quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

CURTINDO ZÉ LIMEIRA...










Rubenio Marcelo glosando o mote:

Se não tenho o queixo duro,
Não tinha sobrevivido

Se não tenho o queixo duro,
Não tinha sobrevivido
Quando chegou o marido
Gritando: - Agora eu furo!
Eu, em flagrante, no escuro,
Inda em trajes de Adão,
Com banca de Ricardão
Na casa alheia, incauto,
Também gritei (e foi alto!)
Com cara de valentão.

Eu disse: “Gosto de ação,
Encaro qualquer parada;
Sou bom de mão e pernada,
Mas prefiro o três oitão;
Adoro uma confusão…
De nada me intimido
E quando fico mordido
Eu pego corno e penduro!”
Se não tenho o queixo duro,
Não tinha sobrevivido.

O cabra guardou a faca,
- Minha bravata colou -
Abriu a porta e gelou…
E eu vestindo a casaca.
Como quem faz gol de placa,
Saí restabelecido.
Igual a mim, eu duvido
Exista ator mais seguro.
Se não tenho o queixo duro,
Não tinha sobrevivido.

De fora, com energia,
Bradei, encerrando a cena:
- Não maltrate Madalena,
Não vá fazer covardia.
Cornélio, em letargia,
Só disse “sim”, convencido
Que ali tinha conhecido
A expressão do esconjuro.
Se não tenho o queixo duro,
Não tinha sobrevivido.

* * *

Um folheto de Mundin do Vale

CARTA DE PERO VAZ, SEGUNDO ZÉ LIMEIRA

Certa vez lá em Natal
Limeira tava cantando
Todo tempo misturando
Mossoró com Portugal.
Falava de carnaval
Numa casa de farinha,
Até que Zé de Ritinha
Perguntou: - Tu é perito?
Pois rime o que tava escrito
Na missiva de Caminha.

Rimo porque sei rimar
Carta, recado e cartilha
Tratado de Tordesilha
E Cabral em alto mar.
Rimo o rei a reclamar
Das viagens da rainha,
Gastando tudo que tinha
De Portugal pro Egito.
E agora rimo o escrito
Da missiva de caminha.

A carta:

Senhor rei de Portugal
Aos vinte e nove de abril
De um tronco de pau Brasil
Escrevo a carta real.
A viagem foi normal
Com as graças de Jesus
Que nos mostrou uma luz
Para uma ação pioneira.
Onde ergui sua bandeira
Na terra de Vera Cruz.


A terra aqui é tão boa
Que até já me acostumei
Confesso para o meu rei
Que já esqueci Lisboa.
A nativa sobe à toa
Na árvore pra chupar manga
Vestida só com uma tanga
Com o peito descoberto.
A gente olha bem de perto
E danada nem se zanga.

Não vou mais voltar aí
Pra não ter que trabalhar
Pois levo o tempo em pescar
E comer Índia tupy.
Vou ficar mesmo é aqui
Porque não sou abestado
Me esqueça no seu reinado
Que aqui tudo é maravilha.
Já comi até a filha
Do chefe Touro Deitado.

Tou fazenda um relatório
De tudo que acontece,
Dos índios fazendo prece
Na frente do oratório.
Já montei meu escritório
Na taba do feiticeiro,
Mas mande pena e tinteiro
E também papel paltado,
Que estou comprando fiado
De um cigano estradeiro

Os ídios quarem adotar
O costume português.
O vício da embriaguês
E a mania de trocar.
Não tenho como evitar
Essa permuta ilegal
Porque o próprio Cabral
Vive trocando arruela.
E até a índia mais bela
Já foi trocada por sal.

Quero também avisar
Pra meu rei tomar ciência
Que precisa providência
Urgente nesse lugar.
Os europeus vão chegar
Mudando a religião.
Vai chegar também ladrão
Para furtar à vontade,
Daí nasce a impunidade
Para a futura nação.

Chegou aqui um francês
Que é metido a bichinha
Ele esculhamba a rainha
E tudo quanto é português.
Aconteceu certa vez
Aqui no Monte Pascoal
Que ele assediou Cabral
Oferecendo o caneco.
Cabral quase teve um treco
Lá dentro do matagal.

