardim na minha alma ?
quando um verão se transformará numa estação de amor ?
Beba Nelson Cavaquinho...
Beija-Flor
Nelson Cavaquinho.
Vai beija-flor
Deixa a roseira
Faz me lembrar
O meu amor
Hoje sou triste
Sinto saudade
Volta para mim
Felicidade
Pobre de quem
Desiste da vida
Não quero ser
Um suicida
A dor me abraça
Ah, tão cruel
Minha esperança é Deus no céu
PARATODOS: CHICO BUARQUE
O meu pai era paulista
Meu avô, pernambucano
O meu bisavô, mineiro
Meu tataravô, baiano
Meu maestro soberano
Foi Antonio Brasileiro
Foi Antonio Brasileiro
Quem soprou esta toada
Que cobri de redondilhas
Pra seguir minha jornada
E com a vista enevoada
Ver o inferno e maravilhas
Nessas tortuosas trilhas
A viola me redime
Creia, ilustre cavalheiro
Contra fel, moléstia, crime
Use Dorival Caymmi
Vá de Jackson do Pandeiro
Vi cidades, vi dinheiro
Bandoleiros, vi hospícios
Moças feito passarinho
Avoando de edifícios
Fume Ari, cheire Vinícius
Beba Nelson Cavaquinho
Para um coração mesquinho
Contra a solidão agreste
Luiz Gonzaga é tiro certo
Pixinguinha é inconteste
Tome Noel, Cartola, Orestes
Caetano e João Gilberto
Viva Erasmo, Ben, Roberto
Gil e Hermeto, palmas para
Todos os instrumentistas
Salve Edu, Bituca, Nara
Gal, Bethania, Rita, Clara
Evoé, jovens à vista
O meu pai era paulista
Meu avô, pernambucano
O meu bisavô, mineiro
Meu tataravô, baiano
Vou na estrada há muitos anos
Sou um artista brasileiro
sexta-feira, 2 de março de 2012
SOBRE OS RIOS DA MINHA ALDEIA...E OS QUE CORREM NO MEU SANGUE...POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL.
JA CAMINHEI 56 ANOS NA VIDA, MAS NAO CONSEGUI SAIR DA MINHA RUA...
MUITO CEDO A POESIA ME ENFEITIÇOU A ALMA... CRESCI COMO UM TEXTO BARROCO: DE UM LADO DESPACHAVA NO BALCÃO DO COMERCIO DO MEU PAI, E NO OUTRO MINHA MÃE ME FALAVA DO QUE SÓ SE APRENDE COM O CORAÇÃO... CONVIVI COM ANTÍTESES... MAS FOI MUITO BOM... E FOI TUDO...SOU UMBILICALMENTE LIGADO AO CÉU, A MUSICA, A NATUREZA, A TOLERÂNCIA E A CARIDADE... QUANDO COMECEI A FAZER MEDICINA, NA HORA DAS DESPEDIDAS DAS VIAGENS A CASA PATERNA, AINDA ESCUTO O GRITO DE MAMÃE: MEU FILHO DEUS TE ABENÇOE E LEMBRE SE : PRIMEIRO OS POBRES...