sábado, 2 de julho de 2011

PARA PENSAR...


frases de guimarães rosa
Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando."

Guimarães Rosa

Eu não sentia nada. Só uma transformação pesável.
Muita coisa importante falta nome.

Guimarães Rosa

Digo: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia

João Guimarães Rosa

Tem horas antigas que ficaram muito mais perto da gente do que outras, de recente data. O senhor mesmo sabe.

Guimarães Rosa

"De sofrer e de amar, a gente não se desfaz."

Guimarães Rosa

"Deus come escondido, e o Diabo sai por toda a parte lambendo o prato."

Guimarães Rosa

Porque eu só preciso de pés livres, de mãos dadas, e de olhos bem abertos.

Guimarães Rosa

As pessoas não morrem, ficam encantadas!

Guimarães Rosa

Quem muito se evita, se convive

Guimarães Rosa

Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura.

Guimarães Rosa

Ah, acho que não queria mesmo nada, de tanto que eu queria só tudo. Uma coisa, a coisa, esta coisa: eu somente queria era - ficar sendo!

Guimarães Rosa

"Viver é um rasgar-se e remendar-se."

Guimarães Rosa

"Eu quase não sei de nada, mas desconfio de muita coisa"

Guimarães Rosa

As coisas mudam no devagar depressa dos tempos




A menina de lá

João Guimarães Rosa

Cada um rema sozinho uma canoa que navega um rio diferente, mesmo parecendo que esta pertinho.

Guimarães Rosa

Viver é um descuido prosseguido.

Guimarães Rosa

"No mais, mesmo, da mesmice, sempre vem a novidade."

Guimarães Rosa

O medo é a extrema ignorância em momento muito agudo.

João Guimarães Rosa

“O senhor… mire, veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam, verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso que me alegra montão.“

João Guimarães Rosa

sexta-feira, 1 de julho de 2011

MARACUTAIAS....




ÀS COMPRAS


Eliane Cantanhêde

À perplexidade inicial com o anúncio de que o BNDES está despejando quase R$ 4 bi para o Pão de Açúcar comprar o Carrefour seguiu-se a expectativa de que logo haveria explicações. Em vão.

Quais os argumentos do Planalto, do BNDES e do empresário mui amigo Abílio Diniz para uma operação tão bilionária quanto estranha? Dizer que é para pôr produtos brasileiros em gôndolas internacionais é muito pouco. E nada mais foi explicado, muito menos justificado.

É legítimo que quem paga a conta - nós, contribuintes e consumidores, e eles, que trabalham nos dois supermercados - estejamos com a pulga atrás da orelha.

Começa com a definição do BNDES, banco de “desenvolvimento econômico e social” que deve investir na produção, na infraestrutura, na geração de empregos. Mas na fusão de supermercados?

Segue com os riscos de monopólio, o novo gigante dominando 32% do varejo supermercadista. Riscos para: fornecedores, que perdem margem de barganha; empregados, ameaçados de demissão; e consumidores, à mercê dos interesses e preços de um mercado praticamente sem competição.

Alguém aí acha que um proprietário vai manter dois supermercados um ao lado do outro? Que vai somar todos os atuais empregados? E que vai nivelar por baixo o preço de legumes, frutas, arroz, feijão, enlatados, produtos de higiene e limpeza e eletrodomésticos?

Sem falar nas questões jurídicas, pois a rede Casino, francesa, já contratou advogado brasileiro pronto para questionar a operação. O Brasil é acusado de não respeitar tratado bilateral com a Itália no caso Battisti e agora usa o BNDES para um negócio mal explicado que, aparentemente, rompe contratos. Bom para a imagem do país não é.

Que o beneficiário Diniz, o banco de fomento e o Planalto, que deu sinal verde para o negócio, venham a público não só explicar, mas também convencer. Se possível.

O PROTESTO DAS ÁRVORES...

O PROTESTO DA ÁRVORE


Edmilson Feitosa

Fui broto, fui galho, dei flores, dei frutos. O tempo passou e hoje sou tronco.

Suporto, não só o peso dos anos, mas também o peso de uma das mais belas obras da natureza: a árvore.

Que venham os pássaros: cantem ao alvorecer, ao anoitecer, à hora que quiserem. Biquem meus frutos, façam seus ninhos, namorem, procriem; não cobro aluguel.

Que venham as abelhas: suguem o néctar de minhas flores, façam seu precioso mel; é de graça.

Que venham as formigas: levem até o último cristal de minhas resinas, que fabrico com tanto sacrifício para cicatrizar minhas feridas; não me importo.

As crianças… Oh! As crianças: armem seus balanços, seus trapézios em meus galhos; cantem, brinquem de roda, joguem bola, pião, bola-de-gude; brinquem de 31 alerta, peias, queimadas ou lacuchia; fico feliz.

Os namorados… saquem seus afiados canivetes, cortem minha casca desenhando feios corações com setas transpassadas e completem a cafonice escrevendo “Eu e Tu”, perpetuando o segredo de uma grande paixão; nada falarei.

Mas, uma coisa eu peço, suplico, ou melhor, protesto; protesto com toda a força das minhas raízes:

VÃO MIJAR NA PUTA QUE PARIU!

GRANDES NOMES DO CORDEL...



