sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O QUE AS MÃOS AINDA NÃO TOCAM, O CORAÇÃO UM DIA ALCANÇA...

Força da Imaginação
Beth Carvalho


Força da imaginação, além dos pés e do chão
Chega lá, o que a mão ainda não toca
Coração um dia alcança
Força da Imaginação
Vai lá
Força da Imaginação
Vai lá

Quando um poeta compõe mais um samba
Ele funda outra cidade
Lamentando sua dor ele faz felicidade
Força da imaginação
Na forma da melodia
Não escurece a razão, ilumina o dia-a-dia

Força da imaginação, além dos pés e do chão
Chega lá, o que a mão ainda não toca
Coração um dia alcança
Força da Imaginação
Vai lá
Força da Imaginação
Vai lá

Quando uma escola traz de lá do morro
O que no asfalto nem é sonho
Atravessa o coração um entusiasmo medonho
Força da imaginação
Se espalhando pela avenida
Não pra alegrar a fraqueza
Mas pra dar mais vida à vida
(3x)
Força da imaginação, além dos pés e do chão
Chega lá, o que a mão ainda não toca
Coração um dia alcança
Força da Imaginação
Vai lá
Força da Imaginação
Vai lá

Sobre o ridículo das pequenas coisas...

Poema em linha reta

Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.


E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.


Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,


Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?


Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?


Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A MOÇA DO SONHO...

Estou mostrando hoje, uma das músicas mais bonitas de Chico Buarque, em parceria com Edú Lôbo...é preciso muita imaginação...

A Moça Do Sonho
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque / Edu Lobo



Súbito me encantou
A moça em contraluz
Arrisquei perguntar: quem és?
Mas fraquejou a voz
Sem jeito eu lhe pegava as mãos
Como quem desatasse um nó
Soprei seu rosto sem pensar
E o rosto se desfez em pó

Por encanto voltou
Cantando a meia voz
Súbito perguntei: quem és?
Mas oscilou a luz
Fugia devagar de mim
E quando a segurei, gemeu
O seu vestido se partiu
E o rosto já não era o seu

Há de haver algum lugar
Um confuso casarão
Onde os sonhos serão reais
E a vida não
Por ali reinaria meu bem
Com seus risos, seus ais, sua tez
E uma cama onde à noite
Sonhasse comigo
Talvez

Um lugar deve existir
Uma espécie de bazar
Onde os sonhos extraviados
Vão parar
Entre escadas que fogem dos pés
E relógios que rodam pra trás
Se eu pudesse encontrar meu amor
Não voltava
Jamais

A FORMATURA DE ROSÁLIA...


ROBERTO DO ACORDEON,Dra. ROSÁLIA, E ROBERTINHO, DR. BERNARDO E Dra. GRAÇA.




Ontem fui á colação de grau do curso de Direito da UNP.O centro de convenções lotado,mas bem refrigerado e todo mundo sentado.Era a Formatura de minha amiga Rosália, esposa do meu amigo Roberto do Acordeon,um dos cinco maiores sanfoneiros do Brasil, e o maior do Nordeste...Somos ligados umbilicalmente pela boa música...Robertinho é a festa ,nas minhas festas...
Uma solenidade rápida e bonita...discurso brilhante, o do orado da turma, Dr Damião,gostei...eloquente, lúcido. novo...Fez a apologia dos mestres,e dos que pensam que são mestres...A reitora da Unp, finalizou com GOETH:faz o justo,e o resto virá por sí só...
Depois , saímos para jantar e um longo papo...Amigo é coisa pra se guardar, debaixo de sete chaves...no coração.

NOTÍCIA DE JORNAL...



ÚBERES NOTÁVEIS


De vestido colante e decotado, Nana Magalhães, mulher do deputado Tiririca, chamou muito mais atenção do que o próprio, na Câmara, durante a posse dos parlamentares eleitos em outubro.

* * *

Abestado é todo aquele que pensa que o abestado é Tiririca…

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

RELIGIÃO EM ALTO NÍVEL..SEI NÃO...

THEMIS...MUITO MAIS CEGA...


PALÁCIO DA JUSTIÇA...E THEMIS...
Nilson Aguiar de Freitas


SOCIEDADE EM “XEQUE”




Palácio da Justiça - Brasília - Suntuosidade & Aparência

Quer exemplo mais gritante de uma justiça completamente desmantelada e inteiramente inoperante do que o caso daquele menor em São Paulo, flagrado e preso diversas vezes após ter furtado automóveis ?

E os casos – que aliás estão tomando proporções preocupantes – de crimes das mais diferentes naturezas praticados por menores por este país afora ?

Sinceramente senhores, “nunca antes neste país” as evidências nos transmitem um monte de razões, através das quais, nos transmitem sinais extremamente perigosos no que diz respeito à completa e total inoperância da nossa Justiça.

Está mais do que provado que o nosso Código Penal se mostra “caduco” e ultrapassado já há um bom tempo. Com uma clareza incontestável, muitos juristas – os de vergonha, claro – já se pronunciaram inúmeras vezes sobre a necessidade de uma atualização e reformulação em caráter de urgência, e a quem cabe a obrigação de faze-lo – esta classe parlamentar brasileira, completa e inteiramente prostituída – simplesmente não está nem um pouco preocupada em possibilitar a moralização deste mesmo Código.

Claro, eles são os primeiros a se beneficiarem com os inúmeros “atalhos” deliberadamente introduzidos naquele documento, com o fim de garantir a impunidade que campeia em todos os quadrantes jurídicos deste país.

O advento dos vários Estatutos criados – como por exemplo, o do Menor e do Adolescente – influíram decididamente em proporcionar – em doses cada vez mais avantajadas - determinadas liberdades aos infratores-mirins que surgem a cada momento, seja na classe abastada, seja na camada que costumamos classificar como carente.

A todo momento, nossa Justiça emite incontáveis “atestados de xoxó”, reconhecendo explicitamente a sua inoperância e a completa incapacidade de aplicar alguma sanção quando da constatação de algum delito. Nossa classe jurídica mostra-se “desmoralizada” cada vez mais, com o reconhecimento de figuras exponenciais declarando-se inteiramente desprovidas de instrumentos capazes de coibir a incontestável onda de impunidade implantada pelas “almas sebosas” que atuam nas instâncias responsáveis pela “avacalhação” imposta ao nosso Código Penal Brasileiro.

Está mais do que evidente a perigosa situação atualmente enfrentada pelos nossos tribunais, onde a maioria dos seus integrantes reconhecem a falta de maiores recursos jurídicos para a aplicação de punições exemplares.

E a incidência cada vez maior das penas alternativas e liberdades vigiadas, transformam juízes e promotores como legítimos e constantes emissores de “atestados de xoxó”, onde “o réu” termina estampando no canto da boca, “aquele risinho de deboche” ao receber a “sentença”.

A grande verdade é que, até no Superior Tribunal de Justiça, a sociedade já não acredita na sua autoridade plena e na firmeza de um julgamento totalmente isento, Vez por outra, determinados tipos de posicionamentos, refletem claramente tendências nebulosas dos “senhores togados”.

É triste se ter chegado ao ponto da própria Justiça reconhecer a sua inoperância, só “dando a ar da sua graça” em julgamentos “chinfrins” e sem a menor importância.

Que Deus se apiede de nós, é o que nos resta esperar neste que é indubitavelmente, “um país de tolos”.


THEMIS, Mais cega do que nunca