Aqui já apareceu
O tal do esquentamento
Precisa medicamento
Que muita gente morreu.
Escute esse servo seu
Pra coisa não desandar,
A corte tem que mandar
Um médico para esse povo.
Eu mesmo já tou com um ovo
Em tempo de cozinhar.

Aqui já tem confusão
De índio com português
Já é a terceira vez
Que eu faço intervenção.
O nativo faz questão
De uma vida reservada,
Sem calçar nem vestir nada
E meu rei tem que entender
Que faz gosto a gente ver
Uma nativa pelada.

Prepare um navio cargueiro
Pra trazer equipamento,
Mande birô e acento
Pra seu fiel cavalheiro.
Eu passo um mês inteiro
Vivendo nesse sufoco
Recebendo muito pouco
Nessa minha sub-vida.
Já tou com a bunda doída
De viver sentado em toco.

O meu rei deve lembrar
Que a terra foi Deus que deu,
Depois vem o europeu
Querendo se apossar.
Os índios não vão gostar
Dessa perversa invasão
E vão entrar em questão
Mas não vão levar vantagem,
Porque somente a coragem
Não pode vencer canhão.

Não é bom meu rei mandar
Jogadores nem detentos
Pois esses maus elementos
ó servem para furtar.
É bom a corte cortar
O mal cheiro pela essência,
Pra não gerar descendência,
Dessa raça malfazeja.
Evitando que um esteja
Um dia na presidência.

Sei que vossa majestade
É o nosso rei soberano
Mas desenvolvi um plano
Pra essa comunidade.
Mostre a vossa autoridade
Agindo com inteligência,
Munido de coerência
E coragem pra reinar,
Na hora de decretar
O ato da independência.

Se um dia meu rei vier
É melhor que venha só
Aqui se arranja xodó
Porque não falta mulher.
Índia não sabe o que quer
Nem manda botar baralho.
E pra findar meu trabalho
Assino na última linha.
Seu Pero Vaz de Caminha
Sarney Magalhães Barbalho.

PENSANDO BEM...

No futebol, o Brasil ficou entre os 8 melhores do mundo e todos estão
> tristes.
> Na educação é o 85º e ninguém reclama..."
>
>
>
>
> EU APOIO ESTA TROCA
>
> TROQUE 01 PARLAMENTAR POR 344 PROFESSORES
>
>
> O salário de 344 professores que ensinam = ao de 1 parlamentar que rouba
>
>
> Essa é uma campanha que vale a pena!
>
>
> Repasso com solidária revolta!
>
> Prezado amigo!
>
> Sou professor de Física, de ensino médio de uma escola pública em uma
> cidade do interior da Bahia e gostaria de expor a você o meu salário
> bruto mensal: R$650,00
>
> Eu fico com vergonha até de dizer, mas meu salário é R$650,00. Isso
> mesmo! E olha que eu ganho mais que outros colegas de profissão que não
> possuem um curso superior como eu e recebem minguados R$440,00. Será que
> alguém acha que, com um salário assim, a rede de ensino poderá contar com
> professores competentes e dispostos a ensinar? Não querendo generalizar,
> pois ainda existem bons professores lecionando, atualmente a regra é essa:
> O professor faz de conta que dá aula, o aluno faz de conta que aprende, o
> Governo faz de conta que paga e a escola aprova o aluno mal preparado.
> Incrível, mas é a pura verdade! Sinceramente, eu leciono porque sou um
> idealista e atualmente vejo a profissão como um trabalho social. Mas nessa
> semana, o soco que tomei na boca do estomago do meu idealismo foi duro!
> Descobri que um parlamentar brasileiro custa para o país R$10,2 milhões
> por ano... São os parlamentares mais caros do mundo. O minuto trabalhado
> aqui custa ao contribuinte R$11.545.
> Na Itália, são gastos com parlamentares R$3,9 milhões, na França, pouco
> mais de R$2,8 milhões, na Espanha, cada parlamentar custa por ano R$850
> mil e na vizinha Argentina R$1,3 milhões.
>
>
> Trocando em miúdos, um parlamentar custa ao país, por baixo, 688
> professores com curso superior !
>
>
> Diante dos fatos, gostaria muito, amigo, que você divulgasse minha
> campanha, na qual o lema será:
>
> 'TROQUE UM PARLAMENTAR POR 344 PROFESSORES'.
>
>
> Repassar esta mensagem é uma obrigação, é sinal de patriotismo, pois a
> vergonha que atualmente impera em nossa política está desmotivando o nosso
> povo e arruinando o nosso querido Brasil.
> É o mínimo que nós, patriotas, podemos fazer.