Zé Adalberto

Quando aquela saudade impaciente
Me coloca no leito do seu colo
Minhas pernas não sentem mais o solo
Minha alma flutua intensamente
Fecho os olhos, lhe vejo em minha frente
Se despindo pra mim e eu pra ela
Parecendo uma cena de novela
Mas, no fundo, acontece de verdade
Quando sinto os impulsos da saudade
Faço um verso de amor pensando nela.

* * *

José Bernardino de Oliveira

O que diz o cidadão,
nem mesmo um professor sabe,
mesmo este assunto não cabe
na minha compreensão,
não sei se antes de Adão,
esse negócio já vinha,
nem sei se antes já tinha,
ovo, galinha e poleiro,
não sei quem nasceu primeiro,
se ovo, galo ou galinha.

* * *

Arnaldo Cipriano de Souza

Esta viola bonita,
que eu conduzo em minha frente,
do jeito que ela tem boca,
se tivesse língua e dente,
talvez contasse a metade
da dor que meu peito sente.

* * *

Odilon Nunes de Sá

Admiro a mocidade
não querer envelhecer,
velho ninguém quer ficar,
moço ninguém quer morrer,
quem morre moço não vive,
bom e ser velho e viver.

* * *

Olívio José de Oliveira

Sou o maior repentista
que pisa neste terreno,
pode chegar qualquer um,
rico, alvo ou moreno,
quando chega aqui é grande,
mas quando sai é pequeno.

* * *

João Furiba

Pinto velho de Monteiro,
de anos tem quase cem,
viveu sem juntar dinheiro,
não vai deixar um vintém,
que o povo da terra dele
não dá a mão a ninguém.


* * *

Raimundo Caetano

O que Deus faz é perfeito:
No mar pôs mais de um cardume;
No céu colocou estrelas;
Nas rosas botou perfume
E eletrizou a floresta
Nos faróis do vagalume.

* * *

Pinto de Monteiro

Classificar os Batista,
eu posso perfeitamente:
Dimas é só mansidão
e no verso é consciente;
Otacílio é a Toada,
Lourival é o Repente.

* * *

Job Patriota

Tristeza, dor , alegria
É tudo do mesmo tanto
Felicidade completa
Sé existe em quem é santo
Que em cada gole de riso
Há cem mil doses de pranto.

* * *

Josa Gonzaga

Gosto de cantar Repente,
Mas a musa não me ampara.
Acho que já está na hora
De ter vergonha na cara
E não matar de vergonha
Moreira de Acopiara.

* * *

Sebastião Dias

A lua branca se esconde
nasce um sol da cor de ouro
e duas casacas de couro
começam cantar na fronde
uma grita outra responde
como nós na cantoria
só não tem mais poesia
porque não cantam rimando
canta o galo anunciando
o raiar do novo dia.

* * *

Joaquim Venceslau Jaqueira

Eu andei de déo em déo
E desci de gáio em gáio
Jota a-já, queira ou não queira.
Eu não gosto é de trabaio,
Por três coisa eu sou perdido:
Muiê, cavalo e baraio!…

* * *

Inácio da Catingueira

Há dez coisas neste mundo
Que toda gente procura:
É dinheiro e é bondade,
Água fria e formosura,
Cavalo bom e mulhé,
Requeijão com rapadura,
Morá sem sê agregado,
Comê carne com gordura.

LEMBRANDO DIANA...


Nesta sexta-feira, 1º de julho, a princesa Diana faria 50 anos, se não tivesse morrido em um acidente de carro em 1997, em Paris.

* * *

Seria uma cinquentona charmosa, se viva fosse.

Era um pedaço de mulher. Mas, depois do acidente, se transformou em vários pedaços…

QUEM SOUBER SORRIR PRA AQUILO QUE PERDEU, VENCEU,VENCEU VENCEU...



QUEM ACREDITOU NA VIDA
CHICO BUARQUE E PAULO CESAR PINHEIRO

Quem acreditou na vida como eu

Sofreu, sofreu, sofreu

Mas na realidade provou

Que o sonho da felicidade

Pra quem ama ainda não morreu

Quem souber sorrir pra aquilo que perdeu

Venceu, venceu, venceu,

Nem vai saber com certeza

Como é que tanta tristeza

Desapareceu


Nem vai saber com certeza

Como é que tanta tristeza

Desapareceu

OS GRILOS SÃO ASTROS...





Os Grilos São Astros
Rosinha de Valença
Composição: Rosinha Valença


No rumo de uma estrela
Vou pelo mato afora
Na boca da noite
Na beira do mato
Os grilos são astros

Dou boa noite às dormideiras
Cuido para não tocá-las
Tomo rumo indefinido
Vou ao encontro das fadas
No canto do galo eu danço
Pia inhambu, eu calo
Na boca da noite
Na beira do mato
Os grilos são astros

Toco a rosa na roseira
Me cuido com os espinhos
E das folhas da palmeira
Esteira de amor eu faço
Na boca da noite
Na beira do mato
Os grilos são astros

Dou boa noite à lua cheia
Me cuido nos caminhos
Quando passo em águas turvas
Vagalumes me guiam
No canto do galo eu danço
Pia inhambu, eu calo
Na boca da noite
Na beira do mato
Os grilos são astros