quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

CARTA DO FILHO JÁ GRANDE...DR. BRENO AUGUSTO MIRANDA BEZERRA.

Breno Bezerra com Adriana Castro e outras 4 pessoas.
Todos sabem que sou uma pessoa reservada e não sou o mestre na confecção de belos textos, más nada mais oportuno para escrever neste dia para vc, painho!!! Li este texto, encaminhado pelos amigos, que foi escrito no Estadão web e fiz algumas adaptações para tudo que já vivemos até hoje e vamos viver ainda mais!!!
Texto: Pai, eu não te amo como antigamente.
por Ruth Manus
Pai,
Há muitos anos que não caibo mais no seu colo e não te chamo mais de Cabugentinho. Hoje meu peso já é demais para você me carregar nos seus ombros. E meus anos já não permitem certos mimos de antigamente.
Mas me flagro, às vezes, desejando que você ainda pudesse administrar minha vida, escolhendo os caminhos mais seguros para eu caminhar. Caminhada essa, livre de todo medo, por saber que você me observava a cada passo, tentando impedir meus tombos e tropeços. Lembro de sua frase “ O homem que tem medo do medo, É um Bosta!”
Os anos passaram. E a vida não perdoa atrasos.
A cada dia, por mais que nenhum de nós tivesse pedido, menos controle você passou a ter sobre a minha vida. Não pôde escolher meus empregos como escolhia minhas escolas. Não pôde vetar aquelas últimas cachaças e farras como vetava algumas coisas que não podia fazer quando criança.
E tudo aquilo que você fazia, e que um dia me pareceu infernal: Como não podia ir para o forró do turista, festa apenas em sábados de 15 em 15 dias, olhares tortos para amigos que não te pareciam boa coisa, o dinheiro sempre dado a mais para uma segurança, que eu tentava não gastar, hoje faz todo sentido. Fico orgulhoso também que meus verdadeiros amigos, hoje também são seus amigos.
Mas agora é comigo, pai.
E seria bom voltar ao tempo em que você me parecia imortal. Tempo em que era você quem se preocupava com a minha saúde e não eu com a sua. Tempo em que você tentava evitar meu resfriado ou ficava preocupado com meus 39 graus de febre. Mas hoje sou eu que cobro seus exames de sangue, seus exercícios físicos e tento te fazer ver que comer de menos não garantem uma velhice boa a ninguém.
Mas a vida chama.
Então me levanto, lavo o rosto, vou trabalhar. Porque você me levou no colo, me carregou nos ombros, mas também me ensinou a caminhar com minhas próprias pernas. E se hoje estou na estrada, trilhando caminhos decentes e honestos, você bem sabe que isso é obra sua.
E sabe, pai? Nesse domingo posso te dar um presente. Provavelmente não será grande coisa, mas é fruto do meu trabalho. Fruto do que só existe por sua causa. Pela educação e exemplo que você me deu.
E eu vou te olhar durante o almoço. Não com o encantamento que tinha aos 6 anos… Porque aos 6 anos era aquele amor cego das crianças. Já hoje, tenho esse olhar cirúrgico, avalio suas atitudes, aponto seus erros, reclamo dos seus defeitos e de seus descontroles. A verdade, pai, é que eu não te amo como antigamente. A verdade é que te amo ainda mais.
Te amo mais porque te vejo de verdade, com tudo de bom e de ruim, consciente de que você é um ser falho, como todos os outros, mas que, mesmo assim, consegue se manter como meu porto seguro, meu norte, aquele que me construiu, me guiou e ainda me guia, me acode nas quedas que não pode evitar, me ama com todos meus defeitos e é quem dá vida à ideia de “amor incondicional”.
É, pai, hoje você já não é tudo aquilo que foi para mim um dia.
Porque agora você é tudo aquilo que é para mim hoje. E hoje é amor dobrado, é amor firme e deliberado, desse filho, adulto e crítico, com um sentimento cada vez mais consolidado.
Esse texto me fez refletir sobre a retrospectiva que é de ser pai, e hoje, com a chagada de Breno Filho, consigo compreender exatamente o que é ser PAI!
Por isso, PAI! Obrigado por Tudo!

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