A ALEGRIA DE ROBERTO DO ACORDEON...






hoje É UM DIA MUITO ESPECIAL PARA O MEU AMIGO ROBERTO DO ACORDEON...sua esposa, ROSÀLIA,recebe o diploma do curso de Direito...Pode-se resumir:UM SONHO QUE SE FEZ REALIDADE...Mesmo após casada, com filho de dez anos, acompanhando de perto as viagens e a vida artística do esposo,resolveu estudar, e hoje conclui o seu objetivo...Tenho certeza do seu sucesso como advogada...faz o que gosta, tem garra, tem gana...felicidades...
Roberto tem um filho, o Robertinho,uma criança de 1.90m,parrudo e calado...neste fim de semana desabrochou na sanfona, e já é um talento promissor...é, filho de gato é gatinho...Ví no seus acordes, de adolescente principiante,qualquer coisa de um futuro Dominguinhos...é só deixar o tempo e o treino agir.

IEMANJÁ...





Caminhos Do Mar (rainha Do Mar)
Dorival Caymmi
Rainha do mar
Yemanja Odoiá Odoiá
Rainha do mar

O canto vinha de longe
De la do meio do mar
Não era canto de gente
Bonito de admirar

O corpo todo estremece
Muda cor do céu do luar

Um dia ela ainda aparece
É a rainha do mar

Yemanja Odoiá Odoiá
Rainha do mar
Yemanja Odoiá Odoiá
Rainha do mar

Quem ouve desde menino
Aprende a acreditar
Que o vento sopra o destino
Pelos caminhos do mar

O pescador que conhece
as historias do lugar
morre de medo e vontade
de encontrar

Yemanja Odoiá Odoiá
Rainha do mar
Yemanja Odoiá Odoiá

O QUE ACONTECEU COM MARIA QUE NÃO FOI AO MAR?


Maria Vai Com As Outras
Vinicius de Moraes
Composição: Toquinho/Vinícius


Maria era uma boa moça
Prá turma lá do Gantois
Era Maria vai com as outras
Maria de cozer, Maria de casar

Porém o que niguém sabia
É que tinha um particular
Além de cozer, além de rezar
Também era Maria de pecar

Tumba é caboclo
Tumba lá e cá
Tumba é guerreiro
Tumba lá e cá
Tumba é meu pai
Tumba lá e cá
Não me deixe só

Maria que não foi com as outras
Maria que não foi pro mar
No dia dois de fevereiro
Maria não bincou na festa de Iemanjá

Não foi jogar água de cheiro
Nem flores pra sua Orixá
A Iemanjá pegou e levou
O moço de Maria para o mar

Tumba é caboclo
Tumba lá e cá
Tumba é guerreiro
Tumba lá e cá
Tumba é meu pai
Tumba lá e cá
Não me deixe só

Até hoje ainda se fala
das rodas lá do Gantois
Que triste era de ver Maria
na sala onde ela ia
pra se manisfestar

A gente ainda se admira
seu gira-gira sem parar
Maria girou! Deixaram girar
E a turma não parava de cantar:

Tumba é caboclo
Tumba lá e cá
Tumba é guerreiro
Tumba lá e cá
Tumba é meu pai
Tumba lá e cá
Não me deixe só

SALVE IEMANJÁ...





Dois de Fevereiro
Dorival Caymmi
Composição: Dorival Caymmi


Dia dois de fevereiro
Dia de festa no mar
Eu quero ser o primeiro
A saudar Iemanjá
Dia dois de fevereiro
Dia de festa no mar
Eu quero ser o primeiro
A saudar Iemanjá
Escrevi um bilhete a ela Pedindo pra ela me ajudar
Ela então me respondeu
Que eu tivesse paciência de esperar
O presente que eu mandei pra ela
De cravos e rosas vingou
Chegou, chegou, chegou
Afinal que o dia dela chegou
Chegou, chegou, chegou
Afinal que o dia dela chegou

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

MAUS EXEMPLOS...

UM TEXTO DE J.R. GUZZO


LIÇÕES DE CIMA

É a velha história: o peixe, como diz ditado, começa a estragar pela cabeça. É o que acontece no Brasil de hoje, com os atos de má conduta, desvios e delitos praticados por pessoas que têm cargos em algum lugar da máquina pública. O estrago começa no ponto mais alto da escala, o gabinete da Presidência da República, onde nos últimos oito anos foi feito de tudo para proteger acusados, esconder erros e embaralhar a apuração de fatos.

A pregação em favor da impunidade transformou-se numa bandeira política, ou num programa de governo - e o resultado é que um número cada vez maior de gente, no mundo das autoridades se sente cada vez mais estimulado a migrar para o mundo da delinquência. Por que não? O indivíduo que manda em alguma coisa acha que está autorizado a fazer o que bem entende, neste Brasil para todos, quando olha para cima e vê que ali acontece tudo e ninguém nunca é culpado de nada.

Quando a situação fica desse jeito, as coisas mais esquisitas começam a acontecer – como aconteceram, há pouco, nesta extraordinária história do delegado de polícia de São Paulo que conseguiu realizar o feito, aparentemente inédito, de bater num paralítico desarmado e preso a uma cadeira de rodas. Trata-se, claramente de um caso de “rompimento de paradigmas”, como se poderia ouvir numa palestra de autoajuda. Quem é que já viu uma cosia dessas? Mas aí está, acredite ou não.

O fato é que o delegado Damásio Marino, da cidade de São José dos Campos, agrediu um paraplégico com dois tapas, segundo admite o seu próprio advogado: é acusado, também, de ter espancado a vítima com o cano do seu revólver. É certo que Damásio não estava a serviço, em diligência de combate ao crime, quando atacou o paralítico: estava à procura de uma reles vaga de estacionamento no pátio de um hospital da cidade e quis parar seu carro num dos espaços reservadores aos deficientes físicos – o motivo por sinal, de todo esse conflite. Não se pode dizer, enfim, que o delegado tenha agido em legítima defesa, ou que o paraplégico o estivesse ameaçando com uma arma; o único revólver presente à cena estava na mão do próprio Damasio.

São os fatos.

Um episódio desses, em outros tempos, possivelmente tornaria Damasio um homem desprezado pelos colegas e condenado pelos superiores; ficaria marcado no meio policial como “o cara que bateu no aleijado” e poderia ter problemas sérios em sua carreira. Hoje em dia, com a doutrina segundo a qual autoridade não erra, já não se sabe. Uma pesquisa de opinião na categoria poderia dar 85% de popularidade ao delegado.

Pode-se esperar muita compreensão e apoio discreto, também, de quem está acima dele; até agora o governador do estado, o secretário de Segurança e outros peixes graúdos da hierarquia policial de São Paulo não foram capazes de dizer uma única palavra de reprovação ao que aconteceu. No momento não se pode afirmar, é claro, que o delegado Damasio seja culpado de alguma coisa, mesmo com a confissão de seu advogado.

Ele foi suspenso das suas funções por trinta dias, enquanto se faz uma sindicância interna, e só ao fim desse período haverá, ou não, uma palavra oficial - que, naturalmente, será apenas o ponto de partida para um processo que só estará concluído no dia do Juízo Final. Quem pode estar com um problema, na verdade, é o rapaz da cadeira de rodas. Talvez acabe sendo processado” por danos morais - isso sem falar no tratamento que deve esperar por parte dos muitos amigos do delegado na polícia.

A se repetir o resultado de quase 100% das investigações do poder público sobre delitos de seus integrantes, a história do delegado e do paralítico será mais um “caso superado”, como o governo gosta tanto de dizer. Damasio estará então liberado, caso lhe dê na telha, para em uma próxima visita ao hospital cobrir de pancadas um paciente na UTI, ou bater num velho de 70 anos por causa de outra vaga. Qual seria o problema?

A sindicância da Presidência da República sobre a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, demitida porque membros da sua família faziam negócios na área comandada por ela, concluiu que não aconteceu nada de errado, apesar das mais chocantes evidências em contrário. Erenice recebeu um abraço em público da nova presidente na festa da posse - e o seu caso é apenas um, entre centenas de outros nestes últimos anos. Esperemos, agora, pela próxima aberração.